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Oliver - y

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 20/10/2026

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Grafite, Sabonete e Aço Afiado

A noite sobre a cidade de papel parecia ter sido desenhada com nanquim denso, daqueles que mancham os dedos e recusam desaparecer mesmo após várias lavagens. As ruas planas e dobradas repousavam sob o brilho pálido de uma lua recortada com tesoura cega, e o vento soprava com um sussurro rascante, lembrando o folhear violento de um livro didático antigo. A maioria dos estudantes da Paper School estava trancada em seus quartos, tremendo de medo das notas baixas ou estudando até os olhos arderem.

Oliver, no entanto, não pertencia à maioria obediente.

Ele caminhava casualmente pelo topo de um muro de tijolos cartolina, equilibrando-se com a facilidade de um acrobata e a insolência de quem sabia que comandava os corredores durante o dia. Seus longos cabelos brancos, que desciam em cascatas finas até a altura dos tornozelos, balançavam ao sabor da brisa noturna, presos lá embaixo por um laço preto cuidadosamente atado. No topo da cabeça, dois chifres negros e pontiagudos rompiam o ar como pequenas adagas, emoldurando uma mecha rebelde de ahoge dividida ao meio, que parecia ter vida própria e reagir a cada pensamento caótico que cruzava sua mente.

No lado direito de seu cabelo, o famoso círculo vermelho com a inscrição "A+" brilhava com certo sarcasmo sob a penumbra. Ele era o garoto de ouro dos boletins, o aluno perfeito no papel, mas um verdadeiro pesadelo em carne, osso e celulose. Oliver adorava o poder que aquele símbolo lhe dava. Significava imunidade. Significava que, enquanto alunos medíocres como Claire ou Engel corriam por suas vidas pelos corredores ensanguentados, ele podia rir alto ao lado de Zip e Edward, atirando aviõezinhos de papel embebidos em tinta ou pregando peças cruéis que deixavam cicatrizes permanentes.

Ele enfiou a mão esquerda no bolso de seus shorts brancos e puxou um pequeno retângulo azul-claro com aroma artificial de lavanda. Não era um doce. Era uma barra de sabonete Dove comum, ainda fresca.

Oliver deu uma mordida generosa, fazendo o sabão estalar entre seus dentes.

Uma camada de espuma perfumada cobriu os cantos de seus lábios. Sua língua bífida, fina e bifurcada como a de uma serpente venenosa, deslizou para fora da boca, saboreando a textura cremosa e química daquele lanche bizarro. Para qualquer outra pessoa no mundo, aquilo seria tóxico; para Oliver, era apenas uma refeição crocante e divertida, o combustível perfeito para suas travessuras da meia-noite. Ele mastigou com gosto, engolindo sem qualquer hesitação, sentindo a refrescância quase ácida descer pela garganta.

Ele olhou para o pulso esquerdo, onde um relógio analógico simples marcava quase duas da manhã. Depois, ergueu o braço direito — ou melhor, o que ocupava o lugar de seu braço: uma extensão sólida e cilíndrica de madeira amarela e chumbo, terminando em uma ponta perfeitamente afiada de grafite grosso. Seu braço de lápis era sua ferramenta e sua arma, usada tanto para desenhar piadas ofensivas nas carteiras quanto para cutucar dolorosamente as costelas dos novatos.

— Hora de ver o que nossa querida professora esconde quando não está nos perseguindo com sede de sangue — murmurou ele para si mesmo, soltando uma risadinha anasalada.

O alvo de sua excursão noturna erguia-se logo à frente: a residência sombria e imponente da Miss Circle.

A casa da temida professora de geometria parecia uma fortaleza de papelão preto e branco, com telhados angulares que lembravam esquadros gigantescos e janelas estreitas que pareciam fendas oculares prontas para julgar o erro de qualquer transeunte. Durante a tarde, Zip havia duvidado de sua coragem, e Edward apostara uma caixa inteira de giz de cera que Oliver não teria coragem de invadir o covil do monstro. Ele nunca recusava uma aposta. Além disso, a ideia de descobrir segredos comprometedores ou simplesmente roubar alguns dos biscoitos Oreo que a professora guardava obsessivamente era tentadora demais para ser ignorada.

Ele deslizou do muro sem fazer barulho. Suas botas pretas amorteceram o impacto na grama de papel picado, e ele correu agachado até uma das janelas laterais no térreo, mantendo as meias brancas até os joelhos limpas de qualquer sujeira rasteira.

A veneziana de madeira estava entreaberta, apenas alguns centímetros de folga. Oliver sorriu, mostrando dentes afiados. Usando a ponta de grafite de seu braço direito, ele alavancou a tranca com cuidado cirúrgico. A madeira gemeu baixinho, mas cedeu. Com um salto ágil e flexível, ele passou primeiro o tronco adornado pela camisa preta de gola listrada e o losango vazado no peito, recolhendo os longos cabelos brancos com a mão livre para evitar que ficassem presos na moldura.

Ele aterrissou no chão de tábuas enceradas da sala de estar. O silêncio que o recebeu era absoluto, pesado e sufocante, carregado com o cheiro inconfundível de poeira de giz, fita crepe e um toque metálico e ferroso que denunciava sangue seco recente.

Oliver ajeitou as roupas e deu alguns passos cautelosos. O interior da casa era assustadoramente geométrico. As paredes eram cobertas por prateleiras cheias de livros de cálculo avançado, triângulos de madeira e pastas cheias de testes reprovados manchados de carmesim. No centro da sala, uma mesa redonda exibia pilhas de relatórios escolares impecavelmente alinhados.

Ele deu mais dois passos em direção ao corredor escuro, seus olhos se acostumando à penumbra. Foi quando um rangido agudo quebrou a calmaria.

Creck.

Não havia sido ele. O som viera de cima, do teto, ou talvez do topo da escada espiral que levava ao segundo andar.

Instantaneamente, o instinto de sobrevivência de Oliver disparou. Ele tampou a boca com a mão esquerda, sufocando até mesmo o som de sua respiração rasa, enquanto a língua bifurcada tremia de leve contra a palma úmida. Ele congelou no lugar, transformando-se em uma estátua de papel e tinta, mal ousando piscar os olhos castanhos e atentos.

O ar na sala subitamente esfriou vários graus. Uma corrente de ar gélida passou pela sua nuca, fazendo o pequeno ahoge sobre sua cabeça se eriçar em alerta máximo.

Atrás dele, uma sombra colossal e desproporcional começou a se erguer na parede oposta, projetada por uma fonte de luz inexistente. A sombra era vasta, com chifres pontiagudos que imitavam orelhas demoníacas e cabelos longos e irregulares que caíam como cortinas rasgadas.

E então, o som característico ecoou pelo cômodo fechado.

Shhh-clack.

Era o atrito mecânico de metal contra metal, o som de uma dobradiça pesada sendo ajustada milimetricamente.

Oliver sentiu o peso de uma presença gigantesca logo atrás de si. Lentamente, sem tirar a mão da boca, ele virou a cabeça alguns graus para o lado.

Miss Circle estava ali.

Ela parecia três vezes maior na escuridão de sua própria casa do que nas salas de aula iluminadas da escola. Seu corpo esguio e monumental erguia-se quase até o forro, os cabelos negros caindo desgrenhados sobre os ombros pálidos. Seus olhos brilhavam em uma escuridão vazia, focados diretamente no topo da cabeça de Oliver, e a boca desenhava um sorriso recortado, fino e aterrorizante, que expunha fileiras de dentes pontiagudos como lâminas de serra.

No lugar de seu braço esquerdo, o compasso colossal reluzia. A ponta seca não era de grafite comum; era uma lâmina de aço afiada, triangular e polida, brilhando com um reflexo sinistro que capturava a luz fraca da janela. A lâmina estava posicionada a menos de três dedos da nuca de Oliver, tão perto que ele podia sentir a frieza do metal emanando sobre sua pele de papel.

Por um longo segundo, nenhum dos dois se moveu. O relógio de pulso de Oliver tiquetaqueava no silêncio mortal: tique, taque, tique, taque.

A professora inclinou a cabeça para o lado em um movimento brusco e espasmódico, um ângulo quase não natural que fez seus cabelos negros estalarem contra o vestido escuro.

— Ora, ora, ora... — A voz de Miss Circle não passava de um murmúrio grave, rouco e arrastado, parecendo o arranhar de unhas compridas contra uma lousa verde. — O que temos aqui no meio da minha sala de estar? Um pequeno roedor que perdeu o caminho da cama?

Oliver abaixou lentamente a mão esquerda, soltando o ar que prendia nos pulmões com um suspiro controlado. Seu coração martelava forte contra o peito vazado pelo losango de sua camisa, mas seu orgulho de valentão se recusava a deixá-lo demonstrar pânico puro. Ele engoliu a espuma residual de sabonete que ainda tinha na garganta e esboçou seu sorriso torto e característico.

— Boa noite para a senhora também, Miss Circle — disse Oliver, tentando manter a voz estável e descontraída. — Bela noite para corrigir provas, não acha?

— Você tem exatamente três segundos para me dar uma justificativa geométrica aceitável para invadir o meu espaço privado, Oliver — retrucou a professora, descendo o compasso alguns milímetros até que a ponta da lâmina tocasse de leve a gola de sua camisa listrada. — E você sabe perfeitamente bem o que acontece com alunos que não sabem justificar suas respostas.

— Ei, calma aí! Não precisa gastar o fio do compasso com um aluno nota máxima — Oliver levantou as duas mãos — ou melhor, a mão esquerda e a ponta de grafite — em um gesto zombeteiro de rendição. — Digamos que... eu estava preocupado com a qualidade do material escolar da escola. E queria ver se a lenda sobre o estoque secreto de doces da senhora era verdade.

Miss Circle estreitou os olhos. A lâmina não recuou um milímetro sequer.

— Você acha que ser meu melhor aluno nas avaliações te dá imunidade fora dos portões da escola, garoto arrogante? — A voz dela subiu de tom, vibrando com uma ameaça palpável que fez as tábuas do chão tremerem levemente. — O sistema educacional é muito claro. Intrusão é punível com retenção... permanente.

— Mas veja pelo lado prático! — exclamou Oliver, a língua bífida escapando rapidamente entre os lábios num tique nervoso enquanto seus pensamentos calculavam uma rota de fuga. — Se a senhora me picar em confetes agora, quem é que vai manter a média da turma alta o suficiente para o diretor não cortar a verba dos seus gizes coloridos? A Claire? O Engel? Aqueles idiotas não conseguem calcular a hipotenusa de um triângulo retângulo nem se as vidas deles dependessem disso... o que, tecnicamente, depende.

A menção aos outros alunos pareceu despertar uma centelha de diversão sádica no rosto esticado da professora. O sorriso triangular dela aumentou ainda mais, quase tocando as bordas de sua face pálida.

— Você é desprezível, sabia disso? — disse ela, o tom agora pingando sarcasmo cruel. — Adora empurrar os fracos para as minhas mãos no intervalo, rindo enquanto eles choram pelos cadernos rasgados. Mas olhe para você agora. Encurralado como um rascunho amassado prestes a ser atirado no lixo.

— Sou travesso, professora, não burro — rebateu ele, erguendo o queixo e sacudindo o longo rabo de cavalo branco com audácia calculada. — Há uma diferença matemática bem grande aí.

— Prove — sibilou ela, levantando o braço de compasso alto no ar.

A lâmina rasgou o ar com um assobio agudo quando ela desferiu um golpe vertical violento.

Oliver não esperou para ver o resultado. Com a agilidade de quem passava os intervalos correndo para escapar das próprias encrencas, ele se jogou de lado, rolando no chão de madeira. O compasso de Miss Circle atingiu o assoalho exatamente onde os pés dele estavam um instante antes, partindo as tábuas com um estalo estrondoso e levantando lascas afiadas de papel e madeira para todos os lados.

— Errou o cálculo do ângulo, professora! — gritou Oliver enquanto se levantava de um salto, já disparando em direção à cozinha.

— Volte aqui, seu pedaço inútil de papel rascunho! — rugiu Miss Circle, arrancando a lâmina do chão com uma facilidade descomunal e avançando em passadas gigantescas que faziam a casa inteira chacoalhar.

Oliver correu pela cozinha, suas botas derrapando levemente no chão de linóleo quadriculado. As paredes ali eram adornadas com prateleiras cheias de potes de vidro, a maioria vazia, mas uma prateleira em particular, bem no alto, ostentava vários pacotes reluzentes de biscoitos recheados preto e branco. Ele não resistiu ao impulso da pura provocação.

Erguendo seu braço de lápis, Oliver usou a ponta de grafite resistente para golpear a prateleira. O suporte quebrou com um estalo seco, e três pacotes inteiros de Oreo despencaram no chão bem no caminho de Miss Circle.

A professora parou bruscamente a um palmo de pisar nos biscoitos. Seus olhos se arregalaram em uma expressão de choque quase cômico, horrorizada com a possibilidade de esmagar suas preciosidades sob seus saltos pesados.

— Meus... meus Oreos! — balbuciou ela, congelada na pose ameaçadora, a lâmina do compasso vacilando no ar.

— De nada pela distribuição de lanche! — debochou Oliver, já alcançando a porta dos fundos da cozinha.

Ele tentou girar a maçaneta, mas estava trancada com uma fechadura dupla. Droga. Ele olhou para trás. Miss Circle já estava recuperando a postura, os olhos brilhando com uma fúria vermelha e assassina enquanto recolhia cuidadosamente um dos pacotes com sua mão livre e o colocava no bolso do vestido.

— Você passou dos limites, Oliver — rosnou ela, a voz descendo para um tom gutural que lembrava uma tempestade iminente. — Nenhum "A+" vai salvar o seu pescoço agora.

Ela levantou o compasso novamente, apontando a lâmina triangular diretamente para o peito dele, pronta para fazer uma estocada fatal. O espaço entre os dois era pequeno demais para uma esquiva limpa.

Oliver enfiou a mão esquerda no bolso mais uma vez. Seus dedos encontraram a metade restante daquela barra de sabonete de lavanda.

Com um movimento rápido e imprevisível, ele não atirou o sabonete na cara da professora — isso seria óbvio demais e ela simplesmente cortaria o objeto ao meio. Em vez disso, Oliver jogou o sabão no chão, bem no piso liso de linóleo, e com a ponta de sua bota preta, chutou-o diretamente sob os pés descalços e pálidos da criatura colossal enquanto ela dava o primeiro passo em sua direção.

Miss Circle pisou com todo o seu peso sobre o retângulo escorregadio de sabão.

A física элементаr fez o restante do trabalho. A perna de apoio da professora deslizou descontroladamente para a frente, quebrando sua postura imponente. Ela soltou um grito rouco e furioso de surpresa enquanto seu corpo gigantesco perdia o equilíbrio, caindo para trás com um baque ensurdecedor contra a mesa da cozinha. Pratos de papel voaram, xícaras se despedaçaram e o compasso cravou-se profundamente no batente da porta da despensa, prendendo temporariamente o braço mecânico da mulher no batente.

— Mas que diabos é isso?! Tem gosto de flores baratas! — gritou ela, tentando se desvencilhar enquanto espumas azuis se formavam sob suas solas.

— É Dove, professora! Limpa noventa e nove por cento das bactérias e cem por cento dos perseguidores! — riu Oliver, desfrutando da visão ridícula da criatura mais temida da escola presa na própria mobília.

Sem perder mais nenhum segundo, ele apontou seu braço de lápis diretamente para o vidro da janela basculante da cozinha. Com um golpe seco e firme da ponta de grafite afiada, o painel de vidro quebrou-se em pedaços espalhados.

Oliver saltou pelo buraco estreito, apoiando as mãos no parapeito e impulsionando seu corpo leve para o exterior. Ele caiu no quintal gramado rolando sobre os ombros, sentindo a brisa fresca da madrugada bater em seu rosto coberto de suor e vestígios de sabão.

Atrás dele, o barulho de madeira sendo estilhaçada indicava que Miss Circle havia conseguido soltar seu compasso da despensa.

— OLIVER! — O rugido dela ecoou pela janela quebrada, fazendo as folhas de papel das árvores vizinhas tremerem de medo. — Se você não tirar nota máxima na prova da próxima terça-feira, eu juro que vou te dissecar em três partes geometricamente simétricas!

Oliver continuou correndo, seus longos cabelos brancos flutuando atrás de si como a cauda de um cometa sob a luz da lua. Ele virou-se apenas o suficiente para acenar de costas com a mão esquerda, soltando uma gargalhada genuína, cheia de malícia e diversão infantil.

— Combinado, professora! — gritou ele em resposta, a voz se perdendo na distância. — Mas só se a senhora trouxer biscoitos para a aula!

Ele pulou a cerca viva de papelão do quintal vizinho com a facilidade costumeira, caindo de pé no asfalto escuro da rua vazia.

O silêncio da cidade aos poucos voltou a se estabelecer, quebrado apenas pela sua respiração acelerada e pelo som rítmico de suas botas batendo contra o chão. Oliver desacelerou o passo até se transformar em uma caminhada triunfante. Ele passou a manga da camisa no rosto, limpando a fuligem e a sujeira da invasão, e ajeitou o laço preto que prendia suas mechas lá embaixo, perto dos tornozelos.

Enfiando a mão no outro bolso do shorts, ele sentiu algo fino e crocante. Seus olhos se iluminaram.

Durante a bagunça na cozinha, no milésimo de segundo antes de chutar o sabonete, sua mão rápida havia conseguido arrebatar um único biscoito recheado do pacote quebrado.

Oliver colocou a bolacha inteira na boca. O gosto doce do açúcar e do chocolate contrastou bizarramente com o sabor químico de lavanda que ainda impregnava sua língua bífida, criando uma mistura esquisita que qualquer pessoa normal cuspiria na mesma hora.

Para Oliver, porém, tinha o gosto perfeito da vitória.

— O Edward vai ter que me pagar uma caixa inteira — murmurou ele, sorrindo de orelha a orelha enquanto a ponta do lápis em seu braço direito brilhava sob a lua. — E com certeza vai ter que engolir um pedaço de sabão antes do primeiro sinal tocar.

Com passos leves e a mente já fervilhando com as próximas pegadinhas que faria ao lado de Zip no dia seguinte, o garoto de cabelos brancos desapareceu nas sombras da Paper School, deixando para trás nada além de cacos de vidro, espuma fresca e a fúria cega de sua professora de matemática.

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