
Abbie And your new hobby!?
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 20/10/2026
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Aventais, Maçãs e Batimentos Descompassados
Os corredores monocromáticos da Paper School sempre carregavam um eco de tensão sufocante. Para Abbie, cada passo dado naquele chão quadriculado parecia uma aposta contra a própria sobrevivência. Entre os olhares afiados de Miss Circle e o ranger das réguas e compassos pontiagudos, o garoto vivia em um estado perpétuo de pânico. Ele precisava desesperadamente de uma válvula de escape, algo que não envolvesse resolver equações complexas sob a ameaça de uma carnificina de papel cortado. Ele precisava de um hobby.
A ideia de aprender confeitaria surgiu quase como um sussurro de alívio. Mexer com massas doces, açúcar e fatias de maçã parecia ser o tipo de atividade pacífica e inofensiva que poderia acalmar seus nervos desfeitos. O laboratório de culinária e artes domésticas ficava em uma ala quase abandonada no final da tarde, longe das rondas aterrorizantes dos professores. Era o refúgio perfeito.
No entanto, o problema começou antes mesmo de ele colocar as mãos na primeira xícara de farinha.
Em seu pequeno quarto, Abbie encarava o espelho com os olhos arregalados e as mãos trêmulas pressionadas contra o rosto. Ele havia tirado seu uniforme escolar habitual — a camisa branca de mangas curtas, a bermuda e o colete preto que, por mais apertado que fosse, ainda conseguia disfarçar um pouco de sua silhueta incomum. Para a aula prática de panificação, havia comprado um conjunto específico por correspondência, mas o corte daquelas roupas era um completo desastre para o seu corpo.
A vestimenta consistia em uma camisa azul-clara de botões finos, calças de um tom azul-acinzentado e um avental azul-marinho de tecido pesado. O erro fatal residia na camisa: a gola era cortada de forma excessivamente aberta e os botões começavam muito abaixo do que ele estava acostumado.
Abbie puxou as bordas do tecido com dedos trêmulos, sentindo o rosto queimar em um tom escarlate vívido. Seu peito era anormalmente farto, volumoso e pesado, algo que sempre fora a causa de seus maiores pesadelos e crises de timidez. Naquela camisa, a curva profunda de seu decote ficava completamente escancarada, pálida e vulnerável contra o azul do tecido. E para piorar, o avental azul-marinho, amarrado firmemente na cintura, criava uma base que empurrava e sustentava seu busto para cima, destacando ainda mais aquele volume exagerado.
— Isso... isso não está certo — sussurrou Abbie para si mesmo, com a voz embargada de vergonha. A folhinha verde que crescia entre seus cabelos pretos na altura dos ombros parecia murchar diante do constrangimento. — Eu não posso sair assim... todo mundo vai rir. Vão olhar e... vão rir!
Ele tentou fechar o colarinho com a mão, mas a camisa simplesmente não tinha botões até o topo. Se tentasse puxar demais, o tecido de papel repuxava e ameaçava rasgar nas costuras laterais.
Abbie deu um passo tímido em direção à porta do quarto, hesitante. Ao pisar no chão com um pouco mais de força, sentiu um solavanco repentino.
O peso macio em seu torso balançou para cima e para baixo, uma sensação oscilante, suave e pesada ao mesmo tempo.
O garoto paralisou instantaneamente, arquejando com o susto da própria anatomia. Ele levou as duas palmas abertas contra o peito, tentando conter o movimento tardio, o coração disparado como o de uma lebre encurralada.
— Não, não, não... por que balança tanto?! — gemeu ele, enterrando o queixo no peito e percebendo que a visão de seu próprio decote apenas intensificava o calor que subia por seu pescoço. — É só andar devagar. Se eu andar sem pressa, nada se mexe. Ninguém vai notar...
Engolindo o choro e a vergonha que formigava em sua pele, Abbie abriu a porta do quarto e esgueirou-se para o corredor.
A caminhada até a sala de culinária foi um exercício de pura tortura psicológica. Cada passada tinha que ser calculada com extrema rigidez. Se descesse um degrau de forma descuidada, sentia a gravidade puxar seu peito farto, fazendo com que ele balançasse visivelmente sob a camisa aberta, provocando uma onda insuportável de rubor. Ele andava praticamente curvado, com os braços cruzados sobre o avental azul-marinho na vã tentativa de esmagar o próprio volume contra as costelas.
Por pura sorte — ou misericórdia do destino —, os corredores estavam desertos. As sombras das tesouras e réguas dos professores não estavam à vista.
Quando finalmente alcançou a porta de madeira branca da sala de culinária, Abbie deslizou para dentro e a trancou por dentro com um suspiro audível de alívio.
— Consegui... — murmurou, apoiando as costas na superfície de madeira.
A sala era ampla, cheia de bancadas de mármore branco polido, batedeiras de manivela, fornos antigos e prateleiras repletas de potes de vidro com grãos, nozes e especiarias. O cheiro residual de baunilha e canela no ar finalmente começou a dissipar a névoa de pânico em sua mente.
Ele respirou fundo, tentando focar no objetivo. Havia trazido algumas maçãs vermelhas e doces, colhidas do pomar atrás dos dormitórios. Ele queria fazer tortinhas simples, daquelas com massa folhada e recheio caramelizado.
Abbie caminhou até a bancada central. O avental azul-marinho roçava em suas pernas a cada movimento. Determinado a ignorar o desconforto, começou a organizar os ingredientes: farinha, manteiga gelada, açúcar mascavo e uma pitada de sal.
— É só cozinhar — disse a si mesmo, tentando incutir coragem no próprio tom de voz. — Não tem ninguém aqui. Ninguém está me vendo.
Ele pegou uma tigela pesada de cerâmica na prateleira inferior. Ao se abaixar para pegá-la, a camisa de botões pendeu para a frente, revelando ainda mais da curva generosa de seu peito desprotegido. Abbie sentiu o ar frio da sala tocar a pele exposta de seu decote e estremeceu, recolhendo-se apressadamente. Ao erguer-se com a tigela pesada entre as mãos, o esforço fez com que seus ombros se contraíssem, e seu peito novamente oscilou de forma notável sob o decote aberto.
O rosto do rapaz ardeu em brasa.
— Pare com isso... por favor, pare de se mexer assim — suplicou ele para o próprio corpo, sentindo-se a criatura mais ridícula de toda a escola.
Ainda assim, a necessidade de encontrar paz através da culinária falou mais alto. Abbie despejou a farinha na tigela, cortou a manteiga em cubos pequenos e começou a trabalhar a massa com as pontas dos dedos. Havia algo de genuinamente terapêutico naquele processo. O som suave da manteiga se misturando à farinha, transformando-se em uma farofa úmida e cheirosa, começou a distraí-lo daquela camisa excessivamente reveladora.
Ele logo passou para a etapa seguinte: sovar a massa sobre a bancada enfarinhada.
E foi aí que o constrangimento atingiu um novo patamar.
Sovar massa exigia ritmo e força nos braços. Abbie empurrava a massa com a base das palmas das mãos, dobrava-a sobre si mesma e empurrava novamente. A cada impulso vigoroso que aplicava contra o mármore, seu corpo inteiro absorvia o impacto. Consequentemente, seu peito farto balançava com uma fluidez evidente, subindo e descendo contra a camisa azul-clara, completamente solto dentro do corte generoso do decote.
O movimento era constante e impossível de ignorar.
— Ah, céus... não, não, não! — Abbie parou de repente, arfando, com os olhos marejados. Ele soltou a massa e cruzou os antebraços sujos de farinha sobre o peito, tentando segurar a própria carne. — É... é pesado demais! Por que isso não fica quieto?!
Ele olhou para o reflexo na porta de vidro de um dos armários suspensos. A imagem que viu quase o fez querer se enfiar em um buraco: o avental azul-marinho desenhava perfeitamente sua cintura fina antes de se abrir para dar espaço ao busto desproporcional; a camisa azul-clara estava entreaberta, manchada de um pouco de farinha branca bem no início do decote, e a mecha de cabelo com a folhinha balançava de um lado para o outro conforme ele tremia.
Era vergonhoso demais. Ele parecia ter saído de uma revista estranha, não de uma aula de culinária estudantil.
Antes que pudesse processar completamente a própria humilhação, uma batida suave e rítmica soou na porta da sala.
Abbie quase pulou até o teto de susto, soltando um guincho agudo.
— Abbie? Você tá aí dentro? — A voz do outro lado era inconfundivelmente doce e despreocupada. Era Lana.
O coração do garoto parou. Lana era sua amiga mais próxima, a garota divertida que sempre usava fantoches de meia nas mãos e parecia viver em um mundo muito mais colorido e gentil do que a realidade sangrenta da Paper School. Mas a última coisa que ele queria naquele momento era que ela o visse com aquele decote exposto e o peito oscilando a cada respiração descompassada.
— L-Lana?! — respondeu ele, a voz quebrando em puro desespero. — E-eu... eu estou ocupado! Muito ocupado! Não pode entrar!
— Mas eu senti cheiro de maçã e canela lá do corredor! — insistiu ela, e a maçaneta começou a girar, encontrando a tranca. — Deixa eu entrar, Abbie! Eu trouxe o fantoche de coelho pra ajudar a amassar coisas!
— Não, espera! — gritou ele, correndo desajeitadamente pela sala para encontrar um pano de prato, uma toalha, qualquer coisa para cobrir a parte frontal de sua camisa. No movimento brusco de corrida, o impacto de seus passos fez seu busto pular vigorosamente sob o tecido fino, fazendo-o tropeçar nos próprios pés de tanta vergonha. — Lana, não olha!
O clique da fechadura ecoou. A porta se abriu devagar. Aparentemente, a tranca antiga daquela sala não era páreo para um empurrãozinho persistente.
Lana colocou a cabeça para dentro da sala, os olhos brilhando de curiosidade, os fantoches de meia cobrindo suas mãos como sempre.
— Abbie, por que você trancou a... — Ela parou no meio da frase, piscando surpresa.
Abbie estava encostado contra a bancada, tentando em vão cruzar os braços sobre o peito com um pano de prato xadrez enrolado de forma desajeitada ao redor do pescoço. No entanto, o pano havia escorregado para o lado no susto, deixando quase metade do decote e da camisa azul-clara perfeitamente visíveis. Seu rosto estava tão vermelho que parecia uma das maçãs maduras sobre a tábua de corte, e a pequena folha em seu cabelo estava curvada para baixo, tremendo como uma vara verde ao vento.
— E-eu... eu posso explicar! — gaguejou Abbie, à beira das lágrimas, puxando desesperadamente as laterais do avental azul-marinho para tentar cobrir a frente do corpo. — É o uniforme do hobby! Foi a loja que mandou o tamanho errado! Eu juro que eu não queria usar isso! Não olha, Lana, por favor não olha!
Lana inclinou a cabeça para o lado, observando a cena por alguns segundos em completo silêncio. Seus fantoches se moveram como se estivessem cochichando entre si.
— Uau — disse ela com naturalidade, entrando completamente na sala e fechando a porta atrás de si com o calcanhar. — Azul fica muito bonito em você, Abbie!
O garoto piscou, chocado.
— F-fica...? — Ele hesitou, mas a vergonha ainda apertava sua garganta como um nó cego. — Mas... mas olha isso! Olha como a camisa é aberta! Dá pra ver... dá pra ver tudo!
— Não dá pra ver tudo, bobo — riu ela, aproximando-se da bancada aos pulinhos. — É só um pouco de pele. E você tá usando um avental! Parece um padeiro de verdade. Muito fofo!
— Não é fofo! — exclamou ele, sentindo o peito subir e descer com força pela respiração acelerada. A cada palavra dita com mais ênfase, o volume farto sob a camisa respondia ao movimento de seus pulmões, algo que ele tentava disfarçar apertando as mãos contra a cintura. — Fica... fica balançando! É horrível! Eu tava tentando sovar a massa e parecia que... parecia que eu tava desmontando!
Lana soltou uma risadinha suave, levantando o fantoche de meia felpudo e tocando de leve o ombro tenso de Abbie.
— É só o seu corpo, Abbie. Não tem nada de errado nisso. Você só é... bem mais macio que os outros garotos.
A palavra "macio" ecoou na mente de Abbie como uma sentença fatal. Ele cobriu o rosto inteiro com as mãos enfarinhadas, esquecendo-se completamente de que isso deixaria farinha espalhada por suas bochechas e nariz.
— Eu quero desaparecer — choramingou ele por entre os dedos. — Miss Circle vai me picar em pedacinhos se me vir assim, ou o Oliver vai fazer uma piada horrível e desenhar coisas na minha lousa...
— Eles não vão ver, porque ninguém além de mim sabe que você tá aqui — disse Lana com uma calma confortante, puxando devagar os pulsos dele para que ele tirasse as mãos do rosto. Ela olhou para a farinha espalhada nas bochechas dele e sorriu. — E eu não vou rir de você. Nunca.
Abbie olhou para ela com olhos úmidos e brilhantes.
— Promete?
— Prometo com a patinha do coelho! — Ela ergueu a mão fantasiada, fazendo o boneco acenar solenemente. — Agora, me diz: o que você tava fazendo com essas maçãs?
O constrangimento não sumiu de forma mágica, mas a presença tranquila e sem julgamentos de Lana fez a névoa de pânico se dissipar um pouco. Abbie respirou fundo, tentando aceitar o fato de que, pelo menos por aquela tarde, ele teria que lidar com sua camisa reveladora e seu avental azul-marinho.
— E-eu tava tentando fazer tortinhas — admitiu ele em voz baixa, puxando timidamente as pontas do colarinho azul-claro para tentar juntá-las, sem sucesso. — A massa precisa ser sovada, mas... se eu fizer força, balança tudo de novo.
Lana olhou para a massa na bancada e depois para suas próprias mãos cobertas por meias.
— Bom, eu não posso sovar porque as meias vão ficar cheias de manteiga — ponderou ela, pensativa. — Mas eu posso te ajudar a segurar a tigela enquanto você corta as maçãs! Cortar maçã não faz nada balançar, né?
Abbie soltou uma risada entrecortada, meio tímida, sentindo a tensão abandonar seus ombros.
— Não... cortar maçã é mais calmo.
— Então combinado! Você corta as maçãs, tempera com a canela e o açúcar, e depois a gente divide a massa com o rolo de macarrão bem devagarzinho. Sem pressa e sem sacolejos!
— Sem sacolejos — repetiu Abbie, corando novamente com a escolha de palavras, mas um pequeno e raro sorriso surgiu em seus lábios.
Eles se posicionaram lado a lado na bancada. Abbie pegou a faca sem ponta e começou a fatiar as maçãs vermelhas em meia-lua finas e delicadas. Conforme se concentrava no som rítmico da lâmina contra a tábua de madeira, ele quase conseguiu esquecer a brisa fresca em seu decote exposto e a pressão farta sob o avental.
Lana cantarolava uma melodia alegre enquanto organizava as forminhas de torta. A cada vez que Abbie se movia para alcançar uma nova maçã, ele ainda sentia o peso suave oscilar contra o peito, mas agora não parecia mais um motivo para querer chorar de desespero. Era apenas ele, tentando encontrar um pouco de doçura em uma escola feita de perigo e papel afiado.
Quando as primeiras tortas finalmente foram para o forno antigo, o aroma açucarado preencheu a sala por completo. Abbie sentou-se em um banco alto, ajustando o avental azul-marinho sobre os joelhos, observando o reflexo das chamas dançarem no vidro do forno. Ele ainda achava aquela camisa azul-clara a pior escolha de figurino que já fizera na vida, mas, enquanto o cheiro de maçã assada pairava no ar e Lana contava piadas com seus fantoches, ele percebeu que aquele hobby valia a pena. Mesmo que tivesse que aprender a conviver com o próprio descompasso.
