Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Oliver!:3

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 21/10/2026

Tags

DramaDor/ConfortoPsicológicoSombrioEstudo de PersonagemCenário CanônicoCrack / Humor Paródico
≡ Índice

Grafite Quebrado e Laços Apertados

A escuridão daquela sala não parecia a ausência comum de luz; era densa, quase palpável, cheirando a poeira de giz velho, mofo e papel guardado há décadas. No centro daquele vazio gélido, a respiração de Oliver ecoava de maneira abafada, rítmica e entrecortada. Seus sentidos despertavam aos solavancos, como o estalar de uma folha sendo bruscamente arrancada de um caderno espiral.

A primeira coisa que sentiu foi a rigidez incômoda em suas costas. Ele estava preso a uma cadeira pesada de carvalho, daquelas antigas da sala dos professores, e várias voltas de corda áspera prendiam seu tronco, seus braços e suas pernas aos suportes de madeira. Seu braço direito — a imponente prótese em formato de lápis com ponta de grafite afiada — estava imobilizado rente ao corpo, impedindo qualquer chance de usar sua melhor arma para perfurar a amarração.

A segunda sensação, e de longe a mais humilhante, estava em seu rosto.

Entre seus dentes repousava uma esfera vermelha, lisa e sólida, mantida firmemente presa por grossas tiras de couro que contornavam suas bochechas e se afivelavam na parte de trás de sua cabeça, logo abaixo da base de seu cabelo. A mordaça empurrava sua língua bifurcada para trás, obrigando-o a engolir a própria saliva e impedindo que ele pronunciasse qualquer sílaba coerente. Ele mal conseguia fechar os lábios, e um fio brilhante de baba escorria discretamente pelo canto de sua boca.

Oliver sacudiu a cabeça em desespero, os chifres negros raspando no encosto alto da cadeira. Seus longos cabelos brancos, que normalmente desciam em uma cascata perfeita até a altura dos tornozelos presos por um laço preto, estavam espalhados pelo chão emaranhado, como tiras de papel sulfite rasgadas. A mecha bipartida em forma de ahoge no topo de sua cabeça tremia conforme sua frustração aumentava.

— Mmmph! Nnngh! — resmungou ele, debatendo-se.

O movimento brusco fez a cadeira oscilar. As pernas de trás perderam o contato com o chão empoeirado, oscilando perigosamente em dois pontos de apoio. O equilíbrio foi quebrado. O peso do corpo de Oliver, somado ao comprimento de seus cabelos e à rigidez da madeira, começou a puxá-lo para trás em uma queda inevitável. Seus olhos se arregalaram em pânico. Se caísse daquela altura, de costas, seu crânio ou seus chifres colidiriam violentamente contra o piso de concreto duro.

Ele fechou os olhos com força, encolhendo os ombros cobertos pela camisa preta de gola listrada, esperando pelo impacto desastroso.

O impacto, no entanto, não veio.

Com um estalo suave de botas ecoando pelo piso, um vulto emergiu das sombras atrás dele. Duas mãos firmes seguraram o topo do encosto da cadeira, freando a queda no ar com precisão mecânica, antes de empurrar o móvel suavemente de volta para as quatro pernas. O som oco do impacto da madeira no chão ecoou pelo quarto escuro.

Oliver arfou contra a mordaça de bola, o coração disparado martelando em seu peito sob o corte em losango de sua camisa. Ele olhou para cima, piscando para afastar o suor frio dos olhos, e deu de cara com uma silhueta inconfundível.

Era Edward.

O garoto gênio das engenhocas, um de seus companheiros mais leais nos corredores da Paper School, estava parado ali. Ele mantinha nos lábios aquele sorriso presunçoso e analítico de sempre, ajustando os óculos com uma das mãos enquanto seus olhos brilhavam com diversão pura.

— Olha só para você — disse Edward em tom calmo, quase melódico. — O grande terror do colégio, o pesadelo dos novatos... quase derrotado por uma cadeira bamba.

Oliver tentou rosnar, mas o som que saiu foi um patético chiado abafado. Ele franziu as sobrancelhas brancas, onde a marca vermelha de "A+" desenhada ao lado direito de seu cabelo parecia quase pulsar de raiva. Seus shorts brancos e meias até o joelho estavam manchados de pó, e a humilhação de estar naquela posição diante de um amigo era demais para suportar.

— Mmph! E-Ed... mmgh! — Oliver tentou articular, sacudindo o tronco amarrado. Ele queria ordenar que Edward o soltasse imediatamente, que aquilo já havia passado dos limites, que ele iria quebrar os projetos de Edward inteiros se não tirasse aquela bola de sua boca naquele segundo.

Em vez de desfazer os nós, porém, Edward deu um passo mais para perto. Ele inclinou a cabeça ligeiramente para o lado, observando Oliver com uma curiosidade quase científica, como se avaliasse um espécime raro em seu laboratório improvisado.

Lentamente, Edward ergueu a mão esquerda.

Oliver recuou o pescoço o máximo que as amarras permitiam, os chifres pretos ficando tensos. Esperava um peteleco, uma piada ácida ou até mesmo uma fita adesiva para piorar a situação.

O que recebeu, contudo, desarmou completamente sua postura defensiva.

A mão de Edward pousou com extrema suavidade sobre o topo de sua cabeça. Os dedos do rapaz deslizaram entre os fios brancos e sedosos, acariciando com calma a raiz do cabelo, contornando a base de seus chifres negros e descendo pelos fios até repousar na curva de seu ahoge dividido. Era um carinho lento, ritmado e inesperadamente doce.

Oliver congelou no lugar.

Uma onda violenta de calor subiu de seu pescoço até as pontas de suas orelhas pontudas. Suas bochechas pálidas tingiram-se instantaneamente de um vermelho vivo, contrastando de forma gritante com a brancura de sua pele e de seus cabelos. Os olhos dele oscilaram entre o choque absoluto, o medo genuíno daquela situação atípica e uma irritação fervilhante que ameaçava explodir seu peito.

— N-nghh... — Oliver gemeu, tentando desviar a cabeça do toque, mas Edward ajustou a pressão dos dedos, mantendo o afago constante e firme.

— Fica quieto, Oliver — murmurou Edward, com uma voz surpreendentemente baixa e aveludada, inclinando-se para perto do ouvido do garoto amarrado. — Quanto mais você se debate, mais apertada a fita de couro fica no seu rosto. E francamente, você está muito adorável desse jeito para estragar a cena tão rápido.

O valentão de braço de lápis arregalou os olhos. "Adorável"? Ele era Oliver! Ele empurrava crianças pelos corredores, ajudava a alimentar os professores com os fracassados e pregava peças implacáveis ao lado de Zip e do próprio Edward! Ele não era adorável. Ele não deveria estar amarrado, muito menos corando feito um idiota só porque Edward estava alisando seus cabelos como se ele fosse um gato de estimação.

— Mmmgh! Nghhh! — Oliver tentou cuspir a bola vermelha, mas a mordaça fora projetada com requintes de crueldade. As tiras de couro pressionavam os cantos de sua mandíbula com firmeza milimétrica.

— Sabe — continuou Edward, enquanto seus dedos deslizavam pelos fios longos até a altura dos ombros de Oliver —, a Zip sugeriu que deixássemos você trancado aqui até o primeiro período de amanhã. Ela achou que seria hilário ver a Miss Circle procurando pelo aluno favorito dela e encontrando você amarrado no sótão da ala leste.

Oliver arregalou os olhos ainda mais. Zip estava metida nisso? Aqueles dois idiotas tinham armado uma emboscada para ele? Ele se lembrava vagamente de ter ido até o armário de suprimentos atrás de uma caixa de sabonetes de lavanda que havia escondido dos outros alunos. Assim que abrira a porta, sentira uma pancada na nuca e tudo ficara escuro.

— Mas eu achei a ideia dela um pouco... rústica demais — acrescentou Edward, descendo a mão da cabeça de Oliver para acariciar brevemente a lateral de sua bochecha corada, onde o couro da mordaça pressionava a pele macia. — Eu queria testar a resistência deste modelo de contenção. E, para ser honesto, eu queria ver essa sua expressão de perto.

— Nn-nff! — Oliver cerrou os dentes contra o plástico rígido da mordaça. Seus olhos faiscavam. O relógio em seu pulso esquerdo tiquetaqueava ritmicamente, marcando o tempo em que sua dignidade escorria pelo ralo.

Se pudesse usar sua língua bifurcada agora, ele teria sibilado como uma víbora venenosa. A mistura de terror — por não saber até onde Edward levaria aquilo — e vergonha avassaladora deixava o garoto completamente desestabilizado. O calor em seu rosto não diminuía; pelo contrário, a proximidade de Edward só fazia seu coração disparar ainda mais rápido.

Edward riu baixinho, um som seco e zombeteiro que ecoou na sala silenciosa. Ele finalmente retirou a mão dos cabelos brancos de Oliver e deu dois passos para trás, cruzando os braços sobre o peito.

— Você está furioso, não está? — perguntou Edward, arqueando uma sobrancelha. — Olhe só para você. Parece uma panela de pressão prestes a estourar.

Oliver respondeu com um olhar mortal, o peito subindo e descendo com força contra as cordas que o prendiam.

— Eu sei do que você precisa para se acalmar — disse Edward, enfiando a mão no bolso do jaleco.

Oliver piscou, surpreso.

Edward retirou do bolso uma barra retangular, embalada em um papel azul brilhante. Ele rasgou a embalagem com calma, revelando um sabonete artesanal branco, perfeitamente quadrado, com cheiro adocicado de baunilha e camomila.

O estômago de Oliver deu um salto involuntário. Uma pontada de saliva encheu sua boca, misturando-se com o incômodo da mordaça. Comer sabonete era seu vício peculiar, algo que a maioria achava bizarro ou repulsivo, mas que para ele era o melhor petisco do mundo. A fragrância fresca e química do bloco diante de seus olhos fez suas pupilas dilatarem ligeiramente.

Edward percebeu a reação de imediato e sorriu ainda mais largo.

— Que garoto previsível — provocou ele, balançando a barra de sabonete a poucos centímetros do nariz de Oliver. — Você quer isso, não quer? Posso sentir o cheiro daqui. É o seu favorito, edição limitada da cantina da equipe médica.

Oliver desviou o olhar, tentando parecer indiferente, mas o rubor em suas bochechas entregava cada pedaço de sua fraqueza.

— Mmmph... — resmungou ele, virando a cabeça para o lado oposto.

Edward deu um passo à frente, segurando o queixo de Oliver com os dedos e forçando seu rosto a se virar de volta. O toque foi firme, mas sem violência, carregado daquela mesma autoridade perturbadora que ele havia demonstrado momentos antes.

— Olha para mim, Oliver — comandou Edward em tom suave.

Oliver relutantemente fitou os olhos do colega. O medo ainda sussurrava em sua mente, mas a curiosidade e o orgulho ferido gritavam mais alto.

— Se eu tirar isso da sua boca — começou Edward, tocando com a ponta do indicador na fivela traseira da mordaça —, você promete que não vai tentar fincar essa ponta de lápis no meu olho?

Oliver assentiu freneticamente com a cabeça, os cabelos brancos balançando no chão como serpentinas.

— E promete que não vai gritar como uma menininha pedindo ajuda para a Miss Thavel?

Outro aceno desesperado de cabeça. A promessa era obviamente duvidosa, mas naquele momento ele faria qualquer coisa para livrar sua mandíbula daquela dor e ter uma chance de morder aquele pedaço de sabonete.

Edward suspirou, fingindo relutância.

— Muito bem. Mas se você se comportar mal, eu coloco uma mordaça de anel com trava que eu mesmo fabriquei na semana passada. E garanto que aquela não sai nem com solvente.

Com dedos ágeis e treinados em manipular pequenas engrenagens, Edward alcançou a fivela atrás da cabeça de Oliver. Ele puxou a tira de couro, soltando o pino de metal com um clique satisfatório.

A tensão diminuiu instantaneamente. Edward puxou a correia para a frente, e a esfera vermelha escorregou para fora da boca de Oliver, deixando um fio de saliva esticado entre os lábios do garoto e o plástico.

Oliver tossiu de imediato, arquejando e esticando a mandíbula dolorida. Ele estalou o maxilar de um lado para o outro, colocando sua língua de cobra para fora para recuperar a sensibilidade do ar fresco.

— Seu... seu desgraçado doentio! — chiou Oliver, a voz saindo rouca e entrecortada pela falta de uso. Seus olhos ainda brilhavam em pura fúria. — Quando eu me soltar dessas cordas, Edward, eu juro que vou apontar meu braço de lápis e enfiar direto na sua...

Antes que ele pudesse terminar a ameaça, Edward deu um passo à frente e quebrou um pedaço generoso da barra de sabonete com os polegares, enfiando-o sem cerimônia direto na boca aberta de Oliver.

As palavras do valentão foram cortadas instantaneamente por um barulho crocante.

Oliver arregalou os olhos. O gosto ceroso, fresco e aromático da baunilha com soda explodiu em suas papilas gustativas. Ele mastigou mecanicamente, os olhos semicerrados em uma mistura bizarra de ódio mortal e puro deleite gastronômico. A espuma branca começou a se formar nos cantos de seus lábios enquanto ele engolia sofregamente a primeira mordida.

— Melhor agora? — zombou Edward, limpando os farelos de sabonete das próprias mãos no jaleco.

— Eu ainda te odeio — cuspiu Oliver após engolir, limpando a boca com a ponta da língua bifurcada. O rubor em seu rosto ainda não havia desaparecido; a vergonha de ter sido alimentado daquela forma ardia tanto quanto a humilhação do cativeiro. — Por que você fez isso, Edward? Que droga de brincadeira idiota é essa?

Edward cruzou os braços novamente, apoiando-se contra a mesa de carvalho mais próxima.

— Você estava ficando muito confiante, Oliver — explicou ele friamente. — Andava achando que era o líder incontestável do nosso pequeno grupo só porque a Miss Circle passa a mão na sua cabeça por causa dessas notas falsas de A+. Eu precisava lembrar a você que, sem o meu cérebro e as armadilhas da Zip, você é só um garoto bonito de cabelos compridos com um lápis no lugar da mão.

Oliver rosnou, puxando as cordas com tanta força que os nós rangeram, mas a amarração de Edward era complexa demais para ceder à força bruta.

— Eu não sou só isso! Me desamarra agora, seu quatro-olhos!

Edward apenas sorriu, aproximando-se mais uma vez. Ele estendeu a mão novamente e, para o completo desespero e confusão de Oliver, recomeçou o carinho lento em seus cabelos brancos, passando os dedos gentilmente ao redor da mecha partida no topo de sua cabeça.

— Talvez mais tarde — disse Edward baixinho, apreciando o tremor involuntário que percorreu os ombros de Oliver ao sentir o toque. — Primeiro, você vai terminar o seu sabonete. E depois, quem sabe, eu deixe a Zip entrar para tirar uma foto desse seu rostinho corado.

— Edward, não ouse! — gritou Oliver, a voz falhando em um tom agudo que ele odiou admitir ter saído de sua garganta. — Se ela tirar uma foto minha assim, eu acabo com você! Eu acabo com os dois!

— Continue ameaçando, Oliver — sussurrou Edward com uma risadinha provocadora, intensificando a carícia nos cabelos do prisioneiro enquanto balançava o restante do sabonete diante de seus olhos. — Quanto mais bravo você fica, mais divertido isso se torna.

Imobilizado na cadeira, tremendo entre a indignação da humilhação e a sensação desconcertante do carinho em sua cabeça, o temido valentão da Paper School percebeu, com um aperto no estômago, que daquela vez a pegadinha havia virado completamente contra ele. E ele não tinha escolha a não ser esperar a boa vontade de seus próprios cúmplices.

≡ Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic

Novidades do Fanfy

Um novo modelo para suas histórias

Atualizamos o modelo de geração para deixar suas histórias ainda melhores. O novo modelo já está ativado.

Se preferir a versão anterior, escolha «Anterior» no menu do perfil: clique no seu avatar no canto superior direito.

Seus capítulos já escritos serão mantidos. Sua escolha vale para as próximas gerações.