
A jóia preciosa dos Targaryen
Fandom: House of the Dragon, the trash of the count's family
Criado: 21/10/2026
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O Sangue Oculto do Dragão Vermelho
O vento marítimo soprava suave contra os penhascos isolados de uma baía esquecida, muito além do alcance dos olhares curiosos de Porto Real e dos meistres da Cidadela. Ali, escondida sob os rochedos de pedra vulcânica e protegida pela sombra monumental da maior e mais aterrorizante fera que já rasgou os céus de Westeros, erguia-se uma mansão de mármore negro e ouro.
Do lado de fora, estendido como uma montanha de obsidiana viva, o Canibal repousava. O dragão selvagem, cujos olhos verdes e dentes afiados eram o pesadelo de qualquer domador, mantinha a cabeça pousada perto da varanda principal. Desde o instante em que Cale nasceu, o Canibal descera de suas cavernas e farejara o pequeno bebê. Nunca mais partira. Nem mesmo o dragão que nascera do ovo no berço de Cale conseguira afastar a besta negra; o monstro simplesmente adotara o menino como sua única divindade, rosnando carinhosamente sempre que aquela mão pálida e delicada tocava suas escamas impenetráveis.
Na varanda, deitado sobre uma pilha escandalosa de almofadas de seda e peles raras, Cale Targaryen suspirava.
Ele tinha uma taça de vinho dourado na mão esquerda e uma tigela de pimentas ardentes de Dorne e Essos na mão direita. Cale mastigava as pimentas inteiras com a mesma indiferença com que alguém mastigaria uvas frescas. Seu estômago, assim como seu corpo, desafiava qualquer lógica dos Sete Reinos; ele podia digerir venenos, metais, especiarias corrosivas e as misturas mais absurdas sem pestanejar.
— Uma vida de vagabundo... — murmurou Cale para si mesmo, olhando para o horizonte azul. — Era tudo o que eu queria. Dinheiro infinito, uma cama macia e nenhuma responsabilidade política.
Ele suspirou novamente, passando a mão pelos cabelos vermelhos como sangue fresco, que brilhavam sob o sol poente. Entre os platinados da Casa Targaryen, Cale sempre fora uma anomalia eslumbrante. Tinha feições tão delicadas, traços tão refinados e uma beleza tão pura que qualquer estranho que o visse de longe juraria estar diante de uma donzela de linhagem celestial. Quando criança, raramente saía dos aposentos da Fortaleza Vermelha; por isso, as poucas criadas e nobres que o vislumbraram de relance espalharam o boato de que Daemon Targaryen tivera uma irmã gêmea secreta, tão bela que fora escondida para evitar guerras.
Mas Cale era homem. Um homem com a compleição mais delicada do mundo, mas cuja força física ultrapassava a de cavaleiros tarimbados, e que carregava em si a mais rara e desconhecida dádiva: um ventre fértil, descoberto apenas aos treze anos, na primeira vez em que ele e Daemon consumaram o casamento sagrado em segredo debaixo dos lençóis valirianos.
Um ruído abafado de asas cortando o ar chamou sua atenção. O Canibal nem sequer ergueu a cabeça para rugir; apenas soltou um bufo preguiçoso de fumaça, reconhecendo o intruso. Caraxes desceu sobre a praia rochosa, e instantes depois, passos pesados e decididos ecoaram pelo corredor de pedra.
Daemon surgiu no terraço. Ele ainda vestia o gibão de couro e cota de malha manchado de poeira da capital, a espada Irmã Sombria pendurada na cintura. Mas no segundo em que seus olhos violetas pousaram em Cale, toda a frieza brutal do Príncipe Canalha evaporou, substituída por uma adoração que beirava a insanidade.
— Kirimvose zaldrīzes — sussurrou Daemon em alto valiriano, aproximando-se sem fazer cerimônia. — A viagem foi um tormento insuportável sem você ao meu lado.
Cale não se levantou. Apenas esticou um braço pálido na direção dele, com sua costumeira expressão impassível.
— Issa jorrāelagon — respondeu Cale, a voz suave ressoando na língua ancestral com uma fluência perfeita. Desde pequenos, era assim que Cale o chamava: meu amor. — Você demorou. Achei que teria que mandar o Canibal queimar a Fortaleza Vermelha só para me trazer mais desse vinho dornês.
Daemon soltou uma risada rouca, ajoelhando-se ao lado das almofadas. Sem qualquer pudor, puxou Cale para o colo, erguendo o corpo esbelto como sempre fizera desde que eram crianças. Cale nem se moveu para ajudá-lo; apenas se acomodou contra o peito blindado do marido, deixando a cabeça repousar no ombro dele.
— Deixe que queime — Daemon murmurou, enterrando o nariz nos fios escarlates de Cale, inalando o cheiro de lótus e cinzas que pertencia unicamente a ele. — Viserys está cada vez mais fraco, e aquela corte me dá náuseas. Rhaenyra não para de me seguir pelos corredores com olhares idiotas, achando que tenho qualquer interesse em seus gracejos juvenis. Ela é uma tola irritante. Acha que sou cego às suas tentativas de flerte, mas tudo o que sinto quando ela se aproxima é vontade de cortar sua garganta para que cale a boca.
Cale soltou um riso baixo, bebendo mais um gole de vinho.
— Você sabe que ela quer a sua atenção.
— Ela não terá nada. Nem ela, nem o trono, nem ninguém — Daemon rosnou, apertando a cintura de Cale com força possessiva. Suas mãos desceram pelas coxas do marido, testando a firmeza dos músculos sob a túnica de seda. — Eles acham que eu cobiço a Coroa. Tolos. Se eu me sentasse naquele maldito assento pontiagudo de ferro, teria que passar os dias lidando com lordes fétidos em vez de passar minhas manhãs e noites enterrado dentro de você.
— Uma escolha sábia — Cale comentou, com a expressão mais calma do mundo. — Reis trabalham demais. Trabalho é o pior destino que um ser humano pode ter.
Daemon sorriu, aquele sorriso cortante que apavorava os Sete Reinos, mas que para Cale era apenas carinhoso.
— Eu trouxe as escrituras — disse Daemon, tirando do manto um pergaminho pesado com selos de bancos de Bravos, Myr e Vilavelha. — Três novas companhias mercantis no Mar Estreito, duas minas de prata nas Terras Ocidentais e cinco armazéns no Porto de Pentos. Tudo no seu nome. Cada moeda, cada pedaço de terra, cada navio.
Cale pegou os papéis, deu uma olhada indiferente e guardou-os na dobra de seu roupão.
— Bom. Você sabe que se o ouro acabar, você dorme no estábulo com o Caraxes.
— Eu nunca deixaria o ouro faltar para a minha rainha — retrucou Daemon, beijando o pescoço pálido com fervor faminto. — Eu sei muito bem o preço para mantê-lo manso em meus braços. Você só me deixa tocar esse corpo sagrado se os seus cofres estiverem transbordando.
— Exatamente — Cale disse sem a menor vergonha. — Minha aposentadoria exige padrões elevados.
Eles estavam estagnados no auge de seus vinte anos. Por algum mistério arcano — talvez a união bizarra entre o sangue de dragão ancestral e a vitalidade indomável de Cale —, nenhum dos dois envelhecia. Os cortes cicatrizavam em minutos, feridas mortais se fechavam em instantes, e o tempo parecia ter esquecido de levar suas forças. Daemon considerava isso a maior bênção dos deuses: a eternidade ao lado do único homem que amava.
Viserys sabia. Os pais deles, Baelon e Alyssa, quando ainda eram vivos, souberam do segredo e do casamento secreto consumado aos treze anos. Os avós, Jaehaerys e Alysanne, também souberam. A família amava Cale com uma devoção quase doentia, pois ele sempre fora o favorito absoluto, a joia intocada dos Targaryen. Todos mantinham o pacto de silêncio para proteger a paz e a preguiça que Cale tanto prezava. Quando os dragões da corte eram filhotes, Cale costumava ser a babá honorária de todos eles no Fosso, acalmando as feras como se fossem cãezinhos de colo.
Daemon deslizou a mão por baixo das vestes de Cale, acariciando o ventre liso e macio.
— Os seis meses de puerpério acabaram ontem, issa jorrāelagon — Daemon sussurrou em seu ouvido, a voz descendo para um tom perigosamente rouco. — Você descansou o suficiente?
Cale suspirou, sentindo a ereção massiva e pesada de Daemon pressionando contra sua coxa através dos tecidos. Mesmo com o marido sendo abençoado com um tamanho descomunal que faria qualquer outro chorar de medo, o corpo de Cale se moldava a ele perfeitamente, curando qualquer excesso quase que de imediato.
— Você nunca se cansa? — Cale murmurou, embora não fizesse menção de se afastar. — Daemon, nós já temos setenta e oito filhos. Setenta e oito. Você sabe o que é isso? Eu praticamente repovoei metade do mundo conhecido sozinho.
— E você fica magnífico grávido — Daemon retrucou, beijando sua mandíbula com voracidade. — O ventre redondo, os seios cheios, o brilho nos seus olhos... Não há visão mais sublime em toda a criação. Eu nunca vou parar. Vou enchê-lo com a minha semente até que os próprios deuses venham implorar para que eu cesse.
— Louco — Cale disse, mas seus braços envolveram o pescoço do marido, permitindo que Daemon o deitasse de volta sobre as sedas. — Apenas lembre-se de que os garotos mandaram cartas. Você vai ter que ler todas.
— Eu não me importo com as cartas agora — rosnou Daemon, rasgando o tecido da túnica de Cale com pressa desenfreada.
Ali mesmo, com o céu tingido de roxo e as ondas quebrando nas pedras abaixo, Daemon tomou Cale com a mesma violência apaixonada e primitiva de sempre. Ele entrou fundo, preenchendo o corpo estreito até o limite, arrancando suspiros roucos e arquejos em valiriano da garganta do ruivo. Cale cravou as unhas nos ombros largos do príncipe, aceitando cada estocada brutal com uma intensidade silenciosa e profunda.
Quando Daemon finalmente atingiu o clímax, gozou uma quantidade absurda no fundo do útero fértil de Cale, rosnando o nome do amante como uma prece de guerra. E, como fazia todas as noites ao longo de incontáveis anos, Daemon não se retirou. Ele permaneceu enterrado profundamente dentro do calor de Cale, mantendo seu membro grande alojado no canal do marido enquanto o puxava para o peito, para que dormissem unidos como carne única.
Na manhã seguinte, Cale estava deitado na cama de dossel do quarto principal, coberto até a cintura por lençóis de linho fino. Seu ventre ainda estava umedecido e marcado pelas carícias da noite anterior, e Daemon ainda dormia pesado ao seu lado, um braço possessivo jogado sobre seu peito.
Sobre uma mesa de carvalho próxima repousava uma pilha monumental de pergaminhos selados com cera de diferentes cores e brasões de todo o mundo.
Setenta e oito filhos.
Nenhum deles fora criado na ignorância de suas origens secretas, embora o resto de Westeros não tivesse ideia de quem eram os pais daquelas crianças prodígio. Todas elas tinham sido ensinadas por Cale a comer pratos repletos de pimenta ardente — desenvolvendo a mesma resistência estomacal implacável da mãe —, falavam o alto valiriano fluentemente e mantinham um respeito reverente e absoluto por ele. Para os setenta e oito, Cale era simplesmente "Mamãe", uma divindade intocável que merecia todo o luxo, conforto e tranquilidade do mundo. Daemon, por outro lado, era visto pelos próprios filhos como um lacaio muito competente, cujo único propósito de existência era trabalhar incansavelmente para servir a Mamãe e garantir que ela nunca precisasse levantar um dedo.
Cale esticou a mão preguiçosamente e começou a folhear as cartas, lembrando-se de cada ninhada que havia parido.
A primeira gestação, quando tinha treze anos, resultara em quadrigêmeos. Hoje, aos quarenta anos de idade, eles eram lendas vivas em Essos:
- Aemon (40 anos): Cabelos platinados como os de Daemon, mas olhos castanho-avermelhados idênticos aos de Cale. Um dos maiores banqueiros de Bravos, controlando silenciosamente parte do Banco de Ferro.
- Alyssa (40 anos): Cabelos vermelhos vivos e olhos violetas gélidos. Comandava uma das frotas comerciais mais temidas do Mar Estreito.
- Baelon (40 anos): Mistura perfeita de ambos, cabelos mesclados de fios prateados e ruivos, olhos violetas profundos. General supremo de uma companhia mercenária em Pentos.
- Aerion (40 anos): Tinha o rosto angelical de Cale com a postura arrogante de Daemon, cabelos prateados curtos. Administrava minas de ouro em Lys.
Aos quinze anos, veio a segunda ninhada, trigêmeos: 5. Visenya (38 anos): Cabelos vermelhos e olhos ametista, dona de vinhedos gigantescos em Volantis. 6. Vaegon (38 anos): Cabelos platinados com mechas vermelhas, olhos castanhos, o arquiteto mais brilhante de Tyrosh. 7. Valerius (38 anos): Cabelos prateados reluzentes e olhos violetas flamejantes, comodoro da frota mercante de Lorath.
Aos dezessete anos, quadrigêmeos novamente: 8. Daeron (36 anos): Alto e imponente como Daemon, cabelos vermelhos vibrantes, liderava caravanas em Qarth. 9. Daena (36 anos): Rosto delicado de Cale com os olhos impiedosos do pai, administradora de bibliotecas e comércios de pergaminhos antigos em Asshai. 10. Duncan (36 anos): Cabelos platinados, olhos amendoados e expressivos, mercador de sedas de Yi Ti. 11. Daemon Jr. (36 anos): Uma cópia quase exata do pai, mas com mechas ruivas nas têmporas, comandante naval secreto nas Ilhas de Verão.
Aos dezenove anos, gêmeos: 12. Maegor (34 anos): Cabelos vermelhos e ombros largos, ferreiro mestre de aço valiriano escondido nas montanhas de Norvos. 13. Maelor (34 anos): Cabelos prateados e olhos escuros como carvão, diplomata influente em Myr.
Aos vinte e um anos, trigêmeos: 14. Rhaegar (32 anos): Beleza etérea herdada de Cale, cabelos brancos como a neve, dono de joalherias em Pentos. 15. Rhaenys (32 anos): Cabelos ruivos escuros, olhos lilases, administrava armazéns nas Cidades Livres. 16. Rhaella (32 anos): Fios de prata com reflexos avermelhados, financista respeitada em Braavos.
Aos vinte e três anos, quadrigêmeos: 17. Corlys (30 anos): Cabelos prateados grossos, olhos violetas, explorador dos mares orientais. 18. Catelyn (30 anos): Cabelos vermelhos como fogo e traços suaves, mestre de especiarias em Dorne. 19. Cassandra (30 anos): Cabelos brancos e pele alva, estrategista marítima nas Ilhas do Ferro sob identidade falsa. 20. Callum (30 anos): Cabelos ruivos e olhos amendoados, proprietário de terras agrícolas na Campina.
Aos vinte e cinco anos, gêmeos: 21. Lucerys (28 anos): Cabelos platinados e feições calmas de Cale, estudioso dos segredos da Antiga Valíria. 22. Laenor (28 anos): Cabelos ruivos brilhantes e o olhar desafiador de Daemon, criador de cavalos de guerra em Essos.
Aos vinte e sete anos, trigêmeos: 23. Jacaerys (26 anos): Cabelos prateados com mechas carmesim, intendente de navios em Gulltown. 24. Joffrey (26 anos): Cabelos vermelhos escarlates e olhos ametista, negociante de ferro no Norte de Westeros. 25. Jon (26 anos): Rosto sereno e pensativo como o de Cale, cabelos brancos, magistrado em Vilavelha.
Aos vinte e nove anos, quadrigêmeos: 26. Aerys (24 anos): Cabelos prateados reluzentes e olhos violetas frios, comerciante de grãos no Tridente. 27. Aemon II (24 anos): Cabelos ruivos claros, olhos amendoados, boticário lendário que viajava por Essos. 28. Alyssane (24 anos): Fios platinados e sorriso preguiçoso como o de Cale, proprietária de hospedarias de luxo em Lys. 29. Arthur (24 anos): Fios vermelhos e postura rígida, líder de caravanas pelo Deserto Vermelho.
Aos trinta e um anos, trigêmeos: 30. Brandon (22 anos): Cabelos prateados e olhos cor de vinho, mestre de obras navais em Pentos. 31. Brena (22 anos): Cabelos vermelhos e olhar afiado de Daemon, negociante de tecidos finos em Myr. 32. Baelor (22 anos): Cabelos alvos com reflexos carmesim, médico renomado em Bravos.
Aos trinta e três anos, quadrigêmeos: 33. Garlan (20 anos): Cabelos prateados e postura elegante, mestre dos armazéns de Vilavelha. 34. Giselle (20 anos): Cabelos vermelhos radiantes, olhos lilases, administradora de fundições em Norvos. 35. Gawain (20 anos): Fios platinados e olhos castanho-avermelhados, chefe de segurança mercantil em Lorath. 36. Gwyn (20 anos): Rosto idêntico a uma pintura de donzela, mas força descomunal, negociante em Volantis.
Aos trinta e cinco anos, gêmeos: 37. Tyland (18 anos): Cabelos ruivos densos, olhos violetas, tesoureiro auxiliar em Bravos. 38. Tywin (18 anos): Cabelos brancos e olhos perspicazes de Cale, comerciante de salinas em Tyrosh.
Aos trinta e sete anos, quadrigêmeos: 39. Euron (16 anos): Cabelos platinados desgrenhados e olhos violetas brilhantes, marinheiro intrépido nas Ilhas de Verão. 40. Elia (16 anos): Cabelos vermelhos longos, traços doces, tecelã de sedas raras em Qohor. 41. Ethan (16 anos): Cabelos bicolores (metade prateado, metade vermelho), minerador em Essos. 42. Edric (16 anos): Cabelos brancos puros, olhos castanhos calmos, criador de falcões no Vale de Arryn.
Aos trinta e nove anos, trigêmeos: 43. Kevan (14 anos): Cabelos ruivos e porte ágil, aprendiz de cartógrafo em Lys. 44. Kallum (14 anos): Cabelos platinados e olhar relaxado da mãe, estudioso de línguas antigas. 45. Kira (14 anos): Cabelos vermelhos cacheados e olhos lilases, bordadeira de brasões em Myr.
Aos quarenta e um anos, quadrigêmeos: 46. Orys (12 anos): Cabelos platinados fortes, olhos violetas, aprendiz de mestre de armas em Pentos. 47. Olenna (12 anos): Cabelos ruivos lisos, língua afiada como a do pai, aprendiz de comércio em Volantis. 48. Osric (12 anos): Fios de prata e olhos avermelhados, estudante em Lys. 49. Orion (12 anos): Cabelos carmesim e semblante tranquilo, aprendiz naval nas Ilhas do Verão.
Aos quarenta e três anos, trigêmeos: 50. Robb (10 anos): Cabelos ruivos brilhantes, olhos violetas límpidos, vivendo sob tutores em Bravos. 51. Rylan (10 anos): Cabelos brancos como leite, aprendiz de escriba em Pentos. 52. Rhea (10 anos): Cabelos vermelhos escuros e atitude destemida, estudando herbologia em Norvos.
Aos quarenta e cinco anos, gêmeos: 53. Stannis (8 anos): Cabelos prateados e postura séria, sob cuidados em uma propriedade segura em Myr. 54. Selyse (8 anos): Cabelos ruivos e olhos curiosos de Cale, aprendiz de joalheira.
Aos quarenta e sete anos, quadrigêmeos: 55. Targor (6 anos): Cabelos platinados vibrantes, muito apegado às histórias da Mamãe. 56. Thalia (6 anos): Cabelos vermelhos como fogo novo, adorava pratos apimentados desde o desmame. 57. Tristan (6 anos): Fios prateados com mechas ruivas, curioso e calmo. 58. Tessa (6 anos): Rosto angelical idêntico ao de Cale na infância, cabelos brancos.
Aos quarenta e nove anos, trigêmeos: 59. Vaelor (5 anos): Cabelos ruivos e olhos ametista, vivendo na mansão sob os cuidados das amas. 60. Vanya (5 anos): Cabelos platinados, calma e silenciosa, sempre ao redor do Canibal. 61. Vesper (5 anos): Cabelos mesclados, adorava comer pimentas inteiras escondido na despensa.
Aos cinquenta e um anos, quadrigêmeos: 62. Willem (4 anos): Cabelos prateados brilhantes, travesso como Daemon. 63. Wynona (4 anos): Cabelos carmesim intensos, olhos violetas profundos. 64. Wulf (4 anos): Cabelos alvos, muito forte fisicamente para a idade. 65. Wren (4 anos): Cabelos ruivos suaves, sempre no colo de Cale quando estava na mansão.
Aos cinquenta e três anos, gêmeos: 66. Xander (3 anos): Cabelos platinados e bochechas rosadas, comia pimenta dornesa pura sem chorar. 67. Xenia (3 anos): Cabelos ruivos volumosos, traços graciosos.
Aos cinquenta e cinco anos, trigêmeos: 68. Yoren (2 anos): Cabelos brancos com pontas avermelhadas, olhos castanho-claros. 69. Yvaine (2 anos): Cabelos vermelhos vivos, risonha e forte. 70. Yael (2 anos): Fios platinados, sempre dormindo abraçado a almofadas de seda.
Aos cinquenta e sete anos, quadrigêmeos: 71. Zack (1 ano): Cabelos prateados e olhos violetas faiscantes. 72. Zara (1 ano): Cabelos ruivos impecáveis, bochechas redondas. 73. Zane (1 ano): Cabelos bicolores, já engatinhava com extrema rapidez. 74. Zoe (1 ano): Fios brancos de pura seda, apegada às roupas da mãe.
E finalmente, os quadrigêmeos mais recentes, de apenas seis meses de idade, cujo nascimento havia marcado o início do último puerpério de Cale: 75. Caelum (6 meses): Olhos violetas enormes e penugem vermelha na cabeça. 76. Cassian (6 meses): Cabelos platinados finos, sempre mamando com avidez. 77. Cynthia (6 meses): Ruivinha delicada que não derramava uma lágrima se lhe dessem pedaços de carne bem temperada. 78. Caelia (6 meses): A imagem esculpida de Cale, quieta, observadora e dorminhoca.
Todas as cartas empilhadas sobre a mesa traziam o mesmo tom reverente dos mais velhos:
"Para a nossa amadíssima Mamãe: enviamos o ouro do último trimestre, as sedas mais finas de Yi Ti e os barris de vinho temperado que a senhora tanto aprecia. Esperamos que o Pai esteja cumprindo com eficiência o papel de servi-la. Se ele for negligente ou causar-lhe qualquer incômodo, apenas nos avise; nós enviaremos homens para assumir as tarefas dele e garantir o seu sossego."
Cale soltou uma risada abafada ao ler o bilhete de Aemon. Os filhos mais velhos tinham exatamente a mesma mentalidade utilitária que ele: Daemon era ótimo para lutar, arrumar ouro e engravidá-lo, mas qualquer coisa além disso deveria ser fiscalizada para não atrapalhar o descanso sagrado da mãe.
Um gemido baixo veio do homem ao seu lado. Daemon se mexeu, seus braços fortes serpentearam pela cintura de Cale, puxando-o para trás até que as costas do ruivo estivessem coladas ao seu peito desnudo.
— O que você está lendo com tanta atenção tão cedo? — resmungou Daemon, a voz rouca de sono, depositando beijos sonolentos na nuca de Cale.
— Cartas dos nossos filhos — respondeu Cale em alto valiriano, sem desviar os olhos do pergaminho. — Aemon e Alyssa mandaram três baús de pedras preciosas e mais duzentas barricas de vinho dornês. Eles disseram que se você não estiver me massageando os pés todos os dias, virão pessoalmente para cá tirá-lo da mansão.
Daemon rosnou baixinho contra a pele dele, mordiscando a curva do ombro.
— Garotos insolentes. Eles esquecem quem os colocou no mundo. Mas eles sabem muito bem quem manda aqui. Nenhum deles ousaria me desafiar quando o assunto é servir você.
— É bom que não ousem — Cale bocejou, recostando a cabeça no peitoral musculoso do príncipe. — Já dá trabalho demais fingir que não existo para o resto de Westeros. Se meus próprios filhos começassem a me dar dor de cabeça, eu abandonaria todos vocês e iria morar em uma caverna com o Canibal.
— Você nunca me abandonaria — Daemon afirmou com absoluta certeza, puxando Cale para ainda mais perto, até que a ereção matinal já voltasse a pulsar contra o quadril do ruivo. — O Canibal queimaria qualquer um que tentasse me afastar de você, mas ele me tolera porque sabe que sou eu quem o alimenta com o que você mais precisa.
— Modesto como sempre, issa jorrāelagon — Cale murmurou, sentindo a mão calejada de Daemon descer possessivamente até o seu ventre exposto.
— Você já tomou o desjejum? — perguntou o príncipe, mudando o tom para algo quase doméstico, embora seus olhos violetas queimassem com fogo indomável.
— Pimentas e carne assada com alho. O cozinheiro preparou a pasta extra forte que eu pedi.
Daemon estremeceu de leve, rindo pelo nariz.
— Como você e aquelas crianças conseguem comer aquilo sem perfurar as entranhas é um mistério que nem a Antiga Valíria saberia explicar. Eu comi um pedaço ontem e senti minha garganta queimar por três horas.
— Vocês, cavaleiros de dragão da capital, são muito fracos — provocou Cale com um sorrisinho de canto. — Têm medo de um pouco de tempero.
Daemon virou o corpo de Cale de frente para si com facilidade, prendendo-o contra os lençóis de seda.
— Fraco? — Daemon arqueou uma sobrancelha prateada, o olhar faiscante. — Eu vou lhe mostrar quem é fraco, meu doce príncipe escarlate.
Cale não recuou. Seus olhos castanho-avermelhados encontraram os violetas de Daemon com aquela costumeira indiferença calculista, mas por trás da calma havia uma rendição absoluta ao laço inquebrável que os unia desde os treze anos.
— Não seja tão bruto — Cale advertiu calmamente. — Eu ainda quero aproveitar a tarde na varanda sem sentir dores nas costas.
— Você nunca sente dores por muito tempo, issa jorrāelagon — sussurrou Daemon, descendo os lábios para os dele, selando a boca de Cale em um beijo profundo, quente e asfixiante que continha décadas de adoração e posse mútua. — Seu corpo foi feito para me receber. Para sempre.
Do lado de fora da mansão, sob o calor suave do sol do meio-dia, o Canibal soltou um rugido estrondoso que fez as montanhas tremerem, afugentando qualquer navio que ousasse navegar perto demais daquela enseada secreta. Ali, longe dos jogos mortais dos tronos e das intrigas sangrentas da corte Targaryen, o Príncipe Canalha pertencia apenas ao seu verdadeiro e eterno rei — e Cale, deitado em suas montanhas de ouro e cercado pelo amor silencioso de setenta e oito herdeiros espalhados pelo mundo, continuaria vivendo a sua preguiçosa e perfeita vida de vagabundo.
