
Claire!:3
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 22/10/2026
Sombras de Papel e Sangue
A escuridão não era apenas a ausência de luz; tinha peso, textura e um cheiro nauseante de celulose úmida misturada com ferro enferrujado.
Quando Claire recuperou a consciência, a primeira coisa que sentiu foi a dor latejante na nuca, como se sua mente estivesse sendo puxada por um fio áspero de volta à realidade distorcida da Paper School. O chão sob suas costas era frio e irregular, com retalhos de folhas rasgadas grudando na pele exposta de seus joelhos. Seus olhos se abriram devagar, piscando contra a penumbra espessa, tentando desesperadamente ajustar o foco àquele cenário que mais parecia um pesadelo desenhado a carvão.
Ela tentou erguer o braço direito para tocar a própria cabeça, mas o membro simplesmente não respondeu.
Um choque de adrenalina pura percorreu sua espinha. Claire tentou puxar o outro braço, tentou mover as pernas, mas estava completamente imobilizada. Quando finalmente conseguiu erguer o queixo para olhar o próprio corpo, um arrepio gélido fez cada centímetro de sua pele se arrepiar.
Presas firmemente ao redor de seus pulsos finos e de seus tornozelos estavam massas espessas e pulsantes de tentáculos vermelho-escuros. Eles não eram feitos de papel comum; pareciam vísceras vivas compostas de pura tinta carmesim viscosa, contraindo-se com uma força absurda a cada vez que ela esboçava a menor reação. O laço preto no topo de seu cabelo chanel simples estava torto, e sua clássica camisa branca de mangas compridas com gola abotoada começava a amassar sob a pressão daquelas amarras bizarras.
— Não... não, por favor... — murmurou Claire, a voz saindo rouca e quebradiça.
O pânico assumiu o controle. Claire começou a se debater com todas as forças que lhe restavam. Ela puxou os pulsos contra a carne elástica dos tentáculos, chutou com os pés calçados com seus sapatos pretos e meias brancas, arqueando as costas no chão enquanto seus shorts brancos raspavam contra as farpas do piso escuro. Era inútil. Quanto mais ela lutava, mais aquelas gavinhas sangrentas apertavam sua carne, drenando sua circulação até que seus dedos começassem a formigar.
Lágrimas de puro terror acumularam-se nos cantos de seus olhos azuis. Imagens fragmentadas invadiram sua mente caótica: o som dos passos apressados nos corredores proibidos da escola, as advertências severas dos professores, o rosto aterrorizado de Engel gritando para que ela não entrasse naquela ala lacrada. Engel havia estendido a mão para salvá-la, mas o chão cedera, ou talvez as sombras a tivessem puxado... Ela não se lembrava com clareza. Apenas sabia que havia cruzado a linha proibida.
Ela estava no quarto escuro. O covil da fera.
Um som rítmico e arrastado ecoou das profundezas do cômodo. O arranhar de garras longas e afiadas contra as superfícies de papelão das paredes fez o ar estalar com uma eletricidade mórbida.
Claire parou de se debater, prendendo a respiração. Seu peito subia e descia em um ritmo descompassado, fazendo os dois botões centrais de sua camisa branca tremerem.
Da escuridão mais densa, duas fendas vermelhas e brilhantes se acenderam.
∆lice surgiu.
A silhueta da garota demônio desafiava qualquer resquício de sanidade que Claire ainda tentava manter. Seus cabelos negros, longos e selvagens, pareciam flutuar como se estivessem submersos em um lago de piche. Os chifres pontiagudos curvavam-se para cima, emanando uma aura de pura maldade e carnificina. Ela usava um vestido rasgado, manchado de fluidos escuros que há muito haviam secado, mas o que mais chamava a atenção era o sorriso distorcido e faminto que se desenhava em seu rosto pálido.
Os olhos de ∆lice fixaram-se em Claire com a ferocidade de um predador que finalmente encontra uma presa fresca após dias de abstinência. Gotas de saliva espessa pingavam de seus lábios avermelhados, e a garota demônio soltou um suspiro entrecortado, quase como um gemido de pura euforia sádica. Ela adorava sangue. Amava o cheiro metálico da carne viva sendo desfiada, e ali, deitada a seus pés, estava a aluna mais frágil e doce da escola, pronta para ser devorada.
— Olha só o que o vento arrastou para dentro do meu quarto... — sibilou ∆lice, a voz ecoando em camadas duplas, como um sussurro espectral combinado a um rugido contido.
Claire sentiu as lágrimas transbordarem, escorrendo quentes por suas bochechas pálidas.
— Por favor... me deixa ir... — implorou Claire, o desespero fazendo sua voz falhar miseravelmente. — Eu entrei aqui por engano! O Engel... ele deve estar me procurando... eu só quero ir embora!
Ao ouvir o nome de outro aluno, a expressão de ∆lice congelou por uma fração de segundo, transformando-se em uma careta de irritação violenta. O ar ao redor delas pareceu esfriar vários graus.
— Ninguém sai deste lugar, sua idiota inútil — rosnou o demônio, dando passos lentos e calculados em direção a Claire, os pés descalços e manchados mal fazendo barulho contra o chão. — O seu amiguinho não tem coragem de dar um passo aqui dentro. E mesmo que tivesse... ele só encontraria os seus pedaços espalhados pela minha coleção.
A cada passo que ∆lice dava, os tentáculos escarlates que prendiam Claire pareciam vibrar de expectativa, apertando-se ainda mais em resposta ao humor volátil de sua dona. Claire soltou um gemido de dor, sentindo a pele dos pulsos arder sob a pressão sufocante.
∆lice aproximou-se até ficar ajoelhada sobre Claire, projetando sua sombra gigantesca sobre o corpo miúdo da aluna. O fedor de sangue fresco emanava de cada poro da criatura, tão intenso que Claire sentiu o estômago revirar. Os olhos de ∆lice vasculharam Claire de cima a baixo: a saia dos shorts brancos agora empoeirada, as meias impecáveis manchadas de fuligem, o laço desgrenhado e aquele rostinho inocente que parecia não pertencer àquele mundo de horror e punição.
A garota demônio abriu a boca ligeiramente, exibindo fileiras de dentes pontiagudos e afiados como agulhas cirúrgicas. Ela queria arrancar a garganta de Claire naquele exato instante. Queria ouvir o som da carne rasgando, queria cobrir as próprias mãos no fluido escarlate e pintar as paredes daquele quarto solitário com a essência de sua nova vítima. Sua respiração vinha quente e pesada contra o pescoço de Claire, fazendo a garota humana fechar os olhos com força, esperando o golpe fatal, a mordida impiedosa que colocaria fim à sua breve existência.
Mas a dor não veio.
Em vez disso, um silêncio pesado e bizarro tomou conta do cômodo.
Claire, com a respiração trêmula, ousou abrir um dos olhos.
∆lice não a estava atacando. Em vez disso, a criatura parecia intrigada, inclinando a cabeça de um jeito quase infantil e bizarro, como um gato observando um passarinho ferido que ainda insiste em tentar bater as asas quebradas. A raiva em seus olhos vermelhos deu lugar a uma curiosidade perversa e súbita.
Devagar, quase em câmera lenta, ∆lice ergueu uma de suas mãos monstruosas. As garras longas e negras aproximaram-se do rosto indefeso de Claire.
Claire encolheu os ombros o máximo que as amarras permitiam, fechando os olhos novamente, o corpo inteiro tremendo em espasmos de pânico absoluto.
No entanto, o contato foi inesperadamente suave.
A ponta de uma garra fria roçou a curva da mandíbula de Claire, traçando uma linha tênue que não chegou a perfurar a pele, subindo delicadamente até repousar sob o seu queixo. Com um movimento firme, mas surpreendentemente controlado, ∆lice forçou a cabeça de Claire para cima, obrigando-a a encarar seu olhar abissal.
— Olhe para mim — ordenou o demônio em um tom baixo, rouco e estranhamente íntimo.
Claire abriu os olhos. Estar tão perto daquele rosto aterrador deveria ter sido a pior experiência de sua vida, mas algo naquele instante quebrou a lógica de seu medo primitivo. O rosto de ∆lice, apesar das manchas de sangue e dos traços bestiais, tinha uma beleza macabra e hipnotizante. O contraste entre a violência que a garota exalava e a sutileza daquele toque no queixo foi um choque sensorial tão violento que causou um curto-circuito na mente de Claire.
O coração de Claire disparou, não apenas de pavor, mas por uma súbita e involuntária onda de calor que subiu por seu peito, escalando seu pescoço até explodir em suas bochechas.
Ela corou. Um rubor vivo e evidente coloriu a pele alva de Claire, destacando-se intensamente na penumbra do quarto.
∆lice paralisou. Suas pupilas vermelhas se dilataram ao notar a mudança de tom na face de sua presa. A garota demônio piscou, genuinamente surpresa. Qualquer um que já havia entrado naquele quarto acabara cinzento de pavor, implorando pela morte ou gritando até as cordas vocais estourarem. Ninguém nunca havia mudado de cor daquela maneira diante de suas garras.
— O que é isso? — perguntou ∆lice, a voz carregada de uma confusão irritada, embora seu dedo continuasse sustentando o queixo de Claire. — Você está... queimando?
— N-não... — gaguejou Claire, tentando desesperadamente virar o rosto, mas a mão de ∆lice era inflexível como ferro. — Me solta... por favor...
— Você é muito estranha — murmurou ∆lice, aproximando o rosto ainda mais, até que seus narizes quase se tocassem.
A proximidade permitiu que Claire sentisse a respiração de ∆lice diretamente contra seus lábios. O calor do rubor de Claire só aumentou, tornando o contraste entre o branco de suas roupas escolares e a vermelhidão de seu rosto ainda mais visível. A situação era humilhante, absurda e aterrorizante ao mesmo tempo.
∆lice deslizou o polegar pela bochecha corada de Claire, sentindo a temperatura elevada da pele. Um sorriso diferente começou a despontar nos lábios da criatura; não era mais o sorriso puramente faminto de antes, mas algo muito mais sádico e calculista.
— Você tem medo de mim — constatou ∆lice, pressionando a garra do polegar com um pouco mais de força, apenas o suficiente para deixar uma leve marca vermelha na pele macia de Claire —, mas o seu coração está batendo tão rápido que parece um tambor. E o seu sangue... ele corre tão depressa para o seu rosto. Eu consigo ouvi-lo. Consigo quase provar o calor dele daqui.
— E-eu só quero ir embora... — Claire soluçou baixinho, sentindo o peso da humilhação se misturar ao terror. — Por que você está fazendo isso?
— Porque eu mando aqui — respondeu o demônio com crueza, a voz voltando a exibir o tom ríspido e violento que lhe era habitual. — Porque este é o meu quarto, e qualquer coisa que rasteje até aqui pertence a mim. O seu corpo, a sua voz... e todo esse sangue quente que você tem dentro de si.
Os tentáculos que prendiam os membros de Claire afrouxaram uma fração de milímetro, não para libertá-la, mas para permitir que ela sentisse o fluxo doloroso do sangue retornando às suas extremidades. Claire arfou com a sensação incômoda de agulhadas em seus pulsos e pernas.
∆lice não se afastou. Ela continuou ali, mantendo o domínio absoluto sobre a garota de cabelos pretos curtos, estudando cada microexpressão de desespero e constrangimento que cruzava o rosto de Claire. A fera dentro de si ainda exigia violência, ainda queria estraçalhar a carne da intrusa e ouvir seus gritos ecoarem até o teto mofado da Paper School. Mas havia algo naquela garota dócil, algo na maneira como ela tremia e corava sob seu toque brutal, que acendia um tipo diferente de fascínio na mente doentia de ∆lice.
Devorá-la agora seria um desperdício rápido demais.
— Sabe de uma coisa, ratinha de papel? — disse ∆lice, soltando o queixo de Claire abruptamente apenas para agarrar com força uma mecha de seu cabelo chanel, puxando levemente para trás para expor a garganta da menina. — Eu ainda vou tirar cada gota de sangue desse seu corpinho perfeito.
Claire soltou um grito abafado pela dor do puxão, os olhos lacrimejando novamente.
— Mas não agora — continuou ∆lice, um brilho cruel e divertido dançando em seus olhos vermelhos. — Agora que eu sei o quão fácil é fazer você tremer... e o quão patética você fica tentando esconder esse rostinho vermelho... acho que vou brincar com você por mais um tempo.
— Não... Engel vai vir... ele vai... — tentou ameaçar Claire, sem forças reais para sustentar qualquer desafio.
∆lice soltou uma gargalhada estridente e distorcida, um som que fez os tentáculos vermelhos agitarem-se no chão em um frenesi grotesco.
— Deixe que ele venha! — exclamou a garota demônio, inclinando-se para sussurrar diretamente no ouvido de Claire, sua língua pontiaguda roçando de leve o lóbulo da orelha da estudante. — Se aquele covarde entrar aqui, ele só vai servir de aperitivo antes de eu terminar de abrir você ao meio. Mas até lá... você é meu brinquedo particular.
Com um gesto negligente da mão de ∆lice, as gavinhas vermelhas puxaram os pulsos de Claire para trás com força renovada, forçando-a a ficar completamente estendida no chão frio, imóvel e vulnerável. A criatura levantou-se em toda a sua estatura intimidadora, limpando um traço de sangue antigo de seus próprios lábios enquanto recuava lentamente em direção às sombras de onde havia emergido.
— Não tente gritar, Claire — disse ∆lice, pronunciando o nome da garota pela primeira vez, saboreando cada sílaba com veneno e expectativa. — Ninguém lá fora se importa o suficiente para morrer por você. Apenas espere aqui... até eu decidir que estou com fome de verdade.
A silhueta de ∆lice fundiu-se novamente com a escuridão absoluta do quarto, até que apenas os dois pontos vermelhos de seus olhos continuassem visíveis, observando Claire da penumbra como sentinelas da morte iminente.
Deitada sobre os papéis rasgados, incapaz de mover um único músculo e com as bochechas ainda ardendo pelo toque perverso e proibido do demônio, Claire fechou os olhos e chorou em silêncio. A certeza de que nunca mais veria a luz do sol ou o sorriso reconfortante de Engel pesava sobre seu peito como uma lápide, enquanto os tentáculos escarlates continuavam a pulsar ritmicamente, lembrando-a a cada segundo de que ela agora pertencia às trevas de ∆lice.
