
College secret
Fandom: LMSY
Criado: 22/10/2026
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O Reflexo das Lentes e o Brilho das Quadras
O corredor da ala leste da universidade cheirava a cera de chão e café barato, o ambiente perfeito para Lookmhee Punyapat se misturar às sombras. Com seus 1,72m de altura, ela costumava se curvar levemente, escondendo a postura atlética de quem passava horas treinando muay-thai sob o moletom cinza três vezes maior que seu corpo. Os óculos de armação grossa descansavam sobre o nariz, e o cabelo preto, geralmente preso em um coque desleixado, emoldurava um rosto que ela fazia questão de manter inexpressivo.
Para o corpo docente, ela era o prodígio do clube de debate. Para os alunos, era apenas a nerd que provavelmente sabia o código-fonte do universo, mas tinha medo da própria sombra.
— Olhe por onde anda, Punyapat — resmungou um jogador de rúgbi ao esbarrar nela.
Lookmhee não disse nada. Apenas ajeitou os óculos e apertou os livros contra o peito, mantendo o olhar baixo. Por dentro, ela contava até dez, lembrando-se de que não podia quebrar o nariz daquele idiota com um gancho de direita. Não ali. Não agora.
No final do corredor, o cenário mudava drasticamente. Onde a luz do sol batia com mais força, estava Sonya Pedersen.
Sonya era o sol do campus. Com 1,70m, cabelos castanhos perfeitamente ondulados e um sorriso que parecia ter sido desenhado à mão, ela exalava uma confiança que beirava a arrogância. Ela usava sua saia de tênis branca e uma jaqueta da universidade, cercada por amigas e, claro, por seu namorado oficial, o capitão do time de futebol.
Mark, o capitão, tinha o braço possessivamente jogado sobre os ombros de Sonya. Ele falava sobre alguma tática de jogo, mas Sonya não parecia estar ouvindo. Seus olhos castanhos, afiados como os de um falcão, vagaram pelo corredor até encontrarem a figura curvada de Lookmhee.
Por um milissegundo, o mundo parou. O sarcasmo que costumava habitar o olhar de Sonya suavizou-se em algo profundo e faminto. Lookmhee sentiu o peso daquele olhar. Ela sabia exatamente o que Sonya estava pensando.
— Você está bem, amor? — perguntou Mark, percebendo a distração da namorada.
— Sim — respondeu Sonya, a voz carregada de um desdém que Mark era burro demais para notar. — Só estou cansada dessa aula de história. Vamos para a quadra? Preciso praticar meu saque.
Lookmhee passou por eles sem dizer uma palavra. Mas, ao passar, o metal de seus anéis roçou levemente na mão de Sonya, um toque proibido que enviou uma descarga elétrica por ambas.
Duas horas depois, a biblioteca estava quase vazia. Lookmhee estava sentada na última mesa da seção de filosofia, escondida por estantes altas. Ela não estava estudando. Seus dedos brincavam com o cordão de prata por baixo do suéter, e ela observava o relógio.
Um som de passos rítmicos ecoou. O perfume de peônias e suor fresco de quem acabou de sair da quadra de tênis preencheu o ar.
— Você demorou — disse Lookmhee, sem levantar os olhos do livro de Nietzsche.
— Mark decidiu que queria discutir nosso "futuro" — Sonya apareceu por trás da estante, jogando a raquete de tênis em uma cadeira vazia. — Ele é um tédio.
Sonya se aproximou, mas não parou na frente da mesa. Ela deslizou para o espaço estreito entre a cadeira de Lookmhee e a estante de livros.
— E o que você disse a ele? — Lookmhee finalmente levantou o olhar.
Sem os óculos, que ela acabara de tirar, seus olhos eram intensos, observadores e perigosamente calmos. A submissão da "nerd da faculdade" havia evaporado, dando lugar a uma mulher que exalava um domínio silencioso.
— Eu disse que tinha um grupo de estudos — Sonya sorriu, um sorriso que ela nunca mostrava em público; era privado, travesso e vulnerável. — Com a melhor aluna da sala.
Sonya sentou-se no colo de Lookmhee, passando os braços pelo pescoço da namorada. Seus dedos brincaram com o cabelo preto de Lookmhee, soltando-o do coque.
— Você é tão teimosa — sussurrou Sonya, roçando o nariz no de Lookmhee. — Por que insiste em usar esses moletons horríveis? Eu queria que todos vissem o que eu vejo.
— Se todos vissem o que você vê — Lookmhee segurou a cintura de Sonya com firmeza, os dedos adornados com anéis pressionando a pele exposta da cintura da atleta —, eu teria que lutar com metade da faculdade para manter você. E eu prefiro guardar minhas energias para outras coisas.
— Ah, é? — Sonya arqueou uma sobrancelha, o ciúme que sempre carregava brilhando por um instante. — Como o quê?
Lookmhee não respondeu com palavras. Ela puxou Sonya para um beijo profundo, um que carregava toda a frustração de ter que fingir que não se conheciam durante o dia inteiro. Sonya soltou um gemido baixo, apertando os ombros de Lookmhee. Naquele momento, a garota popular e mimada estava completamente desarmada. Lookmhee tinha esse poder; ela era a única pessoa capaz de desmontar a fachada de Sonya com apenas um olhar — ou um toque.
— Às vezes eu odeio isso — murmurou Sonya contra os lábios de Lookmhee. — Odeio ver aquele idiota do Mark chegar perto de mim enquanto você fica lá, fingindo que está lendo.
— É por pouco tempo, pequena — confortou Lookmhee, a voz rouca e carinhosa. — Você sabe que ele é só uma peça no tabuleiro. Seus pais querem a imagem perfeita, e nós estamos dando isso a eles. Por enquanto.
— Eu não quero a imagem perfeita — Sonya disse, puxando o cordão de Lookmhee para trazê-la para mais perto. — Eu quero você. Quero ir ao clube de muay-thai ver você lutar. Quero que você use aquele vestido preto que compramos e que me leve para jantar sem que precisemos nos esconder em banheiros ou bibliotecas.
Lookmhee sorriu, um sorriso sarcástico, mas cheio de amor.
— Você é muito mimada, Pedersen.
— Sou. E você me mima mais que qualquer um — rebateu Sonya, convencida.
Lookmhee suspirou, encostando a testa na de Sonya.
— Hoje à noite. No meu apartamento. Sem moletons, sem livros de debate. Só nós.
Os olhos de Sonya brilharam.
— Vou levar vinho. E você vai ter que me deixar ganhar no videogame pelo menos uma vez.
— Sem chances — Lookmhee riu, o som vibrando no peito. — Eu sou inteligente demais para perder de propósito, mesmo para você.
O sinal da biblioteca tocou, indicando que o prédio fecharia em quinze minutos. O momento de bolha em que viviam estava prestes a estourar. Sonya levantou-se relutante, ajeitando a saia de tênis. Ela pegou sua raquete e voltou a ser a garota popular e intocável em questão de segundos.
Lookmhee colocou os óculos de volta, a barreira de vidro retornando ao seu rosto. Ela vestiu a máscara de indiferença como se fosse uma segunda pele.
— Vá primeiro — disse Lookmhee, voltando a abrir o livro. — Mark deve estar te esperando no estacionamento.
Sonya parou na entrada do corredor de estantes, olhando por cima do ombro.
— Ele pode esperar — disse ela, com um tom de voz que misturava autoridade e carinho. — Mas não se atrase hoje à noite, Punyapat. Se eu chegar e você estiver lendo sobre lógica formal, eu jogo seus livros pela janela.
— Sim, senhora — respondeu Lookmhee, o sarcasmo pingando de sua voz, mas com um brilho de adoração nos olhos que só Sonya conseguia extrair.
Sonya saiu, o som de seus tênis ecoando pelo mármore. Lookmhee esperou cinco minutos exatos antes de se levantar. Ela guardou suas coisas, ajeitou o moletom largo e caminhou em direção à saída lateral, longe dos olhos curiosos.
Enquanto atravessava o campus, ela viu Sonya de longe. Ela estava rindo de algo que uma de suas amigas dizia, enquanto Mark segurava sua mão. Para qualquer um que olhasse, Sonya era a rainha do campus, e Lookmhee era apenas a nerd invisível que passava por trás deles.
Mas quando Sonya virou a cabeça levemente e piscou, um gesto quase imperceptível para qualquer um que não estivesse observando com a atenção de um falcão, Lookmhee soube.
O segredo delas era perigoso, era exaustivo e, às vezes, doloroso. Mas quando o sol se pusesse e as luzes da universidade se apagassem, Lookmhee deixaria de ser a nerd submissa, e Sonya deixaria de ser a namorada troféu.
Na escuridão do apartamento de Lookmhee, elas eram apenas duas garotas teimosas e apaixonadas, vivendo um romance que ninguém seria capaz de entender, muito menos de rotular.
Lookmhee sorriu para si mesma, ajustando a alça da mochila. Ela tinha uma aula de muay-thai em trinta minutos e uma rainha para encontrar em três horas. A vida, afinal, era uma questão de estratégia. E Lookmhee Punyapat sempre jogava para vencer.
Ao chegar em casa, o ritual de transformação começou. O moletom cinza foi descartado no cesto de roupa suja. Os óculos foram deixados sobre a mesa de cabeceira. Ela tomou um banho rápido, sentindo a água quente relaxar os músculos cansados do treino.
Ela escolheu uma calça de couro preta e uma blusa de seda que acentuava seus ombros fortes. Colocou seus anéis de prata favoritos e o cordão que Sonya lhe dera no aniversário de seis meses de namoro escondido. No espelho, a nerd da faculdade havia desaparecido. Em seu lugar, estava a mulher que Sonya tanto cobiçava: decidida, linda e intensamente protetora.
O interfone tocou.
Lookmhee deu uma última olhada no reflexo, um sorriso de canto de boca surgindo.
— Que comece o jogo — sussurrou para o quarto vazio.
Ela abriu a porta e encontrou Sonya, ainda com as roupas de tênis, mas com um olhar que dizia que ela tinha corrido todo o caminho até ali. Sem dizer uma palavra, Sonya entrou e chutou a porta para fechar atrás de si, jogando-se nos braços de Lookmhee.
— Finalmente — suspirou Sonya, escondendo o rosto no pescoço da namorada. — Eu achei que o dia não ia acabar nunca.
— Eu também — admitiu Lookmhee, apertando-a com força. — Mas agora o mundo lá fora não importa.
— Só nós? — perguntou Sonya, olhando para cima.
— Só nós — confirmou Lookmhee, antes de selar a promessa com um beijo que cheirava a liberdade e ao doce perigo de serem exatamente quem eram.
