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Amor em segredo

Fandom: Escola

Criado: 23/10/2026

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Entre Cadernos e Olhares Roubados

Oi, meu nome é Vitória. Sou uma aluna nova naquela escola e, bom, aquele era meu décimo dia de aula. Eu ainda estava me acostumando com tudo, conhecendo pessoas novas e tentando encontrar meu lugar ali. O cheiro de cera de chão misturado com o perfume barato dos corredores ainda era estranho para mim, e o barulho dos armários batendo soava como uma sinfonia caótica que eu ainda não sabia reger.

Mas tinha uma coisa que ninguém sabia sobre mim: eu era apaixonada pelo Igor.

Ele era um garoto legal, engraçado, quieto e estiloso, daqueles que chamavam minha atenção sem nem precisar fazer esforço. Igor tinha um jeito de andar, meio despojado, sempre com um fone de ouvido pendurado no pescoço e umas camisetas de bandas que eu secretamente comecei a pesquisar no Spotify só para ter assunto, caso um dia o destino resolvesse me dar uma mãozinha. O problema? Ele não fazia a menor ideia do que eu sentia.

Naquela manhã de terça-feira, o sol entrava pelas janelas altas da sala de história, criando feixes de poeira dançante no ar. Eu estava sentada duas fileiras atrás dele, observando a nuca dele e o jeito como ele girava a caneta entre os dedos enquanto o professor falava sobre a Revolução Industrial.

— Vitória? — A voz do professor me trouxe de volta à terra firme. — Poderia ler o próximo parágrafo da página quarenta e dois?

Senti meu rosto esquentar instantaneamente. Abri o livro com pressa, tropeçando nas palavras enquanto sentia o olhar de metade da sala em mim. E, claro, o dele também. Igor virou o rosto levemente, apenas o suficiente para que eu visse o canto de sua boca se elevar em um sorriso discreto. Não era um sorriso de deboche, era... cúmplice? Ou talvez fosse apenas minha imaginação fértil de apaixonada.

Quando o sinal tocou para o intervalo, tentei sair da sala o mais rápido possível para evitar qualquer interação constrangedora, mas o destino tinha outros planos. Minha mochila, que parecia estar contra mim naquele dia, resolveu se enroscar no pé da mesa.

— Precisa de uma mãozinha? — Uma voz calma e levemente rouca soou logo atrás de mim.

Coração na boca. Respirei fundo e me virei. Era ele.

— Ah, oi, Igor. — Tentei soar casual, mas minha voz saiu um pouco mais aguda do que o normal. — Só essa mochila que resolveu morar aqui na sala de história.

Igor se abaixou, soltando a alça presa com uma facilidade invejável. Ele se levantou e me entregou a mochila, mantendo aquele olhar tranquilo que me deixava sem saber se ele estava apenas sendo educado ou se havia algo mais ali.

— Ela parece pesada — comentou ele, ajustando a própria jaqueta jeans. — Você carrega o mundo aí dentro?

— Quase isso — respondi, soltando uma risadinha nervosa. — Coisas de aluna nova. Tenho medo de esquecer algum material e ser expulsa no décimo dia.

— Eles não expulsam ninguém por esquecer um livro de geografia — disse ele, começando a caminhar ao meu lado em direção ao pátio. — No máximo, te mandam para a biblioteca, o que nem é tão ruim. É o lugar mais silencioso da escola.

Caminhamos juntos pelo corredor. Eu tentava agir normalmente, fingindo que meu coração não estava batendo como um tambor de escola de samba. Ele era tão natural, tão autêntico. Não precisava falar muito para ser o centro das atenções, embora parecesse preferir as margens.

— E aí, Vitória — ele disse, parando perto da cantina —, o que você está achando daqui? Além das mochilas rebeldes.

— É legal — respondi, cruzando os braços para esconder o tremor nas mãos. — Um pouco confuso ainda. As pessoas já têm seus grupos formados, sabe? Às vezes me sinto um pouco como um peixe fora d'água.

— Eu entendo — disse ele, encostando-se na parede. — Mas você parece se encaixar bem. Pelo menos, não parece um peixe.

Eu ri, e dessa vez foi um riso sincero.

— Isso foi um elogio?

— Talvez — ele deu de ombros, com um brilho misterioso nos olhos. — Você é engraçada. E tem um estilo legal também. Gostei do broche na sua mochila. É daquela banda de indie, não é?

Meu coração deu um salto. Ele tinha notado o detalhe.

— É sim! Você conhece? — perguntei, tentando não parecer animada demais.

— Um pouco. O baixista deles é incrível — comentou ele, e por um momento, a conversa fluiu como se nos conhecêssemos há meses, e não apenas há dez dias.

Mas, como tudo que é bom dura pouco, os amigos dele apareceram, chamando-o para o fundo do pátio onde o pessoal costumava se reunir.

— A gente se vê por aí, Vitória — disse ele, fazendo um sinal de paz com os dedos antes de se afastar.

Fiquei ali, parada, com um sorriso bobo que lutei para esconder. Eu guardava tudo para mim, cada pequeno detalhe. A maneira como ele colocava as mãos nos bolsos, o jeito como ele franzia a testa quando estava pensando em algo. Para ele, eu poderia ser apenas mais uma garota, mas para mim, ele já ocupava um espaço enorme.

O problema era a incerteza. Às vezes, como naquele momento na cantina, eu sentia que havia uma conexão, um fio invisível nos ligando. Outras vezes, ele era tão quieto e fechado que eu tinha certeza de que ele nem lembrava do meu nome.

Na aula seguinte, de matemática, eu não conseguia me concentrar nas equações de segundo grau. Fiquei desenhando rabiscos no canto do caderno, pensando se deveria ter dito algo mais, se deveria ter sido mais ousada. Mas a timidez era uma âncora pesada.

— Psiu, Vitória.

Olhei para o lado. Era a Marina, a primeira pessoa que falou comigo quando cheguei. Ela me olhava com uma expressão de quem sabia de um segredo de estado.

— Que foi? — sussurrei.

— Eu vi você conversando com o Igor no intervalo — disse ela, com um sorriso malicioso. — O "garoto mistério" finalmente falou com alguém fora do círculo dele.

— Não foi nada demais, Marina. Ele só me ajudou com a mochila.

— Sei... — ela cantarolou baixo. — Ele não ajuda qualquer um, viu? O Igor é na dele. Se ele parou para conversar, é porque notou você.

Senti minhas bochechas arderem novamente.

— Não viaja. Ele só é educado.

— Educação é uma coisa, aquele olhar que ele te deu é outra — insistiu ela, antes que o professor pedisse silêncio.

Passei o resto da tarde com aquela frase ecoando na minha cabeça: "Aquele olhar". Será que eu estava lendo demais os sinais ou será que realmente existia algo? O Igor era um enigma. Um enigma estiloso, de poucas palavras e um sorriso que desarmava qualquer defesa minha.

Quando as aulas terminaram, eu estava guardando minhas coisas quando vi um papel dobrado cair de dentro do meu livro de história. Estranhei, pois não me lembrava de ter colocado nada ali.

Abri o papel com as mãos trêmulas. Havia um desenho pequeno, um esboço rápido feito a lápis, de uma garota com uma mochila enorme nas costas e uma expressão de desespero cômico. Embaixo, uma caligrafia firme dizia:

"O peixe fora d'água até que se vira bem. Até amanhã, Vitória."

Olhei em volta, procurando por ele, mas a sala já estava quase vazia. Senti um calorzinho bom no peito. Ele tinha prestado atenção. Ele tinha tirado um tempo para desenhar aquilo e colocar no meu livro sem que eu percebesse.

Caminhei até o portão da escola com o papel apertado contra o peito. O Igor era um garoto tranquilo, quieto e às vezes difícil de decifrar. Eu ainda não sabia se ele era apaixonado por mim, ou se aquilo era apenas o começo de uma amizade, ou se era apenas o jeito dele de ser legal.

Mas, enquanto eu via a silhueta dele se afastando na rua, com seus fones de ouvido e seu passo despojado, eu soube de uma coisa: os próximos dez dias seriam muito mais interessantes que os primeiros. E, talvez, apenas talvez, eu não precisasse esconder meus sorrisos bobos por muito mais tempo.

Parei na calçada e respirei o ar da tarde. A escola não parecia mais tão estranha, e o meu lugar ali estava começando a ter a forma de um esboço a lápis em um pedaço de papel. O Igor continuava sendo um mistério, mas era o meu mistério favorito. E, pela primeira vez desde que cheguei, eu não me senti mais como uma aluna nova tentando se encontrar. Eu me senti exatamente onde deveria estar.

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