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Rocinha, RJ 📍

Fandom: Não tem

Criado: 23/10/2026

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O Dono do Morro e a Calmaria do Lar

O sol de meio-dia no Rio de Janeiro não estava para brincadeira. O mormaço subia do asfalto quente da Rocinha, misturando o cheiro de asfalto com o aroma de comida temperada que vinha das janelas abertas. No alto do morro, onde a brisa do mar de São Conrado ainda conseguia dar as caras, a mansão dos Allegretti se destacava. Era o refúgio do homem que ditava as regras ali embaixo, mas que, dentro daqueles muros, era apenas o "rabugento" de uma certa morena.

Guilherme Allegretti, o Magnata, estava encostado no capô da sua Hilux preta, logo na entrada da garagem. Aos 39 anos, o porte de 1,93m e o corpo moldado por anos de treino e correria impunham respeito sem que ele precisasse abrir a boca. O cavanhaque estava bem aparado, e os olhos verdes, herdados pelos três filhos, varriam a rua com a atenção de quem nunca baixa a guarda.

— Coé, Caveira! Vai mofar aí no portão ou vai descer pro campo? — Guilherme gritou, vendo Ricardo sair da casa ao lado, ajustando o radinho na cintura.

Ricardo, o Rick, atravessou o pequeno espaço entre as casas. Ele era o braço direito, o cunhado e o melhor amigo. Os dois eram a espinha dorsal da hierarquia do morro, mas ali, naquele momento, eram apenas dois caras querendo desopilar.

— Calma aí, patrão. A patroa tava me dando as coordenadas da janta — Rick riu, batendo no ombro de Guilherme. — A Ster e a Letícia já tão lá dentro fofocando, né?

— Tu sabe como é. As duas juntas é perigo constante — Guilherme sorriu de canto, um sorriso raro que só mostrava para os íntimos. — Os moleques já desceram?

— Bernardo e Kaelton passaram voando por aqui. Foram pro campinho encontrar a rapaziada. Aqueles dois não negam o sangue, né, não? Marrentos pra caralho.

Enquanto os homens se organizavam, dentro da casa, o clima era outro. Letícia Allegretti terminava de ajeitar o laço na cabeça de Luna. Aos 37 anos, Letícia mantinha as curvas que deixavam Guilherme louco desde a adolescência. O cabelo liso batia nos ombros, e o olhar escuro brilhava ao olhar para a caçula.

— Pronto, minha boneca. Tá a coisa mais linda da mamãe — Letícia deu um beijo na bochecha gordinha de Luna, que soltou um gritinho agudo de alegria.

— Amiga, essa menina é a cara do Guilherme, chega a dar raiva — Stefanne comentou, entrando no quarto com um copo de suco. — Mas o gênio... o gênio é do Kaelton.

— Nem me fala, Ster. A Luna é um grude com aquele garoto que eu fico boba. Se o Kael fecha a cara, ela imita. Se ele some por cinco minutos, ela abre o berreiro.

Luna, que estava no colo da mãe, começou a se agitar, esticando os bracinhos em direção à porta. Ela já conhecia o barulho dos passos.

— Manin! — a pequena balbuciou, ou algo muito próximo disso, enquanto Kaelton entrava no quarto, suado, com a camisa de time jogada no ombro e o cabelo castanho escuro bagunçado.

— Coé, pretinha. Já tá gritando por mim? — Kaelton abriu um sorriso largo, o único que ele dava, e pegou a irmã do colo de Letícia com uma facilidade impressionante.

Kaelton, aos 18 anos, era a cópia fiel do pai, mas com a rusticidade da juventude. Ele ajeitou Luna no quadril, e a bebê imediatamente enterrou o rosto no pescoço dele, segurando a corrente de ouro que ele usava.

— Ela não desgruda, Kael. Cuidado pra ela não te sujar toda de baba, que tu acabou de tomar banho — Letícia avisou, rindo.

— Deixa, mãe. A Luna pode tudo — Kaelton respondeu com a voz grossa, dando um beijo no topo da cabeça da irmã. — Cadê o Bernardo?

— Tá lá embaixo com o tio Rick, enchendo o saco do pai de vocês — Stefanne respondeu.

Lá embaixo, o clima era de resenha. O campinho de terra batida, que ficava numa área mais reservada da parte alta, estava cheio. Não era nada profissional, apenas os crias do morro, os seguranças e os amigos de longa data. Bernardo, o gêmeo mais comunicativo, já estava no meio da roda, fazendo geral rir.

— Pô, mané, tu viu o drible que eu dei no menor ali? — Bernardo falava, gesticulando muito. — O moleque ficou procurando o rim até agora!

— Tu fala demais, Bê. Quero ver fazer isso na minha frente — Ricardo provocou, entrando no campo.

Guilherme ficou de fora, apenas observando. Ele gostava daquilo. Ver os filhos crescidos, fortes, respeitados, mas longe da sujeira pesada do crime. Ele e Rick garantiam que os meninos tivessem o melhor: estudavam em São Conrado, nas melhores escolas, e tinham um futuro que ia além do fuzil.

— E aí, patrão? Não vai entrar não? — um dos rapazes da contenção perguntou, com respeito.

— Vou deixar pros moleques hoje. Tô só de olho na minha retaguarda — Guilherme respondeu, mas seus olhos se desviaram para a entrada do campo, onde Letícia e Ster apareciam com a pequena Luna.

O olhar de Magnata mudou instantaneamente. A seriedade deu lugar a um brilho de possessividade e amor. Ele caminhou até a esposa, passando o braço pela cintura dela e puxando-a para perto.

— Demorou, coração — ele sussurrou no ouvido dela, sentindo o perfume que sempre o tirava do eixo.

— A Luna não queria deixar o Kael sair do quarto, vida. Tu sabe como é o grude daqueles dois — Letícia encostou a cabeça no ombro do marido.

Nesse momento, Bernardo correu até eles, pegando Luna do colo de Kaelton, que tinha acabado de chegar ao lado do pai.

— Vem cá com o tio preferido, vem! — Bernardo jogou a bebê para o alto, fazendo-a gargalhar alto. O som da risada de Luna ecoou pelo campo, atraindo sorrisos de todos.

— Cuidado, Bernardo! Puta que pariu, não joga a garota tão alto! — Kaelton rosnou, o ciúme protetor saltando aos olhos.

— Relaxa, manin! Ela gosta, olha aí — Bernardo jogou de novo, e Luna batia palminhas. — Ela sabe quem é o mais legal da casa.

— Tu é um fanfarrão, Bê. Devolve ela aqui — Kaelton tentou pegar a irmã, mas Bernardo saiu correndo pelo campo com a bebê, iniciando uma perseguição que fez Letícia e Ster caírem na risada.

Guilherme observava a cena, sentindo um orgulho imenso. Ele apertou mais a cintura de Letícia.

— Eles tão grandes, né, preta? — ele comentou baixo.

— Tão uns homens, Gui. E uns homens bem difíceis, igual ao pai — ela provocou, virando-se nos braços dele. — Marrentos, ciumentos...

— Mas tu gosta, que eu sei. Tu sempre gostou do meu jeito, Letícia. Não vem com essa — ele sorriu, aproximando o rosto do dela.

— Gosto. Gosto tanto que aguento tuas crises de ciúmes até hoje, meu rabugento.

O clima esquentou por um segundo, o desejo de décadas ainda queimando entre os dois como se fossem adolescentes. Guilherme roçou o nariz no dela, ignorando a movimentação ao redor.

— Mais tarde a gente conversa melhor lá em cima. O quarto tá com o isolamento em dia, né? — ele sussurrou, a voz carregada de segundas intenções.

— Safado... — ela murmurou, mas o beijo que ele deu no canto da boca dela confirmou que a noite seria longa.

Enquanto isso, no meio do campo, a brincadeira continuava. Kaelton finalmente conseguiu recuperar Luna, que agora estava agarrada na sua camisa, observando os outros rapazes jogarem bola. Algumas garotas da comunidade, que estavam por ali assistindo, olhavam para os gêmeos com desejo evidente. Bernardo percebia e retribuía os olhares com sorrisos de canto, aquele jeito canalha que ele sabia que funcionava. Kaelton, por outro lado, nem olhava. Para ele, o mundo podia acabar, desde que a irmã estivesse segura em seus braços.

— Coé, Kael, olha a morena ali te secando, manin — Bernardo cutucou o irmão.

— Deixa secar, Bê. Não tô pra ideia hoje não. Só quero ficar de boa com a pequena — Kaelton respondeu, sério.

— Tu é muito chato, cara. Por isso que as mina dizem que eu sou o gêmeo legal.

— Tu é o gêmeo otário, isso sim.

A tarde seguiu assim, entre gols, risadas e a vivacidade única da Rocinha. O sol começou a se pôr, pintando o céu do Rio de Janeiro com tons de laranja e roxo. Era hora de subir.

De volta à casona, a rotina de fim de dia começou. Rick e Ster foram para a casa deles, prometendo voltar para o churrasco no domingo. Dentro da mansão Allegretti, o silêncio começou a se instalar conforme a noite avançava.

Kaelton, como fazia muitas vezes, esperou que Letícia colocasse Luna no berço e saísse do quarto. Cerca de meia hora depois, ele entrou no quarto da irmã em silêncio absoluto. A pequena estava dormindo, com o bico na boca e os bracinhos abertos.

— Vem cá, pretinha. Hoje tu dorme com o manin — ele sussurrou, pegando a bebê com uma delicadeza que ninguém acreditaria que vinha daquele rapaz bruto.

Ele a levou para o seu quarto, deitando-a no meio da cama king size e se acomodando ao lado dela. Luna se mexeu, sentiu o cheiro do irmão e se aninhou, dormindo profundamente.

No corredor, Bernardo passava em direção ao seu próprio quarto quando viu a porta do irmão entreaberta. Ele apenas sorriu e balançou a cabeça.

— Esse Kael é um doente pela garota — murmurou para si mesmo, antes de entrar no quarto e se jogar na cama, pegando o celular para responder as dezenas de mensagens de garotas que tinha recebido durante o dia.

No quarto principal, Guilherme e Letícia finalmente estavam a sós. A porta estava trancada, e o isolamento acústico garantia que nenhum som sairia dali. Guilherme já estava sem camisa, exibindo as tatuagens que contavam a história da sua vida no corpo malhado.

— Vem cá, Letícia — ele chamou, a voz agora num tom de comando que ela conhecia bem.

Ela caminhou até ele, desabotoando o vestido lentamente.

— Tá muito mandão hoje, Magnata. O que foi? O ciúme do Rick ter te ganhado no futevôlei ainda tá aí?

— Tu sabe que ninguém ganha de mim, preta. Especialmente quando o prêmio é o que eu tenho aqui na minha frente.

Ele a puxou com força, colando os corpos. A mão grande de Guilherme desceu pelas curvas dela, apertando com vontade.

— Eu sou louco por você, sabia? — ele murmurou, antes de atacar o pescoço dela com beijos e mordidas leves.

— Eu também, meu rabugento... agora cala a boca e me fode.

O clima esquentou rapidamente. Guilherme a jogou na cama, ficando por cima, admirando a mulher que era sua desde sempre. Ele não tinha pressa. Sabia exatamente onde tocar, como fazer ela perder o fôlego.

— Tu é minha, Letícia. Só minha — ele afirmou, enquanto as mãos dela puxavam o cabelo dele, trazendo-o para um beijo profundo e molhado.

— Sempre fui, Gui. Sempre fui.

Entre carícias ousadas e palavras sussurradas, o dono da Rocinha e sua primeira dama se entregaram um ao outro. O prazer era intenso, bruto e ao mesmo tempo cheio de um amor que só quem cresceu junto entende. Guilherme a possuía com a fome de quem nunca se cansa, e Letícia respondia com a mesma intensidade, as unhas cravadas nas costas malhadas dele.

— Puta que pariu, Letícia... tu vai me matar assim — ele arfou, sentindo o corpo dela tremer sob o seu enquanto chegavam juntos ao ápice.

Depois, deitados e suados, eles ficaram apenas ouvindo a respiração um do outro. A paz que existia naquele quarto era o contraponto perfeito para a guerra que Guilherme enfrentava todos os dias lá fora.

— Amanhã tem churrasco, né? — Letícia perguntou, a voz sonolenta, aninhada no peito dele.

— Tem. O Rick já comprou a carne. E eu vou ter que aturar o Bernardo e o Kaelton disputando quem cuida mais da Luna — Guilherme riu baixo, beijando a testa da esposa.

— É a nossa família, vida. Complicada, marrenta, mas é nossa.

— É tudo que eu preciso, coração. Só isso.

Lá fora, a Rocinha brilhava com suas luzes, um formigueiro humano que nunca parava. Mas ali, no alto do morro, os Allegretti dormiam em paz, protegidos pelo amor, pela lealdade e pelo respeito que construíram ao longo dos anos. A noite carioca continuava, quente e vibrante, esperando por mais um dia de sol e resenha.

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