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o noivo da minha irmã

Fandom: pondphuwin

Criado: 24/10/2026

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O Reflexo de um Olhar Proibido

A vitrine da confeitaria estava impecável, como sempre. Dunk e Mali tinham um talento quase irritante para a perfeição; cada macaron parecia uma joia, cada bolo uma obra de arte. Phuwin empurrou a porta de vidro, o tilintar do sino anunciando sua chegada, e foi imediatamente atingido pelo aroma reconfortante de baunilha e açúcar queimado.

— Cheguei! — anunciou Phuwin, deixando sua mochila de lado e passando a mão pelos cabelos escuros e levemente desalinhados.

Dunk, que estava terminando de decorar um cupcake, ergueu os olhos e sorriu.

— Justo a tempo. Mali está lá atrás, tendo um ataque de nervos controlado. Ela quer que tudo esteja perfeito para hoje à noite.

Phuwin riu, aproximando-se do balcão.

— É só um jantar, Dunk. Nossos pais já conhecem o Pond há meses. Eu sou o único que ainda não foi apresentado formalmente ao "homem perfeito".

— Não é só um jantar, Phuwin — disse Mali, saindo da cozinha enquanto limpava as mãos no avental. Seus olhos brilhavam com uma mistura de ansiedade e alegria pura. — É o anúncio oficial. Vamos definir a data do casamento. Eu quero que meu irmãozinho e meu futuro marido finalmente se tornem amigos.

Phuwin caminhou até a irmã e a abraçou apertado. Ele a amava profundamente. Mali fora seu alicerce em tantos momentos, e vê-la tão radiante o fazia sentir que o mundo estava em equilíbrio.

— Ele vai me adorar, Mali. E eu vou ser educado, prometo. Mesmo que ele seja um empresário sério e chato.

— Ele não é chato — Mali defendeu, rindo. — Ele é... intenso. Mas você vai ver.

O restante da tarde passou em um borrão de preparativos. Gemini e Fourth apareceram mais tarde, trazendo a energia caótica de sempre. Fourth, que estagiava com Phuwin na agência de modelos, não parava de falar sobre a nova campanha que estavam fotografando, enquanto Gemini, com sua calma típica de quem lidava com códigos de TI o dia todo, tentava acalmar a empolgação do namorado.

— Se o noivo da Mali for metade do que ela descreve, Phuwin, você vai ter que se esforçar para não se sentir intimidado — brincou Fourth, roubando um pedaço de chocolate.

— Eu não me intimido fácil, Fourth. Você sabe disso — Phuwin respondeu, ajeitando a gola de sua camisa casual, mas elegante.

Às sete da noite, o ambiente mudou. A confeitaria estava fechada para o público, restando apenas o grupo íntimo. O jantar seria servido ali mesmo, em uma mesa longa e decorada com flores frescas.

O som de um carro de luxo estacionando do lado de fora fez o coração de Mali acelerar. Ela correu para a porta, e Phuwin, posicionado perto da janela, observou a cena.

Do banco do motorista, saiu um homem que parecia ter sido esculpido com precisão cirúrgica. Pond Naravit usava um terno preto impecável, a camisa branca aberta no colarinho, conferindo-lhe um ar de sofisticação urbana e autoridade natural. Seus cabelos negros eram espessos e bem cortados, e sua mandíbula angulosa se destacava sob a luz dos postes de rua.

Atrás dele, três homens desceram de outro carro. Joong, com seu porte atlético e sorriso magnético, e o casal Santa e Perth, que caminhavam lado a lado com a confiança de quem eram os braços direitos de um império.

Mali abraçou Pond, que retribuiu com um sorriso contido, mas genuinamente doce. Foi aquele sorriso que fez Phuwin franzir a testa. Havia algo na energia daquele homem que preenchia o espaço antes mesmo de ele entrar.

Quando o grupo entrou na confeitaria, as apresentações começaram. Joong foi o primeiro a cumprimentar Dunk, e a faísca entre os dois foi quase instantânea, embora ambos tentassem manter o profissionalismo. Santa e Perth cumprimentaram a todos com a familiaridade de amigos de longa data da família.

Então, Mali puxou Pond pelo braço em direção a Phuwin.

— Pond, querido, este é meu irmão, Phuwin. Phuwin, este é o Pond.

Phuwin sustentou o olhar. Ele estava acostumado a fotografar modelos deslumbrantes, mas a beleza de Pond era diferente. Era pesada, carregada de uma presença que exigia atenção.

— É um prazer finalmente conhecê-lo, Phuwin — disse Pond. Sua voz era exatamente como Phuwin não esperava: grossa, rouca e baixa. O som pareceu vibrar na base da coluna do mais novo.

— O prazer é meu — Phuwin respondeu, estendendo a mão.

Quando suas mãos se tocaram, algo estranho aconteceu. Pond não apertou sua mão com pressa; ele envolveu os dedos de Phuwin com firmeza, os olhos amendoados e profundos fixos nos dele, como se estivesse tentando decifrar um enigma em segundos. Phuwin sentiu o calor da pele de Pond e, por um instante, o mundo ao redor — as risadas de Fourth, as conversas de Joong, o perfume dos doces — desapareceu.

Pond inclinou levemente a cabeça, um gesto de interesse genuíno.

— Mali fala muito de você. Sobre sua fotografia e seu talento na faculdade.

— Ela tende a exagerar quando se trata de mim — Phuwin disse, tentando recuperar sua compostura habitual e desviando o olhar por um breve segundo antes de voltar a encarar o homem à sua frente.

— Eu não acho que ela exagere — Pond rebateu, a voz mantendo aquela cadência lenta e segura. — Eu vi algumas de suas fotos na sala dela. Você tem um olhar... observador.

O jantar prosseguiu, mas para Phuwin, a atmosfera tinha mudado. Ele se sentou entre Gemini e Dunk, enquanto Pond estava do outro lado, ao lado de Mali. Durante a refeição, Phuwin tentou se concentrar na conversa sobre a agência de publicidade de Pond. Ouviu Santa e Perth discutirem metas de expansão e Joong comentar sobre novos contratos, mas seus olhos, quase involuntariamente, voltavam para o homem na cabeceira.

Pond era o epítome do controle. Ele falava pouco, mas quando falava, todos ouviam. No entanto, Phuwin notou algo que os outros pareciam ignorar. Quando o assunto se tornava um pouco mais pessoal ou quando Mali mencionava detalhes do casamento, Pond girava discretamente um anel de prata no dedo anelar.

Ele está nervoso, pensou Phuwin, sentindo uma pontada de curiosidade. Por que ele estaria nervoso?

Em certo momento, Mali se levantou para ajudar Dunk com a sobremesa, deixando Pond e Phuwin momentaneamente "frente a frente" na mesa, já que os outros estavam imersos em uma piada de Fourth.

— Você não gosta muito de falar sobre si mesmo, não é, Phuwin? — Pond perguntou, baixando a voz de modo que apenas os dois pudessem ouvir.

Phuwin encostou-se na cadeira, cruzando os braços.

— Prefiro observar. Fotógrafos aprendem que se vê muito mais quando se está em silêncio.

Pond deu um sorriso seco, quase um reflexo de sarcasmo discreto, mas seus olhos brilharam com algo que Phuwin não conseguiu identificar.

— Uma filosofia perigosa. Às vezes, observar demais faz a gente ver coisas que preferiria ignorar.

— Como o quê? — Phuwin desafiou, inclinando a cabeça.

Pond não respondeu de imediato. Ele passou o polegar pelos nós dos dedos, um maneirismo que Phuwin registrou mentalmente.

— Como o fato de que você está me analisando desde que entrei por aquela porta.

Phuwin sentiu o rosto esquentar, mas não desviou o olhar.

— É o meu trabalho, Pond. E você é o futuro marido da minha irmã. Eu preciso saber quem ele é.

— E o que você descobriu até agora?

— Que você é muito bom em fingir que tem tudo sob controle — disparou Phuwin, com uma audácia que surpreendeu a si mesmo.

O olhar de Pond endureceu por um milésimo de segundo, as pupilas dilatando levemente. A tensão entre eles era palpável, um fio invisível que se esticava perigosamente.

— Talvez eu não esteja fingindo — Pond disse, a voz ainda mais baixa, quase um sussurro rouco.

A conversa foi interrompida por Mali, que voltou com uma travessa de doces.

— Aqui está! A especialidade da casa. Pond, você tem que provar.

Pond mudou instantaneamente. O homem intenso e provocador de segundos atrás deu lugar ao noivo atencioso. Ele sorriu para Mali, pegou sua mão e a beijou levemente.

— Se foi você quem ajudou a fazer, tenho certeza de que está perfeito, querida.

Phuwin sentiu um aperto estranho no peito. Não era ciúme da irmã, nem raiva. Era uma sensação de desconforto, uma dissonância entre o que ele acabara de ver nos olhos de Pond e o papel que o homem desempenhava agora.

Mais tarde, enquanto o grupo se dispersava pela confeitaria, Phuwin se afastou para o pequeno escritório nos fundos para buscar sua câmera. Ele queria registrar alguns momentos daquela noite, um hábito que sempre mantinha.

Ao entrar na sala escura, ele percebeu que não estava sozinho. Pond estava parado diante de uma prateleira, observando um pequeno objeto que Phuwin mantinha ali: uma edição de colecionador do Homem-Aranha, um presente de infância que ele nunca teve coragem de guardar em caixas.

Pond não percebeu a entrada de Phuwin de imediato. Ele tocava a miniatura com uma delicadeza que contrastava com sua imagem de empresário implacável. Havia um brilho quase infantil em seus olhos.

— Você gosta do Homem-Aranha? — perguntou Phuwin, encostado no batente da porta.

Pond deu um leve sobressalto, recuperando a postura rapidamente, mas não conseguiu esconder o pequeno sorriso que surgiu em seus lábios.

— É uma coleção impressionante. Eu tenho algumas peças em casa... mas ninguém na agência sabe disso.

Phuwin sorriu, um sorriso verdadeiro que iluminou seu rosto.

— O grande Pond Naravit tem um lado nerd escondido? Isso é uma informação valiosa.

— Não se atreva, Phuwin — Pond disse, mas não havia ameaça em sua voz, apenas uma provocação leve. — Se isso vazar, eu saberei quem foi.

— O que você vai fazer? Me demitir de um emprego que eu não tenho?

Pond deu um passo à frente, saindo das sombras do escritório. Ele parou a poucos centímetros de Phuwin. O espaço era pequeno, e o aroma do perfume amadeirado de Pond envolveu os sentidos do mais jovem.

— Eu encontraria uma forma — disse Pond, olhando para os lábios de Phuwin antes de voltar aos seus olhos. — Você é muito mais teimoso do que Mali descreveu.

— E você é muito menos previsível do que eu imaginei — rebateu Phuwin, a voz perdendo um pouco da firmeza.

Por um momento, o silêncio no escritório foi preenchido apenas pela respiração dos dois. Pond parecia travar uma batalha interna. Ele olhou para a aliança de noivado invisível em seu compromisso com Mali, e depois para o jovem à sua frente, que representava tudo o que ele não deveria desejar.

— Phuwin... — Pond pronunciou o nome dele devagar, a voz carregada de um significado que nenhum dos dois estava pronto para admitir.

— Sim?

Pond abriu a boca para dizer algo, mas o som da voz de Mali chamando por ele no salão principal quebrou o feitiço.

— Pond? Onde você se meteu?

Pond recuou um passo, a máscara de frieza e controle voltando ao lugar como uma armadura.

— Estamos indo — ele disse, a voz voltando ao tom profissional. — Foi um prazer, Phuwin.

Ele passou por Phuwin, mas seus ombros se roçaram no processo, um contato breve que enviou um choque elétrico pelo corpo do estudante.

Phuwin ficou parado no escritório por um longo tempo, segurando sua câmera, mas sem tirar nenhuma foto. Ele olhou para a miniatura do Homem-Aranha na prateleira e sentiu um peso no estômago.

Lá fora, ele ouviu as despedidas. Ouviu Mali rindo, feliz e apaixonada. Ouviu o motor do carro de Pond ligar e se afastar.

Dunk entrou no escritório logo depois, encontrando o amigo no escuro.

— Ei, está tudo bem? Você sumiu.

Phuwin forçou um sorriso e ajeitou a câmera no ombro.

— Está tudo bem, Dunk. Só estava guardando umas coisas.

— O que achou dele? Do Pond?

Phuwin passou a mão pelo cabelo, um gesto de puro nervosismo que ele tentou disfarçar.

— Ele é... exatamente o que a Mali precisa — mentiu Phuwin.

Mas, enquanto voltava para o salão, a imagem dos olhos de Pond, a vibração de sua voz rouca e a forma como ele girava o anel não saíam de sua cabeça. Phuwin sempre se orgulhou de ser um observador, de ver a verdade por trás das lentes.

E a verdade que ele acabara de vislumbrar era aterrorizante.

Pond Naravit era o noivo de sua irmã. O homem que deveria ser sua família. O homem que Mali amava com todo o coração.

E, no entanto, Phuwin sabia, com uma clareza dolorosa, que aquele jantar não fora o fim de nada. Fora o início de algo que poderia destruir tudo o que eles conheciam.

Porque Pond não olhara para ele como um cunhado. E Phuwin, pela primeira vez na vida, não sabia como parar de observar o que não deveria ser visto.

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