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Eu te conheço?

Fandom: Alien stage

Criado: 25/10/2026

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O Eclipse de Cabelos Cor-de-Rosa

A manhã na Truman High School cheirava a cera de assoalho barata, desodorante masculino forte e aquela ansiedade coletiva que só o ensino médio consegue destilar. O sol da Geórgia entrava pelas janelas altas do corredor principal, iluminando a poeira suspensa e o caos habitual de armários batendo e fofocas disparadas na velocidade da luz.

Ivan, ajustando a jaqueta do time de futebol americano — com o "T" bordado em destaque no peito —, tinha aquele sorriso que fazia metade da escola suspirar e a outra metade querer socar sua cara. Ele estava encostado nos armários, bloqueando o caminho de Till.

— Sério, Till, você parece um guaxinim que não dorme há três semanas — provocou Ivan, esticando o braço para bagunçar ainda mais o cabelo prateado e rebelde do namorado. — Essa sua fase "trevas e ódio" tá ficando cada vez mais fofa.

— Me erra, Ivan. Puta que pariu, são oito da manhã — resmungou Till, tentando desviar do braço do capitão. Ele usava a gravata tão torta que parecia mais um adereço de figurino punk do que parte de um uniforme. — Se você encostar no meu cabelo de novo, eu juro que furo a bola do seu treino hoje.

Ivan soltou uma risada curta, mostrando o dente canino afiado que era sua marca registrada. Ele tirou um pirulito do bolso da calça branca impecável e ofereceu a Till.

— Toma, açúcar ajuda no mau humor. Ou você prefere que eu te dê um beijo na frente do diretor?

— Eu prefiro que você vá pro inferno — rebateu Till, embora tenha aceitado o doce com um puxão ríspido, as bochechas levemente avermelhadas.

Perto dali, sentada em um banco de madeira, Sua mantinha os olhos fixos em um exemplar desgastado de poesia clássica. Ela era o oposto do irmão; enquanto Ivan era o centro das atenções, Sua era o ponto cego da escola. O uniforme estava perfeitamente alinhado, a gravata apertada até o último milímetro, e a franja curta cobria parcialmente seus olhos roxos, que raramente se desviavam das páginas.

— Ei, esquisita — Ivan chamou, chutando levemente o pé do banco dela. — Não vai dar bom dia pro seu irmão favorito?

Sua nem sequer levantou a cabeça.

— Você é meu único irmão, Ivan. E sua voz está três tons acima do suportável para este horário.

— Grossa — Ivan riu, voltando sua atenção para Till, que já estava tentando escapar para a sala de artes.

Do outro lado do corredor, Hyuna e Luka observavam a dinâmica familiar com o distanciamento de quem já estava acostumado com aquele circo. Hyuna, com a saia ligeiramente mais curta que o permitido e uma energia que parecia capaz de ligar a rede elétrica da cidade, estava encostada no ombro de Luka.

— O Ivan não cansa de ser um pé no saco, né? — comentou Hyuna, ajeitando uma mecha do cabelo castanho. — E o Till é o único que tem paciência pra não matar ele.

Luka, ajustando os óculos com um gesto preciso, nem tirou os olhos do cronograma de aulas.

— A paciência do Till é volátil. Eu dou mais dez minutos antes dele tentar uma agressão física — respondeu Luka, o tom de voz calmo e levemente desinteressado.

— Você é muito pessimista, Luka. É o charme deles — Hyuna sorriu, mas sua expressão mudou quando um silêncio súbito começou a se espalhar pelo corredor, como uma onda quebrando.

As conversas pararam. Os armários pararam de bater. Até Ivan parou de provocar Till.

As portas duplas da entrada principal haviam se aberto, e por elas passou alguém que parecia ter saído de um editorial de moda futurista ou de um sonho febril.

Mizi caminhava com uma calma que beirava a sonolência. O cabelo longo, de um rosa vibrante que desbotava para um azul elétrico nas pontas, balançava suavemente a cada passo. Ela usava o uniforme com um desleixo calculado: a gravata frouxa, o último botão da camisa aberto e a saia curta o suficiente para fazer a coordenadora pedagógica ter um aneurisma. Seus olhos dourados varriam o ambiente com uma indiferença sarcástica, como se estivesse avaliando se aquele lugar valia o esforço de manter os olhos abertos.

— Caralho... — murmurou Hyuna, os olhos azuis arregalados. — Quem é aquela?

— A garota nova, obviamente — disse Luka, franzindo o cenho. Ele não pareceu impressionado; na verdade, cruzou os braços, sentindo uma pontada de irritação com o frenesi instantâneo que se formou. — Parece que ela se perdeu de um set de filmagem.

Mizi não olhou para os lados. Ela passou por Ivan e Till como se eles fossem parte da mobília. Ivan, geralmente o primeiro a fazer uma piada, apenas arqueou uma sobrancelha, observando a confiança da garota.

— Olha só — Ivan disse baixinho para Till. — Acho que o seu posto de "estiloso da escola" acabou de ser roubado, emo.

— Cala a boca — Till respondeu, mas seus olhos verdes também estavam fixos na silhueta rosa e azul que se afastava. — Ela parece... cansada.

Sua, por outro lado, sentiu um calafrio estranho. Ela levantou os olhos do livro por um segundo, observando as costas da garota nova. Havia algo naquela postura, uma mistura de "não estou nem aí" com uma aura magnética, que a fez se sentir subitamente pequena. Ela rapidamente voltou a ler, o coração batendo um pouco mais rápido.

Mizi parou diante de seu novo armário, lutando por alguns segundos com a fechadura antes de soltar um suspiro pesado.

— Que porcaria de escola de filme dos anos 80 — resmungou ela para si mesma, a voz rouca de quem provavelmente tinha fumado um cigarro escondida antes de entrar.

— Ei! — Uma voz feminina e animada a interrompeu.

Mizi virou a cabeça devagar. Três garotas da equipe de torcida, vestindo as jaquetas azuis e brancas do grupo, estavam paradas ali. A líder, uma loira de sorriso perfeito, olhava para Mizi como se tivesse acabado de encontrar uma barra de ouro no lixo.

— Oi! Você é a Mizi, né? A diretoria avisou que teríamos uma aluna nova hoje. Eu sou a Chloe.

Mizi apenas piscou, os olhos dourados pesados.

— É. Sou eu.

— Olha, a gente não costuma fazer isso, mas você tem um visual incrível. Sério, esse cabelo é surreal. Estamos precisando de sangue novo na equipe de torcida para os jogos da temporada. Você já pensou em entrar?

Mizi olhou para as garotas, depois para o corredor cheio de adolescentes idiotas, e então para o teto da escola. Ela precisava de algo para ocupar o tempo e, talvez, uma desculpa para faltar em algumas aulas chatas.

— Tem que pular muito? — perguntou Mizi, com um tom seco e irônico.

As meninas riram, achando que era uma piada.

— Um pouco. Mas você seria o destaque. O que me diz?

Mizi deu de ombros, fechando o armário com um baque metálico.

— Tanto faz. Pode ser. Onde eu assino essa sentença de morte?

As animadoras vibraram, guiando Mizi pelo corredor para explicar os horários de treino. Enquanto se afastava, Mizi sentiu o peso de vários olhares sobre ela, mas um em específico, vindo de uma garota de cabelos pretos e curtos sentada em um banco, pareceu durar um milésimo de segundo a mais antes de ser desviado.


No refeitório, durante o intervalo, o assunto não era outro.

— Ela entrou pra torcida? — Hyuna perguntou, sentando-se à mesa com o grupo. — Caramba, o nível de beleza daquele grupo subiu uns mil por cento.

— Ela tem cara de quem fuma no banheiro e mata aula de física — comentou Luka, mexendo em sua salada com desdém. — Não entendo por que todo mundo está agindo como se tivessem visto um unicórnio. É só uma garota com tinta no cabelo.

— Alguém está com inveja porque não é mais o loiro mais comentado da escola? — provocou Ivan, sentando-se ao lado de Till e jogando um braço por cima dos ombros dele.

— Vá se ferrar, Ivan — Luka respondeu, sem alterar o tom de voz.

Till estava desenhando furiosamente em seu caderno de rascunhos, ignorando a conversa. Ivan deu uma espiada.

— É ela? Você tá desenhando a garota nova?

Till fechou o caderno na cara de Ivan, quase prendendo os dedos do capitão.

— É só um estudo de cores, seu imbecil. O contraste do rosa com o azul é interessante, só isso.

Sua permanecia em silêncio, remexendo na comida. Seu celular vibrou no bolso da saia. Ela o tirou discretamente, escondendo-o sob a mesa.

Uma notificação de mensagem. Era "M".

M: "Acabei de chegar na prisão nova. O uniforme é horrível e as pessoas parecem figurantes de um filme de comédia adolescente. Quero morrer de sono."

Sua sentiu um sorriso minúsculo e involuntário surgir no canto dos lábios. Ela rapidamente digitou uma resposta, os dedos ágeis.

Sua: "Pelo menos você sobreviveu à primeira hora. Na minha escola também chegou uma garota nova hoje. Todo mundo está agindo como se ela fosse uma divindade ou algo assim."

M: "Sério? Detesto gente que chama atenção demais. Geralmente são vazias. Eu só queria um lugar pra tirar um cochilo sem um professor de história gritando no meu ouvido."

Sua: "Eu te entendo. Eu preferia estar em casa lendo o livro que você me recomendou semana passada. As pessoas aqui são... barulhentas."

M: "Um dia a gente foge pra uma ilha onde só existam livros e travesseiros, 'S'. Prometo."

Sua guardou o celular, sentindo aquele calor familiar no peito. Ela olhou para o outro lado do refeitório e viu a garota nova — Mizi — sentada com as líderes de torcida. Mizi parecia entediada, mexendo em um sanduíche enquanto as outras garotas falavam sem parar.

"Ela não parece vazia", pensou Sua, observando o jeito que Mizi apoiava o queixo na mão, os olhos dourados perdidos em algum ponto distante. "Ela parece... sozinha, mesmo cercada de gente."

— Sua? — Ivan a chamou, estalando os dedos na frente do rosto dela. — Planeta Terra chamando a irmã esquisita. Você tá encarando a novata. Até você caiu no feitiço?

Sua sentiu o rosto queimar e imediatamente voltou sua atenção para o prato.

— Não seja idiota, Ivan. Eu só estava pensando em como o barulho deste refeitório é prejudicial à saúde mental.

— Uhum, sei — Ivan sorriu, aquele sorriso irritante de quem sabe de algo. — Relaxa, maninha. Ela é bonita, mas eu ainda sou o capitão do time. O brilho da família está seguro comigo.

— Você é um narcisista incurável — resmungou Till, empurrando a bandeja de Ivan para longe.

— E você me ama por isso — Ivan rebateu, roubando um pedaço da maçã de Till.

Longe dali, na mesa das animadoras, Mizi sentiu seu celular vibrar. Ela o tirou do bolso e leu a mensagem de "S".

"Na minha escola também chegou uma garota nova hoje. Todo mundo está agindo como se ela fosse uma divindade ou algo assim."

Mizi soltou uma risada anasalada, o que fez as meninas da torcida pararem de falar por um segundo.

— O que foi, Mizi? Alguma fofoca? — perguntou Chloe, curiosa.

Mizi bloqueou a tela do celular, o olhar voltando àquela apatia charmosa.

— Nada. Só uma amiga comentando sobre como as pessoas podem ser patéticas quando veem algo minimamente diferente.

Ela olhou em volta, seus olhos cruzando por um breve momento com os de Hyuna, que a observava de longe com um sorriso amigável. Mizi não retribuiu o sorriso, mas também não desviou o olhar de imediato. Havia algo naquela escola... uma energia estranha, um emaranhado de fios invisíveis que ela ainda não conseguia entender.

Ela não sabia que sua "S" estava a apenas vinte metros de distância. E Sua não fazia ideia de que a garota que todos comentavam era a mesma que, todas as noites, fazia seu coração acelerar através de uma tela de cristal líquido.

O sinal tocou, um som estridente que ecoou pelas paredes de metal e concreto. O cotidiano da Truman High seguia seu curso, mas as engrenagens de algo muito maior haviam acabado de começar a girar.

— Vamos lá, novata — disse Chloe, levantando-se. — Temos treino no campo depois da última aula. O time de futebol vai estar lá também. Você vai ver o Ivan em ação, ele é um gato, mas é um babaca completo.

Mizi levantou-se lentamente, ajeitando a saia curta com um gesto desinteressado.

— Babacas eu encontro em qualquer esquina — disse Mizi, caminhando em direção à saída do refeitório. — Espero que o treino pelo menos sirva pra eu dormir melhor à noite.

Enquanto caminhava, ela passou novamente pela mesa de Sua. O cheiro do perfume de Mizi — algo que lembrava baunilha e fumaça de cigarro — atingiu Sua como um soco. Sua abaixou a cabeça, escondendo-se atrás de seu livro, enquanto a silhueta rosa e azul desaparecia pela porta.

O primeiro dia estava apenas começando, e o segredo que as unia permanecia seguro, protegido pela distância de um nome falso e pela ironia do destino.

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