
Amor secreto
Fandom: BTS
Criado: 25/10/2026
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Sussurros em Seda e Pecado
A vista do trigésimo andar do hotel em São Paulo parecia uma pintura abstrata feita de faróis e asfalto molhado pela garoa fina. Vitória apertava a pequena bolsa contra o corpo, sentindo o tecido do vestido preto marcar suas curvas com uma precisão desconfortável. Ela tinha vinte anos, uma paixão desmedida por telas, tintas e esculturas, e uma conta bancária que teimava em desabar. Vender sua presença — e, eventualmente, sua intimidade — nunca fora um sonho, apenas um atalho prático e discreto pelo qual optara algumas vezes para não ter de abandonar o curso de Artes Visuais. Mas nada, absolutamente nada no mundo, a preparara para o momento em que a porta daquela suíte presidencial se abriu.
O intermediário havia mencionado apenas um "cliente estrangeiro de altíssimo padrão, exigente quanto a sigilo total". Quando seus olhos encontraram a figura encostada casualmente no batente interno, seu coração falhou duas batidas inteiras.
Era Kim Taehyung.
Ele vestia uma camisa de seda vinho, solta e com os primeiros botões abertos, revelando a linha definida da clavícula. O cabelo castanho caía em mechas despretensiosas sobre a testa, emoldurando os traços simétricos e os olhos expressivos que ela conhecia tão bem de clipes, telões de estádio e fotografias em revistas de moda. A turnê mundial do BTS estava no Brasil, e ali, em plena noite de folga, o homem que ela idolatrava a observava com um olhar calmo, ligeiramente curioso e com um meio sorriso que misturava gentileza e um magnetismo quase perigoso.
— Boa noite — disse ele em inglês, a voz profunda como um contrabaixo ressoando no silêncio do hall.
Vitória engoliu em seco. Com seus 1,58 metro de altura, ela precisou erguer a cabeça para encará-lo nos olhos. Uma onda de vergonha pueril queimou suas bochechas. Ele tinha cerca de dez anos a mais, uma aura de estrela internacional inalcançável e uma presença física que preenchia todo o espaço ao redor.
— Boa noite — respondeu ela, hesitante, dando um passo cauteloso para dentro.
Taehyung fechou a porta atrás dela com um clique suave e trancou-a. Ele indicou o sofá espaçoso no centro da sala iluminada apenas por abajures de luz âmbar. Havia taças de cristal e uma garrafa de vinho tinto sobre a mesa de centro.
— Você parece nervosa — comentou ele, servindo uma taça e entregando-a a ela com as duas mãos, um hábito coreano inconsciente e adorável que contrastava absurdamente com a sensualidade madura que ele exalava. — Eu mordo apenas se pedirem com carinho.
Vitória soltou uma risada curta, o ar escapando de seus pulmões. Sentindo o calor do vinho nos lábios, ela decidiu quebrar o gelo da única maneira que sua ousadia acumulada permitia.
— Gwaenchanh-ayo — murmurou ela, em um coreano surpreendentemente límpido e com uma cadência suave. — Geunyang... jogeum nollasseoyo, Taehyung-ssi.
Taehyung parou no meio do caminho de volta à mesa. Seus olhos se arregalaram sutilmente antes que um brilho fascinado tomasse conta de sua expressão. Ele inclinou a cabeça para o lado, estudando o rosto moreno de Vitória, as feições delicadas e a postura contida que de repente parecia muito mais instigante.
— Você fala a minha língua? — perguntou ele em coreano, a voz descendo uma oitava inteira, densa e aveludada.
— Eu estudo coreano há três anos — admitiu ela, os dedos acariciando a haste da taça. — Sempre gostei de línguas e da cultura. E... bom, de você também. Da sua música.
Taehyung deu um passo lento em direção a ela, encurtando o espaço que os separava. Havia nele uma dualidade quase desestabilizadora: a fofura nos olhos quando sorria com sinceridade, mas a postura predatória e confiante de um homem que sabia o poder de sua beleza.
— Então você sabe exatamente quem eu sou — disse ele, parando a centímetros dela. O aroma dele, uma mistura de âmbar cinzento, tabaco doce e baunilha refinada, a envolveu por completo. — Isso te assusta ou te excita, Vitória?
Ouvir o próprio nome pronunciado naquele sotaque gutural e melodioso fez um arrepio subir pela espinha da garota. A timidez que a paralisara minutos antes começou a se dissolver na intensidade daquele olhar.
— Um pouco dos dois — confessou ela com sinceridade.
Taehyung sorriu, retirando a taça da mão dela e colocando-a sobre o aparador sem desviar os olhos dos seus.
— Eu adoro garotas espertas — ele sussurrou, tocando a ponta do queixo de Vitória com os dedos compridos e anelados. A pele dele era quente. — Mas hoje à noite, não pense em shows, em câmeras ou em quem eu sou lá fora. Aqui dentro, somos só você e eu.
O toque desceu suavemente pela lateral do pescoço dela, fazendo Vitória suspirar. Ela era miúda comparada a ele; Taehyung a envolvia com facilidade, sua compleição esguia e ombros largos dominando seu campo de visão. Antes que ela pudesse formular outra resposta em coreano, a boca dele encontrou a dela.
O beijo começou lento, quase afetuoso. Os lábios de Taehyung eram macios, explorando os dela com uma curiosidade quase terna. Ele acariciou suas bochechas, deixando Vitória se acostumar com a sensação absurda de ter o seu ídolo provando o seu sabor. Ela retribuiu, enlaçando os braços no pescoço dele, sentindo os fios sedosos de seu cabelo entre os dedos. Mas a calmaria durou pouco.
Quando Vitória deixou escapar um gemido involuntário contra a boca dele ao sentir suas mãos firmes descerem para sua cintura, Taehyung mudou de marcha. Uma lufada de ar quente escapou entre seus dentes e o beijo se aprofundou com uma avidez repentina. A língua dele reivindicou espaço com autoridade, enquanto seus dedos apertavam o quadril dela, puxando-a com força de encontro ao seu corpo rijo.
— Yeppeoda — ele murmurou entre os beijos, a respiração entrecortada contra a bochecha dela. — Você é tão linda, tão macia...
Vitória sentiu o peso do desejo dele antes mesmo de qualquer peça de roupa cair. O homem doce e brincalhão que ela vira em transmissões ao vivo dera lugar a alguém voraz, dominado por uma paixão crua que estivera contida sob as pressões de uma agenda implacável.
Ele a conduziu até a cama king size no quarto principal, sem nunca interromper o contato de seus lábios. O zíper do vestido dela desceu com um som metálico que quebrou a penumbra. Vitória tentou cobrir o busto por um breve reflexo de vergonha, mas Taehyung segurou seus pulsos com delicadeza, forçando-a a abrir os braços.
— Não se esconda de mim — pediu ele em um tom firme, quase imperativo, mas com os olhos brilhando em admiração genuína. — Quero ver tudo. Cada detalhe seu.
O olhar dele percorreu a pele dourada de Vitória, traçando o contorno dos seios firmes, a cintura fina e as coxas proporcionais à sua baixa estatura. Taehyung tirou a própria camisa com um movimento fluido, revelando o torso esculpido e os braços fortes. Vitória engoliu em seco; ele era ainda mais imponente sem roupas, cada músculo vibrando com uma tensão reprimida.
Quando ele se inclinou sobre ela na cama, o contraste entre a pele alva dele e a tonalidade quente de Vitória parecia uma pintura barroca. O peso de Taehyung entre as pernas dela mandou embora os últimos resquícios de hesitação.
— Oppa... — ela sussurrou, a palavra escapando num tom rouco e deliberadamente provocante.
O maxilar de Taehyung travou. Ele soltou um riso baixo, quase debochado, que fez as pernas de Vitória tremerem.
— Você não deveria me provocar falando assim no meu ouvido — disse ele, a voz perigosamente rouca. — Porque eu não pretendo ser gentil agora.
Ele não foi. A selvageria que emergiu de Taehyung era hipnotizante. Ele a beijou com força, mordiscando seu lábio inferior até arrancar outro gemido agudo, enquanto suas mãos grandes e experientes preparavam seu corpo sem pressa, mas com uma determinação implacável. Ele a conhecia com o tato de quem toca um instrumento raro, encontrando seus pontos sensíveis e fazendo Vitória arquear as costas contra os lençóis de cetim.
Quando ele finalmente se posicionou entre as coxas dela, o ar no quarto parecia eletrificado. Taehyung manteve os olhos cravados nos dela ao empurrar para dentro, preenchendo-a com firmeza, lentidão e uma intensidade que tirou o fôlego de Vitória.
— Ah... — ela gritou baixinho, as unhas cravando nos ombros largos dele.
— Olhe para mim — ele ordenou, o tom autoritário misturado com a respiração pesada. — Quero ver você sentindo isso comigo.
Taehyung não segurou o ritmo por muito tempo. O contraste da estatura pequena de Vitória com a fúria elegante de seus movimentos criou uma dinâmica irresistível para ele. A cada estocada profunda e potente, a cama rangia sutilmente, e o som dos corpos colidindo se misturava aos sussurros febris trocados na penumbra. Vitória esquecera o medo, a vergonha e a distância que normalmente separava uma fã anônima de um ícone global. Ela era uma mulher viva, entregue a um homem cuja paixão parecia um incêndio sem controle.
— Michigesseo... — Taehyung praguejou em coreano, acelerando o compasso, as veias de seu pescoço saltando pelo esforço enquanto segurava os quadris dela com força, deixando marcas vermelhas onde seus dedos apertavam. — Você é tão apertada... Parece feita sob medida pra mim.
— Mais... Taehyung, por favor — pediu ela, alternando entre o português e o coreano, sem saber mais em que idioma pensava. O prazer era avassalador, nublando sua mente em tons de escarlate.
Ouvir o próprio nome sussurrado daquela maneira fez Taehyung perder os últimos resquícios de contenção. Ele a puxou mais para perto, virando-a de bruços e segurando sua cintura para possuí-la por trás com uma ferocidade ainda maior. O impacto rítmico, a pele suada colando na dele, a visão das costas arqueadas de Vitória — tudo nele reagia com uma fome quase primitiva. Ele se curvava sobre ela, beijando a nuca e os ombros da garota entre cada impulso poderoso, murmurando obscenidades roucas em seu idioma nativo que faziam a imaginação de Vitória explodir.
— Kkeutkkaji... kkeutkkaji neol gajil geoya — ele grunhiu rente ao ouvido dela, antes de morder suavemente o lóbulo de sua orelha, prometendo levá-la até o limite.
Vitória sentiu o clímax se aproximar como uma onda incontrolável. Seus gemidos aumentaram de volume, sem vergonha de quem pudesse ouvir, ecoando pelo quarto espaçoso. Quando a sensação arrebatadora a atingiu, contraindo cada músculo de seu ventre em espasmos de puro êxtase, Taehyung soltou um rugido baixo e a acompanhou, descarregando tudo o que tinha nela com duas estocadas finais e profundas antes de desabar sobre seu corpo pequeno.
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som de respirações ofegantes sincronizadas e pelo chiado distante do trânsito na avenida abaixo.
Taehyung rolou para o lado, puxando Vitória para o seu peito sem soltá-la. A intensidade selvagem de momentos antes desvaneceu, dando lugar àquele homem carinhoso e quase infantil que ela costumava ver em vídeos. Ele passou os dedos suados pelos cabelos cacheados dela, desenrolando uma mecha com cuidado e beijando o topo de sua cabeça.
— Você está bem? — perguntou ele em inglês, parecendo genuinamente preocupado. — Fui muito bruto?
Vitória apoiou o queixo no peito dele, olhando para cima com um sorriso exausto e cúmplice.
— Eu nunca me senti tão viva, Taehyung. De verdade.
Ele sorriu de volta, o famoso sorriso quadrado que iluminava todo o seu rosto e que agora parecia exclusivo dela.
— Sabe... — disse ele, voltando a sussurrar em coreano com uma expressão marota nos olhos —, eu viajei o mundo inteiro nessa turnê. Mas nunca imaginei que encontraria uma garota no Brasil que falasse a minha língua tão bem na cama.
— Foi só o meu sotaque que você gostou? — provocou ela, cutucando as costelas dele com um dedo.
Taehyung riu baixinho, segurando a mão de Vitória e levando-a aos lábios para beijar seus nós dos dedos, um por um.
— Gostei de tudo. Do seu tamanho perfeito, da sua coragem, do jeito que você me olhou desde o primeiro segundo... e desse som que você faz quando eu toco você bem aqui — respondeu ele, descendo a mão lentamente pela coluna dela até pousar na curvatura de sua coxa.
Um novo arrepio correu pelo corpo de Vitória. Ela sabia que a noite teria um fim. Ao amanhecer, ele voltaria para os ensaios, para a segurança reforçada, para os aviões particulares e para a adoração de milhões de pessoas que nunca saberiam que ele respirava tão fundo quando apaixonado. E ela voltaria para a faculdade, para suas telas e para a sua vida comum.
Mas, enquanto as luzes da cidade começavam a empalidecer sob as primeiras sombras da madrugada, Taehyung a puxou para baixo do edredom mais uma vez, provando que aquela noite pertencia exclusivamente aos dois.
