
Tensão em Voltagem Máxima
O som da porta do apartamento batendo ecoou pelo corredor vazio, um estrondo seco que serviu como o tiro de largada para o que ambos já sabiam que aconteceria. Kauã nem sequer esperou Isadora acender a luz da sala. Ele a prensou contra a madeira fria da porta no segundo seguinte, as mãos grandes e calejadas encontrando a cintura dela com uma força que beirava a brutalidade, mas que para Isadora era o convite perfeito.
O ambiente estava mergulhado na penumbra, quebrado apenas pelos reflexos das luzes da cidade que entravam pela janela do décimo andar. O ar entre eles parecia eletrificado, denso o suficiente para ser cortado com uma faca. Kauã aproximou o rosto do dela, a respiração pesada e quente batendo contra a pele do pescoço de Isadora, enviando arrepios imediatos por toda a sua espinha.
— Você passou a noite inteira me provocando naquela festa — rosnou ele, a voz rouca carregada de uma urgência que ele não fazia questão nenhuma de esconder. — Achou mesmo que eu ia ter paciência até a gente chegar no quarto?
Isadora soltou uma risada curta, um som desafiador que morreu quando ela sentiu os dentes dele morderem levemente o lóbulo de sua orelha. Ela não era uma espectadora passiva; nunca fora. Suas mãos subiram pelo peito dele, agarrando a gola da camisa preta com a mesma voracidade, puxando-o para mais perto, se é que isso era possível.
— Paciência nunca foi o seu forte, Kauã — rebateu ela, arqueando as costas para sentir o peso do corpo dele contra o seu. — E você sabe muito bem que eu não estava provocando à toa. Eu queria ver quanto tempo você aguentava antes de perder o controle.
— Pois você conseguiu o que queria — disse ele, a voz vibrando contra a pele dela. — Agora aguenta as consequências.
Kauã não era do tipo que pedia permissão. Ele era bruto, direto e movido por um desejo que parecia inesgotável. Suas mãos desceram das ancas dela para as coxas, suspendendo-a do chão com um movimento brusco. Isadora envolveu as pernas na cintura dele instantaneamente, as unhas cravando-se nos ombros largos do namorado.
Eles se moviam em uma sincronia perigosa. Onde ele era força, ela era resistência e entrega mútua. Isadora compartilhava da mesma sede, da mesma falta de filtros. Para eles, o amor não era feito de pétalas de rosa e sussurros gentis; era feito de suor, marcas na pele e uma busca incessante pelo prazer mais cru.
— O sofá está muito longe? — perguntou ela entre beijos famintos que mal permitiam que as palavras saíssem.
— O chão serve — respondeu ele, a voz grave falhando por um momento enquanto ele a levava em direção à parede lateral, sem nunca soltá-la.
Ele a colocou no chão por um segundo, apenas o tempo necessário para arrancar a própria camisa e jogá-la em qualquer canto. Isadora observou os músculos dele sob a luz fraca, a expressão de Kauã era de pura predação. Ele a desejava com uma intensidade que a maioria das pessoas acharia assustadora, mas para ela, era o combustível ideal.
— Você fala demais, Isadora — disse ele, voltando a avançar sobre ela, as mãos agora explorando cada curva com uma possessividade que a fazia arfar.
— E você age de menos para quem diz estar com tanta pressa — provocou ela, puxando-o pelo cinto, o olhar fixo no dele, desafiador e incendiário.
Kauã soltou um palavrão baixo, um sorriso safado surgindo nos lábios antes de ele a tomar em um beijo que não tinha nada de romântico. Era uma batalha de línguas, um embate de vontades. Ele a empurrou em direção ao corredor, os corpos tropeçando um no outro, derrubando um porta-retratos que estava no aparador. Nenhum dos dois se importou.
— Eu vou te calar agora — afirmou ele, a voz carregada de promessas que ele pretendia cumprir nos próximos minutos.
— Tenta — desafiou Isadora, a respiração curta, sentindo o calor dele emanar em ondas. — Mostra do que você é capaz quando não tem ninguém olhando.
Kauã a jogou sobre a cama de casal no quarto, o impacto fazendo o colchão ranger. Antes que ela pudesse se situar, ele já estava sobre ela, prendendo seus pulsos acima da cabeça com apenas uma das mãos. O olhar dele percorreu o corpo de Isadora com uma fome insaciável, e ela retribuiu o olhar com a mesma intensidade, as pupilas dilatadas, o peito subindo e descendo rapidamente.
— Você é completamente louca — comentou ele, a voz mais baixa, quase um segredo.
— E você é exatamente o que eu preciso — respondeu ela, forçando os pulsos contra o aperto dele, sentindo o prazer daquela contenção. — Não para, Kauã. Não ouse parar.
— Eu não pretendo parar até você esquecer o próprio nome — declarou ele, a mão livre descendo para desabotoar a calça dela com uma agilidade praticada.
O quarto estava mergulhado em um silêncio que só era interrompido pelos sons da respiração deles e pelo atrito dos corpos. Kauã era bruto em seus movimentos, mas havia uma precisão neles que Isadora conhecia bem. Ele sabia exatamente onde tocar, como pressionar, como tirar dela os sons que ele tanto gostava de ouvir.
— Mais — pediu ela, a voz saindo como um gemido arrastado quando ele a beijou na curva do pescoço, deixando uma marca que certamente estaria ali na manhã seguinte.
— Calma — disse ele, embora sua própria voz traísse a falta de paciência. — A gente tem a noite inteira. E eu pretendo usar cada segundo.
Isadora riu, um som rouco e carregado de desejo.
— Quem diria que o grande Kauã queria ir devagar... — provocou ela, sabendo exatamente que botão apertar.
Ele rosnou, a pressão em seus pulsos aumentando levemente.
— Você sabe que eu não brinco em serviço, Isadora. Se você quer do jeito difícil, é do jeito difícil que você vai ter.
— É exatamente assim que eu quero — sussurrou ela, aproximando os lábios do ouvido dele. — Bruto, safado e só meu.
O encontro deles era uma explosão controlada. Não havia espaço para delicadezas desnecessárias quando ambos falavam a mesma língua da luxúria. Cada toque de Kauã era uma afirmação de posse, e cada resposta de Isadora era um desafio para que ele fosse além.
Eles se perderam no tempo e no espaço daquele quarto, onde as regras do mundo exterior não se aplicavam. Ali, eram apenas dois predadores em busca de satisfação, dois seres que se encontravam na mesma frequência de intensidade e desejo.
— Você é minha — afirmou ele, a voz falhando enquanto ele buscava o olhar dela no escuro.
— E você é meu — rebateu ela, as mãos agora livres, puxando-o para o abraço final. — Agora cala a boca e termina o que começou.
Kauã não precisou ouvir duas vezes. O que se seguiu foi uma torrente de sensações que consumiu ambos, uma entrega total ao que tinham de mais primitivo. Naquela noite, como em tantas outras, eles provaram que foram feitos um para o outro, na mesma medida de safadeza, brutalidade e uma paixão que queimava tudo ao redor.
