
Oliver!
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 25/10/2026
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Grafite, Metal e Insolência
O retorno à consciência não foi suave; foi uma colisão violenta contra a realidade.
Oliver sentiu primeiro a dormência estranha nas pontas dos dedos e a frieza implacável do metal contra as costas. Suas pálpebras, pesadas como blocos de chumbo, tremeram antes de se abrirem minimamente, revelando uma escuridão nebulosa que cheirava a poeira de giz, álcool cirúrgico e papel velho. Ele piscou, tentando clarear a visão turva e se situar. Lembrava-se vagamente do corredor do segundo andar da Paper School, do som estridente do sinal do intervalo e de ter guardado uma barra meio comida de sabonete de lavanda no bolso do uniforme. Depois disso, apenas um vazio repentino.
Ele tentou erguer o tronco, mas seu corpo simplesmente não respondeu. Ou melhor, respondeu, mas foi imediatamente bloqueado por uma pressão rígida e asfixiante.
Antes que pudesse processar o pânico inicial, um estalo elétrico ecoou pelo teto. Sem qualquer aviso, uma lâmpada cirúrgica colossal acendeu-se diretamente acima dele, despejando uma torrente de luz branca e incandescente em seu rosto.
— Que droga...! — grunhiu Oliver, fechando os olhos com força enquanto as lágrimas reflexivas ardiam nos cantos de suas pálpebras.
A claridade era ensurdecedora, se é que a luz podia emitir som. Aqueceu sua pele quase que instantaneamente, transformando a sensação térmica do ambiente de um frio cortante para um calor sufocante. Oliver tentou erguer a mão direita para proteger os olhos, mas seu pulso estava preso firmemente por uma grossa tira de couro reforçado, pregada à estrutura de uma maca metálica. Ele puxou. Nada aconteceu, exceto um estalo seco da correia protestando contra o movimento.
Ele tentou o outro braço — seu braço esquerdo, a imensa haste de lápis grafite esculpida que costumava usar para rabiscar as mesas e intimidar os novatos. A madeira polida e o grafite afiado estavam igualmente imobilizados por um fecho de metal pesado, projetado sob medida para o diâmetro daquela extensão incomum. Suas pernas compridas, cobertas pelas meias brancas até os joelhos, também estavam presas por tiras que cruzavam suas canelas e coxas, mantendo-o esticado como um espécime de laboratório pronto para dissecação.
— Mas que inferno é esse?! — berrou ele, a voz falhando ligeiramente pela secura na garganta.
A sensação de confinamento era insuportável. Para alguém como Oliver, que passava os dias vagando livremente pela Paper School fazendo o que bem entendesse, pregando peças sádicas, rindo do desespero alheio e devorando barras de sabão enquanto observava o caos, estar reduzido a uma presa amarrada era uma humilhação física e psicológica.
Ele começou a se debater com força bruta. Seus longos cabelos brancos, que desciam até a altura dos tornozelos presos naquele rabo de cavalo baixo com laço preto, espalhavam-se desordenadamente pela superfície da maca a cada solavanco. A grande mecha arrepiada no topo de sua cabeça balançava furiosa, quase como se expressasse sua raiva por si só. Os chifres pretos batiam contra o suporte acolchoado da cabeça, produzindo baques surdos.
Oliver puxou, torceu o quadril, empurrou os calcanhares das botas contra a base da mesa, usando cada grama de força para tentar ceder as amarras. O esforço foi tamanho que veias finas saltaram em seu pescoço. O suor começou a brotar em sua testa, escorrendo pela têmpora e passando perigosamente perto daquela marca vermelha em forma de "A+" desenhada no lado direito de seu cabelo. O calor da lâmpada, somado à exaustão e à raiva borbulhante, fez suas bochechas pálidas arderem em um tom carmesim vivo. Ele estava suado, ofegante, com o peito subindo e descendo freneticamente por baixo da camisa preta de gola listrada.
E era inútil. As correias nem sequer afrouxavam.
— Ei! Tem alguém aí?! Soltem essa merda agora! Se isso for pegadinha de algum daqueles idiotas do clube de jardinagem, eu juro que vou quebrar a cara de vocês até sobrarem só tiras de cartolina! — gritou ele para o teto brilhante, a respiração entrecortada pelo cansaço.
Um ruído abafado respondeu ao seu clamor. Não eram passos pesados de um monstro ou o arrastar de garras dos professores punitivos que assombravam os corredores da escola, mas o clique rítmico de solas de sapatos e o murmúrio baixo de um motorzinho giratório.
Passos calmos e calculados aproximaram-se pelo chão quadriculado do laboratório. Uma sombra recortou a luz ofuscante que caía sobre o rosto de Oliver, trazendo um alívio momentâneo para seus olhos semicerrados, apenas para substituí-lo por uma onda de incredulidade e fúria absoluta.
Edward estava de pé ao lado da maca.
Ele ajustava os óculos protetores sobre a testa, ostentando um jaleco impecável e aquele sorriso tipicamente convencido, torto e profundamente irritante que Oliver conhecia muito bem. Em uma das mãos, Edward segurava uma chave de fenda com cabo isolado; na outra, uma prancheta de metal reluzente.
— Olá, bela adormecida — disse Edward, inclinando-se um pouco mais sobre a maca cirúrgica, a voz banhada em uma ironia condescendente. — Demorou bastante para acordar. Eu já estava começando a achar que teria que recalibrar a dosagem do sedativo. O seu organismo parece digerir compostos químicos de um jeito bem esquisito... deve ser por causa de todo aquele sabão que você engole no almoço.
Oliver arregalou os olhos vermelhos de irritação, encarando o próprio amigo e comparsa de maldades.
— Edward?! Que palhaçada é essa?! — rugiu Oliver, tentando empurrar a cabeça para frente, apenas para ser puxado de volta pelo peso do próprio pescoço. — Tira essa porcaria dessas correias de mim antes que eu decida enfiar essa sua prancheta na sua garganta!
Edward não recuou um milímetro sequer. Pelo contrário, soltou uma risadinha nasalada e deu dois tapinhas leves e zombeteiros com a prancheta no ombro imobilizado de Oliver.
— Ora, ora, quanta agressividade logo cedo — disse Edward, cruzando os braços e analisando Oliver de cima a baixo com um olhar clínico. — O valentão todo-poderoso da escola Paper School, reduzido a um monte de papel amassado e suor numa mesa de operações. Você devia se ver no espelho, Oliver. Está vermelho que nem um tomate podre. É fofo, sabia? Mostra que você tem sentimentos além daquela sua vontade patológica de arruinar o dia de todo mundo.
— Fofo é o meu punho na sua cara, seu nerd arrogante! — Oliver rosnou, o rosto queimando ainda mais com a provocação. O fato de Edward estar no controle absoluto da situação o deixava enojado. — Por que você me amarrou aqui?! Onde está a Zip?! Foi ideia dela, não foi? Vocês dois acham que têm graça?!
— A Zip está ocupada soltando aviõezinhos de papel com bombas de cola nos armários do primeiro andar — respondeu Edward calmamente, puxando uma pequena alavanca na lateral da maca que fez um rangido metálico ecoar pela sala. A inclinação da mesa mudou levemente, erguendo o tronco de Oliver em um ângulo de quarenta e cinco graus, permitindo que ele visse melhor o laboratório caótico ao redor, cheio de peças mecânicas, plantas arquitetônicas e frascos de tinta. — E não, isso aqui não foi ideia dela. Foi estritamente uma iniciativa científica minha. Eu precisava de um voluntário de alto rendimento físico para o meu mais novo projeto... e adivinha quem estava convenientemente dormindo feito um tronco perto dos bebedouros?
— Você me drogou?! — Oliver se contorceu de novo, seus músculos tensos protestando contra as travas de couro. O relógio em seu pulso direito bateu contra o metal com um tilintar metálico.
— "Drogou" é uma palavra tão vulgar — zombou Edward, caminhando lentamente ao redor da maca, arrastando os dedos pela beirada da mesa cirúrgica para provocar ainda mais. — Eu prefiro "induzi quimicamente ao repouso temporário". Eu dissolvi um sonífero leve na sua garrafinha de água. Honestamente, você nem percebeu o gosto porque estava ocupado mastigando um sabonete de menta com raspas de limão. Você tem paladar de um bicho de esgoto, cara.
Oliver cerrou os dentes com tanta força que o barulho ecoou na sala.
— Eu vou te matar, Edward. Juro pela minha coleção de giz, eu vou arrebentar todas as suas invenções idiotas. Vou quebrar aquele seu drone maldito pedaço por pedaço!
Edward parou exatamente ao lado do braço esquerdo de Oliver. O rapaz de óculos estendeu a mão e deu um peteleco suave na ponta afiada do lápis que formava o membro do amigo. O som oco da madeira ressoou no ar.
— Ah, não seja tão dramático — disse Edward, fingindo fazer beicinho antes de abrir outro sorriso sádico. — Você devia estar me agradecendo. Olha para esse braço de grafite. Está desgastado, Oliver! As bordas estão lascadas de tanto você usar para riscar o chão e ameaçar os novatos. Minha intenção inicial era fazer uma pequena melhoria mecânica. Um apontador automático acoplado ao cotovelo, talvez um compartimento retrátil para projéteis de grafite pressurizado... mas agora, vendo você aí esperneando feito uma criança mimada, estou pensando em alternativas muito mais divertidas.
— Nem pense em encostar um dedo nessa chave de fenda no meu braço! — ameaçou Oliver, tentando desferir uma cabeçada na direção de Edward, mas o espaço de movimento de seu pescoço não permitia alcançar o colega. — Se você alterar um único milímetro da madeira, eu te desmonto parafuso por parafuso!
Edward deu um passo para trás teatralmente, colocando a mão sobre o peito em falsa comoção.
— Que medo! Estou tremendo nas bases. Veja só como tremo — zombou ele, balançando as mãos no ar de forma exagerada, antes de voltar à sua postura altiva. — Você ainda não entendeu a dinâmica aqui, Oliver? Você não dá ordens. Você não bate em ninguém. Você não é o cara malvado do pedaço enquanto estiver preso a essa maca de titânio que eu mesmo projetei para aguentar o impacto de um rinoceronte de papelão.
Oliver bufou, o ar saindo quente de suas narinas. O suor agora escorria pelo seu queixo, caindo na gola preta de sua camisa. A humilhação de estar totalmente vulnerável diante de seu parceiro habitual de travessuras corroía seu orgulho com a força de ácido.
— O que você quer, afinal? — perguntou Oliver, a voz baixando um tom, tornando-se mais gutural, carregada de um ódio concentrado que prometia retaliações futuras sem limites. — Quer um pedido de desculpas por ter jogado seu protótipo pela janela na semana passada? É isso? Está fazendo birra por causa de um brinquedo estúpido?
O sorriso de Edward murchou ligeiramente, substituído por um olhar semicerrado de rancor genuíno, antes de sua expressão máscara de superioridade retornar.
— Aquele protótipo demorou três semanas para ser calibrado, seu vândalo — retrucou Edward com frieza, aproximando-se da bancada de trabalho ao lado e pegando um alicate longo e cromado. — E ele não era um brinquedo. Ele tinha capacidade de mapear o trajeto das professoras sem ser detectado. Mas não... você achou que seria incrivelmente hilário ver se ele voava melhor com uma barra de sabão colada na turbina.
— E foi hilário! — retrucou Oliver com um sorriso desafiador e provocativo, mesmo preso e corado. Ele não daria o braço a torcer, nunca. Seu espírito caótico falava mais alto que o bom senso. — Fez uma curva ridícula e caiu direto na lata de lixo da sala da Miss Circle! Eu quase morri de rir, e a Zip tirou foto da sua cara de choro!
Edward bateu o alicate contra a bandeja de aço com um clangor ensurdecedor que fez até mesmo Oliver piscar em sobressalto. O silêncio voltou a pesar no laboratório, quebrado apenas pelo zumbido elétrico da lâmpada de alta voltagem.
— Bem, vamos ver se você acha graça nas próximas três horas — disse Edward, inclinando-se tão perto do rosto de Oliver que este podia ver o próprio reflexo distorcido nas lentes redondas dos óculos do inventor. — Eu preparei uma série de testes de condutividade para o seu braço. Sabe como é... grafite é um condutor elétrico excelente. E eu tenho aqui uma bateria experimental de alta voltagem que precisa de um aterramento.
Os olhos de Oliver se arregalaram levemente, o choque transparecendo por uma fração de segundo antes de ele recuperar a carranca feroz.
— Você não teria coragem, Edward. Nós somos uma equipe, seu desgraçado!
— Éramos uma equipe até você usar o meu laboratório como pista de skate improvisada e agora zombar do meu trabalho — Edward respondeu com um tom deliciosamente sádico, pegando dois cabos que terminavam em pinças jacaré metálicas, conectadas a uma caixa de controle cheia de botões e mostradores digitais. — Considere isso um processo de reeducação pedagógica. Algo que as nossas queridas professoras adorariam aprovar, embora com métodos muito menos elegantes que os meus.
Oliver puxou as tiras com força renovada. Suas unhas da mão direita cravaram-se no couro, tentando rasgar o material, enquanto ele usava a ponta do lápis esquerdo para pressionar a trava de metal da fivela. Suas roupas estavam colando ao corpo pelo suor acumulado, os fios brancos grudando na testa e nas têmporas. A mecha arrepiada no topo de sua cabeça parecia pulsar de ansiedade reprimida.
— Edward, solta essa droga de cabo agora! — gritou Oliver, a voz quebrando em uma mistura perigosa de pânico e fúria. — Eu juro, se você me der um choque, eu chamo a Alice! Eu abro a porta da sala dela e falo que você insultou ela!
Ao ouvir o nome "Alice", um tremor quase imperceptível passou pela espinha de Edward, mas ele rapidamente recobrou a compostura, recusando-se a perder a vantagem psicológica que havia conquistado com tanto esforço.
— Uma ameaça desesperada de alguém que não pode nem levantar o dedo mindinho — desdenhou Edward, erguendo as duas pinças diante dos olhos de Oliver e fazendo-as estalarem com uma faísca azulada e estalante bem na frente de seu nariz. — A Alice não se importa com brigas de corredor, e você sabe disso. Ela arrancaria a sua cabeça com a mesma facilidade que a minha. Portanto, Oliver... apenas relaxe. Isso vai doer bastante, mas pelo menos você vai aprender a respeitar o método científico.
Oliver cerrou os maxilares, encarando a faísca e depois os olhos zombeteiros de Edward. A humilhação de estar ali, derrotado temporariamente pelo garoto dos aparelhos, ardia em suas entranhas muito mais do que qualquer queimadura de eletricidade jamais arderia.
— Você vai pagar por isso, Edward — rosnou Oliver em um tom baixo, venenoso, cada sílaba carregada de uma promessa sombria de caos iminente. — Você pode ligar essa sua máquina idiota. Mas a primeira coisa que eu vou fazer quando essas correias se soltarem... vai ser enfiar essa fiação inteira goela abaixo de você, e você vai implorar para que seja só um choque.
Edward simplesmente riu, uma gargalhada alta e theatrical, e posicionou a primeira pinça de metal a poucos centímetros do grafite escuro do braço de Oliver.
— Guarde o fôlego para os gritos, amigão — cantarolou Edward, levando a mão livre até o interruptor da máquina. — A aula de física acabou de começar.
