
Oliver
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 26/10/2026
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Rascunhos no Escuro
A escuridão ao redor não era apenas a ausência de luz; parecia uma camada espessa de tinta preta derramada sobre uma folha em branco, sufocante e pegajosa.
Quando Oliver finalmente recobrou a consciência, a primeira coisa que sentiu foi a rigidez incômoda em suas costas. Ele não estava deitado em seu dormitório costumeiro, nem largado de qualquer jeito sobre uma das carteiras de madeira da Paper School após pregar peças nos alunos mais novos. Ele estava sentado, com a coluna pressionada contra a cabeceira dura de uma cama desconhecida, envolto por um frio cortante que parecia querer rasgar suas bordas de papel.
Tentou se mover, mas seus membros simplesmente não responderam com a agilidade costumeira.
Grossas cordas de fibra áspera prendiam seus pulsos e envolviam seu torso, dando voltas firmes que o mantinham colado à estrutura da cama. Suas pernas estavam igualmente imobilizadas nos tornozelos, estendidas sobre o colchão empoeirado. Para piorar a situação, uma tira larga e grudenta de fita preta cobria seus lábios, selando qualquer tentativa de zombaria ou provocação que pudesse brotar de sua língua.
— Mmmph! — gemeu ele contra o adesivo, sentindo o tecido do rosto repuxar dolorosamente.
A cabeça latejava. Seus longos cabelos brancos, que normalmente caíam em um elegante rabo de cavalo baixo até a altura dos tornozelos, estavam desgrenhados e presos entre as amarras e a madeira áspera. O grande laço preto que costumava prender suas mechas parecia frouxo, e a mecha pontuda e rebelde no topo de sua cabeça inclinava-se para o lado, desafiando a gravidade mesmo no escuro. Ele inclinou a cabeça para trás, e a ponta de um de seus chifres pretos raspou com um estalo seco contra a parede atrás da cabeceira.
Oliver franziu o cenho sob a franja que caía sobre seus olhos, onde a marca vermelha em forma de "A+", seu maior símbolo de orgulho e status de valentão intocável, pulsava de irritação.
— Mmm-mmm! — protestou novamente, forçando os ombros para a frente.
Nada feito. O nó era surpreendentemente técnico. Quem quer que o tivesse prendido ali entendia bem de dobraduras e amarras firmes.
Ele tentou respirar fundo pelo nariz, buscando acalmar a mente veloz e caótica. O ar do quarto tinha um cheiro mofado de celulose velha, poeira esquecida e um toque sutil de cera de vela derretida. Não havia o menor rastro de seu aroma favorito no mundo: sabonete. Ah, como ele queria um pedaço de sabonete agora. Qualquer um serviria. Um sabonete floral de lavanda, um daqueles azuis bem amargos que ele costumava roubar dos banheiros do segundo andar, ou até mesmo um bloco de sabão de coco barato. O gosto fresco e químico em sua boca sempre o ajudava a pensar com mais clareza, mas tudo o que ele tinha naquele momento era o gosto sintético e nojento da cola da fita preta.
Como diabos ele havia parado ali?
Oliver forçou a memória a retroceder. Ele se lembrava do corredor principal da Paper School no final da tarde. Lembrava-se das risadas estridentes de Zip enquanto os dois jogavam aviõezinhos de papel com ofensas rabiscadas na direção de Claire e Engel. Lembrava-se de Edward ajustando um de seus inventos mirabolantes com um sorriso convencido, enquanto planejavam roubar as chaves da sala dos professores para escapar de mais um castigo mortal.
Depois disso... uma sombra. Um barulho de passos ritmados no corredor proibido, perto das portas duplas trancadas que ninguém ousava cruzar.
Oliver se lembrava de ter se afastado do grupo por alguns minutos, atraído por uma porta entreaberta onde jurava ter visto uma caixa com barras de sabão novinhas em folha estocadas em uma prateleira alta. Ele havia entrado sorrateiramente, rindo da própria sorte. Então, o impacto. Algo pesado colidira contra sua nuca, o chão de papel girara sob suas botas pretas e o mundo havia se apagado em um borrão cinzento.
E agora, ali estava ele. O temido, travesso e intocável Oliver, amarrado como um pacote de correspondência mal endereçado.
— Mmmph... ghh! — Ele rangeu os dentes por trás da fita e começou a se debater com força real.
A cama rangeu sob seu peso. As molas metálicas gemeram em protesto, soltando rangidos agudos que ecoaram pelas quatro paredes invisíveis daquele cativeiro. Oliver flexionou os músculos das pernas, empurrando as botas contra o estrado, mas as cordas apenas morderam com mais força suas meias brancas que cobriam as pernas até o joelho. Suas bermudas brancas amassavam-se com o atrito violento.
Foi então que sua atenção se voltou para o seu braço esquerdo.
Diferente do braço direito, onde seu relógio marcava segundos inúteis em um tique-taque baixo sob o punho da camisa preta de mangas listradas, o braço esquerdo de Oliver não era feito de carne ou articulações normais. Era um lápis longo, afiado e cilíndrico, que terminava em uma ponta de grafite escura e mortalmente pontiaguda.
Um sorriso invisível se formou sob a fita adesiva.
Como ele pôde se esquecer de sua melhor ferramenta?
Oliver respirou fundo, tentando controlar a euforia repentina. Ele parou de se debater frenamente e começou a mover o braço esquerdo com cuidado milimétrico. A corda estava enrolada ao redor de seu antebraço de madeira e grafite, mas, devido à superfície lisa e cilíndrica do lápis, havia um espaço minúsculo de folga. Ele torceu o pulso imaginário, girando o lápis de modo que a ponta afiada ficasse voltada para a camada mais próxima da corda que cruzava seu estômago, sobre o desenho do losango com a barra transversal estampado em sua camisa.
Ele começou a raspar.
Shhh. Shhh. Shhh.
O som suave do grafite raspando contra as fibras da corda preencheu a sala. Era um trabalho lento, exasperante e que exigia uma postura incômoda. A cada movimento, o atrito fazia suas costelas arderem, mas ele não parou. Ele era Oliver; ele nunca aceitava ficar preso. Seus truques e travessuras sempre encontravam uma saída, e não seria um quarto escuro qualquer que ditaria o seu fim.
Shhh. Shhh. Nheeeec.
De repente, um som diferente cortou o ritmo de sua fuga.
O barulho não vinha do atrito do lápis. Vinha de fora.
Oliver paralisou instantaneamente o braço esquerdo, congelando na cama com os olhos arregalados, tentando enxergar através do breu absoluto.
Passos.
Lentos. Pesados. Calmos demais para pertencerem a Zip ou Edward. Eram passos que arrastavam algo metálico pelo chão do lado de fora — um som rasgado e estridente que fazia cada terminação nervosa de sua espinha gelar. Aquele som de metal raspando em superfícies sólidas era terrivelmente familiar para qualquer estudante da Paper School que já tivesse tirado uma nota vermelha.
Seria Miss Circle? Não, o som não era tão colossal quanto o compasso gigantesco da professora de geometria. Era algo menor, mas igualmente letal. Ou talvez... alguém pior? Alice?
O coração de Oliver disparou contra a caixa torácica. O suor começou a brotar em sua testa, escorrendo por entre a mecha pontuda no topo de sua cabeça até molhar a ponta do nariz.
Uma fresta de luz amarelada e doentia cortou o chão de repente.
A porta do quarto estava se abrindo.
A dobradiça enferrujada soltou um gemido arrastado que pareceu durar uma eternidade. A luz que invadiu o cômodo não era forte, mas para os olhos de Oliver, habituados à escuridão total, foi como uma explosão de fósforo. Ele piscou freneticamente, lágrimas involuntárias embaçando sua visão enquanto tentava distinguir a silhueta parada no limiar da porta.
O quarto, finalmente revelado, era minúsculo. As paredes eram cobertas por papéis amarelados e rabiscados com equações incorretas e manchas pretas que pareciam respingos secos de sangue ou tinta de caneta-tinteiro. Havia apenas a cama de ferro onde ele estava e uma pequena mesa de madeira no canto oposto, sobre a qual descansavam vários frascos de vidro vazios e... para o desespero e provocação do estômago de Oliver... uma barra intocada de sabonete rosa brilhante.
Mas Oliver não teve tempo de contemplar seu petisco favorito. Seus olhos se fixaram na figura à sua frente.
A silhueta alta e esguia tapava quase toda a entrada, projetando uma sombra imensa e distorcida que cobria a cama inteira.
— Olha só o que temos aqui — disse uma voz distorcida, com um tom cortante e suave ao mesmo tempo. — O garoto nota dez finalmente acordou.
Oliver franziu o cenho com toda a raiva que conseguiu reunir, soltando um rosnado furioso por trás da mordaça.
— Mmmph! Nhhh-nnn! — Ele puxou as amarras com violência, fazendo a cama ranger de novo, seus chifres balançando em desafio.
A figura deu um passo à frente, entrando de vez na luz da lâmpada do corredor. Não era um professor. Era alguém encapuzado, com traços geométricos nítidos, segurando uma tesoura enorme de pontas afiadas na mão direita, cujas lâminas abriam e fechavam com um estalo seco e metálico.
— Não precisa gastar sua voz, Oliver — disse o sequestrador, inclinando a cabeça de maneira doentia. — Ninguém no bloco leste pode ouvir você. Sua amiguinha Zip está ocupada demais colando cartazes idiotas pelos corredores, e Edward está trancado no laboratório consertando suas engenhocas inúteis. Eles nem notaram que você sumiu.
A menção aos seus melhores amigos fez o sangue de Oliver ferver. Seus punhos se fecharam com tanta força que as unhas cravaram na palma de sua mão direita.
— Mph! — exclamou ele, sacudindo a cabeça para os lados em uma clara negação.
— Você achou que podia continuar impune, não achou? — A figura continuou avançando devagar, o gume da tesoura brilhando ameaçadoramente. — Rasgando provas alheias, empurrando os outros pelas escadas, agindo como se fosse o dono desta escola só porque tem a proteção daquela aberração do quarto proibido... Mas aqui dentro, você é só mais uma folha pronta para ser picotada.
A figura parou ao lado da cama, erguendo a lâmina aberta da tesoura em direção ao pescoço de Oliver.
O garoto respirou fundo. Por um segundo minúsculo, o medo tentou paralisá-lo, mas o espírito travesso e rebelde de Oliver era grande demais para permitir que o pavor o dominasse por completo. Em vez de se encolher, ele olhou diretamente para a tesoura e depois para a figura, estreitando os olhos em um desafio silencioso.
Enquanto a figura falava, Oliver não havia parado de esfregar a ponta afiada do lápis contra a corda.
Ele sentiu o exato momento em que o fio principal se partiu.
Com um estalo quase inaudível, a tensão que prendia seu braço esquerdo cedeu. A corda afrouxou o suficiente.
— Alguma última palavra silenciosa antes do corte final? — zombou o captor, abaixando a mão para arrancar a fita da boca de Oliver com brutalidade, esperando ouvir pedidos de misericórdia e desculpas chorosas.
O adesivo foi puxado de uma vez só.
— Argh! — Oliver soltou um grunhido de dor quando a cola arrancou alguns pelos de sua pele de papel, mas ele recuperou o fôlego imediatamente. Ele cuspiu para o lado, limpando a boca nas mangas listradas da camisa, e encarou o rival com o sorriso mais largo e debochado que conseguiu forçar.
— Sabe de uma coisa? — disse Oliver, com a voz um pouco rouca, mas carregada de puro sarcasmo. — A fita até que tinha um gosto melhor do que a sua presença, mas ainda não supera um sabonete de hortelã.
A figura congelou, claramente pega de surpresa pela falta absoluta de terror na voz do garoto.
— O quê? — rosnou a voz sob o capuz. — Você está delirando?
— Eu estou dizendo que o seu plano é horrível — respondeu Oliver, inclinando a cabeça para o lado enquanto o rabo de cavalo branco escorregava pelo seu ombro. — Prender alguém amordaçado numa cama velha? Sério? Miss Thavel faz coisas dez vezes mais criativas quando alguém esquece a lição de casa. Você não tem estilo nenhum.
— Cale a boca! — gritou a figura, erguendo a tesoura com as duas mãos para desferir o golpe fatal.
Naquele exato milésimo de segundo, Oliver agiu.
Ele puxou o braço esquerdo com força total, livrando-se completamente da corda puída. Sem hesitar, ele usou a extensão de madeira do lápis como uma alavanca e desferiu um golpe ascendente com a ponta de grafite afiada diretamente contra o pulso do agressor.
O impacto foi certeiro.
— Aaargh! — berrou a figura encapuzada, soltando a tesoura pesada, que caiu com um estrondo estridente sobre o colchão, bem ao lado da perna de Oliver.
— Minha vez de brincar — disse Oliver, os olhos brilhando com pura malícia.
Antes que o captor pudesse se recuperar, Oliver agarrou a tesoura caída com a mão direita, enfiou a lâmina por baixo das cordas que amarravam seus tornozelos e cortou as amarras de um só golpe firme. As cordas caíram frouxas no chão.
Ele saltou da cama com a agilidade de um predador, suas botas pretas aterrissando firmemente no piso empoeirado.
O agressor tentou recuar em direção à porta aberta, segurando o pulso ferido com a outra mão.
— Você... você é um monstro! — gaguejou a voz, agora trêmula e desprovida de qualquer arrogância.
— Um monstro? — Oliver deu uma risadinha baixa, ajeitando a mecha pontuda no topo da cabeça com a mão livre e sacudindo o rabo de cavalo longo para trás das costas. — Nah, monstros tiram notas vermelhas. Eu sou nota dez, lembra? O "A+" no meu cabelo não é só para enfeitar, seu idiota.
Com um movimento rápido e gracioso, Oliver avançou, bloqueando a saída da porta com seu corpo esguio e seus chifres imponentes. Ele girou a tesoura nos dedos com perícia, como se fosse um mero brinquedo escolar, e apontou o braço de lápis diretamente para o peito da figura encurralada.
— Agora — disse Oliver, apontando calmamente com o queixo em direção à pequena mesa no canto do quarto —, você vai pegar aquela barra de sabonete rosa ali na mesa, vai me entregar com bastante educação e vai me contar exatamente quem foi que mandou você me emboscar.
A figura engoliu em seco, olhando da ponta escura e letal do grafite para o sorriso sádico e divertido que se espalhava pelo rosto do rapaz.
— E se eu não falar? — murmurou o captor, a voz falhando.
— Se não falar — disse Oliver, dando um passo à frente enquanto suas botas estalavam contra o chão de papel —, eu vou descobrir se a sua cabeça é feita do mesmo material que as borrachas que o Edward usa nas engenhocas dele. E confie em mim, nós adoramos ver coisas sendo apagadas.
O silêncio reinou no quarto escuro por um instante, quebrado apenas pela respiração descompassada do agressor e pelo tique-taque ritmado do relógio no pulso de Oliver.
Oliver inclinou a cabeça, esperando a resposta, com a certeza absoluta de que, no final das contas, ninguém na Paper School conseguia mantê-lo preso por muito tempo.
