
Sarah
Fandom: Falcão e o Soldado Invernal
Criado: 26/10/2026
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O Peso da Corrente
O ar em Delacroix era tão denso que parecia mastigável. O calor da Louisiana grudava a camisa cinza de Bucky ao peito, encharcada de suor enquanto ele descia a prancha do Paul & Darlene carregando, sozinho, um guincho náutico de quase duzentos quilos. Para um homem comum, aquilo exigiria três pares de braços e um carrinho de carga; para Bucky, era apenas o peso da teimosia de Sam Wilson.
Sam estava encostado na amurada, segurando uma garrafa d'água gelada, com um sorriso insolente que não saía do rosto há três dias consecutivos.
— Não precisa usar o braço robótico para tudo, Barnes — provocou Sam, apontando com o queixo para a peça de metal. — Achei que os super-soldados de 1940 tivessem mais resistência no bíceps direito. O que foi? O calor do sul tá derretendo suas juntas?
Bucky pousou o guincho no chão de madeira do cais com um baque surdo, a poeira subindo ao redor de suas botas pretas e pesadas. Ele passou as costas da mão de carne pela testa, limpando o suor que ardia em seus olhos azuis. Os cabelos castanhos, agora curtos e alinhados, estavam empastados pela umidade do bayou.
— Se você gastasse metade dessa energia consertando a linha de combustível em vez de me policiar — rosnou Bucky, com sua voz rouca habitual —, esse barco já estaria na água há uma semana.
— É uma questão de liderança e delegação de tarefas — Sam rebateu, dando um gole demorado na água e estalando a língua com prazer teatral. — Além disso, você precisa suar esse rancor centenário. E por falar nisso... o que você estava cochichando com a Sarah hoje de manhã perto dos motores?
Bucky congelou por uma fração de segundo, limpando as mãos engorduradas em um trapo velho. Ele tentou manter o semblante de pedra, mas uma fagulha de desconforto traiu seus olhos.
— Nada — respondeu ele, seco. — Eu só perguntei onde estavam as chaves inglesas.
— As chaves inglesas? — Sam soltou uma gargalhada curta e desceu os degraus até o cais, aproximando-se com passos lentos e deliberados. — Engraçado, porque ela me disse que você passou dez minutos encarando as tranças dela como se nunca tivesse visto uma mulher na vida. E depois ficou vermelho quando ela perguntou se você queria limonada.
— Eu não fiquei vermelho, Wilson. É a porcaria do sol.
— Ah, com certeza. O infame sol da Luisiana que só queima o pescoço de assassinos lendários quando a minha irmã passa por perto — Sam inclinou o corpo, o tom de voz mudando para uma provocação quase confidencial. — Deixa eu te perguntar uma coisa, Bucky. Qual foi a última vez que você foi a um encontro? Tipo, de verdade? E não me venha com aquela velhinha do restaurante de sushi. Anos quarenta? Você ainda lembra o que fazer, ou vai tentar levá-la para dançar foxtrote no baile da paróquia?
Antes que Bucky pudesse responder com uma ameaça velada ou arremessar uma chave de boca na cabeça de Sam, o som de passos firmes na madeira ecoou pelo cais.
— Sam, se você não parar de encher a paciência do homem e não for conferir a bomba de porão, eu mesma jogo suas ferramentas na água — a voz cortou o ar como uma brisa refrescante.
Sarah Wilson caminhava em direção a eles, carregando uma bandeja de metal com dois copos suados de chá gelado com hortelã. Ela usava uma regata verde-oliva que deixava à mostra os ombros esculpidos pelo trabalho diário, os braços firmes e a pele escura brilhando sob o sol do meio-dia. As tranças caíam graciosamente para um lado, presas em um coque frouxo e prático.
Bucky endireitou a postura quase que por instinto militar, mas seus ombros caíram ligeiramente quando os olhos castanhos e calorosos de Sarah encontraram os dele. Havia uma faísca divertida ali, um magnetismo cru e despretensioso que fazia o estômago do super-soldado dar nós que ele não sentia há mais de oitenta anos.
— Aqui, Bucky — disse ela, estendendo um dos copos e ignorando deliberadamente o irmão. Os dedos quentes e calejados dela roçaram nos nós dos dedos dele ao entregar o vidro. O contato foi breve, mas a corrente elétrica que subiu pelo braço de carne de Bucky fez sua respiração travar na garganta. — Você parece estar fazendo todo o trabalho duro por aqui. De novo.
— Obrigado, Sarah — murmurou Bucky, sua voz descendo um oitavo, carregada de um cavalheirismo antiquado e desarmado. Ele olhou para ela, fascinado pela curva suave dos lábios dela e pelo pequeno sorriso de canto que ela lhe ofereceu. — Não é nada demais. O motor só precisava de... alinhamento.
— Uhum. Alinhamento — Sarah repetiu a palavra com uma cadência provocadora, arqueando uma sobrancelha para ele enquanto passava a língua pelos lábios secos. — Bom saber que você é bom com as mãos, sargento. Porque aquele barco precisa de muita atenção.
Sam olhou de um para o outro, arregalando os olhos em puro choque e indignação.
— Sarah! Eu tô bem aqui! Pelo amor de Deus, não flerte com o fóssil na minha frente!
Sarah apenas deu uma risada alta e gostosa, balançando a cabeça enquanto se virava para voltar à oficina. Antes de entrar, ela olhou por cima do ombro, lançando a Bucky um olhar tão direto, tão descaradamente convidativo, que o soldado sentiu o sangue descer direto para a virilha.
— Te vejo no jantar, Bucky — disse ela.
Bucky engoliu em seco, o chá gelado descendo amargo pela garganta seca, o coração martelando contra as costelas como se estivesse sob fogo inimigo.
A noite em Delacroix não trazia alívio para o calor; apenas transformava o ar em uma estufa escura e sufocante.
Bucky estava deitado no chão de madeira do quarto de hóspedes improvisado na casa anexa. Havia uma cama de casal no canto, com lençóis limpos que Sarah havia preparado cuidadosamente, mas ele não conseguia dormir nela. O colchão era macio demais, afundava demais; fazia sua mente hipervigilante disparar alertas de perigo. Ele preferia o chão duro, coberto apenas por uma manta fina dobrada.
Ele encarava o ventilador de teto girando lentamente, o zumbido mecânico cortando o silêncio da meia-noite. Vestia apenas uma calça de moletom cinza, sem camisa. O braço esquerdo de vibranium repousava inerte sobre o abdômen trincado, o metal negro e dourado refletindo a luz pálida da lua que entrava pela janela entreaberta.
Mas sua mente não estava no passado. Pela primeira vez em meses, seu caderno de redenção repousava fechado sobre a cômoda, intocado. Os rostos dos fantasmas que costumavam assombrá-lo haviam sido substituídos por uma única imagem: Sarah Wilson.
A risada dela. A maneira como a pele negra do colo dela reluzia de suor sob o sol. O cheiro de manteiga de cacau e maresia que parecia emanar dela sempre que chegava perto. E, acima de tudo, o jeito como ela olhava para ele — não como uma arma, não como uma relíquia quebrada da Segunda Guerra ou o temido Soldado Invernal, mas como um homem de carne e osso.
Um homem que estava absolutamente desesperado por ela.
Bucky soltou um suspiro pesado, fechando os olhos. Uma pontada aguda de frustração pulsava entre suas pernas, dura e latejante contra o tecido fino do moletom. Ele tentou ignorar. Tentou pensar em táticas militares, na lista de alvos, na respiração controlada que os cientistas da Hidra costumavam exigir dele. Nada funcionava.
Ele não tocava em uma mulher desde que os Aliados desembarcaram na Europa. Décadas de congelamento criogênico haviam preservado seu corpo no ápice da juventude e da força física, mas sua mente havia sido privada de qualquer calor humano. E agora, essa torrente de desejo acumulado estava quase o afogando. Ele tinha medo de estragar tudo. Tinha medo de parecer um homem das cavernas desajeitado se tentasse algo com Sarah, medo de que sua intensidade assustasse a mulher.
— Droga... — murmurou ele para a escuridão.
Sem abrir os olhos, sua mão direita — a de carne, quente e calejada — deslizou pelo abdômen definido, descendo devagar até o cós do moletom. Ele puxou o tecido para baixo, libertando o membro rígido e pulsante que implorava por alívio.
O primeiro toque de seus próprios dedos em volta da pele esticada e quente arrancou um gemido abafado de sua garganta.
Bucky começou a se mover lentamente, o ritmo cadenciado de sua mão subindo e descendo. Em sua mente, no entanto, não eram os próprios dedos ásperos que o envolviam. Era Sarah.
Ele imaginou Sarah montando em seu quadril naquele chão de madeira, as tranças dela caindo sobre o peito dele enquanto ela o olhava com aqueles olhos penetrantes. Ele visualizou as mãos fortes e macias dela segurando seus ombros, unhas cravando na pele ao redor da junta onde o vibranium se fundia à carne. O som da voz dela sussurrando seu nome — não "Barnes", mas "Bucky" — em um gemido manhoso e ofegante no calor daquele quarto.
A respiração dele se tornou entrecortada, o peito subindo e descendo com violência. Bucky acelerou os movimentos da mão direita, os nós dos dedos ficando brancos com a pressão. A frustração acumulada de dias de olhares roubados, de piadas insinuantes e da proximidade torturante no barco transformou-se em uma necessidade física visceral e desesperada.
O braço de vibranium permaneceu imóvel ao lado do corpo, os dedos de metal cravando-se no assoalho de madeira, arranhando o verniz enquanto a tensão em seus quadris aumentava.
— Sarah... — o nome escapou em um sussurro rouco e quebrado entre dentes cerrados.
Ele arqueou as costas, o calor subindo por sua espinha como fogo puro. Cada centímetro do seu corpo de super-soldado parecia sobrecarregado, a sensação de quase explodir o consumindo até que, com um último movimento firme e rápido, a onda de alívio o atingiu com a força de uma detonação.
Bucky mordeu o lábio inferior para não gritar na noite silenciosa, liberando-se em jatos quentes e espessos contra a própria barriga e a mão trêmula. Ele desabou de volta contra o chão duro, o coração galopando a duzentos batimentos por minuto, o peito brilhando com uma nova camada de suor.
Ele ficou ali por longos minutos, recuperando o fôlego, encarando o teto com os olhos semicerrados e a mente girando. Mas, em vez de apagar a chama, aquele alívio temporário apenas deixou uma certeza ainda mais afiada gravada em seu peito: ele não aguentaria passar mais uma semana apenas fingindo.
Dois dias depois, uma tempestade de verão varreu o bayou no final da tarde, trazendo trovões distantes e uma chuva torrencial que forçou todos a buscarem abrigo. Sam havia saído mais cedo para resolver uma burocracia do seguro na cidade vizinha, deixando as crianças na casa de uma prima.
O silêncio na casa principal era quebrado apenas pelo tamborilar pesado da chuva no telhado de zinco.
Bucky estava na varanda dos fundos, abrigado sob o beiral, terminando de lubrificar as engrenagens de uma carretilha de pesca. A água respingava em suas botas e o vento úmido soprava contra sua camiseta preta de manga curta, deixando o braço de Wakanda totalmente exposto, reluzente com os reflexos dourados na penumbra da tempestade.
A porta de tela rangeu. Sarah saiu para a varanda, segurando uma xícara de café quente. Ela usava um short jeans desfiado e uma blusa de algodão branca, os pés descalços fazendo pequenos estalos no chão de madeira molhada.
— Eu sabia que encontraria você aqui fora — disse ela, apoiando-se na balaustrada de madeira ao lado dele. — Todo mundo corre da chuva, mas você parece que gosta de ficar na linha de tiro.
Bucky parou o que estava fazendo, pousando a peça de metal na bancada improvisada. Ele limpou as mãos em um pano e virou-se para ela, mantendo uma distância cautelosa de dois passos.
— Faz menos barulho aqui fora — respondeu ele, encarando-a com aquele olhar azul penetrante e vigilante que parecia despir a alma de qualquer um. — E a chuva esfria as coisas.
Sarah deu um gole no café, os olhos brilhando com uma inteligência afiada. Ela colocou a xícara sobre a mesa e deu um passo em direção a ele, reduzindo a distância entre os dois pela metade.
— É? E você precisa se esfriar, sargento?
O ar entre eles mudou instantaneamente. A umidade da tempestade pareceu evaporar, substituída por uma pressão sufocante e elétrica. Bucky sentiu o pulso acelerar. Todas as memórias das noites solitárias em seu quarto, de sua mão apertando-se em torno de si mesmo enquanto imaginava o corpo dela, vieram à tona com a força de um maremoto.
Ele engoliu em seco, mas não recuou. Seus ombros largos se mantiveram firmes.
— Sarah... — começou ele, a voz perigosamente baixa. — Você devia tomar cuidado com as coisas que diz.
— É mesmo? — Sarah deu mais um passo à frente, agora tão perto que Bucky conseguia sentir o calor irradiando da pele dela e o aroma doce e suave de cacau que o havia torturado por noites a fio. Ela inclinou a cabeça para cima, sustentando o olhar dele sem vacilar. — E por que eu deveria? Você vai me dar voz de prisão? Ou vai continuar fingindo que não quer me beijar desde o segundo em que desceu daquela caminhonete?
O coração de Bucky martelou contra as costelas. Anos de condicionamento, décadas de silêncio e o medo constante de ser perigoso demais para alguém comum se chocaram contra a pura, crua e inegável atração que ele sentia por aquela mulher.
— Eu não sou bom nisso — admitiu ele, a vulnerabilidade rasgando sua armadura de veterano de guerra. As palavras saíram quase ásperas. — Faz... muito tempo. Mais tempo do que você pode imaginar. Eu não sou um homem fácil, Sarah. Eu venho com muita bagagem.
Sarah não recuou um único milímetro. Em vez disso, ela levantou a mão direita e pousou a palma quente e firme diretamente sobre o peito dele, logo acima de onde o coração dele batia feito um pássaro enjaulado. O toque foi tão seguro, tão despido de hesitação, que Bucky soltou uma respiração trêmula.
— Eu não me importo com quanto tempo faz — disse ela, com uma firmeza tranquila que desmontou todas as defesas que restavam nele. — E eu lido com homens durões e teimosos a minha vida inteira, Bucky. Eu não tenho medo de você. E definitivamente não tenho medo do que você carrega.
Ela deslizou a mão para cima, os dedos roçando suavemente pela linha da mandíbula dele, sobre a barba rala e escura, até repousar na nuca dele.
— A única pergunta que importa aqui — sussurrou ela, os lábios a poucos centímetros dos dele — é se você vai continuar pensando demais... ou se finalmente vai fazer o que nós dois estamos querendo.
Aquilo foi o ponto de ruptura. Todo o autocontrole centenário de James Buchanan Barnes quebrou como vidro sob a pressão de uma tonelada.
Com um rosnado baixo que vibrou no fundo de seu peito, Bucky deu um passo à frente e passou o braço de carne firmemente ao redor da cintura de Sarah, puxando-a contra seu corpo com uma força possessiva, mas perfeitamente calculada para não machucá-la. O impacto suave dos corpos fez Sarah soltar um suspiro surpreso, mas antes que ela pudesse falar, Bucky colou seus lábios nos dela.
O beijo começou faminto, uma colisão de semanas de contenção e meses de isolamento. Os lábios de Sarah eram macios, quentes e incrivelmente responsivos; ela abriu a boca com facilidade, recebendo a língua dele em um ritmo voraz que fez os joelhos de Bucky fraquejarem.
Ele pode ter ficado fora de ação desde os anos quarenta, mas o instinto de James Barnes — o charmeiro do Brooklyn que costumava rodopiar garotas pelas pistas de dança antes da guerra — não estava morto. Estava apenas adormecido, faminto, esperando pela faísca certa.
A mão de vibranium de Bucky subiu devagar, os dedos metálicos traçando com cuidado requintado a curva da cintura dela até se espalmarem na base de suas costas, sentindo o calor através do tecido fino da blusa. O contraste do metal frio contra a pele aquecida arrancou um gemido genuíno da garganta de Sarah, que entrelaçou as mãos nos cabelos curtos da nuca dele, puxando-o ainda mais para perto.
Ele a prensou suavemente contra a parede de tábuas de madeira da varanda, seu corpo grande e pesado encurralando-a sem que ela demonstrasse a menor intenção de fugir. Pelo contrário: as pernas dela roçaram nas dele e Sarah arqueou os quadris para frente, sentindo a rigidez inegável e massiva que pressionava contra o jeans dele.
Ela sorriu contra a boca dele, separando os lábios apenas o suficiente para sussurrar entre respirações entrecortadas:
— Pelo visto... o super-soldado ainda lembra muito bem de como as coisas funcionam.
Bucky desceu os lábios para o pescoço dela, beijando e mordiscando a pele dourada logo abaixo da orelha, fazendo-a estremecer em seus braços. A voz dele saiu abafada contra a clavícula dela, rouca, carregada de um desejo que finalmente encontrava seu porto seguro.
— Eu me lembro de tudo — murmurou ele, com um sorriso lento e perigoso surgindo no canto da boca enquanto a erguia com facilidade pela cintura, fazendo os pés dela deixarem o chão. — E eu vou te provar isso a noite inteira.
