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Algo novo

Fandom: Hunter hunter

Criado: 27/10/2026

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AçãoAventuraDor/ConfortoDramaAngústiaFantasiaCenário CanônicoViolência Gráfica
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Fios de Lealdade e Lâminas de Choque

O ar na densa floresta da Ilha da Baleia parecia ter congelado. O som constante dos insetos havia cessado, dando lugar ao estalo sinistro de eletricidade e ao sibilar de uma aura carregada de intenções assassinas. Mia apertou o cabo de seu bastão de combate, sentindo a textura do metal frio contra as palmas suadas. À sua frente, dois vultos conhecidos não exibiam a alegria habitual.

Gon Freecss, com seus olhos normalmente brilhantes agora opacos e vidrados, mantinha uma postura agachada, a aura de seu Ren explodindo em ondas de calor. Ao lado dele, Killua Zoldyck girava seus ioiôs de metal, faíscas azuis saltando de seus dedos. O vilão, um homem magro que se identificara apenas como Vane, ria do topo de uma árvore próxima, movendo os dedos como se manipulasse fios invisíveis feitos de puro Nen.

— Eles são marionetes perfeitas, não acha? — zombou Vane. — O potencial deles é desperdiçado com essa bobagem de amizade. Sob o meu controle, eles são apenas armas. E você, garota, é o alvo.

Mia não teve tempo de responder. Killua desapareceu em um borrão de velocidade.

— Killua, pare! — gritou Mia, girando seu bastão para bloquear um golpe vindo de cima.

O impacto foi brutal. A força do ioiô eletrificado fez os braços de Mia tremerem. Ela sentiu a descarga percorrer o bastão, mas o revestimento de borracha que ela mesma havia projetado absorveu o pior do choque. Antes que pudesse contra-atacar, Gon surgiu como um raio, o punho direito brilhando com o Jajanken.

— Primeiro vem a pedra! — a voz de Gon soou mecânica, desprovida de emoção.

Mia saltou para trás, a explosão de impacto de Gon destruindo o solo onde ela estava um segundo antes. A onda de choque a arremessou contra um tronco de árvore, tirando-lhe o fôlego. Ela tossiu, sentindo o gosto metálico de sangue na boca.

— Droga... — sussurrou ela, limpando o canto dos lábios. — Eles não estão brincando.

Ela sabia que não podia vencer os dois em um combate direto, especialmente se não quisesse machucá-los seriamente. Mia era inteligente; ela entendia que o controle de Vane não era apenas físico, mas uma manipulação do sistema nervoso através de fios de Nen.

Killua avançou novamente, seus olhos vazios focados no pescoço de Mia. Ele usou o Passo Sombrio, criando múltiplas imagens residuais que cercaram a garota.

— Eu sei que você está aí dentro, Killua! — Mia girou o bastão em um arco defensivo, tentando manter a distância. — Lute contra isso!

— É inútil — disse Killua, sua voz saindo como um sussurro frio. — Eu recebi a ordem. Eliminar.

Ele desferiu um golpe com as unhas afiadas como navalhas, rasgando o ombro de Mia. Ela soltou um grito abafado, o sangue manchando sua blusa rapidamente. Gon aproveitou a abertura para chutar as costelas dela, mandando-a rolar pelo chão da floresta.

Mia tentou se levantar, mas a dor era lancinante. Suas costelas protestavam a cada respiração e o braço esquerdo estava começando a ficar dormente devido ao corte de Killua. Ela viu os dois se aproximarem lentamente, Gon preparando outro Jajanken e Killua carregando o Palma Elétrica.

— Pense, Mia, pense! — ela murmurou para si mesma, os olhos varrendo o ambiente.

Ela notou os dedos de Vane lá no alto. Ele não estava apenas enviando comandos; ele estava reagindo aos movimentos dela. Se ela mudasse o ritmo, ele teria que ajustar os fios. E havia algo mais: o brilho dos fios de Nen só era visível quando eles atacavam com força total.

— Se eu conseguir sobrecarregar o sistema... — Mia teve uma ideia arriscada.

Ela se levantou cambaleante, usando o bastão como apoio.

— Ei, Vane! — gritou ela, olhando para o vilão. — Você acha que controla a eletricidade do Killua? O corpo dele é um condutor, mas os seus fios são feitos de aura pura. O que acontece se a aura for interrompida por uma frequência oposta?

Vane franziu o cenho, mas não parou o ataque.

— Mate-a agora! — ordenou ele.

Gon e Killua saltaram simultaneamente. Era o momento. Mia não fugiu. Ela fincou o bastão no chão e ativou um dispositivo oculto na base da arma. Ela havia passado semanas estudando como converter a energia cinética em pulsos eletromagnéticos curtos.

— Agora! — gritou ela.

No momento em que Killua tocou o bastão com seu ataque elétrico e Gon atingiu a lateral da arma com seu impacto, Mia liberou a carga acumulada. Não foi um ataque contra eles, mas uma explosão de interferência de Nen que ela canalizou através do metal do bastão.

A explosão de luz e som foi ensurdecedora. Mia sentiu a pressão esmagar seus pulmões, e ela foi arremessada para trás, batendo com a cabeça em uma pedra. A visão dela escureceu por um momento, mas ela se forçou a permanecer consciente.

Gon e Killua caíram no chão, contorcendo-se enquanto os fios de Nen de Vane se desintegravam, incapazes de manter a forma sob a interferência súbita.

— O quê? O que você fez? — Vane gritou, saltando da árvore, furioso por ter perdido o controle.

Mia, com a visão turva e o corpo latejando de dor, viu Gon piscar e olhar ao redor, confuso. Killua sacudiu a cabeça, a clareza retornando aos seus olhos azuis.

— Mia? — Gon perguntou, sua voz voltando ao normal, cheia de preocupação. Ele viu o estado dela e seus olhos se arregalaram em horror. — Mia! O que aconteceu com você?

Killua olhou para as próprias mãos, depois para os cortes no ombro de Mia.

— Fomos nós... — sussurrou Killua, o rosto empalidecendo. — Ele nos controlou.

— Não importa agora... — Mia tentou sorrir, mas uma onda de dor a fez murchar. — Peguem... peguem ele.

Vane tentou fugir, mas não teve chance. A fúria que emanou de Gon e Killua foi algo que a floresta nunca havia sentido antes. Em poucos segundos, o vilão estava imobilizado no chão, com Killua mantendo uma mão eletrizada perto de sua garganta e Gon emanando uma pressão esmagadora.

— Você cometeu um erro grave — disse Killua, sua voz gélida. — Você usou a gente para machucar nossa amiga.

Depois de garantirem que Vane não iria a lugar nenhum, os dois correram de volta para Mia. Ela estava encostada na árvore, a respiração curta e superficial. O sangue continuava a escorrer de seus ferimentos.

— Mia, aguenta firme! — Gon disse, rasgando a própria camisa para fazer um curativo improvisado no ombro dela. — Killua, ajude aqui!

— Eu estou tentando! — Killua estava visivelmente abalado. Suas mãos, geralmente tão firmes, tremiam levemente enquanto ele ajudava a estancar o sangramento. — Mia, por que você não revidou? Você podia ter usado o bastão para nos machucar e se proteger.

Mia deu uma risada fraca, que terminou em um gemido de dor.

— E estragar... o rosto lindo de vocês? — ela brincou, embora sua voz estivesse falhando. — Eu sabia que... se eu aguentasse o suficiente... vocês voltariam.

— Você é uma idiota — disse Killua, embora seus olhos estivessem úmidos. — Uma idiota brilhante.

— Gon... Killua... — Mia estendeu a mão, segurando a manga de Gon. — O plano funcionou. Eu sabia que a ciência... venceria o Nen dele.

— Não fale mais, Mia. Você perdeu muito sangue — Gon disse, pegando-a no colo com uma delicadeza que contrastava com sua força bruta. — Vamos tirar você daqui. Agora.

— O bastão... — ela murmurou, os olhos começando a fechar.

— Eu pego — Killua pegou a arma de metal, olhando para ela com um novo respeito. — Você salvou a gente, Mia. Agora é nossa vez.

Enquanto Gon corria pela floresta em direção à cidade mais próxima, com Killua logo atrás, Mia sentiu o calor dos amigos e finalmente se permitiu apagar. Ela estava gravemente ferida, quebrada e exausta, mas havia vencido. Ela havia trazido os seus meninos de volta.

Horas depois, no hospital da cidade, o silêncio do quarto era quebrado apenas pelo bipe rítmico dos aparelhos. Mia abriu os olhos lentamente, a luz branca a cegando por um momento.

— Ela acordou! — a voz de Gon ecoou, e logo o rosto preocupado dele apareceu em seu campo de visão.

Ao lado dele, Killua estava sentado em uma cadeira, os braços cruzados, tentando manter sua fachada de indiferença, mas o alívio em seus olhos era evidente.

— Como você está se sentindo? — perguntou Killua.

— Como se um elefante tivesse dançado em cima de mim — respondeu Mia, sua voz ainda rouca. — E depois o elefante me desse um choque.

Gon riu, uma risada nervosa e cheia de alívio.

— O médico disse que você vai ficar bem. Algumas costelas quebradas, muita perda de sangue e algumas queimaduras, mas você é forte.

— O que aconteceu com o Vane? — Mia perguntou, tentando se ajeitar nos travesseiros.

— Entregamos ele para a Associação Hunter — Killua disse com um sorriso sombrio. — Digamos que ele não vai controlar ninguém por um bom, bom tempo.

Mia relaxou contra o colchão. Ela olhou para os dois, vendo a culpa ainda estampada em seus rostos.

— Ei — chamou ela, fazendo-os olhar para ela. — Não foi culpa de vocês. Aquele cara era perigoso. Fico feliz que vocês estejam bem.

— Nós é que devíamos dizer isso — Gon segurou a mão dela. — Obrigado, Mia. Por não desistir da gente.

— Nunca — disse ela firmemente. — Mas da próxima vez que vocês quiserem lutar, vamos fazer isso em um videogame, combinado?

Killua soltou uma risada genuína.

— Fechado. Mas aviso logo, no videogame eu não preciso de fios de Nen para acabar com você.

Mia sorriu, fechando os olhos novamente. A dor ainda estava lá, mas o calor da amizade deles era o melhor remédio que ela poderia desejar. Naquela floresta, ela provou que a inteligência e a coragem podiam enfrentar até a mais sombria das manipulações. E, acima de tudo, provou que os laços que os uniam eram mais fortes do que qualquer fio de aura.

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