
Miss circle e sua nova roupa!!( Fanfic)
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 27/10/2026
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O Lápis, o Compasso e o Azul Inesperado
A luz pálida das janelas altas da Paper School incidia sobre os corredores de papel, criando sombras longas e angulares que pareciam ganhar vida própria. No silêncio tenso de uma das salas de aula vazias, Miss Circle estava sentada à sua mesa, a postura ereta e predatória. Seus cabelos pretos, longos e espetados como espinhos, caíam em uma franja desordenada sobre seus olhos brancos de pupilas minúsculas e intensas.
Ela segurava um livro antigo, cujas páginas pareciam sussurrar sob seus dedos pálidos. O silêncio era apenas interrompido pelo som rítmico de sua respiração e pelo brilho metálico do enorme compasso preto que substituía sua mão esquerda, a lâmina afiada descansando perigosamente sobre a madeira da mesa. Um sorriso travesso e levemente maníaco brincava em seus lábios enquanto ela lia algo que parecia diverti-la de uma forma obscura.
De repente, o som de uma gota atingindo o tecido ecoou na sala silenciosa.
Miss Circle baixou o livro lentamente. Olhou para baixo e viu, bem no centro de sua blusa preta de botões brancos, uma mancha de água que se espalhava rapidamente, arruinando a perfeição de seu traje habitual.
Seu rosto não demonstrou irritação comum. Em vez disso, seus lábios se alargaram em um sorriso psicopata, revelando dentes afiados. Ela não precisava de provas. Sabia exatamente quem era o responsável por aquela audácia. Oliver. Aquele garoto travesso, com seu braço de lápis e seu hábito bizarro de comer sabonete, era o único com coragem — ou estupidez — suficiente para pregar uma peça nela.
— Ah, Oliver... — sussurrou ela, sua voz como o arranhar de metal no papel. — Você realmente gosta de brincar com o perigo.
Ela se levantou, a altura imponente e os seios volumosos balançando levemente com o movimento brusco. O compasso arrastou-se pelo chão com um rangido estridente enquanto ela caminhava em direção ao vestiário dos professores. Se ela ia caçar sua presa, não o faria com uma roupa manchada.
Minutos depois, a porta do vestiário se abriu. Miss Circle saiu, mas não parecia a mesma figura aterrorizante de sempre. Na falta de uma blusa preta reserva, ela havia encontrado uma peça guardada no fundo de seu armário: uma blusa azul-marinho clara com detalhes em branco puro. A cor contrastava violentamente com sua pele branca como giz e seus chifres negros.
Ela parou diante de um espelho quebrado no corredor. A roupa era... fofa. A gola branca e o tom suave de azul davam a ela uma aparência quase angelical, se não fossem os olhos maníacos e a arma letal em seu braço. Ela soltou uma risada curta e estridente, achando a ironia deliciosa.
— Vamos ver o que o meu pequeno artista acha disso — murmurou ela, o sorriso psicopata nunca deixando seu rosto.
Ela caminhou pelos corredores, o som de suas botas pretas ecoando contra as paredes de papel. Não demorou muito para encontrar o rastro de Oliver. O cheiro de sabão de lavanda sempre o denunciava.
Oliver estava encostado em um armário, brincando com um pedaço de borracha, seus cabelos brancos imensos presos naquele rabo de cavalo baixo com o laço preto. A marca de "A+" em seu cabelo brilhava sob as luzes fluorescentes. Ao ouvir a aproximação da professora, ele levantou a cabeça, um sorriso brincalhão já formado em seu rosto, pronto para zombar da mancha de água que ele mesmo havia causado com um borrifador escondido.
No entanto, o sorriso dele vacilou e seus olhos se arregalaram.
— Miss Circle? — Oliver inclinou a cabeça, a mecha espetada no topo de sua cabeça balançando. — O que aconteceu com a sua... aura de morte?
Miss Circle parou a poucos centímetros dele, pairando como uma torre de papel e metal. O sorriso dela era largo, revelando todos os dentes, os olhos fixos nos dele.
— Ocorreu um pequeno acidente, Oliver — disse ela, a voz carregada de uma doçura ameaçadora. — Você não saberia nada sobre isso, não é?
Oliver ignorou a ameaça implícita. Ele estava ocupado demais analisando a nova aparência da professora. Ele deu uma volta ao redor dela, o braço de lápis batendo levemente no queixo enquanto pensava.
— Uau... — começou ele, soltando uma risada divertida. — Miss Circle, essa roupa é linda. E, honestamente? Você está muito fofa.
A palavra "fofa" saindo da boca de Oliver fez Miss Circle soltar uma gargalhada genuinamente psicopata. Ela não se sentia insultada; a situação era absurda demais para isso.
— Fofa, Oliver? — Ela se inclinou para frente, a lâmina do compasso roçando o ombro do garoto. — Você tem consciência de que eu poderia te apagar deste mundo agora mesmo?
— Mas não vai — Oliver respondeu com a confiança de quem já tinha escapado da morte várias vezes. — Porque você sabe que eu tenho razão. O azul combina com seus olhos... ou com a falta de cor neles.
Ele se aproximou mais, agindo com a audácia que só ele possuía. Oliver, sendo o valentão travesso da escola, não conhecia limites. Ele olhou para a blusa azul, observando como o tecido se esticava sobre o busto generoso da professora.
— Realmente fofa — repetiu ele, com um brilho travesso nos olhos.
Em um movimento rápido e inesperado, Oliver deu um passo à frente e encostou a cabeça no peito de Miss Circle, afundando o rosto entre os seios dela, que eram cobertos pelo tecido azul macio.
O corredor pareceu congelar. Miss Circle ficou imóvel por um segundo, o sorriso psicopata ainda congelado em seu rosto, mas seus olhos brilharam com uma mistura de surpresa e divertimento sombrio. Ela sentiu a respiração do garoto contra o tecido e a audácia absoluta do gesto.
— Você é muito abusado, Oliver — disse ela, começando a rir novamente, um som baixo e gutural que vibrou no peito onde a cabeça do garoto descansava.
Oliver, sem se afastar, soltou um abafado:
— É confortável. E você cheira a Oreo e perigo. É uma boa combinação.
Miss Circle levantou a mão direita, a que ainda era humana, e acariciou os cabelos brancos de Oliver, quase como se estivesse cuidando de um animal de estimação perigoso. O braço de compasso permanecia erguido, pronto para cortar, mas ela não o fez. Ela gostava daquela dinâmica. Oliver era o único que não tremia diante de sua lâmina, e isso o tornava especial em seu mundo distorcido de regras e punições.
— Aproveite o momento, pequeno valentão — sussurrou ela, inclinando a cabeça para perto do ouvido dele, a franja preta roçando o rosto do garoto. — Se você contar para o Edward ou para a Zip que eu deixei você fazer isso, eu transformo você em confete.
Oliver se afastou apenas o suficiente para olhar para cima, encontrando o olhar maníaco da professora. Ele sorriu, o mesmo sorriso que usava quando estava prestes a roubar o lanche de alguém ou sabotar uma aula.
— Meu segredo está guardado, "Fofa" — provocou ele, dando ênfase à palavra.
Miss Circle soltou uma risada estridente que ecoou por todo o corredor, fazendo alguns alunos que passavam ao longe correrem de medo.
— Vá para a aula, Oliver — disse ela, dando um leve empurrão nele com o cabo do compasso. — Antes que eu mude de ideia e decida ver se o seu sangue é da mesma cor que o grafite do seu braço.
Oliver deu de ombros, virando-se para sair, mas não antes de lançar um último olhar para a blusa azul.
— Ficou mesmo muito bom em você! — gritou ele enquanto corria pelo corredor, rindo alto.
Miss Circle ficou ali parada por um momento, observando o garoto desaparecer dobrando a esquina. Ela olhou para a própria blusa azul, a mancha de água da blusa anterior já esquecida. O sorriso psicopata suavizou-se apenas um pouco, tornando-se algo mais contemplativo.
Ela enfiou a mão no bolso da calça branca e tirou um biscoito Oreo, levando-o à boca e sentindo o sabor doce e familiar. A Paper School era um lugar estranho, cheio de regras sangrentas e punições severas, mas momentos como aquele, de pura e distorcida diversão, eram o que tornavam a eternidade entre as paredes de papel suportável.
Limpando uma migalha do canto da boca com a ponta da lâmina, ela se virou e começou a caminhar de volta para sua sala. Ela ainda tinha provas para corrigir e, possivelmente, alguns alunos para perseguir. Mas, por enquanto, ela estava satisfeita com sua nova blusa azul e com a audácia do garoto que comia sabonete.
Afinal, na Paper School, a linha entre o carinho e a carnificina era tão fina quanto uma folha de caderno, e Miss Circle adorava caminhar exatamente sobre essa linha.
