
Fanfic de miss circle x Abbie !
Fandom: Fundamental paper education
Criado: 28/10/2026
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O Sabor do Medo e o Deleite do Caos
O corredor da Paper School parecia se estender infinitamente, um labirinto de papel e tinta onde o cheiro de grafite e o medo pairavam no ar como uma névoa espessa. Abbie corria, seus pulmões ardendo a cada lufada de ar frio que ele forçava para dentro. O som de seus sapatos batendo contra o chão ecoava, um metrônomo desesperado marcando os segundos que lhe restavam de vida. A folha no topo de sua cabeça balançava violentamente, uma antena captando apenas ondas de puro pânico.
Ele olhou para trás por um breve segundo, apenas para ver a silhueta alta e pontiaguda que o perseguia com uma calma aterrorizante. Miss Circle não estava correndo; ela estava caçando. Seus cabelos pretos e espetados, que desciam até os joelhos, chicoteavam o ar como serpentes negras, e seus chifres pareciam rasgar o próprio teto da escola.
Abbie dobrou uma esquina, esperando encontrar uma saída, uma sala aberta, qualquer coisa. Mas o corredor terminava abruptamente em uma parede maciça de papelão reforçado. Um beco sem saída.
— Não, não, não... — ele soluçou, pressionando as costas contra a parede fria. — Por favor, agora não...
O som metálico e rítmico de algo raspando no chão ficou mais alto. Clac. Clac. Clac. Era o compasso gigante, a lâmina afiada que Miss Circle usava como uma extensão de seu próprio corpo.
A sombra dela se projetou sobre ele primeiro, imensa e distorcida. Então, ela emergiu da escuridão do corredor. Seus olhos brancos com pupilas minúsculas brilhavam com uma luz maníaca. O sorriso em seu rosto era largo demais, revelando dentes que pareciam feitos para triturar mais do que apenas papel. A camisa preta com gola branca estava impecável, e seus seios, notavelmente grandes e imponentes, subiam e desciam com sua respiração divertida.
— Abbie... — a voz dela era um ronronar perigoso, uma melodia de pesadelo. — Você sabe o que acontece com alunos que tiram nota baixa na minha prova, não sabe?
Abbie tremeu tanto que suas pernas quase cederam. Ele olhou para a lâmina do compasso, que brilhava sob as luzes fluorescentes.
— M-Miss Circle... eu posso estudar mais! Eu juro! — ele implorou, as lágrimas escorrendo pelo rosto pálido.
Ela se aproximou, sua altura superior fazendo-o se sentir como um inseto prestes a ser esmagado. Ela ergueu o compasso, a ponta afiada parando a centímetros do pescoço dele. O sorriso dela se alargou, tornando-se algo ainda mais psicopata. Ela soltou uma risada curta e estridente que fez o estômago de Abbie revirar.
— Sabe, Abbie... eu estou com uma fome terrível hoje — disse ela, inclinando a cabeça. — E eu poderia simplesmente acabar com isso agora. Mas... eu estou disposta a negociar.
Abbie piscou, o terror dando lugar a uma confusão momentânea.
— N-Negociar?
— Sim — ela murmurou, aproximando o rosto do dele. — Eu quero algo em troca da sua vida medíocre. Eu quero... um Oreo.
Abbie congelou. O pedido era tão absurdo, tão fora de contexto naquele cenário de morte iminente, que sua mente simplesmente travou. O trauma da perseguição, o medo da morte e a bizarrice da exigência colidiram dentro dele. Ele não tinha um Oreo. Ele não tinha nada além de sua própria pele e o desespero.
Em um surto de colapso nervoso, sem saber como reagir ou para onde fugir, Abbie perdeu o controle de seus movimentos. Em vez de se afastar, ele desabou para frente. Sua cabeça atingiu algo macio e imenso. Ele havia enterrado o rosto diretamente nos seios gigantes de Miss Circle.
O silêncio que se seguiu foi absoluto.
Abbie esperou pela dor. Esperou que a lâmina o atravessasse. Mas, em vez disso, sentiu o calor do corpo dela e a maciez inesperada daquele impacto. O cheiro de giz e algo doce, como baunilha, invadiu seus sentidos. O cansaço extremo e o choque fizeram com que, por um momento insano, ele relaxasse. Ele soltou um suspiro trêmulo, sua testa pressionada contra o tecido preto da camisa dela.
Miss Circle ficou estática. Suas garras pretas hesitaram no ar. Ela olhou para baixo, vendo o garoto trêmulo agarrado a ela como se fosse um porto seguro no meio de um furacão. Um brilho diferente surgiu em seus olhos brancos. O sorriso psicopata não desapareceu, mas se transformou em algo mais... predatório e divertido.
— Ora, ora... — ela murmurou, sua voz vibrando contra o peito, o que fez Abbie estremecer da cabeça aos pés. — Que aluno atrevido nós temos aqui.
Ela largou o compasso, que ficou pendurado em seu braço, e usou suas garras para segurar o queixo de Abbie, forçando-o a olhar para cima. O rosto dele estava vermelho como uma beterraba, os olhos arregalados e úmidos.
— Você acha que pode me subornar com carinho em vez de biscoitos, Abbie? — ela provocou, soltando uma risadinha sombria. — Isso é muito mais interessante do que eu esperava. Acho que vamos ter uma aula particular... de um tipo diferente.
O que se seguiu nos minutos seguintes foi um borrão de sensações para Abbie. Miss Circle, em seu estado de euforia maníaca, decidiu que "brincar" com o medo e a vulnerabilidade do aluno era muito mais gratificante do que simplesmente matá-lo naquele momento. Ela o envolveu em um abraço sufocante e dominador, arrastando-o para uma sala de aula vazia ali perto, onde o som de risadas abafadas e protestos gaguejados ecoou por algum tempo.
...
Algum tempo depois, o silêncio retornou ao corredor, interrompido apenas pelo som de passos firmes e curtos. Miss Bloomie, a professora de ciências, caminhava com sua expressão habitual de seriedade cortante. Ela segurava seu estilete branco com força, limpando uma mancha imaginária na lâmina.
Ela estava procurando por Miss Circle. Sabia que a colega tinha saído em busca de Abbie e queria saber se o "trabalho" já tinha sido concluído ou se precisavam limpar a bagunça.
Ao dobrar o corredor onde o impasse começara, ela parou.
— Circle? Você está aí? — chamou Bloomie, sua voz aguda e direta.
A porta de uma das salas se abriu lentamente. Miss Circle saiu de lá, arrumando a gola de sua camisa preta, que estava levemente aberta e desalinhada. Seus cabelos estavam ainda mais bagunçados que o normal, e ela exibia um sorriso satisfeito, quase sonolento, enquanto limpava o canto da boca com uma garra.
— Ah, Bloomie. Estava me procurando? — perguntou Circle, sua voz soando estranhamente relaxada, quase normal, se não fosse pelo brilho caótico nos olhos.
Bloomie franziu a testa, olhando para a colega e depois para a sala aberta.
— Eu vim ver se você já tinha terminado com o garoto. As aulas da tarde começam em breve e não queremos corpos no corredor principal.
Circle deu de ombros, soltando uma risadinha leve.
— Oh, ele está lá dentro. Mas não se preocupe, ele não vai a lugar nenhum por enquanto.
Curiosa, Miss Bloomie passou por Circle e espiou para dentro da sala. Seus olhos se arregalaram levemente por trás dos cílios pontiagudos.
Abbie estava jogado no chão, encostado em uma das classes. Ele parecia estar em outro planeta. Sua camisa branca estava com os botões superiores abertos, a gravata preta estava completamente desarrumada, pendurada frouxamente no pescoço. Ele estava profundamente corado, suor escorrendo pelas têmporas, e suas mãos cobriam os olhos como se ele estivesse tentando processar algo que sua mente não conseguia computar. Ele soltava pequenos suspiros desconexos, parecendo completamente "chapado" de puro choque e exaustão sensorial.
— O que diabos você fez com ele? — perguntou Bloomie, voltando-se para Circle com uma sobrancelha erguida. — Ele parece... quebrado. Mas de um jeito que eu não reconheço.
Circle soltou uma gargalhada alta, jogando a cabeça para trás.
— Digamos que ele me deu algo muito melhor do que um Oreo, Bloomie. Ele é um garoto muito... dedicado, quando está sob pressão.
Bloomie olhou novamente para Abbie, que agora tentava, sem sucesso, fechar a camisa com dedos trêmulos, ainda mantendo os olhos fechados. A cena era, no mínimo, bizarra para os padrões da Paper School.
— Você é estranha, Circle — comentou Bloomie, guardando seu estilete. — Mas se ele ainda está vivo, é melhor que ele se recomponha. Não quero alunos desleixados na minha aula de ciências.
— Dê um tempo a ele — disse Circle, passando por Bloomie e dando um tapinha amigável (e pesado) no ombro da menor. — Ele aprendeu uma lição valiosa hoje. E eu? Bem, eu descobri que adoro novos sabores.
Circle começou a se afastar pelo corredor, cantarolando uma melodia macabra enquanto balançava seu compasso. Bloomie ficou parada por um momento, observando Abbie tentar se levantar e falhar miseravelmente, caindo de volta no chão com um gemido abafado e o rosto enterrado nas mãos.
— Alunos... — suspirou Bloomie, balançando a cabeça e seguindo seu caminho. — Cada dia mais problemáticos.
Enquanto isso, no chão da sala, Abbie só conseguia pensar em uma coisa: ele nunca mais olharia para um Oreo — ou para Miss Circle — da mesma maneira. O terror ainda estava lá, mas agora, misturado a ele, havia uma confusão avassaladora que o deixaria sem dormir por muitas e muitas noites na Paper School.
