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Fandom: Nenhum
Criado: 28/10/2026
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Linhas Fora do Compasso
O reflexo no espelho do closet mostrava exatamente o contraste que definia a vida de Emanuel.
De um lado, ele: ombros largos cobertos por tatuagens meticulosamente desenhadas por suas próprias mãos e pelas mãos de artistas que gerenciava em seus estúdios em Londres, Berlim e São Paulo. Aos vinte e cinco anos, o peso de um império financeiro construído na base de tinta, precisão e investimentos implacáveis repousava sob sua postura ereta e controlada. Vestia uma camiseta preta básica de algodão pesado e jeans escuro — nada espalhafatoso, nada que gritasse sua conta bancária multimilionária.
Do outro lado, Sara.
Ela estava sentada na ponta da poltrona de veludo, ajustando as tiras de uma sandália de salto agulha que combinava com o vestido tubinho neon, colado de maneira quase escandalosa em suas curvas abundantes. O silicone generoso quase transbordava pelo decote quadrado, e a barriga redonda de cinco meses despontava com orgulho e petulância. Sara era o puro excesso visual, vulgar para os conservadores, magnética para qualquer um que cruzasse seu caminho, e dona de uma língua afiada que não poupava ninguém.
— Se você continuar me encarando com essa cara de monge tibetano, eu vou achar que a Ágata puxou esse seu mau humor — disse Sara, ajeitando as mechas loiríssimas e impecáveis sobre o ombro. Ela colocou a mão espalmada sobre a barriga, onde a filha deles se movia. — O que foi, homem? Já está com a cabeça na menininha?
Emanuel soltou o ar devagar, caminhando até ela. Ajoelhou-se entre as pernas de Sara, espalmando a mão grande e áspera sobre o ventre dela. Sentiu uma ondulação suave contra a palma. O amor que sentia por Sara era um fato incontestável de sua vida, algo visceral que nasceu quando ele tinha vinte anos e nunca mais o largou.
— Ela está agitada hoje — murmurou ele, sua voz rouca carregada de um carinho protetor. — Você não deveria passar o dia inteiro de salto na loja.
— Minhas funcionárias cuidam do estoque, meu bem. Eu só preciso ser linda, rica e coordenar a nova coleção — Sara sorriu, passando as unhas longas e esmaltadas de vermelho pela nuca de Emanuel. O olhar dela, perspicaz e livre de qualquer hipocrisia, prendeu o dele. — E não muda de assunto. Você vai passar na casa da Duda antes de ir pro estúdio da Augusta, não vai?
Emanuel não piscou. Não havia segredos entre eles. Sara sabia exatamente o que habitava as sombras do coração dele; sabia que Emanuel pertencia a ela tanto quanto pertencia, em silêncio, à garota doce que havia crescido no quintal ao lado da sua infância. E Sara, com sua segurança inabalável e pragmatismo desmedido, não via problema. Desde que tudo pertencesse ao mesmo teto, desde que houvesse lealdade absoluta, ela queria ver Emanuel inteiro — e Emanuel só seria inteiro quando tivesse as duas.
— Ela me pediu para levar uns livros de História da Arte que encomendei da Itália — explicou Emanuel, a voz neutra tentando mascarar a urgência que sempre sentia de ver Eduarda.
— Então vá logo, amor — disse Sara, inclinando-se para dar um beijo estalado nos lábios dele, mordiscando levemente o canto de sua boca. — E dá um beijo na minha bailarina favorita. Vê se faz ela comer alguma coisa decente, aquela menina parece feita de plumas e açúcar.
— Volto para o jantar — garantiu Emanuel, levantando-se e deixando um beijo na testa de Sara antes de pegar as chaves do carro.
A casa dos pais de Eduarda sempre teve uma atmosfera vibrante e quase caótica. Como haviam tido as filhas muito jovens, mal pareciam ter idade suficiente para ter uma garota de vinte e três anos se formando na faculdade e outra no final da adolescência. O som de música ambiente e o aroma de café fresco eram constantes, mas naquela tarde de quinta-feira, a casa estava estranhamente silenciosa.
Emanuel entrou sem precisar bater, como sempre fazia desde que tinha dez anos de idade.
— Duda? — chamou ele pelo corredor, segurando a sacola pesada com os volumes raros sobre o Renascimento.
— Manu? Tô no quarto! — A voz dela veio suave, melodiosa, com aquele tom naturalmente dengoso que sempre desarmava os escudos mais impenetráveis de Emanuel.
Ele caminhou até o quarto no fim do corredor e empurrou a porta entreaberta.
Eduarda estava de costas, guardando algumas sapatilhas de ponta na gaveta inferior de sua cômoda. Ela ainda usava o collant rosa-chá das aulas de ballet que lecionava pela manhã, coberto por um cardigã de tricô fino e bege, largo demais para sua estrutura esguia. O decote caía ligeiramente por um ombro claro, revelando a pele alva e macia. Os cabelos castanho-escuros caíam em ondas despretensiosas até a metade das costas, com alguns fios soltos da tiara de tecido.
Quando se virou para ele, os olhos castanhos e incrivelmente expressivos brilharam com um afeto puro e transparente.
— Você demorou — queixou-se ela, fazendo um biquinho involuntário enquanto caminhava na direção dele.
Eduarda não hesitou em fazer o que sempre fazia: jogou os braços finos ao redor do pescoço de Emanuel, afundando o rosto na curva entre o queixo e a clavícula dele. Emanuel fechou os olhos por um segundo, sentindo o aroma floral suave que emanava dela, o calor macio de seu corpo pequeno se moldando perfeitamente ao seu peito rijo. A maciez natural de seus seios médios pressionou de leve contra sua camiseta, e a mão de Emanuel desceu automaticamente para a cintura dela, apertando o tecido fino com uma força contida.
— Trânsito — respondeu ele, a voz saindo mais baixa do que pretendia. — Trouxe o que você pediu.
— Ah, você é o melhor homem desse mundo todinho! — Ela se afastou ligeiramente, apoiando as duas mãos no peito dele, sorrindo com uma doçura tão desarmante que fez a mandíbula de Emanuel travar. — Meus pés estão me matando hoje, Manu. Dei três aulas seguidas para as turmas infantis. Aquelas crianças sugam minha alma.
— Eu já disse para você reduzir a carga horária na escola de dança. Você já tem a monografia da faculdade para entregar — advertiu ele, com aquele tom controlador e protetor que nunca conseguia esconder quando se tratava dela.
— Mas eu amo minhas alunas... — murmurou ela, manhosa, recostando a cabeça no ombro dele mais uma vez antes de se desvencilhar preguiçosamente. — Vou só lavar o rosto e tirar essa meia-calça. Fica aí, me espera. A mãe fez um bolo de maçã antes de sair com o pai pro trabalho. A gente come com café.
— Vai lá. Eu arrumo seus livros na prateleira.
Eduarda sorriu agradecida e deslizou para o banheiro da suíte, fechando a porta. O som da água da torneira logo começou a correr.
Emanuel colocou os volumes sobre a escrivaninha de madeira clara. O quarto dela era um reflexo exato de sua personalidade: tons pastéis, cortinas de linho claro, pequenas aquarelas na parede e uma leve desordem aconchegante de papéis e partituras. Ao tentar organizar a mesa para colocar os novos livros pesados, seu cotovelo esbarrou em uma pasta plástica que estava na beirada. Vários papéis e uma caderneta espiral de capa preta caíram no chão, espalhando folhas soltas.
— Merda — resmungou ele, abaixando-se para recolher tudo.
Ele juntou as anotações sobre História da Arte Contemporânea, mas foi a caderneta preta que chamou sua atenção. A capa estava aberta, revelando uma página preenchida com caneta esferográfica azul e cheia de grifos fluorescentes.
Emanuel não tinha o hábito de bisbilhotar a privacidade de ninguém. Sua mente sempre foi pautada pelo respeito e pela razão. Porém, uma palavra em negrito no topo da página fez seu sangue parar de circular:
“PROJETO PRIMEIRO HOMEM: LISTA DE CANDIDATOS (PARA NÃO PASSAR DOS 24 VIRGEM)”
O cérebro de Emanuel sofreu um curto-circuito instantâneo.
Seus olhos desceram pela página em uma velocidade frenética, varrendo as linhas enquanto um calor sufocante e violento subia por seu pescoço até queimar atrás de suas orelhas.
1. Felipe (o moreno da academia) — Ponto positivo: Corpo bonito, parece saber o que faz. Ponto negativo: Meio metido, fala muito de si mesmo. 2. Rodrigo (amigo do primo) — Ponto positivo: Foi super fofo na última festa, puxou assunto. Ponto negativo: Mora longe. 3. Bernardo (veterano da faculdade) — Ponto positivo: Olhares intensos no intervalo. Acho que seria rápido e sem drama.
Havia observações ao lado, datas estimadas, círculos desenhados com corações sarcásticos.
A mente de Emanuel explodiu em um zumbido agudo. As paredes do quarto pareceram se fechar contra ele. Uma onda de choque e fúria pura, primitiva, irracional, tomou conta de cada terminação nervosa de seu corpo de um metro e oitenta e cinco. Os nós dos dedos dele ficaram brancos ao apertar as bordas de papel, quase rasgando a folha.
Eduarda? Procurando homens para tirar a virgindade dela? A lista... Aqueles nomes imbecis, estranhos, moleques sem rosto tocando no corpo que ele sempre protegeu com a própria vida?
Ele sabia que ela era virgem. Sabia pelo jeito tímido como ela reagia a conversas mais ousadas, sabia pela pureza quase intocável com que ela encarava a própria intimidade. E Emanuel havia passado anos reprimindo o desejo devorador de puxá-la para o seu colo, de ser o primeiro e o único a despir aquele corpo delicado, respeitando o tempo dela, guardando seu amor em segredo enquanto construía um porto seguro para onde ela pudesse sempre correr.
E agora... ela estava planejando entregar aquilo para qualquer um? Para um merdinha de academia?
A porta do banheiro se abriu.
Eduarda saiu secando o rosto com uma toalhinha felpuda. Havia trocado o collant por um short de moletom cinza e uma blusinha branca de alças finas. O rosto limpo de qualquer resquício de cansaço parecia ainda mais jovem e angelical.
— Manu, você quer café com leite ou prefere puro mes...
As palavras morreram na garganta dela.
Emanuel estava de pé no meio do quarto, rígido como uma estátua de ferro. A postura normalmente serena e controlada havia desaparecido, substituída por uma tensão brutal. A respiração dele era pesada, visível pelo movimento do peito largo sob a malha preta. A mandíbula quadrada estava tão travada que os músculos faciais pareciam prestes a estourar, e os olhos escuros, geralmente cansados e frios, queimavam em uma tempestade de cólera e desespero.
Ele segurava o caderno aberto na altura do peito, apontando a folha diretamente para ela.
— O que significa isso, Eduarda? — A voz dele não subiu o tom, mas veio tão carregada de uma autoridade sombria e cortante que o ar pareceu rarefeito.
Eduarda recuou um passo involuntário, assustada com a fúria nos olhos dele. Ela nunca, em toda a sua vida, tinha visto Emanuel daquele jeito. Nem quando as empresas dele enfrentavam problemas, nem quando discutia com Sara. Emanuel sempre foi seu refúgio, sua rocha de calma e estabilidade.
— Manu...? O que foi? Você tá me assustando...
— Eu perguntei o que significa essa porra! — disparou ele, dando dois passos largos na direção dela, eliminando o espaço entre os dois de maneira intimidadora. Ele bateu com as costas dos dedos na folha de papel. — Bernardo? Felipe? Um desgraçado qualquer que você encontrou em uma festa? É isso o que você anda fazendo quando não está aqui? É para isso que serve o seu tempo livre?
Eduarda piscou os olhos castanhos, o queixo tremendo de leve diante da agressividade repentina.
— Do que você tá falando?! Por que você tá gritando comigo?!
— Eu não estou gritando, caralho! — Ele passou a mão livre pelo cabelo curto, arfando, a perda de controle o deixando à beira de um abismo emocional. Ele jogou o caderno sobre a cama dela com força. — Uma lista, Eduarda? Uma lista de candidatos para... para tirar a sua virgindade?! Você perdeu a cabeça? Você tem noção do tipo de homem que frequenta esses lugares? Você acha que seu corpo é uma brincadeira para você sortear um idiota qualquer para te machucar?!
Eduarda ficou paralisada, os lábios entreabertos. O choque inicial de ser confrontada deu lugar a uma confusão profunda. Ela olhou para o caderno na cama, depois ergueu os olhos para o rosto dele, que parecia consumido por um ciúme violento, doentio, quase palpável.
A mente sensível dela tentou processar a situação: por que Emanuel estava tão fora de si? Por que ele falava do corpo dela com tanta ferocidade possessiva?
— Manu... você leu o caderno? — perguntou ela baixinho, a voz doce embargada pelo susto.
— Claro que eu li! Caiu no chão, tava na cara de qualquer um! — Emanuel avançou mais um centímetro, segurando os ombros dela com firmeza, mas sem machucá-la. A intensidade do toque fez o coração de Eduarda disparar. Ele olhou no fundo dos olhos dela, a respiração quente batendo no rosto dela. — Você não vai tocar em nenhum desses caras. Você ouviu bem? Eu não vou permitir que você faça uma loucura dessas. Se você acha que precisa provar alguma coisa pro mundo, você conversa comigo, você fala com a sua mãe, mas você não vai se deitar com um estranho por causa de uma lista imbecil!
Eduarda olhou para as mãos tatuadas dele firmes em seus ombros, sentindo o calor emanando de seus dedos grandes. O cheiro dele, a proximidade esmagadora, os olhos dele dilatados em pura possessividade... Algo se iluminou na mente dela, mas a urgência de acabar com aquela tempestade foi maior.
Ela levou as mãos pequenas e delicadas aos pulsos dele, tocando a pele marcada por tinta preta.
— Emanuel, para — pediu ela com calma, o tom suave contrastando de forma gritante com a agressividade dele. — Respira. Olha pra mim.
Ele parou, o peito ainda subindo e descendo com força, os olhos cravados nos dela como se estivesse tentando decifrar um enigma doloroso.
— Esse caderno não é meu — soltou ela, as palavras soando límpidas no silêncio do quarto.
Emanuel franziu o cenho, o ar preso nos pulmões.
— O quê?
— O caderno. Não é meu — repetiu ela, apontando com a cabeça para o objeto na cama. — É da Camila. Minha irmã.
O silêncio que se seguiu foi constrangedor e denso.
Emanuel permaneceu imóvel por longos cinco segundos, absorvendo a informação. Seus dedos nos ombros de Eduarda afrouxaram o aperto lentamente. A mente lógica que ele tanto valorizava finalmente começou a processar os detalhes: a letra cheia de firulas e corações cafonas não era a caligrafia minimalista e delicada de Eduarda; o linguajar vulgar e ousado pertencia perfeitamente à irmã caçula de dezoito anos, que vivia em baladas e falando bobagens sem filtro.
Camila havia esquecido o caderno no quarto de Eduarda na noite anterior, quando foi pedir emprestada uma jaqueta.
A ficha caiu como um bloco de gelo na cabeça de Emanuel.
— Da... da Camila? — gaguejou ele, algo extremamente raro para um homem de sua postura.
— Da Camila — confirmou Eduarda, inclinando a cabeça para o lado. Os olhos expressivos dela agora estavam cravados nele, cheios de uma curiosidade desconcertante e afetuosa. As bochechas dela coraram suavemente. — Ela tava fazendo isso de piada com as amigas dela no colégio ontem. Eu até dei uma bronca nela e confisquei a caderneta pra falar com a nossa mãe mais tarde.
Emanuel soltou os ombros de Eduarda devagar, dando um passo para trás. O sangue que antes ardia de fúria agora queimava de vergonha e constrangimento. Ele abaixou a cabeça, passando as duas mãos pelo rosto, esfregando os olhos com força para dissipar a névoa de loucura que havia tomado conta de seus sentidos.
— Puta que pariu... — murmurou ele contra as palmas das mãos, a voz abafada.
Eduarda não se afastou. Em vez disso, deu um passo à frente, fechando a distância que ele havia aberto. Ela esticou o braço e tocou suavemente o peito dele, sentindo as batidas descompassadas do coração sob o tecido da camiseta.
— Manu... — chamou ela, dengosa, buscando a proximidade de sempre, mas com uma pulga atrás da orelha que nunca estivera ali antes. — Por que você ficou tão bravo?
Ele tirou as mãos do rosto, mas evitou olhar diretamente nos olhos dela, fixando o olhar na parede logo atrás da cabeça de Eduarda. O controlador havia perdido o controle de forma humilhante.
— Eu só... eu me preocupo com você, Duda. Foi idiotice. Achei que você estivesse fazendo uma loucura.
— Uma loucura? — Eduarda sorriu de lado, um sorriso tímido, confuso. Ela inclinou o rosto para tentar capturar o olhar dele. — Você quase teve um infarto. Parecia... parecia que você ia matar aqueles garotos da lista. Você nunca falou comigo desse jeito.
— Eu me exaltei — cortou ele, tentando restabelecer a máscara fria e racional, mas sua respiração ainda o traía. — Você é como... você é minha responsabilidade também. Seus pais confiam em mim. Eu cuido de você.
Eduarda continuou com a mão apoiada no peito dele, sentindo o calor e o ritmo acelerado. Por mais tímida e inocente que fosse em relação ao amor carnal, ela não era tola. A intuição feminina, aguçada e sensível, sussurrou algo diferente no fundo de sua mente. Não era cuidado de irmão. Não era a proteção de um amigo de infância que a via crescer.
Havia algo mais naqueles olhos escuros que a encaravam com tanta intensidade reprimida. Algo pesado, faminto, que a assustava e a fascinava ao mesmo tempo.
— Manu — murmurou ela, a voz saindo quase em um sussurro, buscando o olhar dele até obrigá-lo a fitá-la. — A Sara sabe que você fica louco desse jeito?
O nome de sua noiva grávida pareceu puxar Emanuel de volta à realidade terrena. Ele piscou, os músculos da mandíbula relaxando ligeiramente, mas a tensão no quarto não se dissipou; apenas mudou de forma, tornando-se mais espessa, carregada de segredos que estavam a um passo de serem revelados.
— A Sara me conhece melhor do que qualquer um, Duda — disse Emanuel, sua voz agora firme, mas perigosamente suave. — Ela saberia exatamente por que eu fiquei desse jeito.
Eduarda franziu as sobrancelhas delicadas, o coração batendo rápido contra as costelas, incapaz de decifrar o peso daquela frase, mas sabendo, no íntimo de sua alma, que o compasso da relação deles havia acabado de mudar para sempre.
