Fanfy
.studio
Imagem de fundo

O amor proibido de Brayan e gustavo

Fandom: Anime

Criado: 29/10/2026

Tags

RomanceDramaAngústiaFatias de VidaFofuraDiscriminação
≡ Índice

Entre Olhares e Segredos Roubados

A luz dourada do final de tarde atravessava as grandes janelas da sala de estudos, pintando o chão de madeira encerada com tons quentes de laranja e âmbar. A brisa suave soprava as cortinas de tecido leve, trazendo o aroma característico da primavera no colégio. Quase todos os alunos já haviam ido embora, restando apenas um pequeno grupo cercado por pilhas de cadernos que ninguém estava realmente lendo.

Debruçada sobre a carteira, Moranguinho batucava a ponta de uma caneta cor-de-rosa no papel em branco. Os cabelos vermelhos e vibrantes balançavam a cada movimento inquieto de sua cabeça. Apesar de ser visivelmente a mais baixa do grupo, sua presença preenchia qualquer espaço com uma energia barulhenta e determinada. Seus olhos castanhos brilhavam com uma ideia fixa enquanto ela lançava olhares discretos — ou nem tão discretos assim — na direção de Gustavo e Brayan.

Ao seu lado, Canudinho ajeitou uma mecha de cabelo castanho atrás da orelha e deu um suspiro comedido. Ela tinha uma estatura média, postura equilibrada e um senso prático que costumava salvar o grupo de desastres iminentes. Canudinho compreendia exatamente o que se passava na cabeça da amiga de cabelos vermelhos, mas sabia que sutileza era uma virtude que Moranguinho desconhecia por completo.

— Se você continuar encarando desse jeito, eles vão perceber que você está tramando algo — sussurrou Canudinho, inclinando-se para o lado.

— Mas eles precisam ficar juntos logo! — sibilou Moranguinho de volta, com os punhos cerrados sobre a mesa. — Olha só para eles, Canudinho. É quase doloroso de assistir!

A alguns passos de distância, sentado de pernas cruzadas no parapeito da janela, João puxou ainda mais o capuz do seu moletom cinza surrado. Ele sempre usava aquele casaco, fizesse frio ou calor. Seus cabelos compridos caíam pelos ombros em mechas rebeldes, cobrindo parcialmente seus olhos calmos e atentos.

— Deixem os dois em paz — murmurou João com a voz arrastada, sem tirar os fones de ouvido que descansavam frouxos no pescoço. — Vocês parecem duas agentes secretas de quinta categoria.

— Fica na sua, João! — retrucou Moranguinho, mostrando a ponta da língua. — Quem não arrisca, não petisca. E o Gustavo precisa da nossa ajuda. Ele é cara de pau, mas o Brayan é fechado feito uma ostra.

Canudinho olhou na direção dos dois rapazes. Ela precisava concordar, pelo menos em parte. Gustavo estava encostado na mesa do professor, com seu costumeiro sorriso zombeteiro estampado no rosto bonito. Seus cabelos pretos, lisos e curtos, estavam impecavelmente alinhados, em contraste perfeito com seu temperamento elétrico e descarado. Ele não disfarçava o interesse; seus olhos escuros devoravam cada detalhe de Brayan com uma audácia que beirava a imprudência.

Brayan, por outro lado, era bem mais alto do que todos ali. Precisava inclinar ligeiramente a cabeça para prestar atenção nas conversas, o que lhe conferia um ar involuntariamente protetor. Seus cabelos ondulados e volumosos caíam com charme sobre a testa, e ele tentava a todo custo manter os olhos fixos em um livro de literatura, embora suas bochechas levemente coradas denunciassem que ele sentia o peso de cada olhar de Gustavo.

Aquele sentimento, no entanto, carregava um peso silencioso. O ambiente daquela escola tradicional e as expectativas rígidas que cercavam as famílias de ambos tornavam qualquer aproximação mais íntima um verdadeiro risco. Bastava um boato maldoso para que o mundo de ambos desmoronasse. Era um romance proibido, mantido sob o véu de uma amizade cotidiana, onde cada toque involuntário parecia um choque elétrico carregado de perigo.

— Brayan — chamou Gustavo, a voz aveludada carregada daquela habitual provocação que fazia o coração do mais alto disparar. — Você vai mesmo continuar fingindo que essa página é mais interessante do que eu?

Brayan levantou os olhos devagar. Ele engoliu em seco, ajustando a postura na cadeira. Sua timidez inicial era sempre visível na forma como seus dedos apertavam a borda da capa dura.

— Eu estou tentando revisar a matéria para o teste de amanhã — respondeu Brayan, mantendo a voz firme, embora o tom fosse mais suave do que gostaria. — Alguém precisa ter notas decentes neste grupo.

— Notas são superestimadas — rebateu Gustavo, aproximando-se com passos lentos e calculados. Ele apoiou as duas mãos na mesa de Brayan, inclinando o corpo para a frente até que seus rostos ficassem perigosamente próximos. — Além do mais, você sabe que eu aprendo muito melhor na prática. Não quer me dar uma aula particular?

O ar pareceu evaporar da sala. Moranguinho soltou um gritinho abafado de emoção, que foi prontamente interrompido pela mão de Canudinho cobrindo sua boca.

— Shh! Não estraga o momento! — repreendeu Canudinho em um sussurro tenso.

João apenas balançou a cabeça, escondendo um meio sorriso sob a gola larga do moletom. Ele gostava da dinâmica daqueles dois, mesmo sabendo que ambos pisavam em uma corda bamba sem rede de proteção.

Brayan sustentou o olhar do rapaz de cabelos lisos. E foi ali que a faceta ousada e inesperada de Brayan deu as caras. Sem recuar um milímetro sequer, o rapaz alto inclinou-se um pouco mais, fechando o livro de repente com um estalo seco que ecoou pela sala vazia.

— Se eu fosse te dar uma aula, Gustavo — disse Brayan em tom baixo, quase num murmúrio confidencial, sustentando o olhar com uma intensidade que fez o sorriso do outro vacilar —, você não aguentaria a pressão nem nos primeiros dez minutos.

Gustavo arregalou ligeiramente os olhos, pego de surpresa pelo contra-ataque. Suas bochechas arderam de forma deliciosa. Era exatamente aquilo que o deixava completamente louco por Brayan: aquela transição súbita entre a timidez adorável e uma audácia arrebatadora.

Percebendo a oportunidade de ouro, Moranguinho levantou-se num salto, puxando Canudinho pelo braço.

— Nós precisamos ir! — declarou a ruivinha com uma pressa teatral. — Lembrei que prometi ajudar a Canudinho a comprar umas coisas... para o clube de jardinagem!

Canudinho piscou, atordoada pela desculpa esfarrapada, mas logo entrou no personagem com sua eficiência habitual.

— É verdade. É um assunto de extrema urgência. Não podemos nos atrasar.

— Mas vocês nem estão no clube de jardinagem... — começou Brayan, voltando ao seu estado tímido e confuso ao ver a movimentação repentina.

— Agora estamos! — cortou Moranguinho, puxando João pela manga comprida do moletom. — Vamos, João, você vai carregar as sacolas!

— Nem pensar — resmungou João, mas já se deixando arrastar preguiçosamente para fora da sala. — Vocês são inacreditáveis. Até mais, garotos. Tenham juízo. Ou não.

A porta da sala correu sobre os trilhos e se fechou com um clique definitivo, deixando para trás um silêncio denso e elétrico. Do lado de fora, no corredor, Moranguinho comemorava com pequenos pulinhos silenciosos, enquanto Canudinho apenas sorria, satisfeita por ter criado a brecha perfeita.

Dentro da sala, o crepúsculo avançava, pintando as paredes com sombras longas e suaves. O vento agitava as folhas dos cadernos esquecidos sobre as mesas.

Brayan permaneceu sentado, olhando para as próprias mãos pousadas sobre a mesa. A ausência dos amigos transformava a atmosfera de brincadeira em algo muito mais vulnerável e perigoso. O coração dele batia tão forte contra as costelas que parecia ecoar nas quatro paredes.

Gustavo deu a volta na mesa e sentou-se na cadeira vaga ao lado dele, aproximando-se sem a barreira do humor sarcástico. Ele apoiou o cotovelo no tampo de madeira e descansou o queixo na palma da mão, encarando o perfil de Brayan com uma ternura desarmada.

— Você não precisava ter sido tão mau comigo na frente deles — disse Gustavo suavemente, o tom desprovido de qualquer ironia.

— Você sabe que você mereceu — respondeu Brayan, sem conseguir conter um pequeno sorriso que suavizou os traços de seu rosto. Ele virou-se para Gustavo. — Você não tem medo?

A pergunta pairou no ar como uma névoa fria. Gustavo não precisava perguntar do que ele estava falando. Eles sabiam o que significava aquele sentimento: significava julgamento, portas fechadas, olhares tortos na saída da escola e a desaprovação severa de quem esperava que eles fossem apenas garotos comuns, cumprindo roteiros pré-determinados.

— Tenho — admitiu Gustavo com sinceridade incomum. Ele estendeu a mão, hesitante por uma fração de segundo, antes de tocar suavemente as pontas dos dedos nas ondas macias do cabelo de Brayan. — Tenho medo de muitas coisas. Mas tenho muito mais medo de passar os meus dias aqui fingindo que não sinto nada quando você chega perto.

Brayan estremeceu com o toque. Ele fechou os olhos por um breve instante, apreciando a carícia quente que descia pela sua têmpora até a linha de sua mandíbula. Quando abriu os olhos novamente, toda a hesitação havia sumido, substituída por aquela mesma chama ousada de antes.

— Eles nunca vão aceitar isso, Gustavo — sussurrou o mais alto, a voz embargada por um misto de angústia e desejo. — Nós dois... é proibido.

— As melhores histórias são as proibidas — retrucou Gustavo, sorrindo de lado, embora seus olhos transmitissem uma devoção absoluta. — Deixa que falem. Deixa que descubram se tiverem coragem de procurar. Eu não ligo, desde que você não fuja de mim.

Brayan soltou uma respiração trêmula. Movido por um impulso que não pôde mais conter, ele segurou o pulso de Gustavo, impedindo que o garoto de cabelos lisos afastasse a mão de seu rosto. Em vez disso, puxou-o suavemente para mais perto.

— Eu não vou fugir — prometeu Brayan, sentindo a própria respiração misturar-se à do outro. — Mas se formos cair nisso juntos, não espere que eu seja bonzinho o tempo todo.

Gustavo soltou uma risada baixa, rouca e deliciada.

— Eu nunca esperaria menos de você.

A distância entre eles encurtou de forma inexorável. O mundo exterior, as regras rígidas do colégio, os olhares de desaprovação que certamente enfrentariam no futuro — tudo aquilo desvaneceu diante da imensidão daquele instante roubado. Brayan inclinou o rosto, fechando o espaço que restava, até que seus lábios finalmente encontrassem os de Gustavo.

O primeiro contato foi cauteloso, uma faísca suave que reconhecia o perigo, mas logo a ousadia de Brayan tomou a frente. Seus dedos se entrelaçaram nos cabelos curtos e lisos de Gustavo, aprofundando o beijo com uma paixão reprimida por semanas de silêncio e olhares furtivos. Gustavo suspirou contra a boca do outro, correspondendo com ardor, sentindo o calor do corpo de Brayan envolvê-lo por inteiro.

Naquele cantinho esquecido da sala de aula, iluminados apenas pelos últimos raios de sol vermelho que tingiam o horizonte, eles selavam o início de uma jornada turbulenta, mas infinitamente bela.

Do outro lado da porta de vidro fosco, no final do corredor vazio, Moranguinho espiou discretamente pela fresta da escadaria. Ao ver a sombra dos dois unidos contra a janela, ela cobriu a boca com as duas mãos para sufocar um guincho de pura vitória.

— Deu certo! Canudinho, deu certo! — comemorou baixinho, pulando nos calcanhares.

Canudinho sorriu com calma, cruzando os braços e recostando-se na parede ao lado de João.

— Nós apenas demos um empurrãozinho — disse Canudinho com sabedoria. — O resto sempre dependeu da coragem deles.

João ajeitou o capuz sobre a cabeça e olhou para o corredor escurecido, com as mãos afundadas nos bolsos largos do moletom.

— Eles vão precisar de muita coragem daqui para frente — pontuou ele com sua voz tranquila. — Mas, pelo menos, agora eles sabem que não estão sozinhos.

Moranguinho olhou para os dois amigos e depois de volta para a porta da sala de aula. Um sentimento de cumplicidade calorosa envolveu o trio. O caminho que Gustavo e Brayan haviam escolhido traçar seria repleto de obstáculos e segredos guardados a sete chaves, mas enquanto estivessem juntos — e amparados por quem realmente se importava —, nenhuma proibição seria forte o suficiente para apagar aquela luz que acabara de nascer.

≡ Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic

Novidades do Fanfy

Um novo modelo para suas histórias

Atualizamos o modelo de geração para deixar suas histórias ainda melhores. O novo modelo já está ativado.

Se preferir a versão anterior, escolha «Anterior» no menu do perfil: clique no seu avatar no canto superior direito.

Seus capítulos já escritos serão mantidos. Sua escolha vale para as próximas gerações.