
Luke (Terrible Mouse
Fandom: Terrible Mouse
Criado: 29/10/2026
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Sombras e Suspiros no Corredor da Morte
O som dos passos metálicos de Lorna ecoava pelo corredor do hospital abandonado, um ritmo constante e aterrorizante que fazia o sangue de Luke congelar nas veias. Ele corria, tropeçando nos próprios pés, a respiração saindo em espasmos curtos que queimavam seus pulmões. O gorro azul com abas pontudas balançava perigosamente em sua cabeça, quase caindo enquanto ele dobrava uma esquina e avistava uma porta pesada de metal.
Ele não pensou duas vezes. Atirou-se para dentro da sala escura e bateu a porta com toda a força que lhe restava, girando a tranca e, por precaução, pressionando o próprio corpo contra o metal frio.
— Por favor, por favor, passa direto... — sussurrou Luke, fechando os olhos cinzentos com força. O suor escorria por seu rosto, irritando os arranhões e as sardas que marcavam sua pele. Ele podia sentir o coração batendo contra as costelas como um animal enjaulado.
Do outro lado da porta, ele ouviu o arrastar de algo pesado. Lorna estava lá. Ela estava procurando por ele, sedenta por terminar o que começou. Luke apertou as mãos contra a porta, os nós dos dedos brancos pela pressão. Ele era um sobrevivente, ou pelo menos tentava ser, desde que aquele incidente na escola o transformou no bode expiatório de um crime que ele não cometera sozinho. A desconfiança era sua única armadura, mas ali, encurralado, ele se sentia vulnerável.
Foi quando ele sentiu que não estava sozinho na escuridão.
— Luke? É você? — Uma voz familiar quebrou o silêncio tenso da sala.
Luke deu um pulo, mas não se afastou da porta, temendo que qualquer movimento permitisse que Lorna entrasse.
— Robbie? — Luke sibilou, tentando enxergar através do breu. — O que você está fazendo aqui? Fica quieto, ela está lá fora!
Robbie se aproximou lentamente. O ambiente estava tão escuro que Luke só conseguia ver o contorno da silhueta de seu amigo. O medo e a adrenalina estavam fazendo os sentidos de Luke ficarem distorcidos, e ele mal percebeu quando Robbie parou logo atrás dele.
Devido à posição de Luke — inclinado contra a porta, com as pernas levemente afastadas para manter o equilíbrio e o peso focado no metal —, sua postura acabava destacando sua constituição física. O suor fazia a blusa bege de gola alta aderir ao seu corpo, e as calças pretas estavam tensas.
Robbie, em um impulso movido por uma curiosidade estranha e uma falta de noção de perigo que lhe era peculiar, não recuou. Em vez disso, ele se aproximou ainda mais, fascinado pela forma como Luke estava posicionado.
— Cara... você está bem tenso, né? — comentou Robbie, sua voz soando abafada por estar perto demais.
Antes que Luke pudesse responder, ele sentiu um toque inesperado. Robbie começou a explorar as formas de Luke, suas mãos movendo-se com uma audácia que deixou o rapaz de cabelos pretos em choque.
— Robbie! O que diabos você está fazendo?! — Luke rosnou em um sussurro desesperado, o rosto ficando instantaneamente vermelho, uma cor que contrastava com sua palidez habitual.
— Você é muito grande, Luke... — Robbie murmurou, parecendo hipnotizado. — Eu nunca tinha notado o quanto você é... volumoso.
O constrangimento de Luke atingiu níveis insuportáveis quando ele sentiu Robbie literalmente mergulhar o rosto contra a parte posterior de suas calças, pressionando-se ali como se estivesse tentando se esconder dentro do próprio amigo.
— Sai daí! Agora! — Luke tentou gritar, mas o som saiu como um chiado agoniado porque ele ainda ouvia os passos de Lorna do outro lado da porta. — Ela vai ouvir a gente, seu idiota!
— É tão macio... — a voz de Robbie veio abafada, ecoando contra o tecido das calças de Luke. — Você é incrível, sabia? É como um escudo humano, mas confortável.
Luke sentiu um canino espetar o lábio inferior, um tique nervoso que ele tinha quando estava prestes a explodir de raiva ou ansiedade. Ele estava entre a cruz e a espada: se saísse dali, Lorna o mataria; se ficasse, teria que lidar com a estranheza absurda de Robbie.
— Robbie, eu estou falando sério! — Luke disse, sentindo o calor do rosto de Robbie através do tecido. — Isso não é hora! Eu estou tentando salvar nossas vidas!
— Mas eu me sinto seguro aqui — Robbie insistiu, sem se afastar nem um milímetro. — Você é enorme, Luke. É impressionante.
Luke bufou, o suor pingando da ponta de seu nariz. A situação era ridícula. Ele, o ex-valentão, o pária da escola, o garoto que todos temiam ou odiavam, estava sendo usado como um "travesseiro" no meio de uma fuga desesperada. Mas, estranhamente, o peso de Robbie ali, embora invasivo e bizarro, trazia uma distração da morte certa que rondava o corredor.
A pressão na porta diminuiu por um segundo. Lorna parecia ter se afastado um pouco, mas Luke sabia que ela voltaria. Ele precisava de mais estabilidade, e Robbie não estava ajudando ao se esfregar daquele jeito.
— Escuta aqui... — Luke respirou fundo, tomando uma decisão impulsionada pelo puro estresse e pela necessidade de manter Robbie quieto e ocupado para que ele mesmo pudesse focar na porta. — Se você não vai sair, então pelo menos para de se mexer tanto.
Luke, com uma das mãos ainda pressionando o metal, usou a outra para desabotoar levemente o cinto e baixar as calças pretas apenas o suficiente, revelando a pele e a curva de suas nádegas para o amigo que parecia obcecado por elas.
— Se quer tanto ficar aí, fica de uma vez — resmungou Luke, virando o rosto para o lado, sentindo o calor da vergonha queimar suas orelhas sob o gorro azul.
Robbie soltou um som de surpresa e deleite, acomodando-se ainda mais naquela posição inusitada.
— Uau, Luke... você realmente é... generoso — Robbie disse, sua voz agora completamente imersa contra a pele de Luke.
— Cala a boca e não faz barulho — Luke ordenou, fechando os olhos e concentrando toda a sua força em manter a porta fechada.
O silêncio voltou a reinar na sala, quebrado apenas pela respiração pesada de Luke e pelos sons ocasionais de Robbie explorando aquele "esconderijo" peculiar. Luke sentia cada movimento, cada toque, e embora sua mente gritasse que aquilo era a coisa mais estranha que já havia acontecido em sua vida — e olha que ele já tinha passado por muita coisa —, havia uma parte dele que se sentia estranhamente grato por não estar enfrentando o terror de Lorna sozinho.
— Você não vai me deixar, vai? — Robbie perguntou, a voz saindo pequena e abafada.
— Eu não posso sair da porta, seu burro — Luke respondeu, embora o tom de voz estivesse menos agressivo agora. — Só... fica aí. E não me faça me arrepender disso.
— Eu nunca faria isso — Robbie prometeu, enquanto Luke sentia o amigo se aconchegar ainda mais.
Lá fora, Lorna soltou um grito de frustração que fez as paredes do hospital tremerem. Luke apertou os dentes, os caninos visíveis, e firmou os pés no chão. Ele protegeria aquela porta. Ele sobreviveria. E, por mais bizarro que fosse, ele levaria Robbie consigo, mesmo que o amigo estivesse ocupado demais admirando suas formas para perceber o perigo real.
A escuridão da sala parecia envolver os dois, um refúgio estranho e distorcido em um mundo que só queria vê-los sofrer. Luke, o garoto com cicatrizes no rosto e no coração, finalmente encontrou alguém que, embora fosse um completo idiota, não o olhava com medo ou desprezo. Mesmo que o motivo fosse... bem, as nádegas de Luke.
— Luke? — Robbie chamou novamente.
— O que foi agora?
— Obrigado por ser tão grande.
Luke revirou os olhos cinzentos, um pequeno sorriso involuntário surgindo no canto de sua boca, apesar da situação de vida ou morte.
— Só cala a boca, Robbie. Só cala a boca.
