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Fandom: Não tem

Criado: 30/10/2026

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Domingo de Sol no Posto 12

O sol do Rio de Janeiro não pedia licença, ele invadia. Às dez da manhã, o mormaço já subia do asfalto do Leblon, mas a brisa que vinha do mar dava o equilíbrio perfeito para quem sabia aproveitar a Zona Sul. No apartamento de cobertura da família Allegretti, o clima era de operação de guerra, mas do tipo que envolvia protetor solar, térmicas cheias de gelo e muita confusão familiar.

Guilherme, o "Magnata", terminava de ajustar o coldre velado na cintura, escondido sob a bermuda de tactel preta. Mesmo de folga, um coronel do BOPE nunca baixava a guarda, especialmente quando levava suas "preciosidades" para o calçadão. Ele se olhou no espelho, ajeitando o cavanhaque impecável, os músculos do peito e dos braços marcando a regata branca. Sentiu dois braços macios envolverem sua cintura por trás.

— Já tá todo marrento na frente do espelho, é, meu rabugento? — Letícia sussurrou, encostando o rosto nas costas largas do marido.

Guilherme virou no mesmo instante, prendendo a esposa entre seus braços e o armário. Ele a olhou de cima a baixo, os olhos verdes brilhando de possessividade e desejo. Letícia estava um absurdo num biquíni cortininha sob uma saída de praia transparente.

— Tu quer me foder, Letícia? — Guilherme rosnou baixinho, a voz rouca. — Vai pra praia desse jeito mesmo, coração? Tá pedindo pra eu não deixar tu sair desse quarto.

— Deixa de ser ciumento, Guilherme! — Ela riu, dando um selinho demorado nele. — A gente prometeu levar a Stella pra molhar o pé na água hoje. Vamos logo, os meninos já devem estar descendo.

— Esses moleques não têm chave de casa não? — Guilherme resmungou, embora estivesse com um sorriso de canto. — Vamos, preta. Se eu pegar algum otário secando tuas pernas, o clima vai azedar.

No corredor do prédio de luxo, o encontro das três unidades familiares era sempre um evento. As portas se abriram quase simultaneamente. Kaelton saiu carregando a bolsa enorme de bebê e o carrinho, enquanto Jade vinha atrás com Stella no colo. A pequena, uma "bebê rosa" de bochechas fartas, já estava devidamente equipada com um chapéu de sol e um maiô de babados.

— Coé, manin! — Bernardo cumprimentou o irmão com um toque de mão e um abraço de lado. — Tá carregando o mundo aí, é?

— Tu fala porque não é tu que tem que levar as fralda da boneca, Bê — Kael respondeu, a voz grave, mas o olhar suavizando ao olhar para a filha. — Já pegou as cadeiras?

— Tá tudo no esquema, rlx — Bernardo respondeu, puxando Cristal pela cintura. — Minha gatinha aqui já organizou até o lanche.

Cristal, loira e com seus olhos azuis marcantes, deu um sorriso contido para Jade. As duas irmãs se abraçaram rápido. Jade tinha marcas avermelhadas no ombro, sinal de que Kael provavelmente tinha levado uma mordida matinal.

— Outra vez, Jade? — Cristal sussurrou, apontando para o ombro do cunhado.

— Ele me estressou, ué — Jade deu de ombros, dengosa, se aproximando de Kael e encostando a cabeça no braço dele. — Ele sabe que eu sou carente.

— Carente e maluca — Kael resmungou, mas beijou o topo da cabeça da esposa com uma ternura que só reservava para ela e para a filha.

A última a sair foi Violetta, que parecia ter saído de um editorial de moda jovem. De short jeans curto, o cabelo batendo na bunda e um óculos escuros na cabeça, ela já saiu digitando no celular.

— Vamo, gente! Quero pegar um bronze antes do almoço — Violetta exclamou, indo direto para o colo do irmão Bernardo. — Me carrega, Bê? Tô com preguiça de andar até o elevador.

— Folgada pra caralho, namoral — Bernardo riu, mas a pegou no colo sem esforço. — Tu tá ficando pesada, Vi. Tá comendo o quê? Reboco?

— Cala a boca, seu idiota! — Ela deu um tapa no ombro dele, rindo.

O grupo atravessou a Avenida Delfim Moreira atraindo todos os olhares. Não era para menos. Os homens Allegretti pareciam uma muralha: altos, fortes, tatuados e com aquela aura de "não mexe comigo" típica de quem lida com o perigo diariamente. As mulheres, por outro lado, eram o ápice da beleza carioca, cada uma com seu estilo, mas todas parando o trânsito.

Ao chegarem na areia, perto do Posto 12, Guilherme rapidamente montou o "QG" da família. Guardas-sóis posicionados, cadeiras dispostas em círculo.

— Ó o carretão, ó o mate! — O vendedor passou gritando, e Bernardo já o parou.

— Aí, mestre, traz quatro galão de mate com limão e dois biscoito Globo, agiliza aí — Bernardo pediu, já sacando a nota de cinquenta.

Kael se sentou na cadeira de praia, e Stella imediatamente esticou os bracinhos para ele. O brutamontes do BOPE derreteu na hora.

— Vem com o papai, vem, minha princesa — ele murmurou, sentando a bebê no seu colo peludo. Stella soltou uma gargalhada banguela, puxando os pelos do peito do pai com força. — Ai, caralho! Tu tem a mão pesada igual teu avô, hein?

— Olha a boca, Kaelton! — Letícia repreendeu, sentando-se ao lado de Guilherme, que já estava de olho em dois caras que passavam pelo calçadão e olharam demais para Jade e Cristal.

— Perderam alguma coisa aqui, porra? — Guilherme soltou, a voz de comando ecoando. Os sujeitos apressaram o passo sem olhar para trás.

— Pai, relaxa um pouco — Violetta pediu, passando protetor solar nas pernas. — A gente tá na praia, não numa incursão no Alemão.

— Eu tô relaxado, Violetta. Só não gosto de folgado — Magnata respondeu, pegando o copo de mate que Bernardo oferecia. — E tu, tira a mão desse celular e vai mergulhar com teus irmãos.

O clima era de descontração absoluta. Jade estava deitada no ombro de Kael, recebendo carinho enquanto ele brincava com os pezinhos de Stella. Cristal e Bernardo discutiam sobre o cardápio do casamento, entre beijos e risadas.

— Eu quero buffet de comida japonesa, Bê. É chique — Cristal dizia, brincando com a corrente de ouro no pescoço do noivo.

— Comida japonesa o cacete, gatinha. O bagulho é churrasco e cerveja gelada. Meus parceiros de farda vão passar fome com peixe cru — Bernardo retrucou, dando um beijo estalado na bochecha dela. — Mas como eu sou teu escravo, a gente coloca os dois.

— Escravo o caralho, tu é um safado — ela riu, mordendo o lábio inferior.

De repente, um grupo de amigos de Kael e Bernardo, também policiais, apareceu caminhando pelo calçadão e desceu para a areia para cumprimentar.

— Fala, Magnata! — Um dos homens, o sargento Rocha, cumprimentou Guilherme com respeito. — Família reunida é outra história, né?

— É o que mantém a mente no lugar, Rocha — Guilherme respondeu, apertando a mão do subordinado. — Aproveita o sol, que amanhã o bicho pega no plantão.

— Nem me fala. Fala, Kael! Bernardo! — Rocha cumprimentou os gêmeos. — E essa boneca aí? Tá a cara do pai, coitada.

— Vai se foder, Rocha! — Kael riu, mostrando o dedo médio com amizade. — Minha filha é linda, não puxou minha feiura não.

Enquanto os homens falavam de trabalho e táticas, as mulheres Allegretti entraram em seu próprio mundo. Jade, Cristal e Letícia formavam um círculo de proteção ao redor de Stella, que agora estava sentada em uma canga, tentando comer a areia.

— Tira isso da boca, Stella! — Jade exclamou, limpando a mãozinha da filha. — Ela tá muito manhosa hoje, Letícia. Acho que é o dente.

— É fase, meu amor — Letícia disse, passando a mão no cabelo cacheado da nora. — O Kael era igualzinho. Só queria ficar pendurado no meu pescoço chorando.

— O meu bebê também é assim — Cristal disse, olhando para Bernardo com um olhar doce que ela só guardava para ele. — Quando ele chega cansado do batalhão, se eu não der atenção na hora, ele fica emburrado o resto da noite.

— Eles são tudo uns bebezões, Cristal — Violetta se meteu na conversa, rindo. — O papai é o pior de todos. Se a mamãe demora cinco minutos no telefone, ele já começa a rodar a casa igual um leão na jaula.

Guilherme, que ouvia tudo de soslaio, apenas deu um sorriso de canto. Ele não negava. Letícia era seu norte, seu oxigênio desde os dezessete anos.

— Ô, preta — Guilherme chamou, estendendo a mão para a esposa. — Vamos dar um mergulho? A água tá batendo certinho.

— Vamos, vida.

Os dois se levantaram e caminharam em direção à beira da água. Guilherme, com seu porte imponente, caminhava com a mão possessivamente pousada na nuca de Letícia. Quando chegaram onde as ondas quebravam, ele a puxou para um beijo profundo, ignorando as crianças brincando em volta e os turistas.

— Tu é a mulher da minha vida, sabia? — ele sussurrou contra os lábios dela, enquanto a água gelada batia em suas canelas.

— Eu sei, meu rabugento. Você me fala isso há vinte e dois anos.

— E vou falar por mais cem — ele garantiu, antes de pegá-la no colo e mergulhar de vez, sob os protestos risonhos dela.

Enquanto isso, na areia, o caos familiar continuava. Bernardo tinha convencido Violetta a entrar no mar também, mas a menina estava fazendo um escândalo porque a água estava "gelada demais".

— Vai, Vi! Deixa de ser frouxa! — Bernardo gritava, já dentro d'água. — Tu fala tanto palavrão, mas na hora de um caldinho tu chora?

— Eu vou te matar, Bernardo! Se você me molhar, eu juro que conto pro papai que você pegou a viatura dele escondido mês passado! — Violetta ameaçou, com o dedo em riste.

Bernardo parou na hora, ficando sério, mas logo abriu um sorriso de deboche.

— Tu é fofoqueira, né, nanica? Tá bom, não molho não. Vem cá, gatinha! — Ele chamou Cristal, que apenas observava da beira, rindo da interação dos irmãos.

Kaelton permanecia na areia, cuidando de Stella. Jade estava sentada entre as pernas dele, e ele passava as mãos grandes pelos braços dela, sentindo a pele quente do sol.

— Tá feliz, docinho? — Kael perguntou no ouvido de Jade.

— Tô, meu ursinho. Muito — ela respondeu, virando o rosto para beijar o queixo dele. — A gente tem uma família linda, né?

— É — Kael concordou, olhando para os pais no mar, para o irmão brincando com a noiva e a irmã. — Mas se a Stella crescer e quiser trazer um namorado pra essa praia, eu juro que o BOPE vai ter um novo alvo.

Jade riu alto, dando uma mordidinha leve no braço dele.

— Tu não tem jeito, Kaelton. É igualzinho ao seu pai.

— Puxei aos melhores, ué — ele finalizou, apertando-a mais contra si, enquanto o sol do Rio de Janeiro abençoava mais um domingo daquela família que, entre tiros, operações e marra, transbordava um amor que poucos entendiam, mas todos respeitavam.

A tarde caiu lentamente, e o céu começou a ganhar tons de laranja e rosa sobre o Morro Dois Irmãos. A família Allegretti começou a recolher as coisas. O cansaço era bom, o sal na pele era o troféu de um dia bem vivido.

Ao voltarem para o prédio, cada um seguiu para seu apartamento, mas com a promessa de se encontrarem em uma hora para pedirem pizza na cobertura de Guilherme. Afinal, para os Allegretti, o dia só acabava quando todos estavam em volta da mesma mesa, falando alto, falando palavrão e reafirmando que, no Rio de Janeiro deles, a família era a única lei que realmente importava.

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