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Engel x Cupid!!

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 31/10/2026

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O Doce Veneno de um Cupido

Os corredores da Paper School sempre carregavam uma atmosfera peculiar, onde o preto e o branco das paredes dobradas e das folhas coladas pareciam ditar o ritmo rígido da rotina escolar. Entre o som estridente dos passos sobre o chão de cartolina e o eco distante das vozes severas dos professores, havia sempre o risco iminente de errar uma conta ou rasurar uma prova. No entanto, para Cupid, nada daquilo importava desde o momento em que cruzou pela primeira vez os portões daquela instituição geométrica.

Com apenas quatorze anos, recém-chegada e ainda se acostumando com as regras implacáveis daquele lugar, Cupid parecia destoar graciosamente do ambiente monocromático. Seus cabelos brancos, cortados na altura dos ombros e com mechas graciosamente espetadas, balançavam a cada passo suave. Na frente, pequenos grampos pretos mantinham sua franja milimetricamente alinhada; atrás, presilhas delicadas em formato de coração — alternando entre o preto e um suave rosa pastel — prendiam os fios rebeldes. Sua pele era alva como uma folha intocada, e seus grandes olhos brancos, emoldurados por cílios compridos e pupilas pretas atentas, carregavam uma doçura natural. As bochechas ostentavam duas marquinhas rosadas em forma de onda, dando-lhe um ar perpétuo de timidez adorável. Vestida com um colarinho branco impecável sob uma camisa rosa pastel, ornada com um laço preto e uma miçanga cintilante, ela completava seu uniforme com mangas brancas compridas, uma saia plissada rosa claro, meias que iam até a altura dos joelhos e sapatos pretos reluzentes.

Ela era a própria personificação de seu nome: uma garota gentil, educada com todos os colegas, sempre disposta a oferecer um sorriso compassivo e uma palavra amigável. Uma pequena mensageira do afeto.

Mas o coração de um cupido, afinal, também era vulnerável às próprias flechas.

Tudo havia começado na tarde anterior. Cupid estava perdida no corredor leste, quase esbarrando em um dos armários de ferro, quando seus olhos encontraram a figura mais deslumbrante que já vira. Engel. Ele estava parado no centro do pátio interno, conversando pacificamente com alguns alunos mais jovens, agindo como o escudo protetor que todos na Paper School sabiam que ele era.

Engel era magnífico. Ele possuía a mesma pele alva de papel, olhos brancos com pupilas pretas profundas e cabelos brancos longos e despenteados, que caíam preguiçosamente amarrados em um rabo de cavalo baixo. No topo de sua cabeça, presas ao lado direito, repousavam duas penas elegantes — uma azul e outra em um tom vibrante de vermelho-alaranjado —, que se destacavam como chamas sutis em meio à brancura. Ele vestia uma camisa de gola alta imaculada com duas listras, azul e vermelha, decorando a manga esquerda, tudo sob um macacão preto impecavelmente cortado. Seus braços, negros e pontiagudos com quatro dedos afiados, gesticulavam com gentileza enquanto sua cauda branca balançava suavemente. Na cintura, preso ao cinto, ele carregava uma pequena lupa, e seus passos eram firmes sobre sapatos pretos de salto baixo e polainas listradas.

Naquele primeiro instante, o mundo de Cupid simplesmente congelou.

Seu peito arfou com força inusitada. Um estrondo ritmado reverberou em suas têmporas: seu coração batia com tanta violência que ela jurou que o tecido de sua camisa rosa iria rasgar. Uma quentura febril subiu por seu pescoço, tingindo suas bochechas de um carmim ardente sob as marquinhas rosadas. Suas mãos tremeram tanto que ela teve que segurar as dobras da própria saia para não deixar cair os cadernos.

— É ele... — sussurrou Cupid para si mesma, sentindo o ar faltar nos pulmões enquanto seus olhos devoravam cada detalhe de Engel. — Meu Deus... é ele. O meu par perfeito. O meu único e verdadeiro amor.

Desde aquele segundo, uma obsessão pura e avassaladora fincou raízes em sua mente jovem. Passou a noite inteira em claro, sob a luz fraca de seu abajur, escrevendo e reescrevendo versos apaixonados em um papel perfumado, decorado com corações desenhados à mão. Era uma declaração sincera, um poema construído com o mais doce lirismo que sua alma conseguia conceber.

Na manhã seguinte, Cupid caminhava pelos corredores com uma missão. Seus dedos apertavam o envelope cor-de-rosa contra o peito com fervor religioso. O plano era simples e digno de um conto de fadas: ela se aproximaria de Engel, com sua postura tímida e educada, entregaria a carta, olharia nos olhos dele e confessaria tudo o que havia florescido em seu peito.

Com passos leves, ela dobrou a esquina que levava ao pátio dos armários. As polainas listradas de Engel já eram visíveis à distância. O garoto estava encostado na fileira de metal cinzento, segurando um livro com seus dedos escuros e pontiagudos. O coração de Cupid saltou na garganta. Ela ajeitou as presilhas de coração nos cabelos, respirou fundo e deu o primeiro passo em direção a ele.

Contudo, antes que pudesse chamá-lo, outra voz soou pelo corredor.

— Engel! Você não vai acreditar no que aconteceu na aula do Mister Demi!

Uma garota correu até ele com passos saltitantes e um sorriso radiante no rosto. Era Claire.

Cupid estancou no mesmo instante, recuando dois passos rápidos para trás de uma coluna grossa de concreto e papelão prensado. Seus olhos se arregalaram, as pupilas pretas encolhendo-se até virarem dois pontos minúsculos de choque.

Lá estava Claire, a garota que parecia gravitar constantemente ao redor de Engel. Ela gesticulava de forma animada, rindo enquanto contava alguma piada boba sobre a aula de música. E a reação de Engel... a reação dele foi o golpe que partiu algo dentro do peito de Cupid.

O rapaz abaixou o livro, e seu rosto iluminou-se com o sorriso mais terno, caloroso e devoto que Cupid já vira. Ele soltou uma risada baixa, uma melodia rouca e doce que fez o estômago de Cupid se revirar em nós apertados. Engel estendeu uma de suas mãos negras de dedos afilados e tocou suavemente o ombro de Claire, inclinando-se para ouvir cada palavra com uma atenção quase protetora, quase sagrada.

— Você sempre se mete em confusão sem motivo, Claire — disse ele, a voz transbordando um carinho fraternal que, aos olhos de Cupid, parecia um romance descarado. — Mas não se preocupe. Eu sempre fico de olho para garantir que nada de ruim aconteça com você.

— Eu sei que você fica — respondeu Claire, inclinando a cabeça com afeição genuína. — Você é o melhor amigo que eu poderia ter aqui dentro, Engel.

— E você é a pessoa mais importante para mim nesta escola — completou ele com naturalidade, dando uma piscadela brincalhona.

Atrás da coluna, o ar ao redor de Cupid congelou.

A doçura angelical que Cupid costumava carregar esvaiu-se como cinzas ao vento. Suas feições delicadas travaram em uma máscara de frieza absoluta, enquanto suas sobrancelhas se contraíam em uma fúria gélida e venenosa. Ao mesmo tempo, uma onda doentia de sangue quente subiu às suas bochechas; ela estava intensamente corada, não mais de timidez, mas de um ciúme asfixiante que queimava como ácido em suas veias.

Seus dedos, que antes seguravam o envelope com delicadeza, apertaram o papel até que as bordas perfeitas do coração desenhado se amassassem em vincos feios e distorcidos.

— Amiga...? — murmurou Cupid para o vazio, a voz saindo em um tom sussurrado, trêmulo e agudo. As unhas de sua outra mão cravaram-se no reboco da parede. — A mais importante...? Não... não, não, não. Isso está errado. Isso é uma piada de péssimo gosto.

Ela observou Engel rir novamente, enquanto Claire dava um tapinha amigável em seu braço. A cada sorriso trocado, Cupid sentia uma lâmina invisível perfurando seu orgulho.

— Ele pertence a mim — continuou ela a sussurrar sozinha, as pupilas pretas tremendo dentro dos olhos brancos, fixadas na nuca de Claire com um ódio puro e fulminante. — Eu sou o Cupido. Eu sei quem foi feito para quem! Fui eu quem senti a flecha! Fui eu quem vi a perfeição nele! Você não tem o direito de tocá-lo com essas suas mãos imundas, Claire... você não tem o direito de roubar o sorriso que deveria ser dedicado a mim!

Com um movimento brusco, Cupid deu meia-volta, girando a saia rosa com violência, e marchou na direção oposta, escondendo o rosto enquanto as lágrimas de pura raiva ardiam em seus olhos. Ela não entregou a carta. O poema agora parecia patético diante da praga que se interpunha entre ela e seu destino.

Mais tarde naquele mesmo dia, o sinal tocou, anunciando o fim das aulas. Enquanto os outros alunos corriam para escapar dos corredores perigosos e da vigilância das professoras, Cupid trancou-se na segurança de seu quarto.

O quarto, que à primeira vista poderia parecer o refúgio adorável de uma garota de quatorze anos com suas cores pastéis e bichos de pelúcia, revelava uma faceta assustadora quando se olhava para as paredes ao redor da escrivaninha.

Estava repleto de fotos. Dezenas delas.

Eram retratos em preto e branco de Engel, capturados às escondidas: Engel caminhando pelo pátio; Engel lendo na biblioteca com a cabeça apoiada na mão; Engel ajeitando as penas coloridas em seus cabelos; fotos em close-up de sua pequena cauda branca, de suas polainas listradas, de seus quatro dedos pontiagudos empunhando a lupa sob o sol do meio-dia. Alguns recortes estavam colados com fita adesiva cor-de-rosa, outros cercados por corações vermelhos desenhados com caneta esferográfica.

Cupid estava sentada diante daquela galeria macabra. A respiração dela era entrecortada, pesada. Suas bochechas estavam tingidas de um rosa vivo e febril, e seus lábios se curvaram em um sorriso malicioso, torto, totalmente desprovido daquela inocência colegial.

Ela estendeu a mão e acariciou a foto central — uma imagem de Engel olhando diretamente para a câmera, despretensioso, como se estivesse sorrindo para quem tirava a foto.

— Você é tão lindo, Engel... — murmurou ela, com a voz carregada de uma doçura viscosa e doentia. — Tão puro. Tão perfeito. O único garoto deste inferno de papel que realmente merece o meu amor. Você me protege, sabia? Mesmo sem saber... você já me protegeu da solidão.

O silêncio do quarto foi quebrado pelo barulho de uma gaveta se abrindo.

Com movimentos lentos e reverentes, Cupid retirou de dentro do compartimento uma faca de artesanato escolar. Não era uma lâmina comum de apontar lápis; era uma faca afiada, comprida, feita de aço brilhante e frio, com um cabo resistente de plástico cinzento. Uma ferramenta projetada para cortar papel espesso com facilidade cirúrgica.

Ao erguer a lâmina diante do rosto, o reflexo do metal captou seus olhos. Mas Cupid não viu apenas o próprio reflexo.

Em sua mente conturbada e envenenada pela paixão, as sombras do quarto começaram a se distorcer. De repente, ela projetou a imagem de Claire bem ali, parada no canto escuro, olhando para ela com um olhar de desdém, zombando de sua insignificância, rindo enquanto se agarrava ao braço de Engel.

— O que você está olhando, Claire? — sibilou Cupid para a ilusão vazia, sua voz descendo para um tom rouco e ameaçador. — Acha que venceu? Acha que ele prefere uma garota comum e sem graça como você? Você não é nada. Você é só um pedaço de rascunho que precisa ser descartado!

Cupid baixou os olhos para a faca em sua mão. Na superfície polida e reluzente do aço, a ilusão mudou. Ela não via mais o aço cruel; ela via o próprio Engel. Via a aprovação dele, o calor que ele finalmente lhe daria, o abraço apertado de gratidão que receberia quando aquela distração chamada Claire deixasse de existir. A faca era a extensão do próprio amor dos dois. O instrumento sagrado que cortaria o nó que a impedia de alcançar sua felicidade eterna.

— Se eu apenas pedir para você se afastar... você não vai, não é? — perguntou Cupid para a sombra na parede, apertando o cabo da faca com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. — Pessoas como você nunca entendem quando estão sobrando. Você vai continuar rindo com ele. Vai continuar roubando o tempo dele. E eu não posso permitir que você manche o meu Engel com a sua existência.

Ela passou o polegar suavemente pela lateral da lâmina, sentindo o corte microscópico romper a primeira camada de sua pele pálida. Uma única gota de sangue escarlate brotou, destacando-se de forma gritante contra a sua brancura e o rosa de sua manga.

Cupid levou o dedo aos lábios, provando o gosto metálico, e deu uma risada baixa, estridente e infantil que ecoou pelo quarto fechado.

— É tão simples... — ela disse, olhando fixamente para a foto de Engel na parede, com os olhos brilhando em loucura sob os cílios longos. — Um corte limpo. Uma folha a menos no caderno. Sem Claire... não haverá mais ninguém entre nós, meu amor. Você vai ficar tão triste, tão vulnerável... e eu estarei lá para consolar você. Eu vou enxugar as suas lágrimas. Eu vou ser a sua única protetora.

Ela se levantou da cadeira, a saia rosa balançando suavemente enquanto caminhava até o espelho. Olhou para a própria imagem: a aluna perfeita, a garota de quatorze anos adorável, com presilhas de coração nos cabelos e um laço impecável no peito.

Então, escondeu a faca afiada dentro da manga comprida de seu uniforme, sentindo o toque gélido do metal repousar contra seu antebraço.

— Amanhã, Engel... — sussurrou Cupid, inclinando a cabeça e abrindo um sorriso doce, meigo e absolutamente aterrorizante para o reflexo. — Amanhã, o Cupido vai fazer o trabalho dele. E a nossa história de amor finalmente vai começar sobre as cinzas dela.

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