
Abbie x Fen
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 31/10/2026
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O Refúgio Escuro das Sombras
O eco metálico de passos pesados ressoava pelos corredores geométricos da Paper School, fazendo as paredes brancas tremerem em uma vibração aterrorizante. Abbie corria como se sua própria existência dependesse de cada fração de segundo. O suor frio escorria por sua testa pálida, colando algumas mechas de seu cabelo preto, cortado na altura dos ombros, contra o rosto lívido. No topo de sua cabeça, o pequeno coque moldado com precisão no formato de caule e folha de maçã oscilava freneticamente a cada salto desesperado.
Atrás dele, o arranhar rítmico e agudo de uma ponta de compasso gigante contra o piso anunciava a proximidade de Miss Circle. A professora não tolerava notas baixas, e a reprovação ali tinha um custo físico definitivo.
— Volte aqui, Abbie! — A voz severa e distorcida da docente cortava o ar como uma lâmina afiada. — Nós ainda temos muito o que revisar!
O garoto nem sequer ousou olhar para trás. Suas pupilas, diminutas e verticais como duas fendas negras cravadas em choque, mal conseguiam focar o caminho à frente. Ele vestia sua habitual camisa branca de mangas curtas com gola engomada, protegida pelo colete preto sem costuras que lembrava um pequeno smoking formal. A gravata estava firmemente enfiada para dentro da bermuda branca, mas todo o rigor daquele uniforme escolar impecável parecia ridículo diante do terror cru que o dominava. Suas meias brancas e sapatos pretos batiam no chão em um ritmo caótico, sem direção premeditada.
Ele avistou uma passagem estreita que os alunos costumavam evitar a todo custo. Era um corredor decadente, onde as linhas nítidas da escola começavam a se deteriorar em direção aos limites proibidos do terreno externo. Sem hesitar, guiado unicamente pelo instinto de sobrevivência, Abbie se atirou através de uma porta entreaberta, pesada e sem placa de identificação.
Ele bateu a porta atrás de si com o ombro, trancando a tranca enferrujada com as mãos trêmulas.
O silêncio caiu como uma tonelada de chumbo.
O som do compasso de Miss Circle continuou pelo corredor principal, diminuindo lentamente até desaparecer na distância. Abbie apoiou as costas na madeira áspera da porta, deslizando até cair sentado no chão. O coração martelava contra sua caixa torácica com tanta força que ele sentia o pulsar na ponta dos dedos.
— Consegui... — sussurrou ele para si mesmo, com a voz embargada e entrecortada. — Eu consegui escapar...
Passaram-se alguns segundos até que seus olhos começassem a se adaptar à penumbra absoluta. O cômodo não tinha janelas. Não havia uma única fresta por onde a luz do corredor pudesse entrar. Conforme a escuridão cedia espaço a contornos vagos, Abbie percebeu que aquele lugar não era um depósito de materiais de desenho abandonado, nem uma sala de aula desativada. Havia móveis rústicos, correntes penduradas e, encostada em um canto próximo, uma picareta robusta e gasta, cuja lâmina brilhava levemente no escuro.
O ar tinha um cheiro forte de terra úmida, ferro e algo ancestral, selvagem.
Um arrepio gélido subiu pela espinha de Abbie. Aquele não era um território neutro. Era o covil fora dos muros da escola. O quarto pessoal de Fen.
Antes que o garoto pudesse processar o tamanho de seu infortúnio, a escuridão do fundo do quarto se moveu. O ranger suave de sapatos pesados contra o chão de tábuas fez o sangue de Abbie gelar de vez. Uma silhueta monumental ergueu-se das sombras, ocupando o espaço com uma presença física esmagadora.
Fen estava ali.
A demônio que assombrava as redondezas da Paper School deu alguns passos à frente, revelando gradualmente sua figura imponente sob a meia-luz. Ela tinha os braços cruzados sobre o peito, uma postura firme, ameaçadora e visivelmente irritada pela invasão inesperada. Sua pele clara contrastava fortemente com a escuridão do ambiente. O cabelo volumoso e pontiagudo, em um tom loiro-avermelhado que parecia fogo crepuscular, caía em cascata pelas suas costas, passando das pernas e espalhando-se pelo chão em mechas grossas, enquanto no topo de sua cabeça uma mecha peculiar dobrava-se para a frente em um ângulo quase reto, rígida como um quadrado.
Seus membros eram absurdamente longos. As pernas, finas e agudas como agulhas gigantes, terminavam em extremidades escuras, enquanto os braços poderosos culminavam em mãos negras com garras afiadas como navalhas. Três faixas brancas envolviam as articulações de suas pernas sobre a calça jeans azul, adornada por faixas circulares características. Acima, uma camiseta preta simples ajustava-se ao seu tronco volumoso, destacando a compleição física absurdamente desenvolvida e intimidadora da criatura.
Ela inclinou a cabeça levemente para o lado. Apenas um olho era visível entre a cortina de fios selvagens; o outro permanecia oculto sob a franja avermelhada. Quando ela abriu a boca, dentes afiados desenharam um sorriso sinistro, e uma língua longa e flexível deslizou brevemente entre os caninos pontiagudos.
— Quem te deu permissão para entrar aqui, inseto? — A voz de Fen era profunda, rouca e carregada de uma arrogância predatória.
Abbie encolheu-se tanto que parecia prestes a fundir-se com a madeira da parede atrás de si. Suas mãos agarraram a barra da bermuda branca, os nós dos dedos empalidecendo.
— E-eu... a porta... a Miss Circle... — gaguejou ele, as pequenas fendas dos olhos arregaladas em puro pavor. — E-eu só estava fugindo! Não sabia que era o seu... o seu quarto!
— Uma desculpa patética — respondeu Fen, dando um passo longo e silencioso à frente, fechando a distância entre eles. — Entrar na toca de um demônio para fugir de uma professora com compasso? Você realmente não pensa antes de correr, não é, garoto-maçã?
Ela descruzou os braços e estalou os dedos pretos, revelando garras extras que pareciam brotar de suas mãos em um reflexo de controle corporal aterrorizante. No entanto, enquanto ela se aproximava, a mente em colapso de Abbie não conseguiu manter o foco apenas no perigo letal. A altura imensa de Fen fazia com que o rosto do menino ficasse posicionado exatamente na altura do tronco dela.
A camiseta preta de Fen estava esticada pela imponência de suas formas exuberantes, que se projetavam de forma dominante e sem qualquer modéstia. Por um instante involuntário, os olhos em fenda de Abbie desceram do rosto monstruoso para a curvatura proeminente de seu busto avantajado. O contraste entre o perigo mortal e aquela presença física avassaladora provocou um curto-circuito na mente tímida do estudante.
O sangue subiu violentamente para as bochechas de Abbie, tingindo seu rosto de um vermelho escarlate que competia com a cor da maçã que seu cabelo imitava. Ele congelou, dividido entre o pânico de ser devorado e a vergonha extrema de ter sido pego olhando para onde não devia.
Fen parou de imediato. O único olho visível da demônio estreitou-se, fixando-se na expressão paralisada e ruborizada do intruso. Ela olhou para baixo, acompanhando a linha de visão do garoto, e depois ergueu o olhar novamente para a face em chamas de Abbie.
Uma onda sutil de rubor cruzou a pele clara das bochechas de Fen, mas foi imediatamente engolida por uma expressão de puro divertimento malicioso. Ela não se sentiu ofendida; pelo contrário, percebeu a arma psicológica perfeita para desestabilizar ainda mais a presa indefesa.
Um sorriso largo e pontiagudo rasgou seu rosto, mostrando fileiras de dentes letais.
— Ora, ora... — murmurou ela, inclinando o tronco ligeiramente para a frente, diminuindo ainda mais o espaço entre eles. — Olha só para você. Fugindo da morte certa e ainda encontra tempo para ser um pervertido?
— N-não! E-eu não estava... eu só olhei porque... — Abbie tentou se defender, agitando as mãos à frente do corpo em desespero, mas as palavras simplesmente se desmancharam em sua garganta seca.
Fen não deu espaço para recuo. Com um movimento ágil e quase imperceptível para seu tamanho, ela deu o último passo e plantou as duas mãos negras contra a parede, uma de cada lado da cabeça de Abbie. O impacto abafado das palmas contra a madeira fez poeira cair do teto. Ela prendeu o garoto completamente em sua sombra, encurralando-o de modo que ele não tinha para onde escapar além de fitá-la de perto.
— É isso que chamou sua atenção? — provocou ela, a voz descendo para um tom zombeteiro e aveludado, vibrando perto do ouvido dele. — São esses aqui? Meus seios? Meus grandes melões, minhas tetas de leiteira, hein~?
Abbie soltou um chiado abafado, como se todo o ar tivesse sido expulso de seus pulmões de uma só vez. A audácia das palavras de Fen fez com que o calor em seu rosto aumentasse a ponto de arder. Ele cerrou os dentes, tremendo dos pés à cabeça, incapaz de desviar o olhar da figura gigantesca que pairava sobre ele com tanta prepotência.
— Você acha que pode simplesmente invadir o meu espaço e ficar encarando como se fosse dono do lugar? — continuou Fen, inclinando-se ainda mais, reduzindo a distância a meros centímetros. — Olhe bem, garoto. O que você acha que deveria fazer agora? Implorar pela vida ou continuar admirando?
A provocação pairava densa no ar frio do quarto sem janelas. Abbie sentia a respiração quente e predatória dela contra seu rosto. Seu cérebro estava em colapso total: o medo da morte se misturava a uma humilhação paralisante e à proximidade física esmagadora daquela mulher-demônio.
Ele tentou erguer os braços para criar alguma barreira, para empurrá-la para longe em um reflexo cego de autodefesa e desespero.
— P-por favor, afaste-se! — gritou ele em um sussurro estrangulado.
Ao esticar as mãos para a frente para tentar empurrar a criatura, os olhos de Abbie estavam semicerrados pelo terror. Ele calculou mal a distância e a postura inclinada de Fen. Em vez de empurrar os ombros fortes ou o peito plano de uma armadura, as palmas abertas de suas mãos afundaram diretamente contra o tecido macio e tenso da camiseta preta, exatamente sobre a plenitude farta do busto da demônio.
O contato foi direto, firme e inegável.
O tempo pareceu parar por completo dentro do quarto escuro.
A respiração de Abbie travou no meio do caminho. Seus dedos, finos e trêmulos, sentiram a consistência surpreendentemente macia e ao mesmo tempo firme sob a malha de algodão. Seus olhos se arregalaram em duas fendas gigantescas de choque absoluto. Ele não recolheu as mãos imediatamente; o choque nervoso foi tão violento que seus músculos simplesmente se recusaram a obedecer ao comando de retirada.
Fen também estacou. A expressão maliciosa e debochada em seu rosto congelou por um microssegundo. O olho visível dela se abriu ligeiramente a mais, e um rubor genuíno, muito mais escuro do que o anterior, pintou suas bochechas claras. Ela não esperava que o estudante medroso e trêmulo da Paper School tivesse a audácia, mesmo que por puro acidente desajeitado, de realmente tocá-la daquela maneira.
O silêncio na sala era tão denso que o único som audível era o gotejar distante de um cano enferrujado em algum canto do teto.
Abbie olhou para as próprias mãos pousadas sobre o peito dela. Depois, ergueu lentamente o olhar aterrorizado até encontrar o olho brilhante e feroz de Fen.
— E-eu... — balbuciou ele, a voz saindo em um fiapo inaudível. — E-eu juro... eu não queria... minhas mãos escorregaram...
Fen continuou imóvel por mais três segundos torturantes, absorvendo a situação. Então, o choque em suas feições cedeu lugar a um sorriso ainda mais largo, mais afiado e infinitamente mais perigoso do que qualquer expressão que ela havia demonstrado até aquele momento. Sua língua comprida correu pelos lábios escuros de novo, saboreando a humilhação palpável do garoto.
— Ah, então você é ousado, não é? — disse ela, sua voz vibrando tão perto que Abbie sentiu o peito sob suas mãos pulsar com a fala da demônio. — Não apenas olhou, como também resolveu conferir com as próprias mãos.
— F-foi sem querer! — gritou Abbie, finalmente conseguindo puxar os braços de volta, colando-os contra o próprio peito enquanto encolhia os joelhos, à beira das lágrimas. — E-eu estava tentando me defender! Me desculpe, por favor, não me mate!
Fen soltou uma gargalhada rouca e gutural que ecoou pelas paredes nuas do quarto, um som que mesclava divertimento genuíno e uma ferocidade contida. Ela aproximou o rosto perigosamente do dele, as pontas de suas garras perfurando ligeiramente o reboco da parede ao lado das orelhas de Abbie.
— Você acabou de tocar em algo que homem nenhum fora deste mundo teve a chance de tocar e continuar respirando, garoto-maçã — sussurrou ela, com os dentes quase tocando a ponta do nariz dele. — Agora me diga... o que você acha que eu deveria fazer com você por essa audácia?
Abbie fechou os olhos com força, puxando o colete de smoking contra o corpo como se aquilo pudesse protegê-lo de seu destino iminente, sem saber se o maior perigo era o compasso de Miss Circle do lado de fora ou a demônio implacável que o mantinha prisioneiro em seu refúgio sombrio.
