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A marcada do alfa

Fandom: sasusaku

Criado: 01/11/2026

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RomanceFantasiaDor/ConfortoAlmas GêmeasAçãoDramaUA (Universo Alternativo)Ciúmes
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Onde a Lua se Refugia

A placa de madeira levemente desgastada, onde se lia "Bem-vindos a Moon Falls", parecia um portal para uma nova vida. Sakura Haruno apertou o volante de seu carro, sentindo o couro frio sob as palmas das mãos. O porta-malas estava cheio com o que restara de sua existência: livros de medicina, algumas roupas e a coragem que ela precisou cavar do fundo de sua alma para deixar tudo para trás.

O céu de Moon Falls tinha um tom de azul profundo, quase violeta, conforme o sol começava a se pôr atrás das montanhas densamente arborizadas. Havia algo de magnético naquela cidade, um magnetismo que Konan sempre descrevia em suas cartas. Para Sakura, no entanto, o que importava era a distância. Distância de Sasori, de suas crises de ciúmes sufocantes e da sombra de medo que ele projetara sobre ela nos últimos meses.

Ao chegar ao endereço indicado, uma casa charmosa com detalhes em madeira, ela viu a silhueta familiar de sua melhor amiga esperando na varanda.

— Você realmente veio! — Konan exclamou, descendo os degraus e envolvendo Sakura em um abraço apertado que cheirava a lavanda e segurança.

— Eu precisava, Konan. — Sakura suspirou, sentindo o peso nos ombros diminuir um pouco. — O hospital confirmou minha vaga na pediatria. Começo em dois dias.

— Isso é maravilhoso, Sakura. Você vai amar o hospital de Moon Falls. A equipe é ótima. A enfermeira-chefe da ala infantil, Hinata, é um anjo. Você vai se sentir em casa.

Sakura sorriu, mas seus olhos verde-jade ainda guardavam uma centelha de cautela. Ser uma Nêmesis — uma criatura de equilíbrio e justiça, embora ela preferisse se ver apenas como alguém que buscava a paz — a tornava naturalmente observadora. Seus instintos estavam sempre em alerta.

No dia seguinte, após uma noite de sono sem pesadelos, Sakura decidiu que precisava resolver uma pendência prática. Seu carro estava fazendo um barulho estranho desde que cruzara a fronteira do estado.

— Vá até a oficina Uchiha — sugeriu Konan, enquanto tomavam café. — É a melhor da região. O dono, Sasuke, é um pouco... reservado, mas ele e a equipe dele são os melhores. O braço direito dele, Naruto, é casado com a Hinata, a enfermeira que te falei.

Sakura assentiu. O nome "Uchiha" soava forte, quase como um trovão distante.

A oficina ficava nos limites da cidade, um galpão imenso e impecavelmente organizado que exalava cheiro de graxa, metal e algo mais... algo selvagem. Quando Sakura estacionou seu carro, o som do motor morrendo pareceu ecoar pelo silêncio do lugar.

Ela desceu do veículo, ajeitando a blusa leve e sentindo a marca em forma de losango em sua testa pulsar levemente, um sinal de que o ambiente estava carregado de energia.

— Ei! Precisa de ajuda? — Um homem loiro, com um sorriso que parecia brilhar mais que o sol, saiu debaixo de um jipe. Ele limpava as mãos em um pano sujo de óleo.

— Sim, por favor. Meu carro está com um ruído metálico na suspensão — explicou Sakura, mantendo a postura profissional e firme que o boxe e a medicina lhe ensinaram.

— Sou o Naruto! — Ele se aproximou com uma energia contagiante. — Relaxa, a gente cuida disso num vapt-vupt. O Sasuke é o mestre nessas máquinas, mas eu sou o cara que faz a mágica acontecer.

Sakura sorriu levemente. A aura de Naruto era quente e leal, a típica energia de um lobisomem, embora ela não soubesse exatamente como ele reagiria ao descobrir o que ela era.

— Eu sou Sakura. Acabei de me mudar para a cidade.

— A médica amiga da Konan! — Naruto exclamou, batendo na própria testa. — A Hinata me falou de você. Seja bem-vinda, Sakura-chan! O Sasuke tá lá nos fundos, vou chamar ele pra dar uma olhada oficial, ele gosta de supervisionar tudo o que entra aqui.

Naruto se virou e gritou para o interior do galpão:

— Ô, Sasuke! Vem cá! Temos uma cliente nova, e ela é amiga da Hinata!

Sakura sentiu uma mudança no ar antes mesmo de vê-lo. A pressão atmosférica pareceu aumentar. Dos fundos da oficina, um homem caminhou em direção a eles. Ele era alto, de cabelos negros rebeldes e olhos tão escuros que pareciam absorver a luz ao redor. Vestia uma regata preta que deixava à mostra os braços musculosos e algumas cicatrizes que contavam histórias de batalhas que Sakura só podia imaginar.

Aquele era o Alfa. Ela sentiu o cheiro dele — floresta, chuva e uma nota metálica de poder.

Sasuke parou a poucos metros dela. Seus olhos percorreram Sakura de cima a baixo, não de uma forma desrespeitosa, mas com a precisão de um estrategista avaliando uma nova variável em seu território. Ele parou por um segundo extra na marca em sua testa.

— Sakura Haruno — disse ele. Sua voz era grave, um barítono que vibrou no peito dela. Não era uma pergunta, era uma constatação.

— Sim — ela respondeu, sustentando o olhar. Ela não baixaria a cabeça. — Ouvi dizer que você é o melhor mecânico de Moon Falls.

Sasuke deu um meio sorriso quase imperceptível. A coragem daquela mulher pequena e de cabelos rosados o atingiu como um soco. Ele podia sentir que ela não era humana, mas também não era uma loba. Havia uma aura de justiça e retribuição nela. Uma Nêmesis.

— Naruto, volte para o motor do Gaara — ordenou Sasuke, sem desviar os olhos de Sakura.

— Tá bom, tá bom... — Naruto resmungou, piscando para Sakura antes de se afastar. — Ele é meio mal-humorado, mas tem um bom coração!

Quando ficaram a sós, o silêncio entre os dois tornou-se denso.

— O que traz uma médica de metrópole para uma cidade de interior cheia de feras, Sakura? — perguntou Sasuke, aproximando-se do carro, mas mantendo uma distância que respeitava o espaço dela.

— Eu buscava paz — ela respondeu honestamente, surpreendendo a si mesma. — E ouvi dizer que aqui o hospital precisava de alguém que realmente se importasse com as crianças.

Sasuke abriu o capô do carro. Seus movimentos eram fluidos e precisos.

— Moon Falls não é um lugar comum. As pessoas aqui protegem os seus. Se você for uma delas, estará segura.

Sakura sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Havia uma promessa implícita naquela frase.

— Eu sei me cuidar, Uchiha. Aprendi da maneira mais difícil que não posso depender de ninguém para minha proteção.

Sasuke parou o que estava fazendo e olhou para ela por cima do motor. Ele viu a sombra de dor em seus olhos verdes, a cicatriz invisível que alguém deixara em sua alma. Algo instintivo e possessivo rugiu dentro dele. Como Alfa, seu dever era proteger a alcateia, mas aquele sentimento era diferente. Era pessoal.

— Às vezes — começou ele, a voz mais baixa —, ter alguém vigiando suas costas não é sinal de fraqueza. É estratégia.

— Vou me lembrar disso — ela replicou, cruzando os braços. — Quanto tempo para o conserto?

— Duas horas. Pode esperar na recepção ou... — Ele hesitou por uma fração de segundo. — Tem um café dobrando a esquina. É da família da Hinata.

— Acho que vou caminhar um pouco. Preciso conhecer o terreno.

— Sakura — ele a chamou quando ela já se virava para sair.

Ela parou e olhou por cima do ombro.

— Seja bem-vinda ao Refúgio da Lua.


As semanas seguintes passaram como um borrão de adaptação. Sakura rapidamente se tornou a favorita no hospital. Sua paciência com as crianças era infinita, e sua habilidade médica era inquestionável. Ela e Hinata tornaram-se confidentes em pouco tempo.

— Você parece mais relaxada hoje, Sakura — comentou Hinata, enquanto organizavam as fichas de vacinação na ala pediátrica.

A bruxa tinha um sorriso sereno e uma aura que acalmava qualquer ambiente.

— Eu me sinto... segura aqui, Hinata. É estranho. Eu passei tanto tempo olhando por cima do ombro que esqueci como é respirar sem medo.

— É a nossa cidade — disse Hinata, tocando gentilmente o ombro da amiga. — O Sasuke leva a segurança de todos muito a sério. Especialmente agora.

Sakura arqueou uma sobrancelha.

— Especialmente agora por quê?

Hinata sorriu de um jeito enigmático, o tipo de sorriso que as mulheres da família Hyuga usavam quando sabiam de algo que o resto do mundo ainda não tinha percebido.

— O Naruto diz que o Sasuke não para de perguntar se você tem aparecido no hospital nos horários certos. Ele nunca foi de se interessar pela rotina de ninguém que não fosse da alcateia.

O coração de Sakura falhou uma batida. Ela se lembrou das visitas ocasionais à oficina para "revisões de rotina" que ela inventava apenas para ver o brilho dos olhos escuros de Sasuke.

— Ele é apenas... zeloso — Sakura tentou desconversar, sentindo as bochechas esquentarem.

— Ele é um Alfa, Sakura. E você é uma mulher extraordinária. É uma combinação intensa.

Naquela noite, após o plantão, Sakura caminhava em direção ao seu carro no estacionamento mal iluminado do hospital. O ar estava frio e uma névoa baixa começava a rastejar pelo asfalto.

De repente, seus instintos de Nêmesis gritaram. Ela parou bruscamente.

— Eu disse que te encontraria, Sakura.

A voz veio das sombras, arrastada e carregada de uma obsessão doentia. Das árvores próximas, um homem surgiu. Sasori. Ele parecia mais magro, com olheiras profundas, mas o olhar possessivo era o mesmo que a fizera fugir.

— Como você me achou? — Sakura perguntou, sua voz saindo firme, apesar do tremor interno. Ela assumiu uma postura de luta, os punhos cerrados.

— Você não pode se esconder de mim. Nós fomos feitos um para o outro. Você é minha, Sakura.

Ele avançou, a mão estendida como se fosse agarrá-la. Sakura desviou com agilidade, desferindo um golpe rápido que o atingiu no ombro, mas Sasori não era um humano comum; ele tinha seus próprios truques sombrios.

— Não dificulte as coisas — ele rosnou, recuperando o equilíbrio.

Antes que ele pudesse avançar novamente, um rosnado gutural, vindo das profundezas da terra, ecoou pelo estacionamento.

Um vulto negro saltou de cima de um dos muros, aterrissando entre Sakura e Sasori. Não era um lobo comum. Era imenso, com pelos negros como o abismo e olhos vermelhos que brilhavam com uma fúria ancestral.

O lobo rosnou novamente, um som que fez os vidros dos carros próximos vibrarem. As presas estavam expostas, prontas para rasgar qualquer um que ameaçasse o que era dele.

Sasori recuou, o rosto pálido de terror. Ele conhecia o poder de um Alfa.

— Saia. Daqui. Agora. — A voz não veio da boca do lobo, mas pareceu ressoar na mente de todos os presentes, uma ordem absoluta.

Sasori não esperou uma segunda chance. Ele se virou e correu para a escuridão da floresta, desaparecendo tão rápido quanto surgira.

O grande lobo permaneceu imóvel por um momento, as orelhas atentas. Então, lentamente, ele começou a se transformar. Os ossos estalaram, a forma diminuiu e, em segundos, Sasuke Uchiha estava de pé diante de Sakura. Ele estava ofegante, a pele brilhando de suor, a expressão carregada de uma preocupação feroz.

Ele caminhou até ela, as mãos grandes segurando o rosto de Sakura com uma delicadeza que contrastava com a violência de instantes atrás.

— Você está bem? Ele te tocou? — A voz de Sasuke estava rouca, os olhos negros examinando cada centímetro dela.

— Eu... eu estou bem, Sasuke. Eu ia conseguir me defender, eu sei lutar... — Sakura começou, mas sua voz falhou quando a adrenalina começou a baixar.

Sasuke encostou a testa na dela, fechando os olhos.

— Eu sei que você sabe. Eu vi sua força desde o primeiro dia. Mas você não precisa lutar sozinha em Moon Falls. Nunca mais.

Sakura sentiu uma lágrima solitária escorrer. Ela passou os braços pelo pescoço dele, escondendo o rosto em seu peito quente. O cheiro de floresta e chuva a envolveu, criando um escudo contra o mundo exterior.

— Por que você estava aqui? — ela sussurrou.

— Eu senti que você estava em perigo — ele admitiu, a voz vibrando contra o topo da cabeça dela. — O vínculo de um Alfa com sua companheira começa muito antes de as palavras serem ditas, Sakura.

Ela se afastou um pouco para olhá-lo nos olhos.

— Companheira?

Sasuke deu aquele sorriso raro, mas desta vez era completo e carregado de promessas.

— Você achou mesmo que eu deixaria uma Nêmesis tão teimosa e incrível escapar de mim?

Sakura riu, uma risada leve que quebrou a tensão da noite.

— Você é muito convencido, Uchiha.

— E você é minha — ele respondeu, puxando-a para um beijo que selou o destino de ambos.

Ali, sob a luz da lua de Moon Falls, Sakura Haruno finalmente entendeu que não precisava mais fugir. Ela tinha encontrado seu refúgio. E o Alfa tinha encontrado sua paz.

— Vamos para casa — disse Sasuke, entrelaçando seus dedos aos dela. — Naruto e Hinata estão nos esperando. E amanhã, vamos garantir que aquele lixo nunca mais chegue perto de você.

Sakura assentiu, caminhando ao lado dele. Pela primeira vez em anos, a marca em sua testa não pulsava com alerta, mas com um calor suave e constante. Ela estava em casa.

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