
A marcada do alfa
Fandom: sasusaku
Criado: 01/11/2026
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O Eco do Destino em Silverwood
A noite em Silverwood não era apenas escura; ela era viva. Sob o manto de carvalhos centenários e a névoa densa que subia do solo úmido, vultos se moviam com uma velocidade inumana. Eram sombras musculosas, movidas pelo instinto e pelo dever.
O som de galhos quebrados ecoou como tiros na floresta. Um vampiro renegado, exausto e com as vestes rasgadas, tentava desesperadamente alcançar os limites da cidade. Ele cometera o erro de caçar em território proibido. Atrás dele, o rosnado baixo de Neji Hyuga e a presença silenciosa de Sai indicavam que a fuga era inútil.
Em um movimento coordenado, Neji saltou, suas garras cortando o ar antes de atingirem o alvo. Não houve gritos longos, apenas o som seco do fim.
A poucos quilômetros dali, no centro de comando que vigiava a fronteira mística, Sasuke Uchiha observava a cena através dos sentidos de seus homens, embora estivesse fisicamente parado diante de uma mulher cujos olhos pareciam conter galáxias inteiras.
Mei Terumi, a bruxa responsável pela barreira, mantinha as mãos sobre uma esfera de cristal que pulsava em um tom violeta suave.
— O intruso foi eliminado, Sasuke — disse ela, sua voz melodiosa quebrando o silêncio da sala. — Mas a barreira tem estado agitada ultimamente. Algo está mudando no fluxo da magia.
Sasuke, o Alfa da alcateia Refúgio da Lua, cruzou os braços sobre o peito largo. Seus olhos escuros eram impenetráveis, a postura de quem carregava o peso de uma cidade inteira nos ombros.
— Você sabe que a segurança de Silverwood depende da sua eficácia, Mei. Minha alcateia protege o solo, mas você protege o que não podemos tocar. Não se esqueça dos favores que deve a este Conselho.
Mei deu um sorriso enigmático, aproximando-se do Alfa. Ela estendeu a mão e, por um breve segundo, tocou o antebraço de Sasuke. O toque desencadeou uma centelha. Mei fechou os olhos, fragmentos de imagens desconexas passando por sua mente: pétalas de cerejeira caindo sobre o asfalto, o cheiro de chuva e algo que brilhava como uma joia verde.
— O que foi isso? — rosnou Sasuke, afastando o braço.
— Um vislumbre — respondeu ela, recuperando o fôlego. — Em alguns dias, Sasuke, sua vida mudará de uma forma que nem sua estratégia ou sua força poderão controlar. O destino está vindo para Silverwood, e ele tem olhos cor de jade.
O som rítmico dos pneus contra o asfalto era a única coisa que mantinha Sakura Haruno acordada. O SUV carregado com suas poucas caixas cortava a estrada sinuosa em direção a Moon Falls, a área residencial vizinha a Silverwood.
Ela olhou pelo retrovisor e viu seus próprios olhos verdes, cansados, mas determinados. O losango verde em sua testa — uma marca de nascimento que ela sempre achou curiosa — parecia pulsar levemente com a ansiedade da mudança.
Sua mente vagou para o passado, como sempre fazia quando ela estava sozinha. Lembrou-se da mãe, definhando em uma cama de hospital, e da imagem do pai, um homem quebrado que, incapaz de lidar com a dor da perda, a deixou em um orfanato. A pequena Sakura de cinco anos não entendia por que o amor doía tanto.
Depois veio a adoção. O casal que a acolheu era bondoso, mas a vida tinha suas armadilhas. Ela se lembrou do medo paralisante quando, aos quinze anos, trabalhava como babá para um vizinho e percebeu que as intenções dele eram sombrias. Quando finalmente confessou ao pai adotivo, ele não a protegeu com palavras doces; ele a levou para uma academia de boxe.
— Aprenda a bater de volta, Sakura — ele dissera. — O mundo não tem pena de quem não sabe fechar o punho.
Ela aprendeu. E usou essa disciplina para se tornar médica pediatra. Mas nem todo o treinamento do mundo a preparou para Sasori.
No início, ele era o homem dos sonhos. Charmoso, ruivo, um artista plástico que parecia ver a alma dela. Mas o charme era uma armadilha de seda. O ciúme começou pequeno e cresceu até se tornar uma redoma sufocante.
A última noite em que se viram ainda era um borrão de terror. Sasori havia explodido por causa de um simples atraso no plantão. Ele a encurralou contra a parede, as mãos apertando seus ombros. Sakura se lembrou de sentir um calor estranho subindo pelo peito, uma pressão que não vinha dele, mas de dentro dela. Ela apenas desejou, com toda a sua alma, que ele parasse.
E ele parou. Sasori recuou como se tivesse levado um choque elétrico, os olhos arregalados, a respiração presa. Sakura aproveitou o momento de transe dele para sair e nunca mais voltar. Ela achou que tinha sido o choque, ou talvez ele tivesse tido um espasmo, mas a sensação de poder momentâneo nunca saiu de sua memória.
O toque do celular no viva-voz a trouxe de volta ao presente.
— Sakura! Você já passou pela placa da cidade? Eu estou na frente da casa nova! — A voz vibrante de Konan ecoou pelo carro.
— Estou chegando, Konan. Consigo ver as luzes daqui.
— Ótimo! Prepare-se, porque esta cidade é... diferente. Mas você vai amar.
Ao chegar, Sakura foi recebida pelo abraço caloroso da amiga de longa data. Konan a ajudou com as malas e, enquanto caminhavam pela casa charmosa, explicou o itinerário.
— Amanhã você começa no Hospital Central. A diretora, Tsunade, é uma lenda, então esteja preparada. E à noite, vamos jantar com duas amigas minhas, Ino e Hinata. Elas também trabalham lá. Você precisa de um círculo social que não envolva estetoscópios, mocinha.
O primeiro dia no hospital foi um turbilhão. Sakura sentiu-se imediatamente desafiada pela presença imponente de Tsunade. A loira tinha um olhar que parecia atravessar a pele, avaliando não apenas sua competência técnica, mas sua fibra moral.
— Espero que sua dedicação seja tão grande quanto seu currículo, Haruno — disse Tsunade, cruzando os braços. — Aqui não tratamos apenas doenças, cuidamos de uma comunidade que protege os seus.
Sakura assentiu, focando nos pacientes. Ela adorava as crianças, e sua calma natural parecia acalmar até os pequenos mais agitados. No entanto, ela sentia que algo estava estranho. As pessoas no hospital eram incrivelmente bonitas, fortes e exalavam uma energia vibrante.
Ao fim do expediente, ela se encontrou com Ino e Hinata na saída. Ino era uma loira exuberante que parecia analisar Sakura com uma curiosidade quase predatória, mas amigável. Hinata, por outro lado, era a doçura em pessoa, com olhos perolados e um sorriso acolhedor.
— Você se saiu muito bem hoje, Sakura-chan — disse Hinata. — As crianças adoraram você.
— Obrigada. Eu realmente precisava desse recomeço — Sakura sorriu, caminhando até seu carro no estacionamento. — Bom, vejo vocês no jantar?
— Com certeza! — Ino exclamou. — Não se atrase, o restaurante do centro é maravilhoso.
Sakura entrou no carro e girou a chave. O motor tossiu, engasgou e morreu. Ela tentou de novo. Nada.
— Ah, não... agora não.
Hinata, que ainda não tinha saído com seu carro, aproximou-se da janela.
— Algum problema?
— Ele simplesmente não liga. Acho que a viagem longa foi demais para ele.
— Não se preocupe — disse Hinata, pegando o celular. — Meu marido está por perto. Ele entende de tudo que tenha motor. Vou ligar para ele.
Dez minutos depois, um jipe preto encostou atrás do carro de Sakura. Um homem alto, loiro e com uma energia transbordante saltou do veículo. Ele usava uma camisa laranja que parecia pequena demais para seus ombros largos.
Sakura sentiu um frio na espinha. Não era medo, era uma sensação de pequenez diante daquela presença física esmagadora.
— Ei, Hinata! — O homem deu um beijo rápido na esposa e depois se virou para Sakura com um sorriso enorme. — Você deve ser a Sakura! Sou o Naruto Uzumaki. Deixa eu ver esse seu calhambeque.
— Prazer, Naruto... e obrigada — gaguejou ela, afastando-se para deixá-lo trabalhar.
Naruto mexeu nos cabos, verificou a bateria e deu alguns comandos. Ele era rápido e eficiente, mas Sakura notou que ele parou por um segundo, farejando o ar de forma quase imperceptível enquanto olhava para ela de soslaio.
— Olha, Sakura, eu dei um jeito temporário, mas você não vai longe com isso — disse Naruto, limpando as mãos em um pano. — Leve o carro na oficina Uchiha amanhã cedo. Fica logo na entrada de Silverwood. Diga que o Naruto te mandou, ou o dono vai te dar um chá de cadeira só por diversão.
— Oficina Uchiha? — ela repetiu. — Tudo bem, eu vou. Muito obrigada mesmo.
Depois que Sakura saiu, dirigindo cautelosamente, Naruto ficou parado no estacionamento, sua expressão brincalhona sumindo e dando lugar a algo mais sério. Ele pegou o celular e discou um número que estava no topo de seus favoritos.
— Sasuke? — disse ele assim que a chamada foi atendida.
— O que foi, Naruto? Estou no meio de uma reunião com o Conselho — a voz de Sasuke era baixa e impaciente.
— Você precisa vir para a oficina amanhã. Conheci a médica nova que a Tsunade contratou.
— E por que isso me interessaria? — Sasuke bufou.
— Porque ela tem um cheiro que eu nunca senti antes, cara. É... floral, mas tem algo metálico, algo antigo. E o mais estranho: o cheiro dela é puríssimo. Não tem rastro de nenhum outro macho, nenhum companheiro, nada. É como se ela estivesse esperando por algo. Ou por alguém.
Houve um silêncio longo do outro lado da linha. Naruto podia quase ouvir as engrenagens na mente de seu Alfa girando.
— Ela é humana? — perguntou Sasuke, finalmente.
— Parece que sim. Mas o cheiro dela... Sasuke, se eu não soubesse que sou casado com a Hinata, eu diria que aquela mulher é a marcada de alguém. E o cheiro dela está por toda a minha pele agora só de ter ficado perto do carro.
— Amanhã, Naruto — disse Sasuke, sua voz agora carregada de uma autoridade sombria. — Eu estarei na oficina.
Sakura, dirigindo em direção à sua nova casa, não fazia ideia de que, em uma sala de reuniões cercada por lobos, seu nome acabara de se tornar o centro de uma tempestade que mudaria o mundo sobrenatural para sempre. Ela era uma Nêmesis, um equilíbrio que eles ainda não compreendiam, e o Alfa de Silverwood estava prestes a descobrir que seu destino tinha, de fato, olhos cor de jade.
