
Re:Mugen IF
Fandom: Jujutsu Kaiser, rezero
Criado: 01/11/2026
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O Infinito Chega a Lugnica
Piscar os olhos costumava ser um ato puramente mecânico, involuntário e desprovido de qualquer significado místico. Para a maioria das pessoas, ao menos. Para quem carregava os Seis Olhos, cada fração de segundo em que as pálpebras se fechavam era o único breve intervalo de escuridão que o cérebro recebia contra a torrente infinita de informações que o universo vomitava em sua consciência.
Quando Subaru Gojo reabriu os olhos, no entanto, o cenário do lado de fora da loja de conveniência de Akihabara havia desaparecido.
O asfalto cinzento, as luzes de neon berrantes e o cheiro de escapamento de automóveis deram lugar a paralelepípedos gastos pelo tempo, construções de madeira e pedra com arquitetura medieval, e uma brisa carregada de aromas rústicos de especiarias e animais de carga.
Ele não se moveu de imediato. Parado no meio da rua movimentada, com seus imponentes um metro e noventa de altura, ele se destacava como uma torre de marfim em meio à multidão. Seus cabelos eram brancos como a neve recém-caída, desgrenhados de forma casual sobre a testa. Vestia roupas escuras e modernas que claramente não pertenciam àquela era, e sobre o nariz repousavam óculos escuros de armação redonda.
Ele abaixou levemente os óculos com o dedo indicador.
Atrás das lentes escuras, revelaram-se íris de um azul celeste inacreditável — como um pedaço límpido do próprio céu aprisionado em vidro, pulsando com anéis concêntricos de pura luminosidade.
— Ora, ora... — murmurou Subaru, abrindo um sorriso largo, preguiçoso e cheio de sarcasmo. — Que tipo de piada de mau gosto é essa? Eu só queria um sorvete e um mangá novo.
Com os Seis Olhos trabalhando a todo vapor, a realidade daquele novo ambiente se desdobrou diante dele em camadas atômicas de informação. Ele não viu Energia Amaldiçoada. Aquilo era novo. Em vez disso, havia uma substância etérea, fluida, que permeava o ar, as pessoas e a própria terra.
Mana.
— Interessante. Muito interessante — comentou para si mesmo, guardando o saco plástico da loja de conveniência no bolso da calça e cruzando os braços atrás da cabeça. — E aquelas coisas ali têm orelhas de cachorro e cauda de lagarto. Um clássico clichê de fantasia. Eu fui invocado? Um herói de outro mundo?
Subaru riu, uma risada anasalada e cheia de condescendência.
— Quem quer que tenha me puxado para cá cometeu um erro terrível. Eu sou péssimo em receber ordens.
As pessoas ao redor se afastavam, murmurando. A combinação de sua altura descomunal, os cabelos albinos exóticos e a beleza sobrenatural de seus olhos — que brilhavam intensamente mesmo sob a luz do dia — fazia com que comerciantes e cidadãos desviassem o olhar, intimidados por uma aura invisível, mas esmagadora.
Decidido a explorar, Subaru começou a caminhar sem rumo pelas ruas da capital. Ele testou o fluxo de sua própria Energia Amaldiçoada. Estava ali, perfeitamente intacta, vasta como um oceano sem fundo, pronta para ser moldada à sua vontade. O Ilimitado ainda respondia ao seu mais sutil pensamento.
— É — disse ele, dando de ombros —, pelo visto continuo sendo o mais forte. Nada mudou.
Distraído em seus pensamentos sobre como aquele mundo lidaria com a ausência de açúcar refinado decente, ele virou em um beco estreito para cortar caminho. Foi então que três figuras bloquearam a passagem à sua frente.
Um baixinho com cara de poucos amigos segurando duas facas, um grandalhão corpulento que parecia não ter cérebro, e um sujeito magricela e curvado. Os clássicos bandidos de esquina.
— Ei, você aí, o engomadinho de cabelo branco — rosnou o líder, apontando a lâmina para Subaru. — Tá perdido? Se quiser sair daqui inteiro, é melhor passar tudo o que tem de valor. Essas roupas estranhas devem valer uma boa grana.
Subaru parou. Olhou para o homem baixinho. Depois para o grandalhão. Depois para o magricela.
Ele ergueu uma sobrancelha, inclinou a cabeça para o lado e soltou uma gargalhada genuína, dobrando o corpo para a frente de tanto rir.
— Não é possível! — exclamou ele, limpando uma lágrima imaginária do canto do olho. — Vocês três são reais? Parece que saíram direto de um manual de como ser um figurante descartável! Isso é um teste de boas-vindas do mundo novo?
— O que você disse, seu desgraçado?! — gritou o líder, a veia da testa pulsando de ódio. — Vai rir no inferno! Pega ele!
O sujeito corpulento avançou com um rugido, desferindo um soco pesado, com força suficiente para quebrar os ossos de um homem comum.
Subaru nem sequer se deu ao trabalho de piscar. Ele continuou parado, com as mãos nos bolsos da jaqueta, mantendo aquele sorriso arrogante e impassível.
O punho do brutamontes desceu com violência.
E simplesmente parou.
A três centímetros do rosto de Subaru, o punho colidiu com o nada. O ar em volta pareceu chiar levemente. O homem arregalou os olhos, aplicando mais força, empurrando com todo o seu peso corporal, mas era como tentar empurrar uma montanha feita de aço divino. Seu braço tremia, as veias saltavam, mas não avançava nem a fração de um milímetro.
— O que... o que é isso?! — gaguejou o agressor, em pânico.
— Isso? — Subaru sorriu, aproximando levemente o rosto, seus olhos azuis brilhando perigosamente através dos óculos. — É a distância infinita entre mim e você. Você nunca vai me tocar. Nunca. Porque entre a sua fraqueza e a minha existência, existe o Infinito.
O homem tentou recuar, aterrorizado, mas Subaru foi mais rápido. Com um movimento incrivelmente casual, ele retirou a mão direita do bolso e desferiu um peteleco no peito do gigante.
Não era apenas força física. Uma centelha minúscula de energia amaldiçoada reforçou o impacto.
O som foi como o disparo de um canhão. O homem de quase dois metros de altura foi arremessado para trás pelo beco, varrendo o chão de pedra e colidindo com força contra a parede de tijolos, caindo desacordado em meio a uma nuvem de poeira.
Os outros dois bandidos congelaram no lugar. O queixo do líder quase caiu no chão, e os joelhos do magricela batiam um contra o outro como castanholas.
— Bem — disse Subaru, limpando uma poeira inexistente do ombro —, quem é o próximo comediante?
Antes que os dois pudessem sequer implorar por suas vidas miseráveis, uma voz melodiosa e urgente ecoou na entrada do beco:
— Parem com isso agora mesmo!
Subaru virou-se lentamente, surpreso não pela interrupção, mas pela presença que acabara de surgir.
Ali estava uma garota de beleza estonteante. Cabelos prateados que caíam como fios de seda pura, pele alva e olhos violeta profundos, brilhando com nobreza e compaixão. Ao lado de seu ombro flutuava um pequeno gato cinzento com bolsa de couro e feições expressivas.
— Se devolverem o que roubaram de mim, prometo não machucar vocês! — declarou a garota, tentando soar intimidadora, embora houvesse uma gentileza óbvia em seu tom.
Subaru avaliou a cena em milissegundos. Os Seis Olhos leram a garota instantaneamente: a densidade anormal de mana ao redor dela, sua linhagem meio-elfa, a conexão espiritual com o felino. Tudo estava escancarado para a mente dele.
— Olha só — disse Subaru, ignorando completamente os bandidos e dando alguns passos largos em direção a ela. — Uma donzela de cabelos de prata. O comitê de boas-vindas deste lugar finalmente melhorou de nível.
A garota piscou, confusa. Olhou para o brutamontes desmaiado, para os outros dois capangas apavorados e depois para o homem alto e extravagante que se aproximava com absoluta falta de cerimônia.
— Espere... você não está com eles? — perguntou ela, inclinando a cabeça.
— Com eles? — Subaru soltou um estalo com a língua, ofendido de mentira. — Por favor, não ofenda o meu bom gosto. Eu sou muito bonito para andar com gente feia assim.
O espírito felino flutuou para a frente da garota, estreitando os olhos felinos enquanto fitava o rosto de Subaru. Os pelos do gato estavam levemente eriçados.
— Lia... tome cuidado com esse aí — sussurrou o gato, a voz surpreendentemente madura e cautelosa. — Há algo muito errado nele. Não consigo sentir o fluxo normal do Od... mas o que quer que esteja dentro dele é tão vasto que parece um abismo.
Subaru curvou os lábios em um sorriso ladino, inclinando-se ligeiramente para ficar na altura do espírito.
— Um gato voador com bom senso. Gostei de você, bichano.
— Meu nome é Puck — respondeu o espírito, mantendo a guarda, embora intrigado com o desdém absoluto do homem diante dele. — E você, quem é?
— Eu sou Subaru. Subaru Gojo — respondeu ele, ajeitando os óculos com elegância arrogante. — O feiticeiro mais forte do meu mundo... e, muito provavelmente, o homem mais poderoso que este lugarzinho já viu.
A meio-elfa franziu as sobrancelhas, achando a declaração presunçosa demais, mas não havia tempo para discutir arrogância.
— Você viu uma garota loira passar correndo por aqui? Pequena, muito rápida, com dentes afiados? Ela roubou algo muito importante para mim!
Os dois bandidos restantes aproveitaram a distração para pegar o companheiro inconsciente e fugir aos tropeços beco afora. Subaru nem sequer olhou para trás.
— Uma ladra rápida, hm? — Subaru ponderou por um instante, colocando a mão no queixo. Ele não tinha obrigação nenhuma de ajudar. Poderia simplesmente dar as costas e encontrar um hotel de luxo, tomar o controle do lugar pela força se quisesse. Mas a garota era fascinante. Havia um fardo invisível sobre os ombros dela, algo trágico e nobre que ele achou curiosamente cativante. — Eu não a vi. Mas meus olhos vêem muito mais do que os de qualquer pessoa. Eu posso te ajudar a encontrá-la.
— Por que me ajudaria? — perguntou ela, desconfiada. — Você nem me conhece.
— Considere caridade de um homem absurdamente generoso — respondeu Subaru, piscando um dos olhos azuis com um charme descarado. — Além disso, você é bonitinha e eu não tenho absolutamente nada melhor para fazer agora. Qual é o seu nome?
A garota hesitou. Um lampejo de dor cruzou seus olhos violeta antes de ela responder com firmeza:
— Satella. Meu nome é Satella. Não tenho outro.
Puck arregalou os olhos levemente, esperando a costumeira reação de horror, ódio ou repulsa que aquele nome causava em qualquer ser vivo naquele continente.
Subaru apenas ergueu uma sobrancelha.
— Satella, é? — Ele deu de ombros, sem o menor traço de medo. — Nome pomposo. Tem um tom meio dramático, mas combina com o estilo princesa de conto de fadas. Vamos nessa, Satella. Quanto mais rápido acharmos suas coisas, mais rápido você me paga um almoço decente.
A garota ficou boquiaberta. Ninguém reagia daquela forma ao nome da Bruxa da Inveja. Ninguém no mundo inteiro.
— Você... você realmente não tem ideia de quem eu sou, não é? — murmurou ela, perplexa.
— Minha querida — disse Subaru, virando as costas e começando a andar na direção onde seus Seis Olhos captavam os rastros residuais de mana acelerada pelo ar —, eu não ligo para quem você é. Porque no fim das contas, não importa quem você seja, eu ainda sou mais forte. Agora vem, a trilha dela vai esfriar.
A busca pelos cortiços da capital foi rápida graças à percepção transcendental de Subaru. Enquanto caminhavam pelas ruelas empobrecidas, a garota finalmente confessou a verdade por trás do nome falso — seu nome real era Emilia. Subaru apenas riu, dizendo que "Emilia" soava infinitamente melhor e menos gótico.
O rastro de mana levou a dupla até uma construção isolada e decrépita na beira da favela: a casa de saques do velho Rom.
O sol já começava a se pôr no horizonte, banhando o céu de Lugnica em tons sangrentos de carmesim e laranja.
— É aqui dentro — disse Subaru, parando diante da porta pesada de madeira. — Consigo sentir três presenças lá dentro. Duas fracas, mundanas... e uma terceira.
Ele estreitou os olhos azuis por trás das lentes. A terceira presença não era apenas forte; era distorcida. Carregava uma sede de sangue quase palpável, afiada como uma lâmina de barbear untada em veneno.
— Algum problema, Subaru? — perguntou Emilia, notando a mudança sutil na postura dele.
— Nada que você precise se preocupar — respondeu ele, o tom zombeteiro retornando com força total. — Mas sugiro que fique atrás de mim quando a porta abrir. Não quero que suje esse seu vestido bonito com sangue de gente estúpida.
Subaru não se deu ao trabalho de bater. Com um chute despreocupado, ele simplesmente arrancou a porta de madeira de suas dobradiças, fazendo-a voar para dentro do recinto escuro e colidir contra o chão com um estrondo ensurdecedor.
— Com licença! — anunciou ele em voz alta, entrando de cabeça erguida, as mãos enfiadas nos bolsos. — O serviço de entregas e devoluções chegou!
O interior da taverna fedia a álcool barato, ferrugem e poeira. Perto do balcão, uma garotinha loira de olhos vermelhos segurava uma insígnia reluzente com expressão de choque. Um gigante musculoso com feições de ogro empunhava um porrete enorme, em posição de defesa.
E nas sombras, sentada elegantemente em uma cadeira de madeira, estava uma mulher de cabelos negros trançados, vestindo um traje revelador e escuro. Seus lábios estavam pintados com um batom vermelho-escuro, e seus olhos transbordavam uma luxúria insana, quase erótica.
Elsa Granhiert, a Caçadora de Entranhas.
— Ora, ora... — murmurou a mulher, levantando-se com uma graça felina, puxando de sua cintura uma lâmina curva e brilhante, a kukri reluzindo na penumbra. — Eu estava esperando pelo comprador... mas parece que a dona do brinquedo veio buscar o que perdeu. E trouxe uma companhia bastante peculiar.
— Devolva isso, Felt! — gritou Emilia, entrando logo atrás de Subaru e conjurando cristais de gelo ao seu redor. — Essa insígnia não pertence a você!
— Que barulhentos... — sussurrou Elsa, passando a língua pelos lábios com um suspiro extasiado. Ela ignorou Emilia por completo, cravando seus olhos predadores diretamente em Subaru. Havia algo na postura daquele homem que atiçava seus instintos mais primitivos. — Homem de cabelos brancos... você tem um pescoço tão longo e bonito. Suas entranhas... será que são quentes? Será que têm uma cor tão fascinante quanto esses seus olhos?
— Minhas entranhas? — Subaru soltou um riso seco e zombeteiro, tirando os óculos escuros e guardando-os no bolso da camisa. — Garota, você nem sequer tem capacidade de encostar na ponta da minha roupa, quanto mais abrir a minha barriga. Você fede a sangue velho. É nojento.
A fúria homicida de Elsa não se manifestou em palavras, mas em pura velocidade letal. Em uma fração de segundo, ela desapareceu do campo de visão comum, movendo-se mais rápido do que o olho humano poderia acompanhar.
— Subaru, cuidado! — gritou Emilia, em pânico.
Rom tentou mover o porrete, mas era lento demais. Felt mal conseguiu processar o movimento.
Elsa ressurgiu instantaneamente no ar, logo acima do ombro de Subaru, com o corpo arqueado e a lâmina curva descendo em um arco perfeito, mirando com precisão cirúrgica a jugular e a lateral do abdômen do rapaz. Um golpe fatal, executado com a mestria de uma assassina lendária que jamais havia errado o alvo.
Ela sorriu, antecipando o calor do sangue esguichando em sua pele.
Clack.
O som foi seco, quase imperceptível.
A lâmina afiada de Elsa não encontrou carne. Não encontrou osso. Não encontrou resistência mecânica.
A ponta da kukri simplesmente estagnou a exatos dois centímetros da pele do pescoço de Subaru.
O impacto cinético de seu salto foi completamente anulado no vácuo invisível que cercava o homem. Elsa sentiu o choque da desaceleração vibrar até os ossos de seu braço. Seus olhos se arregalaram em uma mistura profunda de choque, incredulidade e horror biológico. Ela empurrou com toda a força de seus músculos sobre-humanos, despejando mana na lâmina, tentando forçar o aço para frente.
Era inútil. A distância entre a faca e o pescoço dele parecia diminuir pela metade a cada milésimo de segundo, mas nunca, jamais chegaria a zero.
Subaru sequer havia se mexido. Ele continuava com a mão no bolso, virando lentamente a cabeça para encará-la nos olhos.
Aquele olhar.
Não havia medo. Não havia surpresa. Não havia adrenalina.
Havia apenas um tédio profundo, absoluto e esmagador, emanando de íris azuis que refletiam a própria infinitude da criação.
— É só isso? — perguntou Subaru Gojo, abrindo um sorriso cruel que fez o sangue da assassina gelar pela primeira vez na vida. — Eu esperava um pouco mais dos assassinos deste mundo. Que decepção.
