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Oliver!

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 01/11/2026

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Traquinagens de Papel e Orgulho Ferido

Os corredores da Paper School possuíam uma geometria peculiar, desenhada em traços rígidos de grafite e contrastes absolutos de preto e branco. O piso parecia feito de cartolina lustrosa, refletindo timidamente as lâmpadas fluorescentes que zumbiam no teto alto, enquanto as paredes exibiam murais de avisos grampeados de forma descuidada e portas pesadas que guardavam salas de aula onde o perigo espreitava em cada canto de régua.

Oliver caminhava com a tranquilidade de quem acreditava ser dono de cada centímetro daquele labirinto de folhas dobradas. Em sua mão direita, ele segurava com delicadeza uma barra quadrada de sabonete com suave aroma de lavanda. Com a expressão mais serena do mundo, levou o sabão à boca e deu uma mordida crocante, mastigando a espuma espessa e perfumada como se degustasse o doce mais refinado da confeitaria. A textura cerosa descia por sua garganta sem qualquer incômodo; para ele, sabonetes eram simplesmente o melhor lanche entre as aulas de matemática macabra e os intervalos caóticos.

O visual de Oliver não passava despercebido por ninguém que tivesse o mínimo instinto de autopreservação. Seus cabelos alvos eram tão longos que quase roçavam seus tornozelos, reunidos em um rabo de cavalo baixo por um laço escuro que balançava ritmicamente a cada passo. No alto da cabeça, além dos chifres pontiagudos e negros que se destacavam contra a paleta monocromática, uma mecha rebelde teimava em apontar para cima como uma antena zombeteira. No lado direito de seus fios claros, a insígnia vermelha em forma de "A+" brilhava com orgulho, uma lembrança irônica de seu status inalcançável perante os outros alunos.

Seu braço esquerdo, inteiramente moldado como um lápis comprido e afiado, repousava casualmente ao lado do corpo. Ele vestia sua habitual camisa preta de gola alta, com listras brancas destacadas nos punhos e na bainha, além da estampa de losango com barra transversal que marcava seu peito. As bermudas brancas e as meias até os joelhos combinavam perfeitamente com as pesadas botas pretas que ecoavam pelo chão liso. No pulso direito, o relógio marcava que ainda faltavam dez minutos para o sinal tocar e as temidas professoras iniciarem suas rondas sanguinárias.

Oliver estava prestes a dar outra mordida caprichada em seu sabonete quando uma sombra rápida cortou a luz do corredor.

Antes que seu cérebro pudesse processar o movimento sorrateiro que vinha de trás de um conjunto de armários de metal amassado, dois vultos se projetaram em sua direção com uma coordenação quase cirúrgica. Um impacto repentino e pesado atingiu as costas de Oliver, desequilibrando-o completamente.

— Mas o que diabos...?! — exclamou ele, perdendo o chão.

O garoto foi lançado para a frente. O sabonete escapuliu de seus dedos, deslizando pelo chão encerado até parar a vários metros de distância, deixando para trás uma fina película lilás. Oliver caiu de mau jeito sobre as mãos e os joelhos, o impacto estalando alto contra a superfície dura. O grafite de seu braço de lápis bateu no chão com um baque seco, arrancando uma pequena lasca da ponta.

A irritação subiu à cabeça de Oliver em uma fração de segundo. Seus olhos brancos, com as pupilas pretas dilatadas pelo susto, faiscaram em fúria. Ele trincou os dentes, sentindo as bochechas esquentarem não apenas pela queda indigna, mas pelo simples fato de que alguém ousara pegá-lo desprevenido.

— Quem foi o desgraçado que... — rosnou Oliver, começando a se apoiar nos cotovelos para se levantar, com a mecha no topo da cabeça tremendo de raiva.

Ele não teve tempo de concluir a ameaça.

Antes que pudesse erguer o tronco, duas figuras conhecidas se abaixaram sobre ele aos risos. Edward, com seu sorriso largo e travesso, segurou com firmeza o cós da bermuda branca de Oliver. Ao mesmo tempo, Zip surgiu do outro lado, com seus olhos semicerrados e a cauda balançando freneticamente no ar, rindo de forma histérica.

— Pega ele, Edward! Não deixa levantar! — gritou Zip, gargalhando tão alto que o som ecoou pelas paredes de papel.

— Olha só o nosso grande líder descansando no chão! — caçoou Edward, puxando o tecido com força brutal. — Vamos ver se você é tão durão assim quando perde a pose!

Com um movimento rápido e impiedoso, Edward puxou a bermuda branca de Oliver para cima e para fora do lugar, puxando junto o elástico da cueca com tanta força que o tecido esticou até o limite da resistência, cravando-se dolorosamente contra o corpo do garoto.

— Ai! Ei! Solta isso agora, Edward! — berrou Oliver, a voz saindo em um tom agudo que ele raramente deixava escapar.

Zip não perdeu a oportunidade de ouro. Enfiando as mãos onde Edward já havia aberto caminho, ela também agarrou a barra da roupa íntima de Oliver e deu mais um puxão vigoroso para cima, levantando o garoto parcialmente do chão pelo próprio elástico.

— Uau, belo modelo, Oliver! — zombou Zip, apontando e dobrando-se de rir ao ver o estado em que o amigo se encontrava. — Parece que alguém esqueceu de olhar para trás hoje!

— Ficou perfeito em você! Uma verdadeira obra de arte da Paper School! — acrescentou Edward, puxando mais uma vez antes de finalmente soltar o tecido esticado com um estalo sonoro que ecoou pelo corredor vazio.

Oliver soltou um grunhido abafado, caindo de barriga para baixo no piso gelado enquanto tentava se recuperar do impacto humilhante. O constrangimento o atingiu como um balde de água fria. Suas bochechas brancas se tingiram instantaneamente de um vermelho vivo, ardendo sob o olhar debochado dos dois cúmplices. A sensação incômoda da cueca totalmente desajustada e subida até as costelas o paralisou por alguns instantes.

Com os olhos arregalados em choque absoluto, ele permaneceu estirado, processando a audácia imperdoável daqueles que deveriam ser seus fiéis companheiros de maldades. Ele? Oliver? O maior valentão da escola, aquele que pregava peças impiedosas em Claire e Engel, sendo vítima do mais clássico e ridículo golpe escolar?

— Seus... idiotas... traidores de uma figa... — murmurou ele com a voz entrecortada, o rosto ainda em chamas.

Edward e Zip davam socos no ar e batiam as palmas das mãos em uma comemoração ruidosa. Zip rolava no chão de rir, segurando a própria barriga, enquanto Edward limpava uma lágrima imaginária de tanto gargalhar.

— A cara dele! Você viu a cara dele, Zip?! — Edward quase não conseguia formar as palavras. — Ele parecia uma coruja assustada!

— Eu vi! "Solta isso agora, Edward!" — imitou Zip, afinando a voz em um falsete ridículo. — Achei que ele fosse chorar pedindo arrego!

Oliver finalmente conseguiu se mover. Ainda completamente corado, ele apoiou a mão direita no chão e usou o braço de lápis para empurrar o corpo para cima. Ele sentou-se sobre os calcanhares e revirou os olhos com tanta força que quase pôde ver o interior do próprio crânio, soltando um suspiro exasperado e longo.

— Vocês são inacreditavelmente infantis — disse Oliver, tentando resgatar um pingo de dignidade enquanto levava a mão às costas para desentalar as próprias roupas com movimentos rápidos e desajeitados. — Inacreditáveis! Qual é o problema de vocês dois? Perderam o juízo por completo?

— Ah, qual é, Oliver! Você vive fazendo pegadinhas com todo mundo! — rebateu Zip, levantando-se e ajeitando a própria postura, embora o sorriso cínico continuasse colado em seu rosto. — Estava mais do que na hora de você provar do próprio veneno. E foi hilário!

— Hilário? Eu quase quebrei meu braço de grafite, sua lagartixa maluca! — retrucou Oliver, levantando-se de um salto, embora ainda ajeitasse o cós da bermuda branca com a mão livre, visivelmente desconfortável. — E meu sabonete! Vocês fizeram meu sabonete cair no chão sujo!

Edward olhou para a barra de lavanda que repousava no piso a alguns passos de distância e soltou uma risada debochada.

— Ah, não! O precioso sabonete do reizinho caiu na poeira! Que tragédia colossal para a humanidade! — ironizou Edward, cruzando os braços e inclinando a cabeça. — Vai fazer o que agora, Oliver? Escrever meu nome na ponta afiada do seu lápis?

Oliver estreitou os olhos, a marca vermelha de "A+" em seu cabelo parecendo vibrar de irritação. Ele deu dois passos pesados até onde o sabonete estava, abaixou-se e o recolheu. Assoprou a poeira invisível da superfície do doce aromático e, para o espanto fingido dos amigos, deu mais uma mordida desafiadora, mastigando com ferocidade enquanto mantinha o olhar fixo em Edward.

— Eu não preciso escrever seu nome em lugar nenhum — disse Oliver com a boca cheia de espuma perfumada, a voz abafada pelo sabão. — Eu só preciso lembrar vocês dois de quem planeja as melhores armadilhas por aqui. Vocês acham que isso vai ficar barato?

Zip deu um passo para trás, piscando os olhos e fingindo terror.

— Ui, que medo! Ele está espumando de raiva... ou é só sabão de lavanda mesmo?

— É camomila e lavanda, para sua informação, e ajuda a relaxar — retrucou Oliver, limpando o canto da boca com as costas da mão direita. — Algo que eu claramente preciso depois dessa palhaçada sem cabimento.

Apesar de tentar soar imponente e assustador, o rubor em seu rosto ainda não havia desaparecido por completo, e o modo como ele evitava cruzar o olhar diretamente com Edward entregava que seu orgulho fora ferido de maneira irreparável naquela manhã.

Edward deu uma cotovelada amigável nas costelas de Zip, e os dois continuaram a rir baixinho, trocando olhares cúmplices. A dinâmica do trio sempre fora caótica, construída à base de rivalidades mesquinhas, travessuras impiedosas contra os outros alunos e, ocasionalmente, sabotagens internas que testavam a paciência de qualquer um.

— Admite logo, Oliver — insistiu Edward, dando um sorriso de canto. — Nós te pegamos de jeito. Você nem viu de onde veio o bote.

Oliver cruzou os braços, bufando pelo nariz. O rabo de cavalo branco balançou quando ele virou a cabeça para o lado oposto, fingindo total desinteresse, embora a mecha no topo de sua cabeça ainda estivesse rígida de tensão.

— Um ataque pelas costas não tem mérito nenhum. Qualquer um pode empurrar alguém distraído enquanto saboreia seu lanche matinal — argumentou ele com desdém forçado. — Foi covarde, mal executado e... excessivamente doloroso no elástico.

— Mas funcionou! — comemorou Zip, saltitando ao redor de Oliver como uma ave de rapina zombeteira. — Você devia ter visto seus olhos! Pareciam duas bolas de papel amassadas!

— Já chega, Zip! — rosnou Oliver, levantando o braço esquerdo em tom de advertência. A ponta de grafite afiada passou a escassos centímetros do nariz da garota, fazendo-a finalmente recuar um passo com um risinho nervoso. — Mais uma palavra sobre a minha cara ou sobre a minha cueca e eu juro que vou alimentar o monstro do armário com as suas asas postiças.

— Tá bom, tá bom, estentadinho! Não precisa apelar para a violência gráfica — disse ela, levantando as mãos em sinal de rendição simulada.

Nesse instante, um som metálico e arrastado ecoou no final do corredor, vindo da direção do bloco de ciências. Era o ruído inconfundível de uma régua de compasso gigante sendo arrastada pelo chão de cerâmica. Passos pesados e ritmados se aproximavam, acompanhados por uma aura gélida que fez os três valentões se calarem instantaneamente.

— Droga... a Miss Circle — sussurrou Edward, o sorriso desaparecendo de seu rosto em uma velocidade impressionante.

— Ela já terminou a primeira rodada de "reprovação"? — perguntou Zip, a voz agora carregada de uma apreensão genuína. — A aula nem começou direito!

Oliver olhou para o relógio em seu pulso direito. O ponteiro marcava que eles estavam atrasados para a chamada do primeiro período. Se fossem pegos perambulando pelos corredores fora do horário, não haveria sabonete nem armadilha no mundo que os salvasse da fúria voraz das professoras.

— Se formos pegos aqui, ela vai picotar a gente antes de perguntar quem estava puxando a roupa de quem — disse Oliver, a irritação momentânea dando lugar ao puro senso de sobrevivência. — Pro laboratório, agora!

Sem pensar duas vezes, o trio começou a correr em disparada pelo corredor quadriculado. As botas de Oliver batiam forte contra o chão, seus longos cabelos brancos flutuando atrás de si como uma capa espectral enquanto ele segurava a barra de sabonete restante com força. Edward e Zip corriam logo atrás, virando as esquinas com agilidade afiada para despistar o som distante da lâmina raspando nas paredes.

Ao alcançarem a porta de uma sala vazia, Oliver girou a maçaneta com a mão de carne e os empurrou para dentro, fechando a porta com cuidado e silêncio absolutos. Os três se encostaram contra a parede de armários escuros, prendendo a respiração enquanto viam, pela fresta de vidro fosco da porta, a silhueta colossal de Miss Circle passar lentamente pelo corredor, com sua buzina de caça e o compasso ensanguentado brilhando sob as luzes trêmulas.

O silêncio na sala durou até que os passos da professora finalmente desapareceram no final do corredor.

Quando o perigo imediato passou, Oliver soltou o ar que segurava nos pulmões, deixando o corpo escorregar ligeiramente pela parede. Ele olhou para os dois amigos, que ainda tentavam recuperar o fôlego ao seu lado.

Edward olhou para Oliver, e depois olhou para a bermuda do garoto, que ainda exibia as marcas dos amassados deixados pelo puxão violento de minutos atrás. Um risinho reprimido começou a escapar pelos lábios de Edward mais uma vez.

— Nem pense nisso — advertiu Oliver, apontando a ponta do lápis para ele antes que o outro pudesse abrir a boca. — Se você der mais um pio sobre aquilo, eu juro que a próxima vítima da Miss Circle vai ser você, porque eu mesmo vou te empurrar na frente dela.

Zip colocou a mão sobre a boca para abafar a risada, mas os ombros sacudiam incontrolavelmente.

— Você tem que admitir, Oliver... — sussurrou ela, com a voz abafada. — Foi a melhor pegadinha do mês.

Oliver olhou para os dois, sentindo mais uma vez a mecha de cabelo no topo da cabeça se arrepiar em protesto. Ele suspirou profundamente, revirou os olhos em uma mistura de derrota e enfado supremo, e deu mais uma mordida resignada em seu pedaço de sabonete.

— Vocês são inacreditáveis — resmungou ele enquanto mastigava o doce aroma de lavanda. — Mas da próxima vez... a vingança vai ser minha. E eu garanto que vocês não vão conseguir sentar por uma semana inteira.

Edward e Zip apenas trocaram mais um olhar cúmplice e caíram na gargalhada silenciosa dentro da sala escura, enquanto Oliver, ainda com o rosto ligeiramente rosado de vergonha, ajeitava pela última vez suas roupas e esperava o momento certo para encarar mais um dia naquele inferno feito de folhas de papel.

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