
O professor e o universitário
Fandom: Boku no hero
Criado: 02/11/2026
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Artigo de Exceção
O auditório da Faculdade de Direito da U.A. carregava uma acústica implacável, onde até mesmo o virar de uma página de caderno ecoava como um sussurro indiscreto. No entanto, nas tardes de terça e quinta-feira, durante a aula de Direito Penal Aplicado, o silêncio era absoluto por uma razão muito diferente: o pavor reverente que o corpo docente e os calouros compartilhavam em relação ao homem em pé diante do púlpito de mogno.
Katsuki Bakugou não lecionava apenas com erudição; ele impunha sua matéria.
Aos trinta e quatro anos, com o porte esguio e musculoso de quem ainda mantinha a disciplina militar, o professor Bakugou dominava o ambiente sem esforço. As mangas da camisa social preta estavam meticulosamente dobradas até os antebraços fortes, revelando veias saltadas e um relógio de pulso prateado que marcava o tempo com precisão cirúrgica. Seus cabelos loiros, cortados de maneira impecável, emolduravam um rosto de traços duros, maxilar quadrado e olhos de um carmesim tão penetrante que pareciam queimar quem ousasse encará-los por mais de três segundos. Ele era conhecido por sua impaciência crônica, pelas tiradas cortantes e pela arrogância indisfarçável, mas também pelo charme magnético que emanava cada vez que desfazia o nó da gravata com irritação.
E, na terceira fileira, os olhos verdes de Izuku Midoriya registravam cada mínimo detalhe.
Izuku havia chegado à universidade com o brilho quase ingênuo de quem desejava reformar o sistema judiciário. Era dono de cachos esmeralda bagunçados, sardas salpicadas sobre o nariz e um sorriso fácil que cativava colegas e servidores. Porém, sob aquela fachada entusiasmada e prestativa, residia uma mente afiada como lâmina e uma audácia que beirava a inconsequência. Uma audácia que, desde o primeiro dia de semestre, tinha um alvo muito específico.
Bakugou bateu a capa dura do Código Penal contra a bancada. O estrondo seco fez a turma pular nas cadeiras.
— Dolo eventual versus culpa consciente — declarou o professor, com a voz rouca e firme, ecoando pelo teto alto. — Um conceito medíocre para quem estuda superficialmente, mas o divisor de águas entre a liberdade e dez anos de cela para quem sabe o que faz. Alguém aqui é capaz de me explicar a linha tênue sem vomitar os clichês da doutrina de primeiro período?
O auditório congelou. Ninguém queria se voluntariar para ser desossado pela língua ferina de Bakugou.
Izuku, com uma calma quase insolente, apoiou o queixo na palma da mão e ergueu os dedos da outra, sustentando o olhar inflamado que se virou para ele.
Os olhos vermelhos de Bakugou semicerraram-se. Um músculo saltou em sua mandíbula. Ele já sabia o que esperar.
— Diga, Midoriya. Ilumine a turma com sua sabedoria infinita.
O tom era de puro deboche, mas Izuku não recuou. Pelo contrário: abriu um meio sorriso provocador que fez o professor prender a respiração por uma fração de segundo imperceptível.
— No dolo eventual, o agente prevê o resultado danoso e, honestamente, assume o risco. Ele não se importa com as consequências, apenas aceita que aconteça — disse Izuku, modulando a voz com suavidade calculada, mantendo as pupilas cravadas nas do homem mais velho. — Já na culpa consciente, ele também prevê o perigo, mas acredita piamente que tem habilidade suficiente para evitar o desastre. Ele confia demais no próprio controle.
A sala permaneceu muda. Bakugou desceu dois degraus do tablado, aproximando-se da bancada onde Izuku estava sentado. O cheiro de seu perfume amadeirado, forte e caro, invadiu o espaço pessoal do rapaz.
— E você, garoto? — Bakugou inclinou-se ligeiramente sobre a mesa, os olhos faiscando perigosamente. — Acha que consegue evitar o desastre quando se coloca voluntariamente em risco?
A metáfora era transparente demais para quem estivesse prestando atenção nas entrelinhas. A tensão sexual que estalou entre os dois foi quase audível, densa como fumaça em recinto fechado.
— Eu confio na minha capacidade de persuasão, professor — respondeu Izuku, a voz descendo meio tom, o verde das íris brilhando em desafio. — E, às vezes, o resultado danoso é exatamente o que se quer alcançar.
Um rosnado baixo vibrou na garganta de Bakugou. A paciência do loiro, historicamente curta, parecia ter evaporado por completo. Ele endireitou o corpo com lentidão calculada, ajeitou a gola da camisa e fuzilou o calouro com um olhar que prometia punição.
— Resposta aceitável. Teoria medíocre. Dez minutos de intervalo. Depois disso, quero todos sentados para a análise de jurisprudência. E Midoriya — Bakugou virou as costas, caminhando em direção à sua pasta —, depois da aula, na minha sala. Seu fichamento do último artigo precisa de correções urgentes.
Izuku mordeu o lábio inferior para conter o sorriso vitorioso. Ao seu lado, colegas soltaram suspiros de alívio e compaixão, murmurando condolências por ele ter irritado o temido professor. Eles não faziam ideia.
Quarenta minutos mais tarde, o corredor do departamento de Direito Penal estava deserto. A luz alaranjada do fim de tarde entrava pelas janelas altas, banhando as portas de madeira maciça. Diante da sala 402, Izuku ajustou a alça da mochila no ombro, respirou fundo e bateu com os nós dos dedos.
— Entra de uma vez — veio o latido impaciente de dentro.
Izuku girou a maçaneta e entrou.
A sala de Bakugou refletia com perfeição seu dono: livros encadernados em couro dispostos de forma impecável nas estantes, uma mesa imensa de cerejeira sem um único papel fora do lugar e persianas entreabertas cortando a penumbra com fatias douradas de sol. Bakugou estava sem o paletó, com os botões superiores da camisa abertos, revelando a pele clara da base do pescoço e a clavícula desenhada. Ele segurava uma xícara de café preto com uma das mãos enquanto assinava documentos com a outra.
Sem erguer os olhos, Bakugou apontou a caneta tinteiro para a cadeira oposta.
— Senta aí e fecha a porta.
Izuku fechou a porta, mas não apenas isso: girou a tranca com um clique deliberado e suave.
O som do trinco fez com que Bakugou parasse a caneta no meio de uma assinatura. Lentamente, ele ergueu a cabeça. Os olhos vermelhos estavam escuros, tempestuosos, despidos da máscara professoral que costumava usar diante do público.
— Que porra pensa que está fazendo, Midoriya?
— Evitando interrupções indesejadas, professor — respondeu Izuku, caminhando sem pressa. Ele ignorou a cadeira e parou em pé, logo à beira da mesa de mogno, apoiando as duas mãos sobre a superfície polida. Inclinou-se para a frente, diminuindo a distância entre seus rostos. — O senhor disse que meu fichamento precisava de correções. Estou aqui para ouvir a sentença.
Bakugou largou a caneta. O metal bateu na madeira com um estalo nítido. Ele empurrou a cadeira para trás e levantou-se com uma lentidão predatória, superando a altura de Izuku e projetando sua sombra sobre o jovem. A irritação em suas feições era genuína, mas a atração febril que ardia por baixo era inegável.
— Você se acha muito esperto, não é, seu moleque? — Bakugou deu a volta na mesa, os passos firmes e silenciosos, até parar a menos de um palmo de distância de Izuku. O calor que emanava de seu corpo era palpável. — Fica no meio da minha aula me desafiando, medindo palavras, jogando piadinhas de duplo sentido na frente de cinquenta idiotas. Você sabe muito bem que eu poderia te reprovar só por insubordinação.
— Poderia? — Izuku ergueu o queixo, sem vacilar. O coração batia acelerado contra as costelas, mas a excitação corria por suas veias como pura eletricidade. — Então por que não reprova, Katsuki?
O uso do primeiro nome, desprovido de qualquer respeito hierárquico, foi a faísca que faltava para detonar o pavio curto do homem mais velho.
Bakugou avançou em um movimento brusco, prensando Izuku contra a lateral da pesada estante de livros. O impacto fez as lombadas antigas vibrarem. Uma das mãos grandes e calejadas de Bakugou bateu na madeira ao lado da cabeça de Izuku, enquanto a outra segurou com força a gravata frouxa do estudante, puxando-o para cima até que seus narizes quase se tocassem.
— Repete isso — rosnou Bakugou, a respiração quente e com cheiro de café batendo contra os lábios entreabertos de Izuku. — Repete essa merda se tiver coragem.
Izuku não recuou. Suas mãos subiram, pousando timidamente, mas com firmeza, no peito largo de Bakugou, sentindo o compasso descompassado e feroz do coração que batia sob a camisa de algodão fino.
— Eu disse o seu nome — sussurrou o garoto, a voz embargada pela tensão que os consumia há semanas, desde aquele primeiro olhar trocado na biblioteca central. — Porque nós dois sabemos que essa distância de professor e aluno está prestes a desmoronar. O senhor finge que me odeia, mas não para de me olhar. Passa a aula inteira me vigiando como se quisesse me devorar vivo.
Os olhos de Bakugou desceram para os lábios carnudos de Izuku, que tremiam levemente sob o peso da proximidade. A mandíbula do loiro se contraiu tanto que doeu. Cada fibra do seu bom senso, cada código de ética universitário e cada ano de carreira construída com suor e sangue gritavam para que ele empurrasse o calouro para longe, abrisse a porta e o expulsasse aos berros.
Mas a porra do cheiro daquele garoto — uma mistura fresca de chuva e sabonete infantil com a ousadia perigosa de um homem feito — entorpecia qualquer resquício de racionalidade.
— Você não tem ideia da merda que está pedindo, Midoriya — a voz de Bakugou falhou, tornando-se um sussurro áspero, quase suplicante em sua ferocidade. A mão que segurava a gravata soltou o tecido para subir lentamente pela linha da mandíbula de Izuku, o polegar áspero traçando as sardas da bochecha quente. — Eu não tenho paciência para joguinhos. Se você continuar me provocando desse jeito, eu vou esquecer onde estamos. E não vai sobrar nada da sua reputação de aluno exemplar.
Izuku arfou quando os dedos do professor tocaram sua pele. Uma onda de choque desceu por sua espinha, arrancando-lhe a pouca postura defensiva que restava. Ele inclinou o rosto contra a palma da mão de Bakugou, fechando os olhos por um segundo para saborear o calor abrasador.
— Quem disse que eu me importo com a minha reputação? — murmurou Izuku, abrindo os olhos novamente, o olhar carregado de um desejo tão cru e desmedido que fez o ar rarear entre eles. — Eu quero você, professor. E sei que você me quer tanto quanto eu. Por que resistir tanto?
— Porque eu sou a porra do seu professor! — explodiu Bakugou em um sussurro furioso, os nós dos dedos ficando brancos enquanto ele lutava contra o impulso quase incontrolável de esmagar sua boca contra a do jovem. — Porque isso aqui é ilegal, antiético e autodestrutivo!
— O direito penal não pune atos preparatórios, Bakugou — provocou Izuku, com um sorriso fraco e desafiador dançando nos cantos dos lábios. — Só a consumação.
Bakugou soltou uma risada rouca e sem humor, seus olhos vermelhos brilhando com uma intensidade predadora.
— Filho da puta atrevido...
Antes que qualquer um dos dois pudesse medir as consequências, Bakugou quebrou os últimos milímetros de distância. Ele não o beijou de imediato; em vez disso, colou seus corpos com violência contida, enterrando o rosto na curva do pescoço de Izuku e aspirando o ar ali com um desespero que beirava a agonia. Seus dentes roçaram a pele sensível da jugular do garoto, que soltou um gemido abafado, jogando a cabeça para trás contra os livros.
A mão de Izuku subiu freneticamente para os cabelos loiros e espetados de Bakugou, os dedos enroscando-se nos fios macios enquanto ele puxava o homem mais velho para mais perto, querendo mais, exigindo tudo.
Bakugou deslizou a mão livre pela cintura fina de Izuku, apertando o quadril do estudante com uma força possessiva que deixaria marcas. Ele subiu os lábios pelo pescoço, mordiscando a linha da mandíbula até estacionar a milímetros da boca tentadora que vinha assombrando suas noites de insônia há semanas.
— Uma única chance — Bakugou murmurou, a voz tão baixa e carregada de luxúria que soava quase irreconhecível. — Dá meia-volta, destranca aquela porta e sai. Porque se você der mais um passo em falso, eu vou te foder em cima dessa mesa até você esquecer como se conjuga um verbo.
O sangue de Izuku ferveu. Qualquer pessoa sã teria sentido medo da promessa brutal implícita naquele tom. Mas Izuku não estava são; estava bêbado daquele homem, intoxicado pelo perigo e pela promessa de ruína compartilhada.
Em vez de recuar, Izuku ergueu-se nas pontas dos pés. Seus lábios roçaram os de Bakugou — apenas o mais leve, torturante e fugaz contato, o suficiente para sentir a textura quente e macia da boca do professor.
— Então me foda, Katsuki.
O gemido que escapou de Bakugou foi de pura derrota carnal. O último resquício de moralidade despedaçou-se.
Com um puxão violento, Bakugou tomou a boca de Izuku em um beijo devastador. Não havia delicadeza ali; era uma colisão desesperada de dentes, línguas e anos de desejos reprimidos explodindo em um único instante. Bakugou invadiu o espaço com a mesma autoridade com que dominava suas aulas, exigindo submissão e recebendo em troca uma paixão feroz, pois Izuku retribuía com igual vigor, mordendo, sugando e puxando o professor para si como se sua vida dependesse daquele contato.
Izuku gemeu contra a boca do loiro quando as mãos grandes de Bakugou o suspenderam com facilidade, sentando-o na beirada da mesa de mogno. Papéis e canetas deslizaram pelo chão, mas nenhum dos dois prestou atenção ao barulho surdo dos objetos caindo no tapete persa.
As mãos de Bakugou desceram para desabotoar a camisa de Izuku, os dedos tremendo levemente pela primeira vez na vida — um homem acostumado ao controle absoluto, agora desarmado pela pele leitosa e pelas sardas que se espalhavam pelo peito do rapaz.
Mas, de repente, o som estridente e rítmico de uma chave tentando entrar na fechadura do lado de fora cortou o ar como um balde de água gelada.
A maçaneta tremeu.
— Professor Bakugou? — a voz da coordenadora do curso ecoou abafada pela madeira espessa da porta. — O senhor ainda está aí? A ata da congregação precisa da sua assinatura antes das seis.
O tempo parou.
Bakugou congelou, a testa colada na de Izuku, ambos com o peito subindo e descendo em arfadas descompassadas. O suor brilhava nas têmporas do loiro; seus olhos vermelhos fitavam Izuku com uma mistura explosiva de ódio pela interrupção e fome incontida. Os lábios de Izuku estavam vermelhos, inchados e entreabertos, brilhando pela saliva compartilhada.
A mão de Bakugou permaneceu parada sobre o peito desnudado do estudante, sentindo as batidas caóticas daquele coração jovem.
— Bakugou? — a coordenadora insistiu do lado de fora, batendo de leve.
O loiro fechou os olhos com força, trincando os dentes com tanta intensidade que o maxilar doeu. Ele respirou fundo três vezes, puxando o ar gelado da sala para tentar clarear a névoa espessa de tesão que nublava seu julgamento.
Lentamente, com um esforço sobre-humano que pareceu drenar sua energia vital, Bakugou deu um passo para trás. Seus dedos deslizaram para longe do corpo de Izuku, deixando uma trilha de frio onde antes havia chamas.
— Já estou indo, Aizawa — Bakugou respondeu, a voz surpreendentemente controlada, embora mais rouca e grave que o habitual. — Estava revisando um caso complexo. Um minuto.
Do lado de fora, passos começaram a se afastar lentamente pelo corredor.
Na penumbra da sala, Bakugou encarou o jovem sentado em sua mesa. A camisa social de Izuku estava aberta, os cachos verdes completamente despenteados e as pupilas dilatadas denunciando o quanto ele ainda estava à beira do abismo.
Bakugou engoliu em seco, puxou o nó da própria gravata com um puxão ríspido e apontou para as roupas do calouro com o dedo indicador trêmulo.
— Abotoe essa porra — ordenou ele, o tom baixo, mas carregado de uma autoridade que tentava desesperadamente se restabelecer. — Agora.
Izuku soltou uma respiração trêmula e, lentamente, começou a fechar os botões de sua camisa, os dedos vacilando nas casas do tecido. Ele não parecia arrependido; pelo contrário, um brilho de triunfo e volúpia ainda reluzia em seus olhos esmeralda.
— Nós não terminamos isso — disse Izuku em um sussurro, descendo da mesa e alisando a barra da calça social.
Bakugou virou-se de costas, apoiando as duas mãos na janela e encarando o pátio da universidade lá embaixo, tentando a todo custo acalmar a ereção dolorosa que pressionava o tecido de sua calça. Seus ombros largos subiam e desciam em um ritmo tenso.
— Se você voltar a cruzar essa linha, Midoriya... — Bakugou parou, sua voz soando como um trovão distante. Ele virou ligeiramente o rosto, o canto do olho carmesim fixando-se no rapaz que ajeitava a mochila nas costas. — ...eu não vou parar na metade do caminho da próxima vez. E nem você vai querer que eu pare.
Izuku sorriu. Um sorriso pequeno, perigoso e absolutamente satisfeito.
Ele caminhou até a porta, destrancou o trinco com cuidado e pousou a mão na maçaneta. Antes de sair para o corredor vazio, olhou por cima do ombro uma última vez.
— Até terça-feira, professor. Não se atrase para a aula.
A porta se fechou com um clique suave, deixando para trás um homem maduro, consumido pelo desejo e ciente de que, mais cedo ou mais tarde, aquele tribunal particular terminaria em uma condenação inevitável.
