
Oliver!!:3
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 02/11/2026
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Grafite Preso e Fita Isolante
A consciência retornou em ondas lentas e desconfortáveis, como se alguém estivesse desdobrando uma folha de papel amassada e úmida dentro de seu cérebro. O primeiro sentido a despertar foi o olfato: um aroma familiar de serragem de lápis, cola de secagem rápida e poeira de giz pairava no ar, misturado com algo estranho, quase químico e empoeirado. O segundo sentido foi o tato, e foi exatamente aí que a calmaria residual do sono se transformou em puro choque.
Oliver tentou esticar os braços em um bocejo preguiçoso, mas seus membros simplesmente não obedeceram. Havia uma restrição rígida, áspera e cruel cravando-se contra a pele pálida de seus pulsos.
Ele piscou rapidamente, tentando forçar seus olhos brancos com pupilas negras a focarem na penumbra. O ambiente era cinzento, mal iluminado por uma fresta de luz que parecia vazar por baixo de uma porta trancada a alguns metros dali. Oliver estava sentado, ou melhor, prensado contra uma cadeira de madeira pesada. Quando tentou mover as pernas para se levantar num reflexo instintivo de fuga, seus tornozelos colidiram com as pernas da cadeira, firmemente entrelaçados por voltas e mais voltas de corda de cânhamo grossa.
Em pânico instantâneo, ele abriu a boca para praguejar ou chamar por reforços, mas o único som que conseguiu produzir foi um gemido abafado e patético:
— Mmmff! Mmm-nnn!
Seus lábios estavam completamente selados por uma faixa larga e espessa de fita adesiva preta. A cola grudava de forma implacável contra sua pele branca, repuxando o canto de sua boca a cada tentativa desesperada de forçar a mandíbula para baixo. O tecido da fita era denso e industrial, impossível de rasgar com a língua ou com o simples movimento dos dentes.
Oliver sentiu uma gota gélida de suor escorrer lentamente por sua têmpora, passando perto da marca vermelha em forma de "A+" desenhada no lado direito de seus cabelos brancos. Aquela mecha arrepiada no topo de sua cabeça, que sempre se destacava em sua silhueta travessa, parecia agora apontar tensa para o teto, como uma antena captando o terror iminente. Seus longos cabelos brancos, que desciam até a altura dos tornozelos presos por um laço preto na base, estavam desalinhados e emaranhados entre o encosto de ripas da cadeira e suas próprias costas, puxando dolorosamente seu couro cabeludo sempre que ele tentava reclinar o tronco.
"O que diabos está acontecendo?!", pensou ele freneticamente, as pupilas dilatando até parecerem dois pontos negros em meio ao branco absoluto de suas esferas oculares. "A Paper School foi invadida? Um assalto? Terroristas armados com tesouras gigantes e estiletes?"
A ideia parecia absurda à primeira vista, mas na Paper School o absurdo era a rotina de cada intervalo. Oliver sabia muito bem do perigo real que rondava aqueles corredores de textura cartolina. Ele mesmo adorava aterrorizar os alunos mais fracos junto de seus melhores amigos, Zip e Edward. Ele se divertia pregando peças cruéis, empurrando novatos para cantos escuros e rindo das punições terríveis que os professores distribuíam. Ele era o valentão temido, o garoto com o sorriso sarcástico perpétuo e a postura intocável.
Agora, ver-se na posição de presa indefesa fazia seu estômago revirar em um nó apertado.
Ele respirou fundo pelo nariz, puxando o ar seco que queimava suas narinas. Seus chifres pretos curvos bateram contra a madeira da cadeira com um clique seco quando ele sacudiu a cabeça para os lados, tentando desesperadamente afrouxar a mordaça. A fita nem sequer estremeceu. O relógio no pulso direito de Oliver apertava desconfortavelmente sua carne, pressionado pela corda que o unia ao seu braço esquerdo.
E era justamente no braço esquerdo que residia sua maior esperança — e sua maior frustração.
Em vez de uma mão com dedos normais, seu braço esquerdo terminava na forma perfeita e afiada de um lápis gigante de madeira e grafite negro. Normalmente, aquele membro era sua melhor ferramenta para desenhar no chão, apontar zombeteiramente para suas vítimas ou riscar mesas durante as aulas chatas. Se ele conseguisse apenas girar o pulso em um ângulo agudo, talvez a ponta de grafite pudesse perfurar a fibra da corda, esgarçar as linhas e conceder-lhe uma folga suficiente para puxar o restante do corpo.
Com um rosnado abafado pela fita, Oliver tencionou todos os músculos do tronco.
— Nnngh!
A camisa preta de gola alta, com suas listras brancas nas mangas e na barra, esticou-se até o limite. O losango com a barra transversal no centro de seu peito subia e descia em um ritmo descompassado de hiperventilação. Ele tentou curvar o antebraço de madeira para trás, forçando o lápis em direção ao nó traseiro que unia suas mãos atrás do encosto.
A dor foi imediata. A corda estava tão justa que a madeira de seu braço simplesmente esmagava a pele sensível de seu pulso direito contra o nó de marinheiro. Por mais que ele torcesse e flexionasse o cotovelo, o ângulo era terrivelmente desfavorável. A ponta do lápis apenas arranhou o ar e raspou de leve na madeira polida da própria cadeira, soltando nada mais que uma minúscula lasca inútil.
— Mmmph! Droga! — ele tentou gritar, mas a fita isolante absorveu cada sílaba, transformando seu desespero em ruídos surdos que mal alcançavam as paredes úmidas da sala.
Oliver fechou os olhos com força. O suor agora escorria por seu queixo, umedecendo a borda inferior da fita preta, fazendo a cola pinicar e arder contra sua derme pálida. Suas meias brancas que cobriam as pernas até a altura dos joelhos estavam amarrotadas, as botas pretas presas firmemente ao chão por amarras secundárias que davam voltas nos pés da cadeira. Até mesmo suas bermudas brancas pareciam agora um uniforme ridículo de prisioneiro.
"Se isso for uma pegadinha do Edward, eu juro que vou quebrar as engrenagens daquele robô maldito dele", divagou em pânico, buscando qualquer culpado para afastar o medo crescente. "Ou da Zip... Ela acharia isso hilário. Mas a Zip nunca conseguiria dar um nó tão perfeito assim. Os nós dela parecem um ninho de passarinhos de papel amassado."
Um arrepio desceu por sua espinha dorsal, descendo pelos chifres até a ponta dos cabelos compridos.
E se não fosse uma brincadeira?
A mente de Oliver correu até Alice. O pensamento em sua amada e aterrorizante criatura monstruosa fez seu coração disparar ainda mais rápido. Teria ele feito algo que a desagradasse? Teria entrado em sua sala proibida no momento errado? Não, Alice nunca o amarraria assim; ela preferia o terror explícito, os tentáculos sombrios e o sangue carmesim manchando os azulejos brancos.
E se fossem os professores? Miss Circle? Miss Bloomie? Miss Thavel?
Oliver não havia tirado nenhuma nota baixa — o "A+" perpétuo gravado e decorado em seu visual era a prova de sua imunidade acadêmica às garras e bússolas afiadas das professoras assassinas. Ele não era um fracassado como Abbie ou os outros alunos descuidados que acabavam estripados ao lado dos armários. Ele não merecia estar ali.
— Hmmm! Hmmm! — ele emitiu, balançando o corpo inteiro para frente e para trás.
A cadeira de madeira rangeu em protesto. As pernas do móvel rasparam de leve contra o piso de azulejos foscos, produzindo um ruído agudo que ecoou pela escuridão. O impacto fez seu estômago roncar dolorosamente. Em meio a todo aquele pânico sufocante, uma onda bizarra e inoportuna de fome atingiu o valentão.
Ele desejou desesperadamente ter uma barra de sabonete naquele instante.
Não qualquer sabonete barato de lavatório público, mas um daqueles blocos azuis com essência pura de menta ou lavanda que ele guardava escondido no fundo de sua mochila escolar. O sabor espumoso, adstringente e limpo de sabão sempre o acalmava nas horas mais estressantes. Mastigar um bom pedaço de sabonete floral traria um pouco de lucidez àquele pesadelo. Mas sua boca estava trancada, e seu lanche favorito estava quilômetros de distância dali, se é que ele ainda estava dentro das dependências do colégio.
Oliver forçou os olhos a vasculharem cada detalhe da sala em penumbra.
À sua frente, uma mesa de professor vazia repousava sob a meia-luz. Sobre o tampo riscado, jazia uma tesoura de ponta redonda enferrujada e um pote de vidro sem tampa, contendo nada além de poeira e alguns clipes de papel entortados. Ao fundo, um quadro-negro apagado pela metade exibia resquícios de giz branco com fórmulas geométricas distorcidas. Ele reconhecia aquela caligrafia. Era a sala de detenção desativada da ala leste, um lugar onde nenhum estudante são ousava pisar após o pôr do sol.
Ele ainda estava na Paper School.
Saber disso não trouxe alívio algum; apenas piorou a angústia. Se ele estava na Paper School e havia sido deixado ali atado, o agressor provavelmente conhecia cada centímetro daquelas paredes e sabia que ninguém o ouviria gritar.
De repente, um som cortou o silêncio fúnebre do corredor.
Clack.
Clack.
Clack.
Passos lentos e ritmados ecoavam do lado de fora, aproximando-se com uma precisão cirúrgica. O som era característico de solas rígidas batendo contra o linóleo encerado. A cada estalo, a respiração de Oliver tornava-se mais superficial e rápida, o peito arfando sob o tecido da camisa escura.
— Mmm-ph! — ele balbuciou, debatendo-se com violência renovada.
O lápis em seu braço esquerdo raspou freneticamente contra as ripas da cadeira. A mecha arrepiada em sua cabeça tremia visivelmente. Ele jogou o peso do corpo para a direita, na esperança absurda de derrubar a cadeira e talvez quebrar a estrutura de madeira no impacto contra o chão, mas a base era pesada demais, mantendo-o firmemente ancorado. O relógio em seu pulso bateu na madeira com um estalo metálico agudo.
A maçaneta de metal da porta começou a girar.
Lentamente.
Nheeeeeec.
A dobradiça enferrujada gritou em protesto quando a porta de compensado branco foi empurrada para dentro. A faixa de luz que cortava a escuridão se alargou, projetando uma sombra longa e assustadora sobre o chão até atingir os pés amarrados de Oliver.
Uma silhueta parou na soleira da porta.
Oliver paralisou. Seus olhos brancos se fixaram na figura, o suor escorrendo agora por suas pálpebras, fazendo-o arder a cada piscada involuntária. Por trás da mordaça preta e adesiva, sua mandíbula travou em um pavor genuíno. Ele queria implorar, queria ameaçar, queria exigir saber o motivo daquela humilhação, mas tudo o que escapou de sua garganta apertada foi um murmúrio fraco e entrecortado:
— Mmm... m-mmm...
A figura deu um passo à frente, entrando plenamente no raio de visão de Oliver. Em sua mão direita, o estranho não carregava uma arma de fogo nem uma corda extra, mas sim um objeto longo e afiado de metal reluzente que refletia a luz fraca do corredor como um espelho mortal.
— Ora, ora — disse uma voz suave e teatral, destilando uma ironia cortante. — O grande Oliver finalmente aprendeu a ficar quieto.
Oliver arregalou os olhos. Ele reconhecia aquela voz.
A figura aproximou-se, parando a apenas dois passos da cadeira onde o rapaz estava imobilizado. A luz finalmente revelou as feições do intruso, arrancando de Oliver um suspiro sufocado de pura incredulidade.
— Você achou mesmo que poderia mandar nesta escola para sempre? — continuou a voz, enquanto a lâmina da tesoura se abria e fechava em um estalo metálico compassado: snip, snip. — Pelo visto, o papel de vítima cai muito bem em você.
Oliver tentou falar mais uma vez, forçando o lápis em seu braço esquerdo para frente em uma ameaça vazia e inútil. As cordas estalaram, mordendo ainda mais sua carne, e a fita adesiva impediu que sua fúria ganhasse voz, deixando o valentão da Paper School completamente à mercê de seu próprio pesadelo.
