
Nós apenas
Fandom: Futebol e fama
Criado: 02/11/2026
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Santuário Particular
O silêncio do apartamento duplex em Neuilly-sur-Seine era quebrado apenas pelo som baixo de uma playlist de neo-soul e pelo borbulhar suave de uma panela no fogão. Désiré Doué havia chegado do centro de treinamento do Paris Saint-Germain há pouco mais de duas horas. O treino tático sob o comando de Luis Enrique tinha sido intenso, exigindo cada fibra de seus músculos e foco absoluto, mas sua mente, na verdade, já estava em casa muito antes de o apito final soar.
Ele havia tomado um banho demorado, livrando-se do suor e do cansaço do gramado. Agora, vestido apenas com uma calça de moletom cinza confortável e descalço, com o peitoral largo e definido à mostra, Désiré exalava o aroma amadeirado de seu perfume habitual misturado à loção pós-banho. Seus olhos castanhos, sempre atentos e carregados de uma calma magnética, fitavam o relógio de pulso sobre a bancada de mármore da cozinha. Quase nove da noite.
Nátaly estava atrasada, mas ele sabia o motivo. A rotina dela não era menos exaustiva que a dele. Enquanto ele corria atrás da bola e da glória nos gramados europeus, ela construía seu próprio império diante das lentes: campanhas publicitárias de alta costura, reuniões com marcas internacionais e uma presença digital que exigia perfeição milimétrica. Uma mulher deslumbrante, de curvas imponentes, pele morena radiante e cachos volumosos que tiravam o fôlego de Désiré toda vez que ela entrava em um cômodo.
O som suave da fechadura eletrônica ecoou pelo hall de entrada.
Désiré sorriu de lado. Aquele sorriso seguro, de quem sabia exatamente o que fazer. Ele desligou o fogo brando onde uma massa fresca descansava com um molho aromático, pegou uma taça de vinho tinto encorpado que já havia deixado respirar e caminhou calmamente até a entrada.
Nátaly cruzou a porta com uma expressão visivelmente cansada. Os saltos finos de suas sandálias de tiras estavam pendurados em uma das mãos perfeitamente manicuradas, enquanto a outra equilibrava a bolsa de couro e uma pasta de contratos. Seu blazer de alfaiataria parecia pesar toneladas sobre seus ombros perfeitos. Os cachos escuros, normalmente soltos e cheios de vida, estavam presos em um coque alto e ligeiramente frouxo, revelando a curva elegante de seu pescoço.
Mesmo exausta, ela era uma visão.
Quando Nátaly ergueu os olhos e o viu parado ali, a poucos passos, uma onda visível de alívio suavizou as linhas tensas de sua testa.
— Você parece que sobreviveu a uma guerra — disse Désiré, a voz rouca e aveludada preenchendo o espaço entre eles.
— E sobrevivi — respondeu ela com um suspiro longo, soltando os sapatos no chão do closet de entrada. — Oito trocas de roupa, três locações externas debaixo do vento de Paris e um diretor criativo que achava que eu não sentia frio.
Désiré não disse nada de imediato. Deu dois passos firmes, encurtando a distância com a presença dominante e ao mesmo tempo acolhedora que o caracterizava. Ele colocou a taça de vinho sobre o aparador de vidro ao lado da porta e, sem pedir licença, tirou a bolsa e a pasta das mãos dela, colocando tudo de lado.
— Primeiro — murmurou ele, segurando o queixo de Nátaly com os dedos quentes e firmes, erguendo o rosto dela —, você não pensa mais em trabalho hoje.
— Désiré, eu ainda preciso responder três e-mails...
— Shh — ele interrompeu, tocando os lábios dela com o polegar. — Seus e-mails podem esperar até amanhã de manhã. O mundo não vai parar se a minha mulher descansar.
Antes que ela pudesse retrucar com seu habitual orgulho profissional, Désiré inclinou a cabeça e capturou os lábios dela. Foi um beijo lento, profundo e incrivelmente seguro. Não havia pressa, apenas uma afirmação tácita de posse e cuidado. Ele conhecia cada ponto de pressão da boca de Nátaly, sabia como abrir caminho com a língua de forma suave até arrancar dela o primeiro suspiro rendido da noite.
Nátaly sentiu a tensão acumulada derreter. As mãos dela, antes rígidas, subiram pelo peito nu dele, sentindo o calor reconfortante de sua pele e as batidas calmas de seu coração. Quando ele se afastou ligeiramente, manteve a testa encostada na dela.
— Melhor? — perguntou ele, os olhos brilhando em tom de provocação sutil.
— Um pouco — confessou ela, um sorriso discreto finalmente surgindo em seus lábios cheios. — Mas meus pés ainda estão me matando.
— Então é um bom momento para você lembrar que não precisa andar mais nenhum centímetro hoje.
Com uma facilidade impressionante, fruto de sua força atlética, Désiré passou um braço por baixo dos joelhos dela e o outro por trás de suas costas, erguendo-a do chão em um movimento fluido. Nátaly soltou um gritinho abafado de surpresa, passando os braços ao redor do pescoço dele por puro instinto, sentindo o perfume inebriante que ele exalava.
— Désiré! Eu sou pesada para você ficar me carregando depois de um treino tático.
— Você não pesa nada, amor — ele riu baixo contra a pele do pescoço dela, distribuindo pequenos beijos ali enquanto caminhava em direção à suíte principal. — E mesmo se pesasse, eu aguentaria você a noite inteira. Você sabe disso.
A segurança na voz dele fez um arrepio subir pela espinha de Nátaly. Ele tinha apenas vinte anos no papel, mas carregava a maturidade de um homem que sabia seu lugar no mundo e a firmeza de quem não deixava dúvidas sobre suas intenções. Essa mistura de juventude vibrante e postura protetora era o que a deixava completamente desarmada.
No quarto, as luzes estavam indiretas, criando uma penumbra dourada e relaxante. Désiré a colocou suavemente sentada na beirada da cama king-size.
— Não se mova — instruiu ele, com aquele tom de comando sereno que ela adorava secretamente.
Ele caminhou até o banheiro integrado. Nátaly ouviu o som de água correndo e, minutos depois, o aroma de óleos essenciais de lavanda e eucalipto começou a tomar conta do quarto. Enquanto a banheira de imersão enchia, Désiré voltou com a taça de vinho na mão e a entregou a ela.
— Beba devagar — pediu ele, agachando-se entre as pernas dela no chão.
Nátaly deu um gole, sentindo o líquido aveludado esquentar seu peito, enquanto observava o jogador. Ele pegou o pé direito dela, apoiando-o em sua coxa musculosa, e começou a massagear a planta com uma pressão perfeita dos polegares.
Um gemido involuntário de alívio escapou dos lábios de Nátaly, que fechou os olhos e jogou a cabeça para trás na cama.
— Deus... Désiré, isso é um pecado.
— Pecado é você trabalhar tanto e não deixar o seu homem cuidar de você — ele rebateu, concentrado na tarefa. As mãos dele eram grandes, ásperas na medida certa pelo esporte, mas infinitamente delicadas ao tratar dela. Ele subiu os dedos pelo tornozelo, acariciando a panturrilha torneada. — Como foram as fotos com a joalheria?
— O conceito era ótimo — respondeu ela, a voz amolecida pelo toque dele. — Mas eles queriam ângulos muito rígidos no começo. Tive que impor algumas ideias para manter a autenticidade dos meus cachos e das minhas curvas. Você sabe como eles tentam padronizar tudo.
Désiré parou a massagem por um instante, erguendo os olhos para encará-la com uma intensidade que quase a fez prender a respiração.
— Você é impecável, Nátaly. Se tentassem mudar qualquer detalhe em você, estariam estragando uma obra-prima. E qualquer fotógrafo idiota que não veja isso não merece o seu tempo.
Nátaly abriu os olhos, sentindo as bochechas esquentarem. Ela era uma mulher independente, elogiada diariamente por milhares de seguidores, mas ouvir aquilo de Désiré, com a convicção pura e inabalável que ele tinha, sempre tocava seu coração de um jeito diferente.
— Obrigada, meu amor — sussurrou ela, descendo a mão para acariciar o cabelo curto e bem cortado dele.
— Não precisa agradecer. Só digo a verdade.
Ele trocou de pé, repetindo a massagem no esquerdo com a mesma paciência devota. Quando terminou, levantou-se e parou em frente a ela, estendendo a mão para ajudá-la a ficar de pé.
— A banheira está pronta. Vamos tirar essa armadura.
Com movimentos lentos e quase reverentes, Désiré desabotoou o blazer de Nátaly, deslizando o tecido pesado pelos braços dela e jogando-o na poltrona próxima. Em seguida, desfez o fecho da calça social de cintura alta, ajoelhando-se novamente para puxá-la com cuidado, revelando as pernas morenas e o quadril largo, acentuado pela lingerie de renda preta.
Os olhos de Désiré escureceram, uma centelha de desejo puro faíscando sob a superfície calma. Ele admirava o corpo dela sem pressa, fazendo com que Nátaly se sentisse a mulher mais desejada de Paris.
— Você é linda demais — murmurou ele, com a voz ligeiramente mais baixa, antes de passar a mão pela lateral da coxa dela, subindo até a curva generosa do quadril. — Quase me faz esquecer que prometi que você ia apenas relaxar esta noite.
— E quem disse que eu não quero um pouco de provocação? — provocou ela, arqueando uma sobrancelha com um sorriso feminino e audacioso nos lábios.
Désiré riu, um som rouco e vibrante que ressoou contra o peito dele.
— Tudo a seu tempo, morena. Eu comando o ritmo esta noite.
Ele a guiou para o banheiro espaçoso, onde a água fumegante da banheira estava coberta por uma camada densa de espuma aromática. Désiré ajudou-a a se despir completamente e estendeu a mão para que ela entrasse com segurança na água quente. Nátaly soltou um suspiro profundo ao submergir o corpo até os ombros, sentindo cada músculo se desarmar instantaneamente.
Sem hesitar, Désiré tirou a calça de moletom, revelando a imponência de seu corpo atlético, e entrou na banheira logo atrás dela. Ele se acomodou contra o encosto curvo e puxou Nátaly suavemente para que ela se recostasse contra o seu peito largo.
A sensação da pele macia e úmida dela colada à dele fez Désiré fechar os olhos por um segundo para manter o autocontrole. Ele passou os braços fortes ao redor da cintura dela, prendendo-a em um abraço protetor dentro da água perfumada.
— Está bom assim? — perguntou ele, depositando um beijo carinhoso no ombro molhado dela.
— Perfeito — respondeu Nátaly, inclinando a cabeça para trás e descansando-a na curvatura do pescoço de Désiré. — Se eu soubesse que chegaria em casa e encontraria isso, teria cancelado a última reunião e vindo correndo.
— Você não precisa correr para lugar nenhum. Eu sempre vou estar aqui esperando por você.
Com cuidado infinito, Désiré soltou o coque frouxo de Nátaly. Os cachos volumosos e escuros caíram como uma cascata sobre os ombros dos dois. Ele pegou um pouco da água morna com as mãos e molhou os fios, massageando o couro cabeludo dela com as pontas dos dedos. Era um gesto de intimidade doméstica tão puro que Nátaly sentiu os olhos marejarem ligeiramente, emocionada pela maneira como aquele jovem craque do futebol, acostumado aos holofotes e à pressão de estádios lotados, despojava-se de toda a vaidade para se dedicar exclusivamente ao bem-estar dela.
— Você foi bem no treino hoje? — perguntou ela, querendo retribuir o interesse, quebrando o silêncio confortável.
— Fui ótimo — ele respondeu com sua confiança habitual. — O treinador gostou da movimentação na ponta. Mas a única coisa que me motivou a correr aqueles últimos tiros de cem metros foi saber que o meu prêmio estaria esperando em casa.
— Ah, então agora eu sou um prêmio? — ela brincou, virando um pouco o rosto para encará-lo de soslaio.
— O maior de todos — ele retrucou sem vacilar, olhando diretamente em seus olhos com uma seriedade apaixonada que a desarmou. — O PSG me paga para ganhar troféus, Nátaly. Mas você... você é a minha vitória real.
Nátaly sentiu o coração acelerar. A maturidade dele ao expressar sentimentos era algo que sempre a surpreendia. Não havia jogos, não havia inseguranças tolas. Ele sabia o que queria, e o que ele queria era ela.
Désiré deslizou as mãos ensaboadas pelos ombros dela, descendo pelas costas, contornando a cintura e alcançando o ventre liso, subindo lentamente até cobrir os seios fartos com uma carícia possessiva, porém delicada. Nátaly arqueou as costas contra o peito dele, um suspiro sôfrego escapando de sua garganta.
— Désiré...
— Estou aqui — murmurou ele contra o ouvido dela, mordiscando de leve o lóbulo antes de chupar a pele sensível logo abaixo. — Deixa eu cuidar de você, Nátaly. Deixa eu tirar cada resquício desse dia cansativo de você.
Eles ficaram na banheira até que a água começasse a perder o calor inicial e a respiração de ambos estivesse pesada de desejo contido. Désiré foi o primeiro a sair. Pegou uma toalha felpuda e branca, estendendo-a para envolver o corpo dela assim que Nátaly pisou no chão de porcelanato aquecido. Ele a secou com calma, secando cada curva com beijos intercalados, antes de secar a si mesmo.
De volta ao quarto, o clima já havia mudado de um relaxamento passivo para uma tensão sensual inegável.
Désiré a conduziu até a cama macia. Nátaly deitou-se de costas, os cabelos cacheados espalhados sobre os lençóis de algodão egípcio como uma moldura escura para sua pele dourada pela luz do abajur. Ele se posicionou sobre ela, sustentando o próprio peso com os braços flexionados, fitando-a de cima como se contemplasse a coisa mais valiosa do universo.
— Você não tem ideia do quanto eu pensei nisso o dia inteiro — disse ele, a voz agora rouca pelo desejo acumulado.
— Mostra para mim — pediu ela, desafiando-o com os olhos brilhantes, entrelaçando as pernas nas coxas fortes dele.
Désiré desceu o corpo, cobrindo-a por inteiro. Seus lábios encontraram os dela com uma paixão renovada, mais faminta, mas ainda profundamente romântica. Ele beijou sua boca, o queixo, desceu pela garganta e traçou um caminho lento até o vale entre os seios dela, arrancando suspiros e gemidos baixos de Nátaly a cada toque.
Suas mãos grandes exploravam o corpo encorpado dela com adoração e segurança, firmando-se em seus quadris enquanto ele se alinhava a ela. Quando finalmente se uniram, foi em um ritmo compassado, forte e envolvente. Não havia pressa para chegar ao fim; Désiré movia-se com o controle absoluto de um atleta e a sensibilidade de um homem completamente entregue à sua mulher.
Nátaly cravou as unhas nas costas largas dele, correspondendo a cada estocada no mesmo ritmo, sentindo-se preenchida, amada e completamente segura em seus braços. A respiração dele se misturava à dela, o suor fino colando suas peles enquanto o mundo exterior, a fama, as câmeras e as pressões desapareciam completamente. Naquele quarto, restavam apenas os dois.
Quando o clímax os atingiu, veio em ondas avassaladoras de prazer e entrega. Désiré segurou o rosto dela entre as mãos, beijando-a intensamente enquanto ela tremia sob seu toque, chamando o nome dele em um sussurro rouco até que ambos encontrassem a calmaria.
Minutos depois, com as respirações finalmente desacelerando, Désiré rolou para o lado, mas não a soltou. Puxou o edredom pesado sobre os dois e aninhou Nátaly contra o seu peito, com o braço firme repousado protetoramente sobre a cintura dela. A cabeça dela descansava sobre o ombro dele, ouvindo o ritmo estável de seu coração.
— Ainda está com fome? — perguntou ele baixinho, beijando o topo da cabeça dela, entre os cachos úmidos. — A massa ainda está lá embaixo. Posso esquentar em dois minutos.
Nátaly sorriu, sentindo uma paz absoluta tomar conta de cada centímetro de seu corpo. Ela passou a mão pelo peitoral dele, acariciando a pele macia antes de erguer os olhos sonolentos para encará-lo.
— Daqui a pouco, meu amor — respondeu ela com a voz doce. — Agora eu só quero ficar exatamente aqui. Com você.
Désiré sorriu, apertando-a um pouco mais forte contra si, beijando seus lábios com ternura.
— Então é aqui que nós vamos ficar. Pelo tempo que você quiser.
E com a certeza de que estava no lugar mais seguro e acolhedor do mundo, Nátaly finalmente fechou os olhos, deixando que o cansaço do dia se dissipasse na noite parisiense, guardada nos braços do homem que fazia de tudo para vê-la brilhar.
