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Evidências

Fandom: Boku no hero

Criado: 03/11/2026

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Disfarçando as Evidências sob a Chuva de Asfalto

O ronco estridente do escapamento da CG 160 cortava o ar pesado da zona sul paulistana, misturando-se com o cheiro de fumaça, terra molhada e a garoa fina que teimava em castigar a periferia. Katsuki Bakugou desligou o motor no descanso lateral, arrancando o capacete surrado com um movimento brusco que fez seus fios loiros e espetados caírem desgrenhados sobre a testa. Ele praguejou baixinho, cuspindo na sarjeta antes de tirar a jaqueta de couro impermeável ensopada.

O turno no delivery tinha sido um inferno. Pedidos atrasados, trânsito travado na Marginal e playboy reclamando na portaria de prédio de luxo. Mas nada, absolutamente nada daquilo irritava mais Katsuki do que o destino final de todas as suas noites: aquela viela estreita, aquele sobrado de tijolo aparente e a luz amarelada que vazava pela janela da pequena kitnet no topo da laje.

Ele subiu os degraus de concreto rústico em passos pesados. Katsuki havia deixado para trás o calor seco e as noites calmas de Goiânia por pura pressão de negócios familiares quebrados, caindo de cabeça no moedor de carne que era São Paulo. Mas o destino — ou o azar — fez questão de colocar no mesmo pedaço de asfalto o desgraçado que assombrava seus pensamentos desde a adolescência.

Antes mesmo de tocar o trinco, ele ouviu.

Era um dedilhado limpo e melancólico no violão, acompanhado por uma voz rouca, aveludada e quente. Izuku cantava baixo, daquele jeito que fazia arrepiar até o último pelo do corpo de Katsuki.

Katsuki cerrou o maxilar, tentando endurecer a carcaça, e empurrou a porta de alumínio sem bater.

— Chegou cedo, estouradinho — disse Izuku, sem parar de dedilhar as cordas de náilon.

Midoriya estava sentado na beirada de uma cama de solteiro improvisada com paletes, vestindo apenas uma regata branca fina que deixava à mostra os ombros definidos e as sardas que desciam pelo peito. O cabelo esverdeado, rebelde e cacheado, estava úmido de banho tomado. Izuku tinha aquele sorriso ladino nos lábios, o mesmo olhar atrevido que vinha derretendo o coração de metade das garotas da quebrada nas noites de barzinho, mas que ele reservava com uma intensidade perigosa apenas para Bakugou.

— Fecha essa matraca, Deku — rosnou Katsuki, batendo a porta atrás de si com o calcanhar. — E não me chama assim nessa porra.

— Você odeia que eu fale em goiano, mas não nega uma boa conversa, não é? — Izuku riu, apoiando o violão contra a parede e se levantando em um movimento fluido e provocador. — Deu pra sentir o cheiro de gasolina e fumaça lá do começo da rua. O trânsito tava feio?

— Um inferno — Katsuki jogou a mochila térmica no canto e começou a desabotoar a camisa de flanela molhada, revelando o torso largo, a pele bronzeada coberta por uma camada fina de suor e a tatuagem tribal que descia pelas costelas. — E você aí, coçando o saco o dia inteiro com esse pedaço de pau.

— Não tava coçando nada, tava compondo — retrucou Izuku, dando dois passos lentos na direção dele. Seus olhos verdes faiscavam com uma audácia que fazia o estômago de Katsuki dar nós. — O dono do boteco da esquina me chamou pra tocar sexta. Disse que a galera adora as modas mais sentimentais.

— Sentimental meu rabo. Você é uma desgraça querendo dar uma de artista.

— Sou o artista que você não consegue parar de olhar, Kacchan.

O apelido antigo de infância bateu como um chicote nos ouvidos de Katsuki. Ele congelou no lugar, a camisa dependurada nos dedos tensos, as veias dos antebraços saltadas. Izuku estava perto demais agora. O cheiro de sabonete barato misturado à essência doce natural de Midoriya invadiu o espaço entre os dois, empurrando para longe o cheiro da chuva e da fuligem de São Paulo.

— Tá querendo apanhar, moleque? — Katsuki avisou, a voz caindo uma oitava, tornando-se perigosamente baixa e rouca.

— Tenta a sorte — Izuku sussurrou, inclinando o queixo, encarando a boca de Katsuki sem disfarçar o apetite.

Era sempre assim. Desde que se reencontraram na rodoviária do Tietê, há seis meses — ambos quebrados, ambos tentando sobreviver na capital —, a tensão entre eles vinha se acumulando como eletricidade estática antes do raio. Katsuki negava até a morte. Dizia a si mesmo que Izuku era só o pirralho irritante do bairro de onde vieram, que as mulheres que Midoriya trazia para a calçada eram a prova de que nada daquilo fazia sentido. Mas as noites em claro, ouvindo o outro respirar no cômodo apertado, sabiam a verdade.

Izuku estendeu a mão lentamente, pegando uma toalha seca que estava sobre uma cadeira, e deu mais um passo, colando quase os peitos. Ele ergueu os braços e começou a secar os cabelos loiros e rebeldes de Katsuki, com uma delicadeza que beirava o sacrilégio para alguém tão agressivo quanto o motoboy.

— Você tá tremendo de frio — murmurou Izuku, os dedos roçando acidentalmente no couro cabeludo do loiro.

— Não é frio — Katsuki soltou entre dentes, os punhos cerrados ao lado do corpo para resistir ao impulso de agarrar a cintura fina à sua frente.

— É o que, então?

— Raiva de você existir.

Izuku riu baixo, um som rouco e vibrante que bateu direto na virilha de Katsuki.

— Mente mal demais, loirinho. Sempre mentiu. Lá em Goiânia, quando você pegava a minha mão escondido atrás do galpão do seu tio, você já mentia dizendo que era sem querer.

— Cala a boca.

— E agora, você roda a cidade inteira numa moto caindo aos pedaços, finge que me odeia, mas não passa um dia sem voltar pra dormir aqui. Por que você não vai pra outro lugar, Katsuki? Por que você fica?

A toalha caiu no chão entre os dois.

Katsuki segurou os pulsos de Izuku com uma força que arrancou um suspiro entrecortado do menor. Ele empurrou o rapaz de sardas contra a parede de alvenaria descascada, prendendo-o com seu próprio peso. A respiração ofegante de ambos ecoava no quarto pequeno, competindo apenas com o tamborilar constante da chuva nas telhas de amianto.

— Eu fico pra te quebrar no meio um dia desses — ameaçou Bakugou, os olhos escarlates em chamas, devorando as sardas, os lábios entreabertos e a curva sedutora do pescoço de Izuku.

— Então quebra — desafiou Izuku, subindo uma das pernas ao redor do quadril musculoso de Katsuki, esfregando-se descaradamente contra o volume já evidente sob a calça jeans surrada do motoboy. — Quebra de uma vez, Kacchan. Para de fingir.

O atrevimento de Midoriya foi o estopim. Toda a casca de frieza, todo o mau humor cultivado para manter o desejo enterrado ruiu em cinzas.

Katsuki rosnou, avançando sobre a boca de Izuku em um beijo selvagem, violento e desesperado. Suas línguas se encontraram com a fúria de anos de silêncio reprimido. Não havia ternura; havia posse, fome acumulada nas esquinas escuras da cidade grande, o gosto salgado do suor e a doçura pecaminosa que Katsuki sonhara em saborear por uma década inteira.

Izuku gemeu contra a boca dele, enfiando os dedos ásperos de tocar violão nos cabelos loiros, puxando-o para mais perto, quase incapaz de suportar a intensidade do contato. As mãos calejadas de Katsuki desceram impiedosas pela regata de Midoriya, rasgando o tecido fino com um puxão curto e jogando os farrapos no chão de cimento queimado.

— Porra... — praguejou Katsuki, partindo o beijo apenas para descer a boca molhada pelo pescoço de Izuku, mordendo a carne macia onde o ombro encontrava a clavícula, deixando marcas arroxeadas. — Você não presta, desgraçado. Você sabe o que faz comigo.

— E você adora... você sempre quis isso — Izuku arqueou as costas, o corpo todo estremecendo ao sentir as mãos grandes de Bakugou apertarem sua bunda por cima da bermuda leve, prensando seu membro endurecido contra a virilha rígida do outro.

Katsuki não respondeu com palavras. Ele arrastou Izuku até a cama de paletes, jogando o moreno sobre os lençóis gastos. Em segundos, livrou-se do resto de suas roupas, revelando seu corpo esculpido pelo trabalho pesado, cada músculo tenso pela excitação pura e primitiva. Izuku não perdeu tempo; seus olhos percorreram o amigo de infância com uma luxúria desmedida, despindo sua própria bermuda até que não restasse barreira alguma entre eles.

A chuva lá fora apertou, lavando as ruas enlameadas da favela, mas dentro daquele quarto a temperatura beirava o insuportável.

Katsuki se ajoelhou sobre ele, cobrindo o corpo menor. Seus joelhos se encaixaram entre as coxas de Izuku, empurrando-as para os lados. Antes de avançar, ele parou por um segundo, os olhos cravados nos de Midoriya. Havia uma vulnerabilidade crua ali, uma verdade que nenhum dos dois jamais admitiria em voz alta durante a luz do dia.

— Olha pra mim — ordenou Katsuki, a voz rouca e trêmula de desejo reprimido.

— Tô olhando — respondeu Izuku, um sorriso lânguido, mas os olhos brilhando com uma emoção que ia muito além da carne. — E você não tem como negar as evidências agora, Kacchan.

— Odeio quando você fala feito essa música brega.

— Não odeia não. Você chora quando ouve Chitãozinho e Xororó no rádio.

— Vai se foder, Midoriya.

— Vem me foder você.

Katsuki perdeu o resto do autocontrole. Ele se abaixou, capturando a boca de Izuku novamente, engolindo qualquer piada ou provocação, enquanto suas mãos desciam para preparar o caminho, usando a saliva e o calor febril da pele para abrir espaço com cuidado, apesar de sua pressa evidente. Izuku arfou fundo, as unhas cravando-se nas costas largas de Bakugou, deixando marcas vermelhas sobre as cicatrizes da pele do loiro.

Quando Katsuki finalmente se alinhou e empurrou para dentro, o mundo pareceu parar.

Izuku jogou a cabeça para trás no travesseiro puído, soltando um gemido longo e agudo, sentindo cada centímetro da grossura implacável de Katsuki invadi-lo, preenchendo o vazio que parecia existir nele desde que deixara sua terra natal. Katsuki parou por um instante, cerrando os dentes com tanta força que os ossos da mandíbula estalaram, segurando os quadris de Izuku com firmeza de aço, absorvendo o calor esmagador que o apertava por dentro.

— Cacete, Izuku... — a voz de Katsuki escapou quase inaudível, carregada de uma reverência involuntária. — Aperta demais.

— Não para... por favor, não para — implorou Izuku, suas defesas completamente desarmadas, mostrando o garoto sensível e apaixonado que se escondia sob a carcaça de galanteador da noite. — Se mexe, Kacchan. Me rasga, me faz seu.

Katsuki começou a se mover. No início, golpes lentos e profundos, arrancando suspiros sibilados e gemidos quebrados de Izuku a cada estocada. O estalar de pele contra pele ditava o ritmo daquele quarto sufocante, misturando-se ao barulho dos trovões que rugiam sobre a metrópole.

Mas Katsuki não conseguia manter a calma por muito tempo. A irritabilidade e o fogo que corriam em seu sangue tomaram conta; ele acelerou o passo, segurando uma das coxas de Izuku e erguendo-a até o peito do cantor, afundando com uma violência deliciosa que fazia o estrado de paletes ranger contra o chão.

— Kacchan! — Izuku gritou seu nome, o olhar turvo pelo prazer avassalador que se espalhava em ondas pelo seu ventre. — Mais... vai, mais fundo!

— Você é meu, ouviu? — rosnou Katsuki, curvando-se para beijar o suor na têmpora de Midoriya, as estocadas tornando-se brutais, rápidas, precisas, acertando em cheio o ponto que fazia Izuku perder a voz e os sentidos. — Desde aquela porra de rio em Goiás até esse inferno cinzento, você sempre foi meu!

— Sempre... — soluçou Izuku, as mãos trêmulas agarrando o lençol, o quadril se movendo em sincronia perfeita, buscando cada gota daquela força avassaladora. — Sempre fui seu, desgraçado...

O clímax veio como uma tempestade de verão, incontrolável e avassaladora. Katsuki viu as pálpebras de Izuku tremerem quando o moreno atingiu o ápice sem que ninguém precisasse tocá-lo na frente, derramando-se no próprio ventre com um grito abafado contra o ombro do motoboy. A sensação das paredes internas de Izuku pulsando e ordenhando seu membro levou Katsuki à loucura; ele deu três últimas estocadas profundas, arfando alto como um animal ferido, antes de descarregar tudo o que guardara por anos dentro daquele corpo quente que o acolhia com tanta perfeição.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pela respiração entrecortada e pesada dos dois, e o tamborilar constante da água na laje.

Katsuki desabou lentamente para o lado, o peito subindo e descendo com força, ainda encarando o teto manchado de umidade. Izuku se virou devagar, todo dolorido, mas com um sorriso bobo e satisfeito pintado nos lábios inchados. Ele apoiou o queixo no peito suado de Katsuki, traçando círculos preguiçosos com a ponta dos dedos sobre os pelos loiros ali presentes.

— E agora? — perguntou Izuku, em um sussurro provocador. — Ainda vai dizer que me odeia amanhã de manhã?

Katsuki fechou os olhos, respirando fundo o cheiro deles dois misturado ao ar frio que entrava pela fresta da janela. Ele estendeu o braço pesado, puxando o corpo de Izuku para mais perto, envolvendo-o possessivamente contra si, contrariando qualquer lógica de sua mente teimosa.

— Amanhã eu invento uma desculpa qualquer — resmungou Katsuki, a voz rouca de cansaço, embora seus dedos apertassem carinhosamente a nuca de Midoriya. — Digo que a moto quebrou, que bebi demais, que foi sem querer...

Izuku riu baixinho, afundando o rosto na curva do pescoço quente do loiro, sentindo os batimentos acelerados do coração dele.

— Pode inventar o que quiser, Kacchan. No final, você sabe cantar essa moda de cor.

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