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i kissed a boy

Fandom: stray kids

Criado: 03/11/2026

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OmegaversoRomanceDramaAngústiaHistória DomésticaCiúmesPsicológico
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Falsa Convicção

Han Jisung sempre teve uma certeza absoluta em sua vida, algo que ele repetia como um mantra sagrado para quem quisesse ouvir: ele era hétero. Não importava que fosse um ômega, uma condição biológica que a sociedade frequentemente tentava empurrar para a submissão aos alfas masculinos; Jisung gostava de garotas. Imaginava para si um futuro tranquilo, talvez com uma mulher beta de sorriso doce ou uma ômega gentil. Ele não tinha nada a ver com homens, muito menos com os do tipo predador.

Pelo menos, era isso que ele acreditava piamente até a mudança de quartos no dormitório.

Sentado no chão da sala com uma caixa de papelão entre as pernas, Jisung olhava desesperado para o papel com a nova divisão. Ao seu lado, Bang Chan terminava de lacrar uma mala com fita adesiva, exibindo aquela habitual postura tranquila e equilibrada de um beta.

— Chan-hyung, você não pode falar com o manager? — Jisung implorou, a voz manhosa de ômega escapando involuntariamente enquanto ele puxava a manga da camisa do mais velho. — Por que você não divide o quarto comigo de novo? A gente se dá tão bem, você nunca reclama da minha bagunça!

Chan soltou uma risada baixa e soprou a franja dos olhos, pousando a mão fraternalmente sobre os fios castanhos de Jisung.

— Eu adoraria, Hannie, mas foi uma decisão da gerência para equilibrar os horários de sono — explicou o beta com paciência. — O Minho tem uma rotina parecida com a sua, ambos dormem mais tarde por causa dos treinos de dança. Não vai ser o fim do mundo.

— Mas ele é… ele — Jisung sussurrou, engolindo em seco. — Ele é um alfa. E você sabe muito bem como o Lee Know é. Ele é barulhento, autoritário e… ele é gay, hyung. Totalmente, abertamente gay.

— E você tem medo que ele te morda? — Chan arqueou uma sobrancelha, divertido. — O Minho é exigente, mas é um ótimo colega. Além disso, você não vive dizendo que é cem por cento imune ao charme masculino? Você é hétero, lembra? Do que está com medo?

Jisung bufou, cruzando os braços e inflando as bochechas.

— Não tenho medo de nada! Eu sou um homem feito! — Ele bateu no peito, embora suas bochechas queimassem ligeiramente. — Só não gosto daquele olhar que ele tem. Parece que ele está sempre me julgando, ou querendo me devorar.

— Se você não fizer besteira e mantiver o quarto limpo, garanto que sai vivo — disse Chan, dando duas tapinhas gentis nas costas de Jisung antes de se levantar. — Agora vá logo. O Minho já está lá organizando as coisas dele. Boa sorte.

Engolindo o nó que se formou em sua garganta, Jisung pegou a sua caixa e caminhou pelo corredor com os passos mais lentos que conseguiu forçar. A porta do quarto compartilhado estava entreaberta. Um aroma denso, amadeirado, misturado com notas cortantes de menta e cedro escapava pela fresta, atingindo o nariz sensível de ômega de Jisung com a força de um soco.

Apenas respirar aquele cheiro fez os pelos de sua nuca se arrepiearem e uma dormência estranha, quase febril, percorrer sua espinha. Jisung empurrou a porta com o pé e entrou.

Lee Know estava sem camisa, usando apenas uma calça de moletom cinza folgada. Os músculos das costas estavam tensos enquanto ele pendurava jaquetas no cabideiro, a pele brilhando com uma camada sutil de suor residual do ensaio. Quando ouviu o barulho, o alfa virou o rosto por cima do ombro. Seus olhos castanhos e afiados desceram da cabeça aos pés de Jisung com uma lentidão calculada que fez o ar sumir dos pulmões do ômega.

— Está atrasado — disse Lee Know, a voz rouca e firme vibrando pelas paredes pequenas do cômodo.

— Eu… eu estava ajudando o Chan — Jisung gaguejou, odiando a si mesmo no mesmo segundo por demonstrar fraqueza. Ele ajeitou a postura, tentando parecer o mais indiferente possível. — O lado da janela é o meu.

Lee Know virou-se completamente. A presença dele simplesmente engolia o quarto. Havia algo perigosamente magnético em sua postura; ele era um alfa em seu auge, territorial, possessivo e sem um pingo de vergonha sobre sua natureza.

— Seu lado é aquele ali — Minho apontou para a cama mais próxima da porta, com um tom que não admitia réplicas. — E deixe uma coisa bem clara, esquilo: este quarto agora é nosso, mas você obedece às minhas regras. Nada de roupas jogadas no chão, nada de comer besteiras na cama e, principalmente, não quero você trazendo cheiro de outros alfas para cá.

Jisung sentiu o sangue subir para o rosto. Seu lado racional quis gritar, retrucar e dizer que ele não devia obediência a ninguém. Ele era um homem hétero, independente! Mas, no fundo de seu ser, na parte mais oculta e vergonhosa de sua biologia de ômega, aquela ordem seca fez um calor líquido descer diretamente para o seu baixo ventre. Uma parte escura de sua mente, que ele sempre tentava sufocar, vibrava com a aspereza daquele tom. Jisung era um submisso natural, e o pior de tudo: havia nele uma veia profundamente masoquista, que se deliciava quando alguém poderoso o diminuía com palavras duras.

— Eu não fico com outros alfas — retrucou Jisung, a voz saindo mais trêmula do que gostaria. — Eu já te disse um milhão de vezes que eu gosto de garotas.

Minho deu um meio sorriso cínico, caminhando até ele com passos lentos e predatórios. Jisung recuou um passo, mas logo suas costas encontraram a madeira firme da porta fechada. O alfa parou a poucos centímetros de distância, prendendo Jisung com sua sombra.

— Garotas, é? — Minho murmurou, inclinando a cabeça para perto da curva do pescoço de Jisung. Ele farejou o ar profundamente, soltando uma expiração quente contra a pele sensível do ômega. Jisung mordeu o lábio inferior para não gemer com a sensação. — Engraçado. Seu cheiro não parece nem um pouco com o de um ômega que anseia por uma mulher. Você cheira a doces e carência, Jisungie. Cheira como se estivesse esperando alguém para te quebrar no meio.

— Cala a boca… — Jisung sussurrou, a respiração entrecortada, os olhos fixos nos lábios bem desenhados de Minho.

— Cuide da sua bagunça — ordenou o mais velho, dando um tapinha quase doloroso na bochecha de Jisung antes de se afastar para pegar uma toalha. — Vou tomar banho. Quando eu sair, quero ver essa caixa vazia.

O tapa leve deixou a bochecha de Jisung ardendo, mas em vez de raiva, seu coração disparou em um ritmo frenético de euforia e submissão. Ele levou a mão ao rosto, sentindo o calor residual dos dedos do alfa. Suas pernas estavam bambas.

— Eu sou hétero — Jisung sussurrou para o quarto vazio, como se a repetição pudesse transformar a mentira em verdade. — Eu tenho que ser.

Os dias seguintes, no entanto, transformaram a vida de Han Jisung em um turbilhão caótico.

Viver no mesmo espaço que Lee Know era um teste diário de resistência psicológica e corporal. O alfa parecia ter prazer em testar os limites do mais novo. Ele andava pelo quarto com roupas mínimas, emanando feromônios possessivos sempre que Jisung estava por perto. Se Jisung passava tempo demais conversando com os membros do grupo na sala, Minho aparecia do nada, segurava seu pulso com uma força um pouco acima do necessário e o arrastava de volta para o quarto, alegando que precisavam repassar coreografias.

Jisung deveria ter odiado o ciúme descabido. Deveria ter achado bizarro o comportamento de Lee Know. Mas ele não odiava. Na verdade, seu corpo ansiava pelo momento em que os dedos fortes de Minho se cravariam em sua pele, deixando marcas avermelhadas que depois se transformavam em hematomas leves que ele observava secretamente no espelho do banheiro com um arrepio de prazer culposo.

A gota d’água aconteceu numa noite de sexta-feira.

O Stray Kids havia retornado de uma gravação longa e cansativa. Jisung estava deitado em sua cama, mexendo no celular, distraído com fotos de modelos e atrizes famosas na tentativa desesperada de forçar seu cérebro a sentir alguma atração convencional. Ele estava tão concentrado que não percebeu a aproximação silenciosa de Minho.

De repente, o aparelho foi arrancado de suas mãos com violência.

— Ei! Devolve! — protestou Jisung, tentando se levantar.

Minho olhou para a tela do celular, onde a foto de uma garota bonita em trajes de verão brilhava. O rosto do alfa escureceu imediatamente. Seus olhos faiscaram com uma irritação visceral, as narinas inflando ligeiramente enquanto ele jogava o celular de Jisung no colchão com desdém.

— Você ainda está insistindo nessa farsa patética? — a voz de Minho caiu uma oitava, tornando-se um rosnado baixo e gutural que fez o estômago de Jisung revirar em nós apertados.

— Não é uma farsa! — Jisung rebateu, sentindo as lágrimas de frustração pinicarem o canto dos olhos. Ele tentou parecer desafiador, empinando o queixo. — Ela é linda. É o meu tipo! Eu tenho o direito de olhar para garotas, eu sou—

Antes que ele pudesse terminar a frase, Minho subiu na cama com uma rapidez assustadora, prensando os joelhos de cada lado dos quadris de Jisung. Com uma mão grande e calejada, o alfa agarrou o queixo de Jisung, apertando a mandíbula do ômega com força suficiente para fazê-lo soltar um gemido curto de dor.

A dor foi aguda, precisa, e instantaneamente fez o corpo de Jisung amolecer sob o peso do mais velho.

— Diga mais uma vez — Minho exigiu, aproximando o rosto de tal forma que Jisung podia sentir o gosto do ar que ele respirava. O cheiro de cedro e menta agora estava impregnado de uma fúria protetora e territorial que sufocava o quarto. — Diga que você prefere ela. Diga na minha cara que você quer uma mulher tocando em você, Jisung.

— Hyung… dói… — Jisung choramingou, os olhos marejados. Mas seu quadril instintivamente se moveu para cima, roçando contra a coxa musculosa de Minho em uma busca desesperada por atrito. Ele era patético. Submisso demais para o próprio bem.

— Eu não me importo se dói — Minho sibilou, embora o aperto em seu queixo não aumentasse mais, apenas se mantivesse implacável. — Você passa o dia todo rindo com o Chan, vem para o meu quarto, deita na minha frente e fica olhando para essas vadias. Você acha que eu não vejo o jeito que você treme quando eu chego perto? Você acha que eu sou idiota?

— Eu sou hétero… — foi a tentativa mais fraca que Jisung já fez na vida, um fio de voz que soou quase como um apelo para ser punido por mentir.

Minho soltou uma risada sombria, um som que fez cada terminação nervosa do ômega queimar em antecipação.

— Você não sabe mentir nem para si mesmo, seu ômega burro — sussurrou o alfa, inclinando-se ainda mais.

Com a mão livre, Minho desceu pela lateral do corpo de Jisung, apertando a carne macia de sua cintura com uma força deliberada que certamente deixaria manchas roxas no dia seguinte. Jisung soltou um arquejo sôfrego, jogando a cabeça para trás no travesseiro, expondo completamente a linha pálida de sua garganta.

Minho não perdeu tempo. Ele cravou os dentes na junção entre o pescoço e o ombro de Jisung.

Não era a mordida permanente de um vínculo, mas sim uma mordida de aviso, carregada de possessividade e dor. Os dentes caninos perfuraram superficialmente a pele, arrancando um grito abafado de Jisung que se perdeu contra os lençóis.

A agonia inicial explodiu em uma onda avassaladora de prazer elétrico. O corpo de Jisung arqueou violentamente, as mãos que antes tentavam empurrar o alfa agora subindo para os cabelos escuros de Minho, puxando-o para mais perto em vez de afastá-lo. O gosto metálico de seu próprio sangue, a pressão dos dentes, a dominância pura e cruel de Lee Know… aquilo era tudo o que ele secretamente desejava, a realização de uma fantasia masoquista que nenhuma mulher jamais seria capaz de lhe proporcionar.

Quando Minho finalmente se afastou, lambendo uma gota de sangue que escorria da marca vermelha e pulsante, Jisung estava completamente desmanchado. Seus olhos estavam vidrados, as bochechas coradas em vermelho escuro e o peito subindo e descendo em arfadas descompassadas.

— Olhe para você — Minho zombou suavemente, o olhar pingando satisfação predatória ao ver o estado em que havia deixado o garoto. Ele acariciou a bochecha ardida de Jisung com o polegar, em um contraste quase terno após a brutalidade. — Todo molhado, implorando pela minha atenção depois de uma única mordida. É isso que você chama de hétero?

Jisung não conseguiu responder. A humilhação de ser desmascarado daquela forma se misturava a uma sensação inebriante de paz. Ele não precisava mais fingir ser forte. Com Minho, ele podia ser exatamente o que era: um ômega submisso, necessitado de uma mão pesada que o mantivesse no lugar.

— De quem você é? — Minho exigiu, a voz baixa, autoritária, usando aquele tom que fazia os instintos de Jisung quererem rastejar aos seus pés.

— Seu… — a palavra escapou dos lábios de Jisung antes que ele pudesse censurá-la. Uma lágrima escorreu por seu rosto, quente e redentora. — Eu sou seu, hyung.

O sorriso que cruzou os lábios de Lee Know foi de pura vitória. O alfa se inclinou novamente, mas desta vez não para morder, e sim para capturar a boca de Jisung em um beijo possessivo, violento e profundo. As línguas se chocaram com avidez; Minho explorava a boca do ômega como um conquistador tomando uma terra que sempre soubera ser sua, mordiscando seus lábios com força suficiente para fazê-lo gemer contra a sua boca.

Jisung correspondeu com todo o desespero reprimido de semanas. Ele agarrou os ombros nus de Minho, afundando as unhas na pele firme do alfa, aceitando cada investida, cada puxão de cabelo, completamente entregue.

Quando o beijo terminou, Minho desceu para se deitar ao lado dele, puxando o corpo trêmulo de Jisung de encontro ao seu peito musculoso e cobrindo os dois com o edredom pesado. O braço do alfa prendeu Jisung com tanta força que o mais novo mal conseguia respirar, mas a sensação de aprisionamento trouxe um conforto indescritível ao seu peito dolorido.

— Durma agora — Minho murmurou contra os cabelos bagunçados de Jisung, a voz voltando a um tom mais calmo, embora o perigo ainda estivesse lá. — E amanhã, se eu ver você olhando para fotos de garotas de novo, a punição não vai parar apenas em uma mordida. Fui claro?

A promessa de dor velada fez o estômago de Jisung dar cambalhotas de pura excitação.

— Sim, hyung — sussurrou o ômega, enterrando o rosto na curva do pescoço de Minho e aspirando o cheiro forte de cedro até preencher completamente os seus pulmões.

Naquela noite, enquanto ouvia o bater firme do coração do alfa sob o seu ouvido e sentia a marca ardente pulsar em seu pescoço, Jisung teve de admitir a sua derrota completa.

Ele nunca mais seria capaz de dizer que era hétero. Na verdade, agora ele duvidava se algum dia realmente tinha sido. O que ele era, sem sombra de dúvidas, pertencia única e exclusivamente a Lee Know. E ele nunca quisera tanto ser propriedade de alguém.

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