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Gravidez inesperada

Fandom: Pessoas normais

Criado: 03/11/2026

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Segredos Entre Lençóis e Lives

O som abafado de risadas ecoava pelo corredor do apartamento moderno, que cheirava a energético e pizza de ontem. Pablo liderava o caminho, segurando o celular em um estabilizador, a luz do anel de LED iluminando seu rosto animado. Ao seu lado, dois amigos tentavam conter as gargalhadas, enquanto o chat da live no TikTok subia tão rápido que era impossível ler todos os comentários.

— Shhh, rapaziada! — Pablo sussurrou para a câmera, fazendo um sinal de silêncio com o dedo. — São três da manhã e o "tio" Pablo aqui vai mostrar como é a vida de quem mora com a irmã e o melhor amigo. O Lucas disse que ia dormir cedo, mas eu ouvi uns barulhos estranhos vindo do quarto dele agora pouco... parecia que estavam mudando os móveis de lugar.

Os amigos de Pablo trocaram olhares maliciosos. Eles sabiam, o chat sabia, e no fundo, Pablo também desconfiava, mas a negação era sua melhor amiga.

A história de Manu e Lucas era um emaranhado de anos. Desde que eram adolescentes, Manu acompanhava Pablo até a casa de Lucas. O vínculo cresceu, as piadas internas se tornaram rotina e, em uma noite de bebedeira generalizada anos atrás, o destino — ou o excesso de álcool — selou o que já estava escrito. Daquela noite de "acidentes", nasceu Isabely, hoje com dois meses de vida. Manu, com sua teimosia característica, jurou que o pai era um desconhecido de outra cidade, mas Lucas, que já era parte da família, nunca engoliu aquela história. Ele olhava para a pequena Isabely e via seus próprios olhos, mas respeitava o silêncio de Manu, esperando o momento em que a verdade não caberia mais no peito.

E, aparentemente, o "momento" estava acontecendo todas as noites, debaixo do nariz de Pablo.

— Vamos entrar — sussurrou Pablo, a mão na maçaneta da porta de Lucas. — Se eles estiverem jogando videogame sem mim, eu mato o Lucas.

Ele girou a maçaneta lentamente. A porta não estava trancada.

O quarto estava mergulhado em uma penumbra suave, quebrada apenas pela luz da lua que filtrava pelas persianas. O ar estava pesado, quente, e o cheiro de perfume misturado ao suor era inconfundível. No centro da cama king-size, dois vultos estavam profundamente adormecidos sob um edredom bagunçado.

Pablo aproximou o celular, a luz da live revelando o que ele menos queria — ou talvez o que ele mais precisava confirmar.

Manu estava com a cabeça repousada no peito de Lucas. Seus ombros estavam nus, e o edredom mal cobria o contorno de seus corpos entrelaçados. Lucas tinha um braço possessivo em volta da cintura dela, os dedos descansando na curva do quadril de Manu. Era uma cena de intimidade absoluta, de quem não apenas tinha acabado de ter relações, mas de quem pertencia um ao outro.

— Gente... — Pablo murmurou, a voz falhando por um segundo enquanto o chat explodia com emojis de choque e risadas. — Eu acho que os móveis não estavam sendo mudados de lugar não.

Um dos amigos de Pablo soltou uma risadinha alta demais. Lucas, que sempre teve o sono leve desde que a pequena Isabely nascera, franziu a testa e abriu os olhos devagar. A luz direta do celular o cegou por um instante.

— Mas que porra...? — a voz de Lucas saiu rouca, profunda pelo sono e pelo cansaço físico.

Sentindo o movimento, Manu despertou. Ela não era do tipo que se assustava fácil; era, como Pablo sempre dizia, "completamente sem vergonha". Ela piscou, viu o irmão, viu os amigos dele e, finalmente, viu o celular apontado para eles.

— Pablo, se essa live estiver ligada, eu vou castrar você enquanto você dorme — disse Manu, sem sequer tentar se esconder debaixo da coberta. Ela apenas se espreguiçou, bocejando, deixando claro que não tinha a menor pressa de sair dali.

— Está ligada! — Pablo exclamou, rindo de nervoso enquanto recuava. — Tem cinquenta mil pessoas vendo que você e o meu melhor amigo finalmente pararam de fingir!

Lucas sentou-se na cama, passando a mão pelo rosto e empurrando o cabelo para trás. Ele não parecia nem um pouco arrependido. Pelo contrário, puxou o edredom um pouco mais para cima para proteger a dignidade de Manu, embora ela não parecesse se importar.

— Sai daqui, Pablo — Lucas disse, embora houvesse um sorriso de canto nos lábios. — Vai cuidar da sua vida.

— Cuidar da minha vida? — Pablo deu um passo à frente, a audácia crescendo com o apoio do chat. — Eu ouvi os barulhos, Lucas! O prédio inteiro ouviu! Eu achei que tinha um exorcismo acontecendo aqui dentro!

Manu soltou uma gargalhada alta e jogou um travesseiro na direção do irmão.

— Foi melhor que um exorcismo, eu garanto — ela provocou, piscando para a câmera. — Agora sai, a Isabely está dormindo no quarto ao lado com a babá eletrônica e se você acordar ela, quem vai fazer o próximo "exorcismo" em você sou eu.

Pablo e os amigos começaram a recuar, ainda fazendo piadas e lendo os comentários maldosos e divertidos dos seguidores.

— O pai da Isabely de "outra cidade", né, Manu? — Pablo gritou antes de fechar a porta. — A cidade se chama Quarto do Lucas!

A porta se fechou e o silêncio voltou a reinar, embora agora estivesse carregado com a eletricidade do que acabara de acontecer. Lucas suspirou, deixando o corpo cair para trás no colchão.

— Ele não vai esquecer isso nunca — comentou Lucas, olhando para o teto.

Manu se virou de lado, apoiando o queixo no peito dele, os olhos brilhando de diversão.

— E você se importa? — perguntou ela, traçando círculos imaginários no abdômen dele.

— Eu me importo com o fato de que ele interrompeu meu sono depois daquela maratona que a gente fez — Lucas respondeu, envolvendo-a em seus braços novamente. — Mas sobre ele saber... acho que já estava na hora de todo mundo saber o que eu já sinto há muito tempo.

Manu suavizou a expressão. A brincadeira e a falta de vergonha deram lugar a algo mais real.

— Lucas...

— Não precisa dizer nada agora — ele a cortou suavemente, beijando o topo da cabeça dela. — Mas a Isabely tem o meu nariz. E agora o TikTok inteiro sabe que a mãe dela não consegue ficar longe de mim.

— Convencido — ela murmurou, fechando os olhos.

— Mas é verdade.

— É — ela admitiu em um sussurro quase inaudível. — É verdade.

Do lado de fora, Pablo ainda falava com a câmera, planejando como iria cobrar o "aluguel atrasado" de Lucas agora que o segredo tinha vindo à tona. O apartamento, que antes era apenas um lugar compartilhado entre amigos, agora parecia, finalmente, um lar completo. E, no quarto ao lado, a pequena Isabely dormia tranquilamente, sem saber que seu mundo acabara de ficar muito mais honesto — e muito mais barulhento.

— Amanhã o café da manhã vai ser por conta do papai Lucas — Pablo dizia para a live, rindo enquanto se afastava em direção à cozinha. — E eu vou querer detalhes técnicos!

— Vai dormir, Pablo! — a voz de Manu ecoou por trás da porta fechada, seguida por uma risada abafada de Lucas.

A noite estava longe de terminar, mas para Manu e Lucas, o peso do segredo tinha sido levado embora por uma live de três da manhã e pela audácia de um irmão que não sabia bater na porta. No fim das contas, a vergonha era um preço pequeno a se pagar pela liberdade de serem, finalmente, a família que já eram há muito tempo.

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