
Mi Estrella
Fandom: Jogadores
Criado: 04/11/2026
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Marcação Cerrada
O eco das travas de alumínio estalando contra o piso de concreto do túnel de acesso era quase ensurdecedor, mas nenhum barulho parecia alto o bastante para abafar a pulsação raivosa que martelava nas têmporas de Endrick. A camisa branca empapada de suor pesava nos ombros largos, e a respiração ainda vinha curta, quente, queimando no peito após noventa minutos de um clássico sufocante.
Ele caminhava a passos duros, chutando o ar com uma irritação contida. A cada passada, a força absurda de suas pernas ficava evidente: as coxas volumosas, maciças e torneadas pareciam prestes a rasgar o calção justo, sustentando um corpo baixo, mas construído como uma rocha indestrutível. Endrick limpou o suor da testa com as costas da mão, franzindo as sobrancelhas grossas enquanto os lábios carnudos se comprimiam em uma linha reta de puro descontentamento. Seus olhos castanhos escuros, naturalmente caídos e expressivos, carregavam um brilho inflamado, quase infantil na fúria, mas perigoso o suficiente para afastar qualquer funcionário que tentasse puxar conversa na saída do gramado.
Foi exatamente nesse momento de silêncio precário que um risinho abafado quebrou a tensão do corredor.
— Vai afundar o chão se continuar pisando assim, baixinho.
Endrick estancou no mesmo instante, sentindo o sangue ferver na base do pescoço. Ele não precisava se virar para saber a quem pertencia aquela voz arrastada, insolente e carregada de uma provocação barata.
Lamine Yamal estava encostado na parede de azulejos claros, os braços compridos cruzados sobre o peito e a jaqueta de viagem aberta, revelando a camisa grená do rival ainda úmida. Ele era alto — quase dez centímetros a mais que o brasileiro —, com uma silhueta esguia, mas nitidamente definida por músculos longos e rijos. Os cabelos cacheados escuros com as pontas descoloridas em um loiro rebelde caíam ligeiramente sobre a testa, emoldurando um rosto de traços fortes e marcantes. A pele morena brilhava sob a luz fluorescente, e quando ele separou os lábios grossos para sorrir, o metal do aparelho ortodôntico brilhou, deixando à mostra as borrachinhas azuis que contrastavam com seus dentes claros.
— Não enche, Lamine — rosnou Endrick, virando-se de frente para encará-lo, o nariz arredondado crispado pela raiva. — Vai comemorar o empate lá no seu vestiário.
— Empate com sabor de vitória, não acha? — Lamine deu um passo à frente, desencostando-se da parede com uma lentidão calculada e felina. Seus olhos castanhos, tão escuros que pareciam duas poças de piche, fixaram-se no menor com uma intensidade quase sufocante. — Pelo menos a gente não perdeu a cabeça no final. Você quase arrancou a perna do nosso zagueiro no último minuto. Que feio, garoto de ouro.
— Eu fui na bola — rebateu Endrick, erguendo o queixo para não perder o contato visual, mesmo tendo que olhar para cima. — E se ele não aguenta tranco de verdade, deveria ir jogar tênis.
Lamine riu, um som rouco e genuinamente divertido que reverberou pelas paredes frias. Ele deu mais dois passos, diminuindo a distância entre eles até que sua presença esguia se projetasse sobre o corpo atarracado do camisa nove madrilenho. Lamine adorava aquela altura; adorava poder se inclinar sutilmente para invadir o espaço pessoal de Endrick, sentindo o calor denso que emanava do tronco compacto do rival.
— Você é muito esquentado, sabia? — disse o hispano-marroquino, inclinando a cabeça de lado com um sorriso debochado. — Fica todo vermelhinho, bufando que nem um touro. Chega a ser fofo.
— Fofo o cacete — cuspiu Endrick, cerrando os punhos ao lado do corpo maciço. — Sai da minha frente antes que eu te empurre.
— Tenta a sorte — desafiou Lamine, dando mais um meio passo. Agora estavam a menos de um palmo de distância. — O árbitro já apitou o final do jogo, mas acho que o delegado ainda tá anotando as coisas. Quer levar um vermelho aqui fora também?
Endrick respirou fundo, tentando controlar a tempestade que sempre parecia explodir dentro de si sempre que cruzava com o ponta do Barcelona. Aquilo não era de hoje. Desde que ambos haviam estreado na elite, a imprensa criara uma rivalidade tóxica, alimentada a cada convocação, a cada clássico, a cada prêmio de melhor jovem do mundo disputado voto a voto. Mas, para além das manchetes, havia algo muito mais visceral entre eles: um atrito elétrico, uma competição doentia que beirava a obsessão.
Lamine não se contentava em apenas vencê-lo no campo; ele precisava cutucar, provocar, ocupar a mente de Endrick até tirá-lo do eixo. E Endrick, orgulhoso e teimoso, se recusava terminantemente a ceder um milímetro sequer.
— Você não cansa de ser um idiota insuportável? — perguntou o brasileiro, a voz mais baixa, mas carregada de veneno.
— Nunca — respondeu Lamine prontamente, o brilho azul das borrachinhas do aparelho reluzindo quando seu sorriso se alargou. — Principalmente quando o idiota aqui consegue fazer você esquecer até o caminho do próprio vestiário.
Endrick deu um empurrão firme no peito do mais alto, pretendendo apenas abrir passagem, mas a textura rígida do músculo sob o tecido fez seus dedos formigarem involuntariamente. Lamine mal se moveu para trás; em vez disso, suas mãos compridas se fecharam em torno dos pulsos de Endrick com uma agilidade assustadora, travando o contato.
— Ei, calma aí — murmurou Lamine, o tom de repente perdendo o deboche raso e ganhando uma cadência mais íntima, quase rouca. — Não precisa de violência, fera.
— Me solta, Yamal! — exigiu Endrick, tentando puxar os braços, mas a pegada de Lamine era surpreendentemente forte, ancorada em dedos firmes e ossudos.
— E se eu não quiser soltar? — Lamine deu um puxão leve, trazendo o corpo mais baixo para ainda mais perto. O movimento repentino fez com que o quadril robusto de Endrick batesse de leve contra a coxa do mais alto.
O contato físico disparou uma onda de choque que deixou ambos sem ar por uma fração de segundo. Os olhos escuros e caídos de Endrick se arregalaram ligeiramente, capturando a sombra densa do olhar de Lamine, que agora descia devagar, sem o menor pudor, examinando a boca cheia e avermelhada do atacante antes de voltar a encará-lo nos olhos.
— Você jogou bem hoje — disse Lamine, as palavras soando baixas demais para o corredor deserto. — Digo, além daquela tentativa de homicídio no final.
Endrick franziu a testa, desconcertado pela mudança brusca de atitude. Aquele era o maior problema de Lamine Yamal: ele conseguia ser irritante, arrogante e agressivo numa fração de segundo, e na seguinte assumia uma mansidão dissimulada, um carinho falso — ou talvez perigosamente real — que deixava Endrick completamente desnorteado.
— Não preciso do seu elogio de merda — retrucou o brasileiro, embora o puxão para se soltar tivesse perdido metade da força.
— Não foi um elogio, foi uma constatação — rebateu Lamine, os dedos agora afrouxando a pressão em volta dos pulsos para deslizar suavemente pelos antebraços fortes de Endrick, traçando o contorno da pele quente até os cotovelos. — Eu não tiro os olhos de você em campo, Felipe. Você sabe disso.
O uso do seu segundo nome fez um calafrio subir pela espinha de Endrick, instalando-se na nuca com uma mordida elétrica.
— Para com essa palhaçada — disse Endrick, pigarreando para disfarçar a súbita secura na garganta. — Você tem mania de me marcar até fora das quatro linhas. Que obsessão doente é essa?
— Ciúme profissional, talvez? — sugeriu o ponta, arqueando uma sobrancelha e inclinando-se um pouco mais, até que seu hálito fresco de menta roçasse a bochecha do outro. — Ouvi dizer que você tava de risadinha com o ponta da Inglaterra no evento da semana passada. Ficou todo amiguinho dele, né?
Endrick piscou, atônito, antes que um esboço de sorriso incrédulo despontasse em seus lábios grossos.
— O quê? Você tá de sacanagem comigo? Ficou reparando nisso?
— Eu reparo em tudo o que você faz — afirmou Lamine sem um pingo de vergonha, os olhos negros ardendo com uma seriedade quase desconfortável. — E não gostei. Ele é horrível. Não sabe nem dar um passe de trivela decente. Se for pra perder seu tempo conversando com adversário, que seja comigo.
— Você é completamente maluco — murmurou Endrick, balançando a cabeça, mas sem se afastar. Havia um magnetismo bizarro prendendo seus pés ao chão, como se a proximidade física de Lamine exercesse uma gravidade própria da qual ele não conseguia escapar.
— Posso ser maluco, mas sou o melhor que você vai encontrar — Lamine sussurrou, diminuindo o resto do espaço entre eles. Sua mão subiu com audácia, os dedos longos tocando a lateral do pescoço de Endrick, onde o pulso ainda batia descompassado. O toque era quente, firme, estranhamente delicado para alguém que meia hora antes estava dividindo bolas na linha de fundo com violência.
Endrick prendeu a respiração. A pele do pescoço formigava sob os dedos do rival. Ele deveria desferir um soco, empurrá-lo para longe, gritar por segurança, qualquer coisa que restaurasse a ordem natural do clássico, a barreira sagrada que separava a capital da Catalunha. Mas o cheiro de Lamine — uma mistura de suor recente, colônia cara e adrenalina — estava nublando sua capacidade de raciocínio.
— Se alguém ver a gente aqui... — começou Endrick, a voz falhando perigosamente.
— Não tem ninguém aqui — interrompeu Lamine, dando um passo lateral e empurrando Endrick com sutileza para dentro do pequeno vão de uma porta de serviço entreaberta, onde as luzes estavam apagadas e a penumbra os escondia da visão do corredor principal.
Endrick sentiu as costas encontrarem a parede fria do depósito escuro, mas antes que pudesse protestar, o corpo alto de Lamine avançou, cercando-o completamente. Uma das pernas longas do hispano-marroquino se insinuou no meio das coxas maciças de Endrick, prendendo-o no lugar. A diferença de envergadura era palpável, mas a densidade física de Endrick garantia que nenhum dos dois dominasse inteiramente o espaço.
— O que você quer, afinal? — perguntou Endrick, encarando os olhos escuros que brilhavam na penumbra. Seus lábios estavam entreabertos pela respiração pesada, os contornos fartos brilhando sob a pouca luz que entrava pela fresta da porta.
— Você sabe muito bem o que eu quero — disse Lamine, a voz rouca, sem o menor traço daquele menino que dava piruetas para comemorar gols. Ele levou a outra mão à cintura de Endrick, apertando a curva firme do quadril do brasileiro com uma posse que beirava o desespero. — Eu passo a semana inteira pensando em como tirar essa sua pose de marrento. Em como te calar.
— Quero ver você tentar — desafiou Endrick, o orgulho ferido falando mais alto que o bom senso.
Lamine não esperou uma segunda permissão. Ele se inclinou para a frente e colou seus lábios nos de Endrick com uma voracidade que fez o ar desaparecer dos pulmões do mais baixo.
O beijo começou como uma colisão, áspero e agressivo, quase como uma continuação das divididas no gramado. Lamine mordiscou o lábio inferior carnudo de Endrick, o metal frio do aparelho roçando na pele macia, arrancando um arquejo surpreso do brasileiro. Mas o choque inicial de Endrick durou apenas um segundo; logo em seguida, sua natureza competitiva e intensa tomou o controle. Ele subiu as mãos pelos ombros largos de Lamine, agarrando os fios cacheados na nuca do mais alto e puxando-o para baixo, aprofundando o contato com uma urgência que fez Lamine soltar um gemido abafado contra a sua boca.
Era quente, caótico, repleto de dentes e línguas que brigavam por espaço com a mesma fúria com que disputavam a posse de bola. Lamine pressionou o quadril com mais força, sentindo a solidez avassaladora do corpo de Endrick contra o seu, as coxas grossas e musculosas do menor prendendo sua perna em uma chave firme e involuntária. A sensação era viciante, uma mistura letal de rivalidade pura e tesão acumulado durante meses de trocas de olhares em campos, premiações e túneis desgraçados como aquele.
Lamine desceu uma das mãos até a curva voluptuosa da bunda de Endrick, apertando a carne firme e torneada por cima do tecido esportivo. Endrick estremeceu dos pés à cabeça com a audácia do toque, enfiando os dedos com mais força nos cachos descoloridos do rival, puxando-o com tanta firmeza que Lamine precisou apoiar o antebraço contra a parede acima da cabeça do brasileiro para não perder o equilíbrio.
Quando finalmente se separaram para buscar ar, os lábios de ambos estavam inchados, brilhantes e avermelhados. As respirações se misturavam na penumbra abafada, rápidas e entrecortadas.
Lamine mantinha os olhos cravados nos de Endrick, um sorriso lento, perigoso e absolutamente triunfante se abrindo em seu rosto marcante.
— Falei que ia te calar — sussurrou o mais alto, a voz embargada pela falta de ar, as borrachinhas azuis faiscando na penumbra enquanto seus dedos ainda apertavam possessivamente o quadril de Endrick.
Endrick tentou sustentar a expressão de raiva, mas o tremor em seu peito e a forma como seu corpo ainda latejava com a proximidade de Lamine traíam qualquer tentativa de indiferença. Ele ergueu a mão e empurrou o queixo de Lamine para trás com o polegar, sentindo a pele áspera da barba por fazer do outro.
— Isso não muda nada — disse Endrick, com a voz ligeiramente trêmula, mas carregada de uma determinação feroz. — No jogo de volta, no Camp Nou, eu vou passar por cima de você.
Lamine soltou uma risada baixa, rouca, encostando a testa na de Endrick em um gesto surpreendentemente íntimo, quase carinhoso, que fez o estômago do brasileiro despencar.
— Eu não esperava nada diferente de você, marrento — murmurou Lamine, roçando o nariz arredondado do menor com a ponta do seu antes de deixar um beijo estalado, rápido e irritante bem no canto de seus lábios. — Mas até lá... você é meu. Quer você admita ou não.
Lamine se afastou devagar, arrumando a jaqueta com uma calma fingida enquanto dava um passo para fora do depósito escuro, voltando para a claridade do corredor como se nada tivesse acontecido.
— Te vejo na zona mista, Felipe — disse ele por cima do ombro, piscando um dos olhos escuros antes de se afastar a passos largos, as travas de suas chuteiras ecoando pelo piso de concreto.
Endrick permaneceu encostado na parede fria por longos minutos, o peito subindo e descendo com força, os lábios ainda ardendo com o atrito do aparelho de Lamine. Ele xingou baixinho em português, passando a mão pelo rosto quente. Ele odiava Lamine Yamal com todas as forças do seu ser.
E o pior de tudo: sabia perfeitamente que aquele ódio não iria embora tão cedo — especialmente agora que havia provado o gosto dele.
