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Mi Estrella

Fandom: Jogadores

Criado: 04/11/2026

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RomanceDramaAngústiaEstudo de PersonagemCiúmesLinguagem ExplícitaCenário Canônico
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Faíscas na Linha de Fundo

O ar de Madri parecia pesado demais para ser respirado sem queimar a garganta. O apito final do árbitro ainda ecoava como um zumbido estridente na cabeça de Endrick quando ele empurrou as portas duplas de acesso à área mista, ignorando deliberadamente o burburinho ensurdecedor da imprensa espanhola. O empate em 2 a 2 no Santiago Bernabéu deixara um gosto amargo em sua boca, denso como cinzas.

Ele puxou a gola da camisa merengue encharcada de suor, tentando aliviar o calor insuportável que subia por seu pescoço. O corpo robusto, forjado em pura potência física, estava moído. Cada músculo de suas pernas grossas e torneadas latejava; aquelas coxas maciças, que o sustentavam contra defensores que tentavam derrubá-lo a qualquer custo, pareciam feitas de chumbo. Ele caminhava com passos pesados, os olhos castanhos escuros e caídos semicerrados sob as sobrancelhas espessas e franzidas. O nariz redondinho exalava o ar em golfadas curtas de irritação, e os lábios carnudos estavam comprimidos em uma linha dura de pura frustração.

E tudo por causa daquele garoto insolente.

— Ei, camisa dezesseis! — A voz arrastada, carregada por um sotaque catalão propositalmente exagerado e infantil, cortou o silêncio relativo do corredor privativo que levava ao controle de dopagem.

Endrick não precisou olhar para saber quem era. Ninguém mais no mundo tinha o dom de fazê-lo cerrar os punhos com tanta rapidez.

Lamine Yamal estava encostado na parede de concreto branco, cruzando os braços compridos com uma atitude exasperantemente relaxada. Ele era visivelmente mais alto, passando com folga de um metro e oitenta, com aquele porte esguio que enganava qualquer um que não o visse em campo: por baixo daquela silhueta magra, havia músculos finos e resistentes, desenhados para a velocidade cortante. O cabelo cacheado, negro na raiz e com as pontas descoloridas em um loiro rebelde, caía desordenadamente sobre a testa marcada pelo suor. A pele morena brilhava sob as lâmpadas fluorescentes, e os olhos, incrivelmente escuros e afiados como agulhas, estavam cravados em Endrick com um brilho predador e zombeteiro.

— Me deixa em paz, Yamal — rosnou Endrick, nem mesmo desacelerando o passo. — Não estou com saco para as suas criancices hoje.

Lamine riu, um som anasalado e provocador que revelou os dentes ligeiramente alinhados e o azul brilhante dos elásticos de seu aparelho metálico.

— Ficou bravinho porque não conseguiu passar de mim na ponta? — Lamine deu dois passos longos e fluidos, entrando no caminho de Endrick com uma facilidade irritante, bloqueando a passagem como havia feito nos acréscimos do segundo tempo. — Achei que os tanques de guerra de Madrid fossem mais difíceis de parar.

Endrick estancou a poucos centímetros dele. A diferença de altura era notória; ele precisava inclinar a cabeça para encará-lo, mas sua presença física era muito mais densa. Ele sustentou o olhar, deixando o peso de sua compleição falar por si.

— Você fez uma falta tática ridícula porque sabia que eu ia fuzilar pro gol, seu desgraçado — disse Endrick entre dentes, a respiração quente batendo no queixo de Lamine. — Se o juiz não fosse um covarde, você estaria expulso e nós teríamos levado os três pontos.

— Se, se, se... — Lamine zombou, inclinando-se para a frente, diminuindo ainda mais o espaço entre eles. — No futebol não existe "se", brasileiro. Você perdeu a bola. Eu tomei. Fim de papo.

— Eu não perdi nada! Você se jogou nas minhas pernas como um cachorro desesperado!

— Porque você tem pernas do tamanho de troncos de árvore, caralho — Lamine rebateu de imediato, e por uma fração de segundo, os olhos dele desceram até as coxas de Endrick, visíveis sob o calção branco levantado, antes de subirem rapidamente de volta para a boca carnuda do atacante merengue. — Alguém tinha que parar esse trator.

Havia algo estranho no ar, algo que ia além da pura rivalidade entre Real Madrid e Barcelona. Estava ali desde a primeira vez que se cruzaram em um torneio de base anos atrás, crescendo e se transformando em uma tempestade elétrica a cada nova convocação e a cada clássico. Uma obsessão doentia disfarçada de ódio competitivo.

— Sai da minha frente antes que eu termine o que você começou lá fora — ameaçou Endrick, a voz engrossando enquanto ele avançava um centímetro, o peito largo colidindo de leve com o peito de Lamine.

Lamine não recuou. Pelo contrário: ele parecia se alimentar da raiva de Endrick. Um sorriso torto se abriu em seus lábios cheios, mostrando as borrachinhas azuis.

— Tenta a sorte — murmurou Lamine, a voz descendo uma oitava, perdendo a cadência infantil e ganhando um tom perigosamente íntimo. — Vamos ver se você é tão forte assim fora das quatro linhas.

Endrick agarrou a gola da camisa grená de Lamine com uma mão rápida como o bote de uma serpente, empurrando-o contra a parede do corredor. O impacto das costas de Lamine no concreto fez um barulho seco e abafado. Lamine soltou um suspiro entrecortado, mas seus olhos não vacilaram nem por um segundo; na verdade, dilataram-se em uma satisfação quase febril.

— Você acha que é engraçado, né? — sibilou Endrick, colando o corpo contra o do rival. Ele podia sentir a respiração descompassada de Lamine contra seu rosto, o cheiro metálico de suor misturado com um desodorante cítrico e caro. — Fica falando merda na imprensa, me provocando nas redes, achando que isso aqui é uma piada. Eu não jogo videogame, Yamal. Eu jogo futebol de verdade.

— Eu sei muito bem o que você joga — rebateu Lamine, a respiração curta agora, as mãos subindo para segurar os pulsos fortes de Endrick. Em vez de tentar afastá-lo, porém, seus dedos morenos e compridos apenas se fecharam em torno dos antebraços musculosos do brasileiro, apertando a pele morena e quente com uma força possessiva. — Eu assisto a todos os seus jogos. Cada minuto. Cada gol que você comemora apontando pro escudo.

Endrick franziu o cenho, pego de surpresa pela intensidade quase maníaca da confissão.

— Você o quê? — perguntou ele, o tom descendo sem que percebesse.

— Eu assisto a tudo — repetiu Lamine, os olhos castanhos incrivelmente escuros devorando cada detalhe do rosto de Endrick, detendo-se na curva suave de seu nariz redondo antes de se fixarem, quase hipnotizados, em seus lábios grossos e entreabertos. — E fico com uma raiva do caralho toda vez que você abraça aquele bando de idiotas. Toda vez que outro zagueiro encosta em você. Você é insuportável, Endrick. Você me tira do sério.

— Você tem problema na cabeça — sussurrou Endrick, mas a força com que segurava a camisa de Lamine começou a fraquejar, transformando-se de um ato de violência em um ponto de ancoragem.

Seu coração batia tão forte que ele tinha certeza de que Lamine podia senti-lo através do tecido colado de seus uniformes. A proximidade era esmagadora. Ele podia ver as pequenas sardas no topo do nariz marcante de Lamine, o brilho da saliva nos elásticos azuis do aparelho, a curva dos lábios carnudos que agora estavam a apenas alguns centímetros dos seus.

— Talvez eu tenha — Lamine concordou num sussurro rouco, dando um passo involuntário para dentro do aperto de Endrick, eliminando o último milímetro de ar que restava entre eles. Seus quadris se tocaram, a firmeza densa e compacta de Endrick colidindo com a estrutura magra e enrijecida do espanhol. — Mas você também não é são da cabeça. Senão já teria me dado um soco em vez de ficar aí me encarando desse jeito.

— Eu não bati em você porque a suspensão custaria caro demais pro time — mentiu Endrick, a voz falhando ligeiramente pela primeira vez.

— Mentiroso — disse Lamine, soltando uma risada curta e sem fôlego que acariciou a boca de Endrick. — Você adora isso. Adora quando eu entro na sua mente. Você passa a semana inteira pensando em mim, confessa.

— Cala essa boca, Yamal.

— Cala você.

O desafio pairou no ar estagnado do corredor como um pavio aceso.

Endrick não pensou. Ele simplesmente agiu pelo mesmo instinto selvagem que o fazia atacar a pequena área quando a bola sobrava limpa. Ele avançou, selando a boca arrogante de Lamine com a sua em uma colisão desesperada, faminta e cheia de atrito.

Um estalo baixo escapou da garganta de Lamine quando os lábios carnudos se chocaram com força. Não foi um beijo delicado; foi uma continuação direta da batalha travada na grama. Lamine abriu a boca no mesmo instante, faminto, e o metal frio de seu aparelho raspou no lábio inferior de Endrick com uma dorzinha aguda que apenas atiçou o fogo entre eles. A língua de Lamine invadiu o espaço com uma urgência febril, enrolando-se na de Endrick de maneira possessiva e experiente.

Lamine soltou a camisa e subiu as mãos compridas para a nuca de Endrick, enterrando os dedos nos cabelos curtos e ásperos do brasileiro, puxando-o para mais perto com uma necessidade quase violenta. Ele queria devorar aquele orgulho madridista, arrancar cada resquício de superioridade daquele corpo mais baixo, mas tão absurdamente sólido.

Endrick soltou um gemido abafado contra a boca de Lamine, deslizando as mãos pelas costelas do espanhol até alcançar a cintura fina, apertando a carne com força possessiva. A bunda redonda e firme de Endrick moveu-se instintivamente para a frente, pressionando suas coxas maciças contra as pernas compridas de Lamine, prendendo o garoto mais alto contra a parede fria. Era um contraste absurdo: a densidade quase esculpida em granito de Endrick contra a agilidade esguia e elétrica de Lamine.

— Porra... — Lamine arfou quando suas bocas se separaram por uma fração de segundo, o fio de saliva ligando seus lábios inchados. Seus olhos estavam vidrados, as pontas loiras de seus cachos balançando com a respiração ofegante. — Você... você beija como joga. Com força demais.

— Não reclama — rosnou Endrick, voltando a atacar a pele morena do pescoço de Lamine, chupando a área logo abaixo da mandíbula até sentir o menino estremecer da cabeça aos pés. — Você pediu por isso.

Lamine jogou a cabeça para trás contra o concreto, cravando as unhas nos ombros largos de Endrick. A competitividade tóxica que os guiava nos gramados agora se transformava em uma carícia agressiva, um desejo acumulado ao longo de meses de manchetes de jornais que os comparavam como o futuro do esporte mundial. O futuro estava ali, trancado em um corredor mal iluminado, se destruindo e se consumindo mutuamente.

— Me beija de novo — exigiu Lamine, a voz carregada de um ciúme irracional, quase chorosa de excitação. — Me beija e esquece que aquele francês de merda existe. Olha pra mim, Endrick.

Endrick subiu a mão pelo peito de Lamine, apertando o pescoço do mais alto com uma firmeza controlada, forçando-o a baixar o queixo. Os olhos caídos de Endrick queimavam com uma intensidade que quase fez o espanhol perder o ar.

— Nunca mais mencione outro cara quando estiver na minha frente — ordenou Endrick em um tom tão baixo e territorial que fez a espinha de Lamine arrepiar inteira. — Você é muito intrometido, Yamal. Quer mandar em tudo.

— Eu só quero o que é meu — Lamine sussurrou de volta, e desta vez o sorriso com os ferrinhos azuis não tinha deboche; tinha apenas uma promessa perigosa e doce.

Ele puxou Endrick de volta para si, e o beijo que se seguiu perdeu um pouco da brutalidade, ganhando uma lentidão pegajosa e profunda, onde as línguas se encontravam com um ritmo que fez as pernas de Lamine vacilarem. O atacante merengue usou sua força absurda para mantê-lo erguido, prensando-o na parede como se quisesse fundir seus corpos em um só. A mão de Lamine desceu pelas costas de Endrick, traçando a curva forte de seus músculos até pousar na lateral de sua bunda pesada e curvilínea, apertando o músculo sob o calção com uma ousadia descarada.

Endrick estremeceu violentamente com o toque, sugando o lábio superior de Lamine com tanta força que o gosto ferroso de sangue quase se fez presente.

Passos ecoaram ao longe, no final do corredor transversal. O som de travas de chuteiras batendo no piso de cerâmica e o eco de vozes em espanhol quebraram o transe como um balde de água gelada.

Endrick se afastou de supetão, respirando pesadamente, o peito subindo e descendo como um fole. Seus olhos castanhos, geralmente tão controlados e impassíveis, estavam arregalados e turvos de desejo. Ele limpou a boca úmida com as costas da mão, sentindo o lábio arder onde o metal do aparelho havia raspado.

Lamine permaneceu encostado na parede, o cabelo desgrenhado, o peito magro arfando contra o tecido fino do Barcelona. Um sorriso vitorioso, ainda que visivelmente abalado, curvava seus lábios carnudos. Ele ajeitou a gola da camisa com os dedos trêmulos.

— A gente não terminou isso — avisou Lamine, a voz falha, mas os olhos fixos em Endrick com uma obsessão desmedida. — Tem o jogo de volta na Catalunha.

Endrick deu um passo para trás, tentando recuperar a compostura, ajustando o próprio calção enquanto seu cérebro tentava desesperadamente colocar as coisas em perspectiva. Ele deveria odiar aquele garoto. Ele odiava aquele garoto.

— No jogo de volta eu vou te massacrar — disse Endrick, tentando manter a voz firme, embora a rouquidão o traísse por completo.

— Pode tentar — Lamine piscou, exibindo o azul nos dentes num último lampejo de petulância irritante, embora suas bochechas morenas estivessem coradas de uma maneira que ele não conseguia disfarçar. — Mas você sabe onde vai terminar a noite depois do apito final.

Antes que Endrick pudesse responder ou sucumbir à tentação de puxá-lo pela nuca e beijá-lo até tirar o ar novamente, o médico da comissão espanhola dobrou a esquina do corredor, segurando a prancheta de exames antidoping.

— Yamal? Felipe? Vocês dois ainda estão aqui? Vamos, rápido, o controle está esperando.

Lamine desencostou da parede com sua habitual lentidão felina, passando por Endrick a passos calculados. Ao cruzar o ombro do atacante brasileiro, sua mão tocou de raspão a cintura de Endrick, os dedos longos dando um aperto breve, quase invisível, mas queimando como brasa viva através do tecido do uniforme.

— Até o Camp Nou, meu dezesseis — murmurou Lamine para que apenas ele ouvisse, antes de seguir o médico pelo corredor com um balanço descontraído no quadril.

Endrick ficou parado ali por mais alguns segundos, o silêncio preenchendo o espaço vazio onde Yamal estivera instantes antes. Ele tocou o próprio lábio com a ponta dos dedos, sentindo a dormência da mordida e a pulsação frenética do próprio sangue. O ódio ainda estava lá, intacto e incandescente. Mas agora, ele sabia, era um ódio que nunca mais o deixaria dormir em paz.

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