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Mi Estrella

Fandom: Jogadores

Criado: 04/11/2026

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RomanceDramaEstudo de PersonagemCiúmesCenário CanônicoLinguagem Explícita
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Gelo e Pólvora

O zumbido da imprensa no saguão do hotel em Nova York era quase ensurdecedor, mas Endrick conseguia ignorar noventa por cento dele com uma facilidade invejável. O garoto mantinha o foco firme na tela do celular, ajustando os fones de ouvido enquanto esperava o início do evento promocional de pré-temporada. Era a turnê de verão, o clássico espanhol transplantado para solo americano, cercado por um circo midiático que parecia não ter fim.

No entanto, havia um elemento em específico que nenhum fone de ouvido com cancelamento de ruído conseguia abafar.

Uma sombra alta cobriu a luz que batia diretamente no rosto de Endrick.

— Sempre tão sério, garoto-prodígio — disse uma voz zombeteira, arrastada num espanhol com sotaque catalão inconfundível. — Se você franzir essa sobrancelha grossa mais um pouco, vai acabar ficando com rugas antes dos vinte.

Endrick nem precisava erguer os olhos para saber quem era, mas o fez mesmo assim. Lentamente, seus olhos castanho-escuros, de pálpebras pesadas e caidinhas que lhe davam um ar perpétuo de sonolência perigosa, subiram da tela do telefone até a figura que pairava sobre ele.

Lamine Yamal estava parado ali, apoiando o peso em uma perna só, irradiando aquela arrogância leve e exasperante que parecia nativa de cada poro seu. Com seus 1,83m de altura, ele levava uma vantagem considerável sobre a estatura mais compacta e atarracada de Endrick. A pele morena escura brilhava sob as luzes frias do hotel, os cachos escuros pontilhados por mechas descoloridas caindo graciosamente sobre a testa. Quando ele abriu um sorriso largo e provocador, o brilho metálico do aparelho ortodôntico se destacou, as pequenas borrachinhas azuis chamando atenção imediata para os lábios carnudos.

Endrick suspirou, tirando apenas um dos lados do fone.

— Você não tem nada melhor para fazer, Yamal? — retrucou o brasileiro, a voz soando rouca e deliberadamente desinteressada. — Tipo treinar passe ou aprender a marcar?

Lamine soltou uma risadinha anasalada, dando um passo a mais para a frente. O espaço pessoal entre eles, que já era tênue, encolheu perigosamente.

— Por que eu me preocuparia com marcação quando são os seus zagueiros que passam a noite tendo pesadelos comigo? — rebateu o ponta, inclinando a cabeça. O olhar dele desceu descaradamente da gola da camiseta de Endrick, percorrendo os ombros largos, o peito denso e descendo até as pernas do camisa 16 merengue.

O contraste entre os dois era absurdo. Enquanto Lamine era longo, esguio, uma navalha veloz feita de tendões e músculos magros e elásticos, Endrick era puro poder bruto concentrado. Suas coxas eram colunas maciças e torneadas, a cintura sólida e o centro de gravidade baixo dando a ele a estabilidade de um tanque de guerra. E, por algum motivo que tirava o sono de Lamine desde a primeira vez que se cruzaram em um gramado, o catalão parecia incapaz de não olhar.

— Olha para você — zombou Lamine, a voz descendo meio tom, ganhando uma cadência quase íntima demais para o meio de um saguão lotado. — Parece que colocaram concreto nessas pernas. Como você consegue correr sem abrir um buraco no chão?

Endrick sustentou o olhar muito escuro de Lamine, sem recuar um milímetro. Aquele nariz redondinho se franziu de leve enquanto os lábios fartos se curvavam em um meio sorriso desdenhoso.

— O suficiente para te deixar comendo poeira se você tentar trombar comigo, magrelo.

— Tenta a sorte amanhã, então — disse Lamine, as borrachinhas azuis brilhando quando ele mordeu o lábio inferior. — Mas já aviso: eu não sou fácil de derrubar.

— Não preciso te derrubar — rebateu Endrick, levantando-se da poltrona com uma calma calculada.

Ao ficar de pé, a diferença de altura ficou evidente. Lamine tinha que olhar para baixo, mas a presença física de Endrick parecia ocupar o dobro de espaço. Seus corpos ficaram a poucos centímetros de distância. Havia um calor ali, um atrito invisível que faiscava no ar toda vez que Madrid e Barcelona se resumiam àqueles dois garotos que carregavam o peso de duas nações e dois gigantes nos ombros.

— Só preciso passar por cima — concluiu o brasileiro, a voz caindo para um sussurro desafiador.

Lamine piscou, as pupilas quase engolindo a íris castanha escura. Por um segundo, aquela máscara de palhaço provocador vacilou, dando lugar a algo muito mais faminto, afiado e obsessivo. Lamine detestava perder. Odiava a mera ideia de que alguém de sua idade pudesse ser considerado superior. Mas, acima de tudo, ele odiava o jeito como Endrick não se intimidava com nada. Nem com sua altura, nem com seu drible, nem com suas provocações.

Antes que Lamine pudesse dar uma resposta à altura, um assessor de imprensa do Barcelona surgiu do nada, puxando o jovem pelo braço.

— Lamine, fotos oficiais agora. Vamos.

Lamine permitiu que o puxassem, mas não tirou os olhos de Endrick. Caminhou de costas por dois passos, erguendo dois dedos em um sinal de paz zombeteiro, e soltou uma piscadela cínica antes de finalmente girar nos calcanhares.

Endrick bufou, balançando a cabeça e colocando o fone de volta no ouvido. Seu coração, no entanto, batia mais rápido do que deveria. E ele sabia, com uma raiva surda que lhe queimava o estômago, que não era apenas pela adrenalina do jogo iminente.


No dia seguinte, o MetLife Stadium ardia sob o calor sufocante de agosto e a pressão de oitenta mil torcedores. Amistoso de pré-temporada era um termo que só existia nos contratos; dentro de campo, a rivalidade ferveu desde o apito inicial.

Endrick jogava como sempre: com o sangue nos olhos. Cada arrancada sua exigia dois defensores para tentar segurá-lo, seu corpo musculoso servindo de escudo impenetrável. Já Lamine flutuava pela ponta direita como um fantasma letal, mudando de direção em milésimos de segundo, a bola colada à canhota mágica, infernizando a lateral merengue.

Aos trinta e cinco minutos do primeiro tempo, o inevitável aconteceu.

Uma bola espirrada no meio de campo sobrou entre os dois. Endrick arrancou como um touro, usando a potência descomunal de suas pernas para chegar primeiro, fincando o corpo no chão e girando para proteger a posse com as costas. Lamine, prevendo o movimento com sua inteligência tática afiada, colou nele imediatamente.

O impacto foi seco.

Em vez de recuar, Lamine usou a altura e a agilidade para pressionar Endrick por trás, os braços envolvendo a cintura do brasileiro na tentativa de desequilibrá-lo. O peito magro e firme de Lamine colou nas costas largas de Endrick. A respiração quente e ofegante do espanhol bateu direto na curva do pescoço suado do atacante.

— Minha bola — sussurrou Lamine, ofegante, a voz quase inaudível no meio do rugido da multidão, a boca a milímetros da orelha de Endrick.

A proximidade fez um choque elétrico descer pela espinha de Endrick. O brasileiro trincou os dentes, usando toda a força absurda de seus glúteos e coxas para empurrar de volta, jogando o peso contra Lamine com um solavanco violento.

— Sai de cima! — rosnou Endrick, forçando o giro.

Lamine tropeçou para trás com o impacto das pernas de Endrick, mas antes de perder o equilíbrio por completo, suas mãos agarraram o tecido da camisa branca, puxando-o junto. Os dois desabaram no gramado em um emaranhado caótico de membros, travas de chuteira e grama voando.

O árbitro apitou furiosamente, marcando a falta.

No chão, Lamine acabou caindo de costas, com Endrick praticamente prensado sobre ele, uma das coxas massivas do brasileiro posicionada entre as pernas compridas do camisa 19 culé. Por três segundos inteiros, nenhum dos dois se mexeu.

Lamine abriu os olhos, encarando Endrick de baixo para cima. O peito do brasileiro subia e descia com violência, os lábios carnudos entreabertos puxando ar, os olhos castanhos escuros faiscando com pura fúria competitiva.

Em vez de reclamar da falta ou empurrá-lo, Lamine abriu aquele sorriso irritante de novo, exibindo o azul do aparelho e uma lasca de dentes impecáveis, completamente imperturbável pelo peso brutal que o esmagava contra o solo.

— Você é pesado pra caramba, sabia? — provocou o mais alto, a voz rouca, sem quebrar o contato visual por nada no mundo. — Mas até que o chão tá confortável assim.

Endrick sentiu o sangue subir para as bochechas, uma mistura corrosiva de ódio esportivo e uma tensão física tão densa que quase podia ser cortada com uma faca. Ele apoiou as palmas no peito de Lamine, sentindo a caixa torácica dele pulsar com a mesma velocidade insana que a sua, e se ergueu de um salto, limpando a grama do calção sem estender a mão para ajudar o rival a levantar.

— Levanta logo e joga bola, palhaço — cuspiu Endrick, virando as costas.

Lamine se levantou sozinho, limpando os cachos loiros e pretos com um movimento fluido. Ele olhou para as costas largas de Endrick se distanciando, a língua passando devagar pelos braquetes azuis. A competitividade era ardente, mas aquele calor... aquele calor estava começando a beirar a obsessão.


O jogo terminou empatado em 1 a 1. Ambos haviam marcado. Endrick com uma bomba indefensável de fora da área que quase rasgou a rede; Lamine com uma pintura de curva no ângulo oposto, celebrando com sua clássica dança provocativa que fez o banco do Real Madrid ranger os dentes.

Uma hora após o apito final, o estádio já se esvaziava. As coletivas de imprensa haviam acabado e os corredores subterrâneos do MetLife estavam imersos em um silêncio relativo, interrompido apenas pelo barulho de carrinhos de equipamentos e passos distantes.

Endrick havia saído do vestiário mais tarde, com a mochila preta pendurada em um ombro só, usando chinelos e o agasalho do clube, procurando uma máquina de bebidas energéticas antes de ir para o ônibus. Ele virou uma esquina mal iluminada perto da saída de emergência e parou bruscamente.

Lamine estava lá.

Encostado contra a parede de concreto, com os braços cruzados sobre o peito magro coberto por uma jaqueta larga do Barcelona. Ele parecia estar esperando há algum tempo.

— Você tá me perseguindo agora? — perguntou Endrick, parando a dois metros de distância, a voz defensiva e impaciente. — O jogo acabou, Yamal. Guarda o showzinho pro clássico oficial.

Lamine não se moveu de imediato. Apenas descruzou os braços e deu um passo lento à frente, diminuindo a distância entre eles. O corredor parecia subitamente apertado demais. Não havia câmeras ali. Não havia treinadores, companheiros de equipe ou torcedores gritando nas arquibancadas.

— Aquele chute foi sorte pura — disse Lamine, embora seus olhos dissessem o exato oposto. Havia admiração ali, enterrada sob camadas e camadas de orgulho ferido.

— Foi treino — rebateu Endrick secamente, dando um passo para tentar contorná-lo. — Agora dá licença.

Lamine se moveu na mesma direção, bloqueando a passagem. Alto, imponente, inclinando o corpo levemente para a frente para encarar o brasileiro de cima. O cheiro de sabonete e do perfume cítrico e caro de Lamine invadiu o espaço de Endrick, sobrepondo-se ao cheiro frio do concreto.

— Você comemorou olhando pra mim — acusou Lamine, a voz agora sem o tom puramente cômico de antes. Havia algo possessivo ali, quase ciumento, que fez o estômago de Endrick dar um nó estranho. — Apontou pro escudo e olhou direto pro meu banco.

— Você queria que eu olhasse pra onde? — Endrick deu um passo agressivo para a frente, diminuindo a distância até que seus peitos quase se tocassem de novo. Seu queixo estava erguido, encarando aquele rosto marcante e anguloso. — Você não para de falar de mim na imprensa, não para de encher a porra do meu saco no hotel, em campo... Você acha que o mundo gira ao seu redor, garoto?

— Não o mundo — respondeu Lamine, a voz descendo para um sussurro aveludado, os olhos muito escuros faiscando com uma intensidade que desarmou Endrick completamente. — Só você.

O silêncio caiu como uma tonelada de chumbo entre os dois.

Endrick entreabriu os lábios carnudos, chocado demais para articular uma ofensa imediata. O ar parecia ter sumido do corredor. A expressão de Lamine havia mudado; o garoto zombeteiro dera lugar a alguém terrivelmente focado, alguém que olhava para Endrick não como quem olha para um inimigo mortal, mas como quem olha para o único desafio na face da Terra que realmente valia a pena conquistar.

— Você é louco — murmurou Endrick, embora sua voz tenha falhado levemente no final, traindo o impacto daquelas palavras.

— Sou competitivo — corrigiu Lamine, dando mais meio passo. Seus sapatos quase tocavam os chinelos de Endrick. A mão de Lamine subiu hesitante, dedos longos e finos roçando de leve no tecido grosso da jaqueta de Endrick, na altura do ombro largo. — E você me irrita mais do que qualquer outro ser humano neste planeta. Não consigo parar de pensar no jeito que você joga. No jeito que você anda como se fosse o dono de tudo. No jeito que você me olha...

A mão de Lamine deslizou do ombro para a clavícula de Endrick, com uma lentidão torturante.

Endrick sentiu as próprias pernas pesarem, presas ao chão. Ele deveria empurrar o catalão para longe. Deveria desferir um soco ou simplesmente dar risada da audácia. Mas o calor dos dedos de Lamine através do tecido parecia queimar. Seus olhos caidinhos se fixaram nos lábios cheios de Lamine, no azul vívido daquele aparelho ortodôntico que ele passara noventa minutos odiando.

— Nós nos odiamos, Lamine — lembrou Endrick, a respiração começando a ficar curta novamente, mas ele não deu um único passo para trás. Seus corpos estavam perigosamente colados, a largura do peito de Endrick pressionada contra o torso alto e elástico do rival.

— Eu sei — sussurrou Lamine, inclinando a cabeça apenas alguns centímetros para baixo, fechando a diferença de altura até que a respiração dele batesse diretamente na boca de Endrick. Um sorriso doce, quase carinhoso, mas manchado de puro perigo, curvou seus lábios. — É a melhor parte.

Endrick agarrou o colarinho da jaqueta do Barcelona com força, os nós dos dedos ficando brancos. Ele não sabia se estava puxando Lamine para mais perto ou se estava prestes a arremessá-lo contra a parede de concreto.

— Se alguém ver isso... — começou Endrick, ameaçador.

— Ninguém tá vendo — interrompeu Lamine, os olhos brilhando de antecipação obsessiva, desafiando Endrick a cruzar a linha. — Deixa de ser covarde, camisa 16. Você não tinha medo de nada até cinco minutos atrás.

Endrick soltou um rosnado baixo, a paciência arrebentando como um fio sobrecarregado. Usando a pegada firme na jaqueta, ele puxou Lamine para baixo de uma vez só, colando suas bocas em um choque urgente, quente e desesperado.

Não havia delicadeza ali; era uma colisão, uma continuação exata da batalha que haviam travado no gramado minutos antes. Os lábios cheios de Endrick tomaram os de Lamine com a força bruta que definia seu jogo, enquanto Lamine soltava um gemido abafado contra a boca dele, as mãos longas descendo com avidez para segurar a cintura sólida e as coxas musculosas do brasileiro, puxando-o para ainda mais perto, como se quisesse fundir seus ossos.

O metal frio do aparelho de Lamine raspou levemente contra o lábio inferior de Endrick, uma dor aguda e excitante misturada ao gosto metálico e doce daquele contato roubado. Lamine usava a língua com ousadia, beijando com fome, mordiscando, provando que por trás daquele garoto brincalhão havia um predador faminto que não deixaria Endrick escapar tão cedo.

Quando finalmente se separaram por falta de ar, as testas permaneceram encostadas. Ambos tremiam levemente com a intensidade do choque.

Lamine abriu os olhos, encarando Endrick com um brilho vitorioso e febril, o peito subindo e descendo contra o dele, os lábios vermelhos e inchados exibindo mais uma vez aquele sorriso metálico e azul que fazia o sangue de Endrick ferver.

— Te vejo no Bernabéu — sussurrou Lamine, dando um leve tapinha carinhoso e descarado na bochecha de Endrick antes de se afastar, arrumando a própria jaqueta como se nada tivesse acontecido.

Endrick ficou parado ali, encostado na parede, a respiração entrecortada e o gosto de Lamine ainda queimando em sua boca. Ele olhou para a silhueta alta se afastando pelo corredor escuro, percebendo, com um pavor fascinado, que a rivalidade entre eles acabara de se transformar em algo infinitamente mais perigoso.

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