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meu melhor amigo

Fandom: 5 seconds of summer

Criado: 04/11/2026

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RomanceFatias de VidaFofuraHumorCiúmesCenário CanônicoHistória Doméstica
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Batidas no Peito e Eletricidade

O som seco da borracha sendo castigada ecoava em um ritmo frenético e milimetricamente preciso pelo camarim. Ashton Irwin mantinha os olhos fixos na ponta das baquetas surradas, os dedos calejados dançando em um movimento contínuo de rebote sobre o pad de treino apoiado sobre seus joelhos. Ele era um homem alto, dono de uma presença que naturalmente preenchia qualquer espaço, embora seu corpo não ostentasse músculos esculpidos de academia; sua compleição era natural, esguia e forte, moldada unicamente pelo esforço hercúleo de anos comandando as baquetas de uma das maiores bandas do mundo.

O suor já começava a umedecer a raiz de seus cabelos ondulados, numa mistura charmosa de castanho-claro e mechas douradas que caíam rebeldes sobre a testa. Em sua pele clara, a arte contava histórias silenciosas: a tinta preta desenhava uma serpente detalhada que serpenteava pelo antebraço direito, enquanto uma rosa desabrochava com delicadeza no outro. Na nuca, outra marca escura destacava a curva de seu pescoço quando ele balançava a cabeça no compasso rítmico.

A porta pesada do camarim se abriu com um estalo suave. Luke Hemmings entrou a passos largos, com sua silhueta espigada coberta por uma jaqueta de veludo e os cabelos loiros perfeitamente desgrenhados. Ele avistou Ashton sentado no sofá de couro e abriu um sorriso preguiçoso de canto de boca.

Sem interromper a sequência veloz de paradiddles com a mão esquerda, Ashton ergueu a mão direita no ar exatamente no segundo em que Luke se aproximou. As palmas se encontraram em um estalo seco e firme, seguido por um choque de polegares e um meio abraço desajeitado, o ritual sagrado de todos os shows que já haviam feito na vida.

— Como estão os pulsos, Ash? — perguntou Luke, com sua voz rouca e calma preenchendo o ambiente.

— Em chamas — respondeu Ashton, exibindo aquele sorriso gigante e iluminado que formava covinhas rasas e deixava seus olhos verde-escuros, com nuances douradas de mel sob as lâmpadas amarelas, brilhando com puro entusiasmo. — Mas a bateria hoje vai implorar por misericórdia. O público lá fora já está cantando tudo.

Antes que Luke pudesse comentar algo, a porta voltou a ranger. Calum Hood entrou de lado, deslizando para dentro do cômodo como uma sombra relaxada. Em uma das mãos, segurava uma lata aberta de energético, da qual dava pequenos goles sonoros; entre os dedos da outra mão, mantinha um cigarro quase no fim, cuja fumaça azulada dançava preguiçosa no ar antes de ser dissipada pela brisa fraca do exaustor.

— Você sabe que o chefe de segurança vai ter um troço se vir você fumando aqui dentro, Cal — disse Luke, rindo baixo enquanto se jogava em uma poltrona próxima e pegava sua guitarra acústica desplugada.

— A janela do banheiro do corredor está aberta, relaxa — murmurou Calum com sua costumeira tranquilidade, soprando uma nuvem fina para cima antes de apagar a ponta cinzenta na sola de sua bota gasta e jogar o toco no lixo de metal. Ele olhou para Ashton e ergueu a lata em um brinde silencioso. — E aí, máquina de ritmo. Pronto para derreter a cara de vinte mil pessoas?

— Nasci pronto, Hood — devolveu Ashton, rindo com sua risada aguda e contagiante, uma daquelas gargalhadas sinceras que faziam todo mundo ao redor sorrir por pura inércia.

Mais ao fundo do camarim, encostado em um espelho largo com moldura repleta de lâmpadas incandescentes, Michael Clifford estava em seu próprio mundo. Com fones intra-auriculares pendurados nos ombros e os cabelos pintados de um tom vibrante, ele fazia exercícios vocais peculiares, soltando notas agudas e vibrando os lábios em escalas rápidas que pareciam um motor engasgando. De vez em quando, soltava um grito rouco para aquecer as pregas vocais, virando-se para o reflexo no vidro para ajeitar a gola da camiseta preta desbotada.

O camarim respirava aquela adrenalina sufocante e deliciosa que antecedia a subida ao palco. O som distante da multidão, como um trovão subterrâneo que fazia o chão vibrar sob as solas dos sapatos, era constante. Faltavam menos de trinta minutos para que as luzes do estádio se apagassem por completo.

Ashton recomeçou a bater no pad de treino, a rosa e a cobra em seus antebraços flexionando-se a cada movimento ágil dos punhos. Ele era o coração daquela banda, não apenas por causa das batidas que mantinham as canções no tempo certo, mas porque sua energia emotiva transbordava para todos os lados. Ele era o cara engraçado que quebrava o gelo nas piores crises, o amigo carinhoso que abraçava sem aviso prévio e que lembrava os outros de respirarem fundo quando o mundo parecia girar depressa demais.

No entanto, havia uma faceta sua que os outros três conheciam bem demais: Ashton conseguia ser o homem mais adorável da Terra, mas tinha um lado ciumento feroz e transparente que beirava o cômico.

A porta do camarim se abriu mais uma vez, desta vez para dar passagem a Maya. Ela era a namorada de Ashton há pouco mais de um ano, mas trabalhava na equipe de produção e fotografia da turnê, o que significava que dividiam a loucura das estradas, aeroportos e noites sem dormir. Ela carregava duas câmeras pesadas penduradas no pescoço e conversava animadamente com Thomas, um dos novos técnicos de iluminação da arena, um sujeito alto, loiro e musculoso que parecia decididamente muito interessado na conversa.

O ritmo veloz das baquetas de Ashton diminuiu uma fração de segundo.

Seus olhos verdes e cor de mel se estreitaram imediatamente. O baterista inclinou a cabeça para o lado, observando a forma como o técnico ria de algo que Maya dizia e como ele colocava uma mão pretensiosamente pousada sobre a moldura da porta, inclinando-se um pouco demais na direção dela.

No canto do sofá, Calum percebeu a mudança instantânea na atmosfera. Ele deu um cutucão com o pé na canela de Luke, apontando disfarçadamente para o baterista com o queixo.

Luke escondeu um sorriso atrás da mão, fingindo dedilhar a guitarra.

— Ih, rapaz — sussurrou Calum, saboreando a cena. — O bicho tá pegando fogo e o show nem começou.

— Olha a cara dele — zombou Michael, parando o aquecimento vocal e virando-se na direção de Ashton, cruzando os braços com um sorriso maroto. — Se as baquetas pudessem atirar raios laser, aquele rapaz da iluminação já tinha virado cinzas de incenso.

Ashton soltou um longo suspiro pelo nariz, ignorando deliberadamente as piadas dos companheiros de banda, embora a ponta de suas orelhas tivesse ficado visivelmente avermelhada. Ele largou o pad de treino sobre a mesinha de centro com mais força do que o estritamente necessário e girou as baquetas entre os dedos antes de enfiá-las no bolso traseiro de sua calça preta ajustada.

Com passos firmes e sua estatura imponente, ele cruzou o camarim. Quando chegou perto da porta, Maya ainda estava terminando uma frase:

— ...então se você conseguir manter a luz azul no refrão de Ghost of You, vai ser perfeito para a lente de trinta e cinco milímetros.

— Com certeza, linda, eu cuido disso para você — respondeu Thomas, com um sorriso largo e excessivamente confiante.

Aquela palavrinha — "linda" — agiu no cérebro de Ashton como uma faísca em um barril de pólvora.

Sem perder tempo, o baterista se colocou entre os dois, usando seu ombro largo para bloquear sutilmente o espaço do técnico. Ashton passou o braço direito por cima dos ombros de Maya, puxando-a contra o seu peito com uma firmeza quase possessiva, mas temperada com um toque de ternura que derreteu a tensão dela. A cobra desenhada em sua pele ficou em plena exibição, cobrindo as costas de Maya.

— Tudo certo por aqui, amor? — perguntou Ashton, a voz caindo em um tom melódico, quase açucarado demais, enquanto seus olhos cravavam no técnico com uma intensidade que faria qualquer um engolir em seco.

Thomas piscou surpreso, notando o aperto protetor e o olhar territorialista do baterista.

— Ah, tudo... tudo ótimo, cara. Só alinhando as fotos — gaguejou o rapaz, dando meio passo para trás e limpando a garganta. — Te vejo lá fora, Maya. Bom show, pessoal.

O iluminador praticamente correu pelo corredor cinzento dos bastidores.

Assim que a porta se fechou completamente, o camarim explodiu em gargalhadas. Michael caiu sentado na poltrona rindo tão alto que perdeu o fôlego, enquanto Calum batia a mão na própria coxa em puro deleite.

— "Tudo certo por aqui, amor?" — imitou Calum com uma voz fina e afetada, quase derramando o que restava do energético. — Pelo amor de Deus, Irwin, você quase marcou território urinando no chão do camarim!

— Você é muito ridículo quando tem ciúmes, Ashton — disse Luke, rindo abertamente e jogando a palheta na direção do amigo.

Ashton revirou os olhos, mas não conseguiu conter aquele sorriso desconcertante e irresistível que desarmava qualquer tentativa de briga. Ele olhou para baixo, encarando Maya, que ainda estava envolta em seu braço e olhava para ele com uma sobrancelha elegantemente arqueada.

— "Linda"? — sussurrou ele baixinho, apenas para ela, fazendo um biquinho infantil e fofo que contrastava comicamente com sua imponência e suas tatuagens rebeldes. — Sério mesmo? Ele te chamou de linda na minha frente. Eu estou bem aqui. Eu sou o baterista da banda, pelo amor de Deus. Tenho músculos de carregar prato e baqueta!

— Ashton Fletcher Irwin — repreendeu ela em tom suave, embora seus lábios estivessem curvados para cima, achando adorável a fragilidade disfarçada de machão que ele exibia. — Ele estava apenas sendo simpático. Nós estávamos trabalhando.

— Eu não gostei do sorriso dele — resmungou Ashton, agora manhoso, encostando a testa contra a dela e deixando que o cheiro cítrico do xampu de Maya acalmasse a ansiedade pulsante que ele carregava no peito. — Ele tem cara de quem não sabe nem trocar uma lâmpada comum, quanto mais cuidar da luz do meu show. E você é minha. Não gosto que fiquem chamando você de "linda". Só eu posso.

— Você não tem jeito, sabia? — disse ela, rindo enquanto erguia as mãos para afagar a nuca dele, sentindo sob as pontas dos dedos a textura da pele tatuada e os cabelos úmidos. — É uma sorte sua que você seja meu baterista favorito no mundo inteiro.

— O único favorito, espero — retrucou ele depressa, os olhos cor de mel faiscando em um misto de graça e urgência carinhosa.

— O único — confirmou Maya, antes de ficar na ponta dos pés e selar seus lábios nos dele em um beijo terno e demorado.

A boca de Ashton se abriu suavemente contra a dela, o toque afastando toda e qualquer insegurança passageira. Ele a apertou contra si, a rosa em seu antebraço roçando a camisa dela, os dedos grandes e fortes acariciando a cintura da namorada com uma delicadeza que poucos imaginariam que aquele monstro do palco possuía. Por um breve segundo, não havia estádio lotado, não havia guitarras altas, não havia expectativas de milhares de pessoas; havia apenas a respiração quente dela misturada à dele.

— Ei, o casal maravilha aí na porta! — gritou Michael, quebrando o clima com uma risada debochada. — Guardem a baba para a festa depois do show, por favor! Temos um palco para destruir daqui a pouco.

Ashton se separou lentamente de Maya, mordendo o lábio inferior com um brilho maroto nos olhos. Ele deu um último beijo estalado na bochecha dela, fazendo-a rir, antes de se virar para os três amigos de longa data.

— Vocês têm muita inveja do meu charme, esse é o problema de vocês — disse Ashton em tom pomposo, caminhando de volta até a mesinha para pegar suas baquetas.

— Claro, Ash. O que todo mundo quer na vida é ser um loiro ciumento que late para a própria sombra — rebateu Calum, rindo enquanto jogava a lata vazia em uma cesta e pegava seu baixo elétrico do suporte.

Uma batida dupla e pesada soou na porta. Um dos coordenadores de palco enfiou a cabeça no camarim:

— Cinco minutos, rapazes. Subida pela rampa oeste.

O ar mudou em um nanossegundo. A atmosfera cômica e descontraída deu lugar a uma eletricidade pura, crua e densa. Era a hora de se transformarem nos garotos que conquistaram o mundo partindo de uma garagem úmida em Sydney.

Luke se levantou, ajeitando a correia da guitarra no ombro. Michael estalou os dedos e balançou a cabeça vigorosamente, acordando o corpo. Calum respirou fundo, fechando a jaqueta jeans escura.

Ashton olhou para Maya mais uma vez. Ela sorriu para ele com orgulho genuíno e fez um sinal positivo com o polegar antes de sair em direção à fresta lateral do palco para posicionar suas lentes de longo alcance. Saber que ela estaria ali, no fosso dos fotógrafos, observando cada gota de suor e cada virada rápida de surdo, acendia uma fogueira no peito dele.

Ele caminhou até o centro do camarim, onde Luke, Calum e Michael já estendiam os braços para o centro, formando aquele clássico círculo de irmãos que haviam compartilhado cada lágrima, cada tombo e cada vitória nos últimos dez anos. Ashton posicionou sua mão grande por cima das mãos dos amigos.

— Muito bem, rapazes — começou Luke, olhando nos olhos de cada um. — O som está perfeito, a galera está ensurdecedora. Vamos dar a eles o melhor show das vidas deles.

— E você, Irwin — Michael piscou —, vê se desconta toda essa sua crise de ciúmes nos pratos da bateria.

— Pode deixar — Ashton riu, exibindo seu melhor sorriso, selvagem e faminto de música. — Não vai sobrar uma pele inteira naquele palco hoje.

— Um, dois, três... — puxou Calum.

— 5SOS! — os quatro gritaram em uníssono, levantando os braços no ar com um brado de energia que fez eco nas paredes de gesso do camarim.

Eles saíram em fila indiana pelo corredor mal iluminado, onde cabos grossos serpenteavam pelo concreto e as luzes vermelhas de segurança piscavam em silêncio. Conforme se aproximavam da rampa que dava acesso à parte inferior do palco monumental, o rugido da plateia aumentava exponencialmente, transformando-se em um som quase ensurdecedor, uma onda maciça de vozes que chamava por seus nomes.

O cheiro de gelo seco e pólvora de pirotecnia já queimava as narinas de Ashton. Ele girou a baqueta entre os dedos com maestria, sentindo o cabo de madeira liso e seguro na palma da mão. A nuca arrepiava conforme a contagem regressiva nos telões chegava aos últimos dez segundos.

Ele olhou para Luke, que já assumia a postura de líder e vocalista, olhou para Michael com a palheta entre os dentes, e para Calum, cujo olhar focado já mirava o escuro da arena. Não havia outro lugar no universo onde Ashton Irwin preferisse estar.

As luzes principais da arena se apagaram de uma só vez. O estrondo do público atingiu proporções sísmicas.

Ashton subiu os três degraus da plataforma da bateria em dois saltos ágeis, sentou-se no banquinho preto acolchoado e ajeitou o microfone auricular na bochecha. Ele ergueu os braços no ar, as tatuagens da serpente e da rosa visíveis para as dezenas de milhares de almas que gritavam seu nome sob os holofotes azuis que cortaram as trevas, e bateu as pontas das baquetas uma contra a outra:

— Um! Dois! Três! Quatro!

O caos perfeito havia começado.

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