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Just one Kiss

Fandom: Diário de um Banana

Criado: 04/11/2026

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Acordes e Batons: O Caos do Segundo Horário

A escola Plainview não era exatamente o lugar onde se esperava encontrar romance ou paz, especialmente quando se fazia parte do grupo mais improvável do corpo discente. Entre os corredores barulhentos e o cheiro onipresente de desinfetante barato e comida de refeitório, quatro figuras se destacavam.

Loyd ajustou a alça da mochila, sentindo o peso do skate batendo contra sua perna. Seus cabelos, com as mechas vermelhas recém-pintadas para combinar com o tom vibrante de Yhuna, caíam sobre seus olhos, oferecendo um esconderijo seguro do mundo. Ele estava tendo um dia difícil. A mente parecia um pouco nublada, a vontade de se encolher em um canto e simplesmente existir em silêncio era forte, mas a presença de Yhuna ao seu lado era o que o mantinha ancorado.

Ao lado deles, Rodrick Heffley caminhava com sua habitual postura desleixada, as baquetas saindo do bolso de trás da calça e um sorriso de canto de boca que dizia que ele provavelmente tinha acabado de ignorar um aviso de detenção. Sofia, sua namorada, estava agarrada ao seu braço, falando animadamente sobre um novo jogo de RPG enquanto seus olhos puxados brilhavam de entusiasmo.

— Eu estou te dizendo, Rodrick, se você colocar mais pontos em agilidade, seu personagem não morreria tanto — disse Sofia, ajeitando o cabelo curto.

— Agilidade é para fracos, Sofia — Rodrick respondeu, soltando uma risada rouca. — O negócio é força bruta. Que nem na bateria. Se eu bater forte o suficiente, o problema vai embora.

Yhuna, que até então estava apenas observando com um sorriso inteligente e calmo, trocou um olhar cúmplice com Sofia. Ela sabia que, por trás da fachada de "não ligo para nada", Rodrick era protetor até o último fio de cabelo bagunçado. Mas o foco de Yhuna logo voltou para o garoto ao seu lado. Ela sentiu a hesitação de Loyd, a forma como ele apertava os fones de ouvido em volta do pescoço.

— Tudo bem, pequeno? — Yhuna sussurrou, aproximando-se dele.

Loyd apenas assentiu, embora suas mãos estivessem escondidas nas mangas compridas do moletom para ocultar as marcas que ele mesmo causara em momentos de desespero. Ele amava o cheiro de tinta que sempre emanava dela e a forma como ela parecia ter todas as cores do mundo em suas mãos.

O sinal do recreio tocou, um som estridente que fez Loyd encolher os ombros. Yhuna viu a oportunidade. Ela não era apenas a namorada dele; ela era sua protetora, sua care-giver nos momentos em que ele regredia para um estado de vulnerabilidade que o mundo não entenderia.

— A gente se vê na aula de música? — Sofia perguntou, já sendo puxada por Rodrick em direção ao pátio.

— Com certeza — respondeu Yhuna, mas seus olhos já estavam fixos em Loyd.

Assim que os outros dois se afastaram, Yhuna segurou a mão de Loyd com firmeza. Ela o conduziu rapidamente pelo corredor, desviando dos alunos, até chegarem ao banheiro masculino que, por sorte, estava vazio naquele setor menos frequentado. Ela o empurrou para dentro e trancou a porta principal com um clique seco.

— Y-Yhuna? O que... — Loyd começou a dizer, mas a voz falhou.

Ele não sabia reagir a flertes, e a intensidade de Yhuna sempre o deixava desarmado. Ela era extrovertida, ativa e, naquele momento, tinha um brilho predatório e carinhoso nos olhos.

— Você está muito tenso hoje — disse ela, encurralando-o contra a parede de azulejos frios. — E eu senti falta disso.

Sem dar tempo para uma resposta gaguejada, Yhuna o puxou pela gola do moletom e selou seus lábios nos dele. Não foi um beijo tímido de escola. Foi um beijo de língua profundo, intenso, daqueles que faziam o tempo parar e o oxigênio escassear. Loyd arregalou os olhos por um segundo, as mãos tremendo, antes de se entregar completamente ao toque dela. Ele era carente de afeto, e os beijos de Yhuna eram como remédio para sua alma cansada.

A mão de Yhuna subiu para acariciar as mechas vermelhas do cabelo dele, enquanto a outra se apoiava firmemente na cintura do garoto. Loyd soltou um gemido baixo, sentindo-se protegido naquele pequeno universo trancado. Ela o beijava como se estivesse tentando fundir suas almas, uma intensidade que quase beirava o desespero juvenil.

No entanto, o mundo exterior não respeitava bolhas de amor.

TRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM!

O sinal do fim do recreio ecoou pelas paredes de azulejo, estridente e impiedoso.

Os dois se separaram bruscamente, ofegantes. Loyd estava com o rosto completamente vermelho, os lábios inchados e o cabelo mais bagunçado do que o normal. Yhuna limpou um pouco do batom borrado no canto da boca dele com o polegar, sorrindo de forma travessa.

— Droga de sinal — resmungou Yhuna, embora o brilho em seus olhos mostrasse que ela estava satisfeita.

— A gente... a gente tem que ir — gaguejou Loyd, tentando recuperar a compostura e a postura de "skatista depressivo" que ele usava como armadura.

— Calma, pequeno. Deixa eu arrumar você — ela disse com voz suave, ajeitando a gola dele. — Não queremos que o Rodrick faça piadas a tarde toda, embora ele provavelmente esteja fazendo a mesma coisa com a Sofia em algum lugar.

Enquanto isso, no corredor principal, Rodrick e Sofia estavam encostados nos armários. Rodrick girava uma baqueta entre os dedos com uma habilidade invejável, enquanto Sofia olhava o relógio.

— Eles estão atrasados — comentou Sofia, dando um tapinha no braço de Rodrick. — Você sabe o que isso significa.

— Significa que o Loyd finalmente está aprendendo alguma coisa útil na escola — Rodrick riu, passando o braço pelos ombros da namorada. — Mas sério, se aquele professor de história reclamar do atraso deles, eu dou um jeito.

— Você vai fazer o quê, Rodrick? Tocar bateria na orelha dele? — Sofia brincou, inclinando a cabeça para olhar para ele.

— Talvez. Ou talvez eu só use meu charme irresistível — ele piscou, aproximando o rosto do dela. — O que você acha?

Sofia revirou os olhos, mas não conseguiu esconder o sorriso.

— Eu acho que você é um idiota, mas é o meu idiota.

Rodrick se inclinou e deu um beijo rápido e estalado nela, ignorando os alunos que passavam e olhavam feio. Ele não ligava para regras, e Sofia adorava a liberdade que sentia ao lado dele. Ela era a nerd inteligente que mantinha os pés dele no chão, e ele era o caos que a fazia voar.

Logo, Yhuna e Loyd apareceram no final do corredor. Loyd caminhava com a cabeça baixa, chutando o chão, enquanto Yhuna exibia um sorriso vitorioso.

— Olha só quem resolveu aparecer — disse Rodrick, cruzando os braços. — E aí, Loyd, a aula de "anatomia" estava boa?

Loyd sentiu o rosto queimar e imediatamente puxou os fones de ouvido para as orelhas, fingindo que não tinha ouvido. Ele começou a mexer no celular, procurando uma playlist de rock alternativo para se isolar.

— Deixa ele, Rodrick — defendeu Yhuna, abraçando Loyd de lado. — Ele é sensível, diferente de você, que tem a delicadeza de um trator.

— Ei! Eu sou gentil — protestou Rodrick, embora o sorriso em seu rosto provasse o contrário. — Sofia, diz pra eles que eu sou gentil.

Sofia fingiu pensar por um momento, olhando para o teto.

— Bem... você não chutou nenhum gato hoje, então acho que conta como progresso.

O grupo riu, até mesmo Loyd soltou um pequeno riso contido por trás do cabelo.

— Vamos logo para a sala — disse Sofia, pegando a mão de Rodrick. — A Yhuna ainda tem que terminar aquele quadro na aula de artes e eu quero ver se consigo convencer o professor de física a nos dar um tempo livre.

— Boa sorte com isso, nerd — Rodrick comentou, mas a seguiu sem reclamar.

Enquanto caminhavam, Yhuna se inclinou para o ouvido de Loyd.

— Mais tarde, na minha casa, eu pinto suas unhas de preto. E a gente pode ouvir aquele álbum novo que você gostou. O que acha?

Loyd olhou para ela, os olhos brilhando por um breve instante através das mechas vermelhas.

— Eu... eu gostaria disso.

Yhuna sorriu, sabendo que, apesar de toda a tristeza e dos desafios que Loyd enfrentava internamente, aqueles momentos de conexão eram o que realmente importava. Eles eram um quarteto estranho, desajustado e barulhento, mas no caos da adolescência e nos corredores cinzentos da escola Plainview, eles tinham encontrado sua própria harmonia.

Rodrick começou a batucar nos armários com as mãos enquanto andava, criando um ritmo constante que Sofia acompanhava cantarolando baixo. Loyd aumentou o volume da música em seus fones, sentindo a batida se alinhar com o ritmo do seu coração, enquanto a mão de Yhuna permanecia firmemente entrelaçada na sua.

A aula poderia começar, o mundo poderia ser difícil, mas ali, entre acordes de guitarra imaginários e batons borrados, tudo parecia, de alguma forma, suportável.

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