Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Oliver x Alice

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 05/11/2026

≡ Índice

Lágrimas de Papel e Bochechas Rosadas

O chão daquele cômodo parecia feito de uma cartolina espessa, fria e impecavelmente branca, cortada com a precisão de uma tesoura afiada. A luz que entrava pelas frestas geométricas da janela desenhava padrões pontiagudos sobre o piso, iluminando a poeira que flutuava no ar como minúsculos confetes esquecidos. No centro do quarto, estendida sobre um tapete felpudo que lembrava algodão prensado, estava Alice.

Ela era apenas uma criaturinha diminuta, um bebê rechonchudo que mal sabia como firmar as próprias perninhas no chão. Suas bochechas eram naturalmente rosadas, fartas como dois pãezinhos quentes saídos do forno. O cabelo castanho bem curto estava cuidadosamente dividido em duas trancinhas finas, presas com pequenos laços pretos que contrastavam com a pele pálida. Vestia uma blusa branca de mangas compridas por baixo de um macacão jeans com suspensórios largos. Ao seu lado, quase do mesmo tamanho que ela, jazia um coelho de pelúcia preto, com orelhas compridas e olhos de botão sem brilho. Alice dormitava, respirando de maneira calma e compassada, enquanto o bico de borracha de sua chupeta subia e descia ritmicamente entre seus lábios pequeninos.

Nenhum adulto vigiava aquele pedaço de chão naquele exato instante. E isso, para Oliver, era o mesmo que um convite aberto para o caos.

Com passos leves e quase inaudíveis, o garoto se aproximou. Seus sapatos pretos rangiam de leve contra o piso liso. Ele usava uma saia azul-marinho pregueada que ia até a altura dos joelhos, combinando perfeitamente com a blusa azul de botão central reluzente e as meias brancas impecáveis, puxadas até as canelas. Seu cabelo claro e curto estava amarrado em um rabo de cavalo frouxo na altura dos ombros, arrematado por um laço preto e decorado com uma presilha azul brilhante que prendia sua franja bagunçada.

Oliver inclinou a cabeça para o lado, observando o bebê deitado. Ele tinha aquele brilho característico nos olhos, uma faísca dourada de pura travessura infantil que anunciava problemas para qualquer um que estivesse por perto.

— Olha só para você... — sussurrou ele, ajoelhando-se ao lado do tapete.

Ele apoiou as duas mãos nos joelhos cobertos pela saia, inclinando o tronco para frente. Alice parecia tão indefesa, tão macia, tão incrivelmente fácil de perturbar. Ninguém que olhasse para aquele bebê imaginaria o abismo de sombras que se escondia sob sua casca frágil. Para Oliver, ela não era um monstro, tampouco uma ameaça temível; era apenas sua pequena companheira de papel, uma boneca viva com bochechas tentadoramente grandes.

Ele estendeu um indicador pálido. Com cuidado fingido, tocou a bochecha direita de Alice. A pele cedeu sob a ponta do dedo com a maciez de uma massa fresca. O garoto sorriu de canto, satisfeito com a textura.

Alice franziu o nariz pequenino em resposta ao toque. Seu corpinho dentro do macacão jeans se contorceu de leve, puxando o coelho preto um pouco mais para perto do peito, mas ela não acordou. Apenas soltou um suspiro abafado ao redor da chupeta.

— Ei, acorda — murmurou Oliver, agora usando o polegar e o indicador para pinçar suavemente a carne rosada da bochecha dela. — Não tem graça nenhuma você ficar dormindo aí feito um desenho guardado na gaveta.

Ele puxou um pouquinho. A bochecha esticou, elástica e rechonchuda. Alice resmungou, mexendo os pezinhos calçados com meias miúdas. Seus olhinhos tremeram sob as pálpebras fechadas, e a chupeta quase escapou da boca.

Oliver soltou uma risadinha baixa, abafando o som com a mão livre. A sensação de poder irritar alguém tão pequeno e fofo era irresistível para sua mente travessa. Em vez de recuar, a vontade de bagunçar aumentou. Se puxar de leve já fazia ela fazer aquela careta engraçada, o que aconteceria se ele apertasse de verdade?

Ele se inclinou mais um pouco, apoiando um dos joelhos no tapete felpudo. Com as duas mãos agora livres, ele segurou ambas as bochechas de Alice ao mesmo tempo.

— Vamos lá, Alice. Dá um sorriso para mim — disse ele, com a voz carregada de ironia infantil.

Ele apertou. Não foi um carinho desajeitado; foi um aperto firme, intencional, daqueles que deixam marcas avermelhadas na pele delicada.

Desta vez, a resposta não foi apenas um resmungo sonolento. A cabecinha de Alice se agitou bruscamente para os lados, tentando escapar dos dedos de Oliver. Suas mãozinhas gordinhas se soltaram da pelúcia preta e começaram a bater no ar, desajeitadas e trêmulas. A chupeta caiu de seus lábios, batendo no chão com um estalo oco e rolando para longe, parando perto da barra da saia azul do garoto.

Oliver arregalou os olhos por um segundo, mas, em vez de soltar, seu sorriso aumentou. Ele apertou um pouco mais, balançando o rosto do bebê de um lado para o outro como se ela fosse um brinquedo de mola.

— Olha só como você é teimosa! — zombou ele, rindo gostosamente da careta de desespero que começava a se formar.

A pele de Alice, antes num tom suave de pêssego, começou a esquentar rapidamente. Uma onda de vermelho escarlate subiu pelo pescoço do bebê, tingindo suas bochechas de uma cor viva e furiosa. Os olhos dela finalmente se abriram, marejados, brilhando com um reflexo estranho, quase sobrenatural, que fez o ar ao redor do tapete esfriar por uma fração de segundo. Seus lábios tremeram violentamente, curvando-se para baixo em um arco perfeito de angústia.

Ela puxou o ar com força, enchendo os pulmões minúsculos.

Oliver percebeu tarde demais o que havia provocado.

— Ah, não... — murmurou o garoto, soltando as bochechas dela no mesmo instante e recuando alguns centímetros. — Não faz isso...

Um grito agudo rasgou o silêncio do quarto.

Alice começou a chorar. E não era um choro comum, discreto ou passageiro. Era um berro estridente, melodramático e ensurdecedor, capaz de fazer as paredes de cartolina tremerem em suas dobras. As lágrimas brotaram como pequenas pérolas pesadas dos cantos de seus olhos, escorrendo pelas bochechas que agora exibiam marcas avermelhadas dos dedos de Oliver. Ela chutava o ar com os pezinhos, e suas mãos minúsculas batiam no tapete em protesto puro.

O som ecoava pelo quarto com uma intensidade inacreditável para alguém tão pequeno. Sombras sutis pareciam dançar nos cantos do cômodo, arrepiando a nuca de Oliver, embora o garoto se recusasse a demonstrar qualquer tipo de medo genuíno.

— Ei, para com isso! — pediu ele, sentando-se sobre os próprios calcanhares e tapando os ouvidos por um momento. — Você vai chamar atenção, sua chorona!

Alice não deu a mínima para os apelos dele. Seu rostinho estava completamente vermelho, contrastando fortemente com a blusa branca impecável e as tranças escuras que balançavam desgrenhadas com o sacudir da cabeça. O choro só aumentava de volume, intercalado por soluços dramáticos que sacudiam seu tronco dentro do macacão jeans.

Oliver olhou ao redor, esperando que alguma figura de autoridade surgisse na porta a qualquer instante com uma régua na mão para lhe dar uma bronca daquelas. Como ninguém apareceu de imediato, sua apreensão passageira rapidamente deu lugar à sua natureza incorrigível.

Ele baixou os braços e viu a chupeta caída no chão, bem ali ao alcance de seus dedos.

— Já sei o que você quer — disse ele, pegando o objeto pelo aro de plástico. — É isso aqui, né?

Oliver se arrastou de joelhos para mais perto do bebê que esperneava. Ele segurou a chupeta diante dos olhos encharcados de Alice, balançando-a de um lado para o outro como se fosse um pêndulo hipnótico.

O bebê notou o movimento. Entre um soluço estridente e outro, Alice estendeu os bracinhos curtos, tentando agarrar a chupeta com os dedos vacilantes. Sua respiração estava entrecortada, os olhos fixos na única coisa que poderia trazer um pouco de alívio para sua boca dolorida e para sua frustração infantil.

— Quer? — perguntou Oliver, com uma voz cantarolada e provocativa. — Quer mesmo?

Ele aproximou o bico de borracha dos lábios vermelhos e trêmulos dela. No instante em que Alice abriu a boquinha para abocanhá-lo, Oliver puxou a mão para trás com um movimento rápido e certeiro.

— Errou! — riu ele, achando aquilo a coisa mais divertida do mundo.

O choro de Alice, que havia diminuído por meio segundo de pura expectativa, retornou com força redobrada. Desta vez, com uma ponta nítida de raiva infantil. Ela bateu com a testa de leve contra o tapete, revoltada, soltando um guincho tão alto que fez a presilha azul no cabelo de Oliver vibrar. Pequenas garras invisíveis de sombra pareceram arranhar o piso ao redor do tapete, mas Oliver estava entretido demais com a própria piada para ligar para os sinais do demônio adormecido.

— Nossa, mas que drama todo é esse por causa de um pedaço de borracha? — caçoou ele, girando a chupeta no próprio dedo indicador. — Parece que alguém aqui é uma bebêzona de verdade.

Alice tentou rolar para o lado, esticando a mão na direção de Oliver com um olhar de puro ódio em miniatura. As lágrimas continuavam a rolar em cascatas grossas, molhando a gola de sua blusa branca.

Oliver deitou-se de bruços no chão ao lado dela, apoiando o queixo nas mãos e cruzando as pernas no ar, fazendo as solas de seus sapatos pretos balançarem para a frente e para trás. Ele colocou a chupeta entre os próprios lábios por um instante, fazendo uma careta ridícula e fingindo chupar o bico, apenas para tirá-la logo em seguida com um estalo sonoro.

— Hmm, tem gosto de leite azedo — provocou ele, mostrando a língua. — Não sei como você gosta dessa porcaria.

Alice soluçou tão forte que perdeu o fôlego por dois segundos, olhando para ele com uma mistura de choque e revolta que só um bebê provocado é capaz de produzir. Ela agarrou seu coelho de pelúcia preto com uma das mãos e tentou empurrá-lo na direção da cara de Oliver, como se quisesse atacá-lo com o brinquedo. O coelho apenas caiu desajeitadamente sobre o braço do garoto.

Oliver pegou o coelho pela orelha longa.

— Até seu bicho é feio, Alice. Parece uma mancha de tinta que derramaram na folha — comentou ele, rindo ainda mais alto ao ver os olhinhos dela faiscarem.

Contudo, o choro do bebê começava a perder o tom estridente e a assumir um tom mais rouco e cansado. O peito minúsculo de Alice subia e descia com violência, exausto de tanto berrar. O rosto permanecia incrivelmente escarlate, e pequenas bolhinhas de saliva se formavam no canto de sua boca trêmula. Ela parecia absolutamente derrotada, com as duas tranças amassadas contra o chão e as mãos encolhidas perto do peito, fitando o teto com um desespero silencioso que começava a substituir os gritos.

Oliver parou de balançar as pernas. Seu sorriso travesso murchou um pouco nos cantos, dando lugar a uma pontinha sutil de culpa que ele jamais admitiria em voz alta para ninguém.

— Ei... — chamou ele, empurrando o ombro dela com a ponta do indicador. — Não precisa ficar assim também. Eu estava só brincando.

Alice apenas virou o rosto para o outro lado, ignorando-o solenemente enquanto soltava um soluço baixinho e magoado.

Oliver suspirou, sentando-se novamente com as pernas dobradas sob a saia azul-marinho. Ele alisou a barra do tecido com as mãos, arrumando a própria postura, e olhou para a chupeta esquecida na palma de sua mão. Ele limpou o bico de borracha na manga da própria blusa azul — um gesto que qualquer pessoa sensata consideraria absolutamente anti-higiênico, mas que para ele era o ápice da consideração — e aproximou-se do bebê mais uma vez.

— Toma logo isso antes que alguém venha ver o que você tem — resmungou ele, empurrando a chupeta gentilmente contra os lábios de Alice. — Não vou brincar mais, pronto.

Desta vez, ele não puxou a mão.

Alice hesitou por um instante, como se seu orgulho ferido quisesse recusar a oferta, mas a necessidade de conforto falou muito mais alto. Ela abriu a boca e abocou o bico de borracha avidamente. O som ritmado de sucção preencheu o quarto quase que instantaneamente. Seus olhinhos vermelhos e inchados se fixaram em Oliver, ainda semicerrados em desconfiança, mas o choro finalmente cessou, restando apenas os soluços espaçados que faziam seu estômago saltar por baixo do macacão jeans.

Oliver pegou o coelho de pelúcia preto que estava jogado de lado e o colocou sobre o peito de Alice. As mãozinhas do bebê rapidamente se fecharam em torno da pelúcia escura, apertando-a com força contra si, como se buscasse proteção contra o garoto à sua frente.

— Viu só? — disse Oliver, inclinando-se para perto do rosto dela e dando mais um cutucão, agora bem de leve, na bochecha que aos poucos voltava ao tom rosado natural. — Você faz tempestade em copo d'água. Nem apertei tão forte assim.

Alice soltou um grunhido abafado ao redor da chupeta, fechando os olhos com força para não ter que olhar para a presilha azul brilhante dele ou para aquele sorriso presunçoso que nunca desaparecia por completo.

Oliver riu baixinho, ajeitando uma das trancinhas da garota que havia ficado presa embaixo do laço preto. Ele gostava daquela sensação. Gostava de saber que podia fazê-la chorar e, ao mesmo tempo, ser a pessoa que devolvia sua chupeta e ficava ali sentado ao lado dela até que a respiração voltasse ao normal.

Ele cruzou os braços sobre os joelhos e apoiou o queixo ali, observando os olhos de Alice se fecharem lentamente à medida que o cansaço do acesso de choro tomava conta de seu pequeno corpo.

— Da próxima vez que você dormir no meio do dia — sussurrou o garoto, com os olhos brilhando novamente —, eu vou esconder a chupeta dentro da gaveta do professor.

Alice não respondeu. Apenas continuou sugando a borracha em um ritmo calmo, adormecendo profundamente sob a vigília do garoto humano que, mesmo sendo a fonte de todas as suas pequenas desgraças cotidianas, jamais se afastaria de perto do seu tapete.

≡ Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic

Novidades do Fanfy

Um novo modelo para suas histórias

Atualizamos o modelo de geração para deixar suas histórias ainda melhores. O novo modelo já está ativado.

Se preferir a versão anterior, escolha «Anterior» no menu do perfil: clique no seu avatar no canto superior direito.

Seus capítulos já escritos serão mantidos. Sua escolha vale para as próximas gerações.