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Engel!:3

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 05/11/2026

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DramaAngústiaSombrioHorrorHorror PsicológicoTragédiaMorte de PersonagemMorte do ProtagonistaTentativa de SuicídioViolência Gráfica
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O Peso do Papel Rasgado

O som dos passos ecoava como batidas descompassadas de um coração à beira do colapso. O ar nos corredores da Paper School parecia mais espesso do que o normal, impregnado com um cheiro pungente de grafite queimado e tinta fresca. Engel corria sem fôlego. As solas de seus pequenos saltos pretos batiam contra o chão frio, produzindo estalos rítmicos e desesperados que quebravam o silêncio mortal daquele labirinto monocromático.

Ele estava uma completa ruína. Seus longos cabelos brancos, normalmente ajeitados com cuidado em um rabo de cavalo baixo, estavam soltos, desgrenhados e salpicados de poeira e pequenos cortes. As duas penas decorativas — uma azul e a outra de um tom vermelho-alaranjado vívido —, presas ao lado direito de sua cabeça, estavam amassadas e inclinadas para baixo, quase arrancadas. O tecido branco de sua camisa polo exibia manchas cinzentas e vincos profundos, com as listras coloridas na manga esquerda rasgadas por alguma quina afiada pela qual ele havia passado em sua fuga desenfreada.

A dor física pouco importava. Os vergões em seus braços negros e compridos ardiam, e suas quatro garras pontiagudas tremiam a cada passada vigorosa, mas sua mente estava presa a apenas um único nome.

Claire.

Os boatos haviam se espalhado pelos corredores como uma folha seca pegando fogo. "Ela foi até o quarto dela", disseram aos sussurros nos banheiros. "Oliver e os outros a empurraram", ecoavam as risadas cruéis nos cantos escuros. "A porta se abriu para ela". Engel se recusara a acreditar. Ele havia prometido protegê-la. Ele jurara a si mesmo que ela estaria segura, que encontrariam uma saída juntos daquele inferno geométrico regido por notas baixas e punições mortais.

Ele dobrou o último corredor que levava à saída principal da escola. A grande porta dupla que prometia a liberdade para o mundo exterior estava logo ali. Porém, diante dela, o mundo de Engel ruiu em um milésimo de segundo.

O cenário era um pesadelo desenhado com a mais pura malevolência.

Claire estava lá. Ou o que restara dela.

O corpo da garota jazia inerte contra os azulejos, completamente dilacerado, como uma folha de caderno que fora arrancada com fúria e retalhada sem piedade. Marcas de garras monstruosas, profundas demais para terem sido feitas por qualquer aluno comum, cobriam seu peito e seu rosto. A tinta escura que servia de sangue àqueles estudantes cobria as paredes ao redor em padrões salpicados e grotescos, ainda gotejando lentamente.

Era a assinatura inconfundível de ∆lice. A besta que habitava a escuridão da escola havia cobrado seu tributo mais inocente.

Engel parou abruptamente. O impacto visual foi como um soco no estômago, roubando-lhe todo o ar dos pulmões. Suas pupilas dilataram-se tanto que seus olhos quase perderam a cor. A cauda branca, pequena e felpuda, abaixou-se completamente entre suas pernas em uma resposta instintiva de puro terror e submissão à dor.

— Não... — O murmúrio saiu rachado de seus lábios, quase inaudível, antes que sua garganta se fechasse em um nó sufocante. — Não, não, não...

A alguns passos de distância do massacre, figuras imponentes observavam a cena. Três adultos, a representação máxima da ordem da Paper School, estavam ali parados como estátuas em um museu de horrores.

Mister Demi, o tímido professor de música, segurava algumas partituras contra o peito como se usasse o papel para proteger seu coração fragilizado. Seus chifres pareciam mais pesados do que nunca, e seus olhos grandes tremiam descontroladamente por trás do suor frio que escorria por sua testa. Ele cobria a boca com uma das mãos, emitindo pequenos ganidos sufocados, incapaz de encarar a brutalidade do que estava diante de si, mas paralisado demais para desviar o olhar.

Ao lado dele, Miss Emily, a professora de história, mantinha os braços cruzados rigidamente. Sua expressão era severa, quase analítica, embora uma leve contração na sobrancelha revelasse o desconforto que até mesmo sua disciplina rígida não conseguia apagar por completo. Ela ajeitou os óculos na ponte do nariz com um dedo firme, tentando fingir que aquilo era apenas mais uma consequência estatística do sistema escolar.

E, no centro de tudo, a diretora Miss Grace. Alta, imponente e assustadoramente calma. Seu olhar dourado e penetrante não demonstrava tristeza, choque ou compaixão. Ela olhava para o corpo estraçalhado de Claire com a mesma frieza com que olharia para uma folha de rascunho amassada e jogada no lixo por engano.

— Mais uma bagunça nos corredores — a voz de Miss Grace cortou o ar como uma lâmina de tesoura bem afiada. — Demi, providencie para que os monitores limpem isso antes do próximo período. Não tolerarei manchas na entrada principal.

— S-Sim, diretora... — gaguejou o professor de música, a voz quebrando em puro desespero enquanto ele recuava um passo, trêmulo.

Engel não prestava atenção neles. O mundo exterior havia desaparecido. O som dos passos dos professores, o eco distante de outros alunos no andar de cima, o zumbido monótono das lâmpadas fluorescentes no teto... tudo se reduziu a uma estática ensurdecedora.

Suas pernas perderam a força restante. Ele simplesmente cedeu à gravidade, caindo de joelhos sobre o chão duro. O impacto fez seus ossos vibrarem, mas ele nem sequer piscou. Sentou-se sobre os calcanhares, a respiração vindo em arquejos curtos e pesados. O suor escorria copiosamente por suas têmporas, misturando-se à sujeira em seu rosto e ardendo nos cortes abertos de sua bochecha.

Ele permaneceu em silêncio. Um silêncio sepulcral, opaco e pesado como chumbo.

Com movimentos lentos, como se seu corpo se movesse sob a pressão do fundo do oceano, Engel estendeu a mão direita. Seus dedos pretos e pontiagudos tremiam violentamente. Ele avançou alguns centímetros pelo chão ensanguentado, ignorando as manchas de tinta negra que agora sujavam suas polainas listradas.

Havia algo caído a poucos centímetros da mão inerte de Claire.

O laço. O pequeno e delicado laço que ela costumava usar, agora manchado nas bordas, mas ainda mantendo sua forma original. Aquele pedaço de tecido simples era o símbolo de sua existência, da doçura que ela tentara manter em um ambiente construído para destruir qualquer lampejo de bondade.

Engel tocou o laço com a ponta de suas garras. Depois, com um cuidado quase reverente, fechou os dedos ao redor dele, puxando-o para si. Ele apertou o laço contra o centro do peito, sentindo o tecido macio contra as listras de sua camisa rasgada.

Uma única lágrima brotou em seu olho esquerdo. Pesada, brilhante e solitária, ela rolou pela curva de sua bochecha machucada, deixando um rastro límpido na poeira antes de cair sobre o chão de cerâmica, desfazendo-se em uma gota invisível.

Naquele momento, ao abaixar a cabeça, algo mais chamou sua atenção. Ali, no meio de uma poça de tinta escura que refletia a luz branca do teto, jazia sua lupa.

A lupa que ele sempre carregava. A ferramenta que usava para observar as pequenas maravilhas do mundo, para investigar, para ajudar quem precisava, para ver as coisas com clareza. Agora, o vidro estava completamente estilhaçado em uma teia de aranha caótica. A moldura de metal estava torcida e lascada, como se tivesse sido pisoteada com desprezo.

Ela representava tudo o que ele fora até aquele exato instante: um garoto gentil, atento, que tentava enxergar o lado bom de uma escola feita de papel e crueldade.

Engel esticou o braço e recolheu a lupa quebrada. O metal frio fez contato com suas garras negras. Ele olhou para o reflexo fraturado de seu próprio rosto nas dezenas de pedaços de vidro rachado. O garoto que o encarava de volta já não era o mesmo. Não havia mais luz naquele olhar. Não havia calor. Havia apenas um abismo estilhaçado.

— Você falhou — uma voz parecia sussurrar nos estalos de sua mente. — Você tentou ser bom em um lugar onde a bondade é punida com a morte.

Miss Grace deu meia-volta, ajustando os papéis que segurava sob o braço.

— Vamos, Mister Demi. Temos uma reunião com o conselho em cinco minutos. Deixe o garoto aí. Ele vai aprender a lidar com isso, assim como todos os outros.

Mister Demi olhou para Engel com uma compaixão covarde e impotente nos olhos, mas nada disse. Apenas abaixou a cabeça e seguiu os passos autoritários da diretora. Miss Emily lançou um último olhar frio para a cena e virou as costas, seus passos diminuindo à medida que se afastavam pelo corredor leste.

Engel estava sozinho. Sozinho com o cadáver da única pessoa que realmente importava.

Ele olhou para a lupa quebrada. Depois, olhou para Claire.

Uma sensação estranha, desconhecida e perturbadora começou a se espalhar por suas veias. O calor da tristeza se dissipou, dando lugar a uma frieza cortante, quase reconfortante. As rachaduras na lente de vidro pareciam formar um caminho, uma clareza bizarra que ele nunca havia experimentado antes.

Vingança.

A palavra ecoou em sua cabeça não como um grito de raiva, mas como uma doce e suave canção de ninar. Uma promessa. Ele iria caçar Oliver. Ele iria atrás de Zip e Edward. Ele iria até mesmo rasgar as próprias paredes do quarto de ∆lice para queimar aquela abominação até que não restasse nada além de cinzas. Eles pagariam por cada gota de tinta que arrancaram de Claire. Ele faria a Paper School queimar até o chão.

Um pequeno sorriso começou a se desenhar no canto de seus lábios feridos. Era um sorriso trêmulo, mas genuíno. Uma fagulha de felicidade insana e distorcida iluminou seu rosto quebrado.

— Eu vou cuidar deles, Claire... — ele murmurou baixinho, sua voz agora calma, assustadoramente pacífica. — Eu prometo que vou.

Mas então, ao olhar para suas próprias mãos manchadas e pontiagudas, a realidade implacável daquele mundo o atingiu com a força de uma guilhotina.

Ele era apenas um pedaço de papel. Ele era fraco. Ele não conseguira protegê-la. Se tentasse lutar contra eles agora, ele apenas seria destruído, humilhado e apagado como um erro em uma prova de matemática. O sistema nunca permitiria que a justiça prevalecesse. As regras da escola haviam sido escritas para proteger os monstros e descartar os gentis.

Se ele não podia existir com ela... se aquele lugar era uma prisão sem saída...

A vingança não pertencia a este plano de existência. Para onde Claire havia ido, talvez não houvesse notas vermelhas. Talvez não houvesse dentes afiados nas sombras. Talvez, lá fora, além do papel rasgado da realidade, houvesse paz.

Sua mão esquerda escorregou para a lateral de seu macacão, onde ele sempre guardava um pequeno canivete escolar com lâmina de aço afiada, usado antigamente para apontar lápis e cortar trabalhos de geometria.

Ele sacou a lâmina. O metal reluziu sob a luz branca.

Engel não hesitou. Ele não chorou mais. O sorriso em seus lábios não se desfez; pelo contrário, ampliou-se de forma leve, quase infantil. Seus olhos se fixaram no teto vazio da escola, ignorando completamente o medo que o consumira momentos antes.

— Vamos para casa — sussurrou ele, com o tom mais doce que já usara na vida.

Com um único movimento firme, guiado pela força anormal de seus braços compridos, Engel cravou a ponta afiada diretamente no centro do seu peito.

O barulho foi suave e seco: o som de papel grosso sendo perfurado.

A dor aguda atravessou seu corpo como um choque elétrico, mas Engel não gritou. Ele não emitiu um único som de agonia. Seu corpo apenas estremeceu violentamente por um segundo antes de relaxar por completo.

A tinta escura e quente começou a se espalhar rapidamente pela frente de sua camisa polo branca, engolindo o branco imaculado e tingindo as duas listras coloridas em sua manga de um preto profundo e pegajoso. O líquido escorreu pelos botões do macacão, misturando-se à poça já existente no chão.

Engel permaneceu sentado, imóvel. A respiração, agora curta e borbulhante, foi diminuindo gradativamente.

Ele ficou muito quieto. O corredor ao redor parecia ter prendido o fôlego diante da cena.

Então, do fundo de sua garganta que se enchia de sangue escuro, brotou um som.

Foi uma risada.

Primeiro, apenas um sopro fraco, uma lufada de ar trêmula que fez seus ombros oscilarem levemente. Depois, tornou-se uma risada suave, cristalina e absolutamente louca. Engel riu da diretora Grace. Riu dos professores tolos que achavam ter algum controle sobre a vida e a morte. Riu da estupidez daquele colégio maldito e de suas regras arbitrárias. Riu da própria dor, sabendo que ela seria a última coisa que aquele lugar jamais conseguiria infligir contra ele.

— Heh... heh-heh... — os pequenos estalos de sua risada ecoavam pelo teto alto da entrada da Paper School.

Sua cabeça pendeu suavemente para o lado, repousando contra o próprio ombro. O laço de Claire permaneceu firmemente preso em seus dedos negros, apertado com tanta força que nem a própria morte seria capaz de arrancar. Ao lado de sua mão caída, os cacos da lupa quebrada refletiam as luzes distantes, apagando-se lentamente à medida que a visão de Engel escurecia.

O riso finalmente cessou. O silêncio retornou ao corredor, pesado e definitivo. E sob as portas fechadas da saída que nunca se abriram, dois pedaços de papel jaziam imóveis, livres para sempre das rédeas da escola.

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