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A marcada do alfa

Fandom: sasusaku

Criado: 05/11/2026

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O Eco do Destino e a Flor de Cerejeira

Vila Haruno, 2005

A noite na Vila Haruno possuía um silêncio que pesava sobre os ombros de quem conhecia a verdade. O vento soprava suave, carregando o aroma das flores de cerejeira, mas para Mebuki Haruno, aquele perfume era agridoce. Tinha cheiro de despedida.

Sentada na beira da cama de sua filha, Mebuki observava a pequena Sakura. A menina, com apenas cinco anos, era a imagem da vivacidade. Seus cabelos curtos, de um tom de rosa tão exótico quanto os da própria mãe, espalhavam-se pelo travesseiro. Os olhos, verdes como as mais puras jades, brilhavam com a curiosidade típica da infância.

— Mamãe, a senhora pode contar uma história para mim? — pediu Sakura, ajeitando-se sob os lençóis de algodão.

Mebuki sentiu um aperto no peito. Olhou para a filha, vendo nela a mistura perfeita entre si e Kizashi. O marido estava no corredor, vigiando as fronteiras da propriedade, mas o coração dele estava ali, naquele quarto. Eles sabiam que o tempo era um luxo que não possuíam mais.

O dom de Mebuki era, ao mesmo tempo, sua maior bênção e sua pior maldição. Ela via o amanhã. Via as linhas do tempo se entrelaçando, e a visão que a perseguia nas últimas semanas era implacável: o castelo em chamas, o fim de uma linhagem e a solidão de sua pequena flor. Saber que não veria Sakura crescer, que não estaria lá para pentear seus cabelos ou ensinar os segredos da magia Haruno, destroçava sua alma.

— Claro, querida — começou Mebuki, forçando um sorriso doce enquanto acariciava o rosto da pequena. — Era uma vez, em um reino muito distante, um castelo magnífico. Esse castelo era protegido por uma barreira mágica poderosa, invisível aos olhos humanos. Lá, viviam um rei, uma rainha e sua linda filha, a princesa.

Sakura ouvia atentamente, os olhos fixos na mãe.

— Apesar de saberem que não poderiam viver muito tempo com sua filha — continuou Mebuki, a voz levemente trêmula —, o rei e a rainha aproveitavam cada segundo ao lado dela. Eles mostravam a ela o amor incondicional que sentiam, enchendo seus dias de luz e risadas.

— Por que no reino tinha a barreira mágica, mamãe? — perguntou Sakura, franzindo o cenho. — E por que o rei e a rainha não podiam ficar com a princesa?

Mebuki suspirou, buscando as palavras certas para transformar a tragédia em fábula.

— No castelo viviam seres mágicos, filha. E, por serem especiais e poderosos, havia pessoas que os temiam e queriam caçá-los. A barreira servia para proteger todos, especialmente a princesa, que era o tesouro mais valioso do reino. A rainha tinha o poder de ver o futuro e, assim que a princesa nasceu, a Deusa da Lua mostrou a ela o que estava por vir. Ela viu que o castelo seria invadido e que sua menina seria perseguida se ficasse ali.

— O que aconteceu com a princesa, mamãe? — O tom de Sakura era de pura ansiedade.

— Para proteger a princesa, a rainha tomou a decisão mais difícil de sua vida. Ela a mandou para bem longe, para um lugar onde ninguém a encontraria. A rainha escondeu os poderes da menina, selando-os no fundo de seu coração, para que ela pudesse ter uma vida normal por um tempo, longe dos perigos da magia.

— Mas a princesa vai ficar sem a mamãe e o papai dela? — Sakura perguntou, e seus olhos começaram a marejar. — Ela ficará sozinha?

Mebuki sentiu as próprias lágrimas queimarem. Ela se inclinou e beijou a testa da filha.

— Oh, meu amor... A rainha fez o necessário para mantê-la viva. A princesa não entenderia naquele momento, mas, assim que crescesse, ela compreenderia que tudo foi por amor. Por um tempo, ela se sentiria sozinha, sim... Mas a história não termina aí. Ela encontraria pessoas maravilhosas, amigos que se tornariam irmãos e, eventualmente, teria sua própria família. A princesa jamais se sentiria sozinha de novo e não precisaria mais fugir.

— Não gostei dessa história, mamãe — disse Sakura, uma lágrima solitária escorrendo por sua bochecha. — É muito triste.

— Eu sei, meu anjo — sussurrou Mebuki, deixando o choro transbordar silenciosamente. — Mas preciso que você entenda que foi necessário. Sabe que o papai e a mamãe te amam muito, não sabe? Você é o nosso raio de sol, Sakura. O motivo de tudo.

— Por que você está chorando, mamãe? — Sakura esticou a mãozinha para secar o rosto da mãe.

— Por nada, meu amor. É apenas a emoção da história. Agora, é hora de dormir, está bem?

Mebuki ajeitou Sakura na cama, esperando até que a respiração da menina ficasse pesada e rítmica. Quando teve certeza de que a filha havia adormecido, Mebuki posicionou a mão sobre a testa da pequena. Uma luz suave, de um verde pálido e etéreo, começou a emanar de sua palma, envolvendo a cabeça de Sakura.

— Saiba que te amamos muito, Sakura — sussurrou Mebuki, a voz embargada. — Tudo o que fizemos foi para protegê-la. Você se sentirá sozinha por um tempo, o vazio será grande, mas você encontrará seu lugar no mundo. Haverá alguém esperando por você, alguém com olhos de tempestade e um coração que só você poderá alcançar. Ele te protegerá, te amará e vocês terão uma linda família.

A luz brilhou intensamente por um segundo antes de desaparecer, levando consigo as memórias nítidas dos últimos anos, deixando apenas fragmentos, sensações e o calor de um amor que nem o tempo poderia apagar.

Passos pesados ecoaram no corredor. Kizashi apareceu à porta, o rosto marcado pela tensão e pela dor. Ele carregava uma pequena mochila e um manto escuro.

— Querida, hora de levá-la — disse ele, a voz rouca. — Não temos muito tempo. Os batedores já foram vistos na fronteira da vila. Você já fez o feitiço da memória?

Mebuki levantou-se, sentindo as pernas fracas.

— Sim — respondeu ela, olhando uma última vez para a filha adormecida. — Ela só se lembrará de fragmentos. O suficiente para saber que foi amada, mas não o suficiente para que eles a encontrem através de suas lembranças.

Kizashi aproximou-se e pegou Sakura nos braços com uma delicadeza extrema, como se segurasse um cristal precioso. Ele a apertou contra o peito, fechando os olhos por um breve momento, absorvendo o cheiro de flores de cerejeira que emanava da menina.

— Vamos — disse ele, embora cada fibra de seu ser quisesse ficar e lutar.

Eles saíram pela porta dos fundos, mergulhando na escuridão da floresta que cercava a Vila Haruno. O destino era Konoha, a Vila Oculta da Folha. Lá, sob a proteção do Terceiro Hokage, a quem Kizashi havia prestado um favor anos atrás, Sakura estaria segura. Ela cresceria como uma órfã, uma cidadã comum, até que o selo em seu sangue estivesse pronto para despertar.

Enquanto corriam pelas sombras, Mebuki olhou para trás. As luzes da vila começavam a se apagar, e ela sabia que, em poucas horas, o lugar que chamavam de lar seria apenas cinzas. Mas, ao olhar para a filha nos braços do marido, ela viu a centelha do futuro.

Sakura sobreviveria.


Konoha, Anos Depois

O sol de meio-dia castigava o campo de treinamento número sete. Sakura Haruno, agora com doze anos, suspirou enquanto esperava por seu sensei, Kakashi. Ao seu lado, Naruto tagarelava sobre ramen, mas seus olhos, quase que involuntariamente, desviaram-se para o terceiro membro da equipe.

Sasuke Uchiha estava sentado na raiz de uma árvore, limpando uma kunai com uma expressão de indiferença que Sakura já conhecia bem. No entanto, naquele dia, algo estava diferente.

Uma sensação estranha de déjà vu atingiu Sakura. Um flash de luz verde, o cheiro de flores de cerejeira sob o luar e a voz de uma mulher, doce e melancólica, ecoou em sua mente: "Haverá alguém esperando por você... alguém com olhos de tempestade..."

Sakura levou a mão à cabeça, sentindo uma leve tontura.

— Você está bem, Sakura-chan? — perguntou Naruto, interrompendo seu monólogo.

— Sim, Naruto. Só... um pouco de dor de cabeça. Acho que é o sol.

Sasuke ergueu os olhos da kunai. Por um breve segundo, seus olhares se cruzaram. Os olhos dele, escuros e profundos como uma noite sem estrelas, pareciam procurar algo nela que nem ela mesma sabia que possuía. Havia uma conexão silenciosa, um fio invisível que parecia vibrar sempre que estavam perto.

Sakura desviou o olhar, o coração batendo um pouco mais rápido. Ela muitas vezes se perguntava por que se sentia tão atraída por Sasuke, além da óbvia admiração que todas as garotas da academia tinham. Para ela, não era apenas o talento ou a aparência dele. Era uma sensação de reconhecimento. Como se, em algum lugar de seu passado esquecido, ele já estivesse lá.

— O Kakashi-sensei está atrasado de novo! — gritou Naruto, chutando o chão.

Sakura não respondeu. Ela tocou o pingente que sempre carregava escondido sob a roupa, uma pequena joia em forma de pétala que, segundo os registros do orfanato, fora encontrada com ela quando bebê.

As palavras da "história" que ela às vezes ouvia em seus sonhos voltaram a sussurrar.

"A princesa jamais se sentiria sozinha de novo."

Ela olhou para o time 7. Naruto, com seu sorriso barulhento e coração de ouro. Kakashi, que logo apareceria com uma desculpa esfarrapada. E Sasuke... o garoto que carregava o peso do mundo nos ombros, assim como ela sentia que carregava um segredo trancado a sete chaves dentro de sua própria alma.

— Eu não estou sozinha — sussurrou ela para si mesma, um sorriso suave surgindo em seus lábios.

— Disse alguma coisa, irritante? — Sasuke perguntou, sua voz fria, mas sem a aspereza habitual.

— Nada que te interesse, Sasuke-kun — respondeu ela, recuperando a postura.

Mas, por dentro, Sakura sentia que o selo estava começando a rachar. As memórias de 2005 eram apenas sombras, mas o poder que Mebuki havia escondido estava começando a pulsar em sintonia com o chakra da menina.

A Vila Haruno podia ter caído, e o rei e a rainha podiam ter partido, mas a princesa estava despertando. E, em Konoha, entre laços de amizade e rivalidades amargas, o destino que fora escrito nas estrelas e visualizado por uma mãe desesperada estava prestes a se cumprir.

Sasuke voltou a se concentrar em sua arma, mas manteve a guarda alta. Ele também sentia algo. Uma energia diferente emanando da garota de cabelos rosa. Algo que não era apenas irritação ou admiração infantil. Era algo antigo. Algo que cheirava a magia e a promessas feitas sob a luz da lua.

O treinamento estava prestes a começar, mas a verdadeira jornada de Sakura Haruno, a herdeira de um reino esquecido, estava apenas dando seus primeiros passos. E, desta vez, ela não teria que enfrentar o futuro sozinha.

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