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A marcada do alfa

Fandom: Sasusaku

Criado: 05/11/2026

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RomanceUA (Universo Alternativo)FantasiaDor/ConfortoDramaAçãoMistérioAlmas Gêmeas
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Entre o Sangue e o Uivo

O asfalto molhado de Aelthoria refletia a luz pálida dos postes de ferro fundido, dando à cidade uma aura de conto de fadas sombrio. Para Sakura Haruno, cada quilômetro percorrido pelo táxi em direção ao centro da vila parecia um passo a mais para fora de um pesadelo. Ela apertava a alça de sua bolsa de mão, sentindo o relevo do losango em sua testa sob a franja. A marca pulsava levemente, uma reação estranha que ela vinha sentindo desde que cruzou os limites da floresta que cercava a região.

Aelthoria não era apenas uma cidade; era um santuário verdejante, onde o ar tinha um peso diferente, carregado de eletricidade e do cheiro profundo de terra úmida e pinheiros.

— Chegamos, senhorita — anunciou o motorista, parando em frente a uma casa de estilo vitoriano, cercada por um jardim impecável.

Sakura mal teve tempo de pagar a corrida. Assim que a porta do carro se abriu, um vulto de cabelos negros azulados voou em sua direção.

— Sakura! Você finalmente chegou! — Hinata a apertou em um abraço tão forte que quase tirou o fôlego da médica.

— Hina... eu também senti sua falta — Sakura murmurou, escondendo o rosto no ombro da amiga. Por um momento, o perfume de lavanda de Hinata afastou o cheiro metálico e frio que parecia persegui-la desde Konoha. O cheiro de Sasori.

— Você está pálida, Saky. E está tremendo — Hinata se afastou um pouco, analisando o rosto da irmã de consideração com olhos perolados cheios de preocupação. — Aconteceu alguma coisa? Ele fez algo de novo?

Sakura forçou um sorriso, embora o hematoma em suas costelas protestasse a cada respiração profunda.

— Eu só estou cansada da viagem, Hina. Foi um longo caminho. Só preciso de um banho e de uma noite de sono onde eu não precise olhar por cima do ombro.

Hinata assentiu, embora não parecesse totalmente convencida. Ela pegou uma das malas de Sakura e a conduziu para dentro.

— Naruto está na oficina terminando um serviço com o Sasuke, mas ele prometeu que viria para o jantar. Você vai amar a comida daqui, e o pessoal... bem, eles são um pouco intensos, mas são as melhores pessoas que já conheci.


Enquanto isso, na oficina "Uchiha & Uzumaki", o clima era de foco absoluto. O som de uma chave pneumática ecoava pelo galpão amplo, onde picapes de alto desempenho e carros clássicos eram desmontados com precisão cirúrgica.

Sasuke Uchiha estava debruçado sobre o motor de um Mustang 69, suas mãos grandes e calejadas movendo-se com agilidade. A camisa preta de algodão estava colada ao corpo musculoso, evidenciando a força bruta que seus genes de lobisomem lhe conferiam. Ele era o Alfa, o líder da alcateia que protegia Aelthoria, e sua presença comandava respeito sem que ele precisasse dizer uma única palavra.

— Sasuke, o Naruto já saiu para buscar as coisas para o jantar da Hinata — informou Gaara, saindo debaixo de um jipe. O ruivo limpou o suor da testa com o antebraço, os olhos verdes focados no amigo. — Ele parecia mais elétrico que o normal. Aparentemente, a tal amiga da Hinata chegou.

Sasuke soltou um grunhido baixo, sem desviar os olhos do motor.

— Naruto se empolga com qualquer coisa que faça a Hinata sorrir — respondeu Sasuke, sua voz grave vibrando no peito. — Contanto que essa mulher não traga problemas para a cidade, não me importa quem ela seja.

— Ela é médica, Sasuke. Pediatra — disse Ino, entrando na oficina com um cesto de flores que pretendia levar para casa. A loira sorriu, encostando-se na bancada de ferramentas de Gaara. — E, pelo que a Hina disse, ela passou por momentos difíceis. Aelthoria vai fazer bem a ela.

— Aelthoria é um ímã para coisas complicadas, Ino — rebateu Sasuke, finalmente se erguendo e limpando as mãos em um pano graxento. — E o cheiro da floresta está estranho hoje. Há algo no vento que eu não gosto.

Gaara farejou o ar discretamente. Como lobisomem, seus sentidos eram apurados, e ele entendeu o que o Alfa queria dizer. Havia uma nota dissonante no ambiente, algo frio e estático que não pertencia ao ecossistema da alcateia.


A noite caiu sobre Aelthoria, e na casa de Hinata, o clima era de celebração. Naruto, com sua energia inesgotável, contava histórias engraçadas sobre suas trapalhadas na academia de boxe, fazendo Sakura rir verdadeiramente pela primeira vez em meses.

— E então o Sasuke olhou para o cara e disse: "Se você encostar no meu carro de novo, eu vou te ensinar a latir" — Naruto gesticulava, fazendo Hinata gargalhar.

Sakura, sentada à mesa, sentia-se estranhamente em paz. A presença de Naruto e Hinata era como um bálsamo. No entanto, sua mente trapaceira a levava de volta para Sasori. Ela se lembrava de como ele era no início: atencioso, fascinado por ela. Mas o fascínio se tornara obsessão. Ele dizia que o cheiro dela era "único", "viciante". Como um vampiro, ele era atraído pelo sangue, mas com Sakura, era algo mais profundo. Ele a tratava como uma posse rara, um troféu que não podia ser compartilhado com o mundo.

— Sakura? — a voz de Hinata a trouxe de volta. — Você está longe de novo.

— Desculpe, Hina. Eu só estava pensando em como este lugar é diferente de tudo o que já vi.

— É especial — disse Naruto, ficando subitamente sério. — As pessoas aqui cuidam umas das outras. Você está segura, Sakura-chan. Eu dou minha palavra.

Nesse momento, a porta da frente se abriu. Sasuke Uchiha entrou, seguido por Gaara e Ino. O impacto da presença de Sasuke foi imediato. Sakura sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas não era o calafrio de medo que sentia com Sasori. Era uma vibração elétrica, algo que fez a marca em sua testa esquentar repentinamente sob a franja.

Sasuke parou no portal da sala de jantar. Seus olhos negros, profundos como o abismo, encontraram os olhos verdes de Sakura. O mundo pareceu desacelerar. O lobo dentro de Sasuke, geralmente sob controle rigoroso, rosnou em reconhecimento. Havia algo naquela mulher — um cheiro de cerejeiras em flor misturado com uma magia antiga e adormecida.

— Sasuke, que bom que chegaram! — exclamou Hinata, levantando-se. — Esta é a Sakura. Sakura, este é o Sasuke, o... bem, ele é o dono da oficina e da academia.

Sakura levantou-se lentamente, sentindo-se pequena diante da estatura imponente do homem de 1,95m.

— Prazer em conhecê-lo, Uchiha-san — disse ela, sua voz saindo um pouco mais trêmula do que gostaria.

Sasuke apenas assentiu, mantendo o olhar fixo nela.

— Haruno — ele disse, a voz como um trovão distante. — Seja bem-vinda a Aelthoria.

O jantar prosseguiu, mas a tensão entre o Alfa e a recém-chegada era palpável. Ino e Gaara trocavam olhares cúmplices, percebendo que algo extraordinário estava acontecendo. Sasuke, que raramente se interessava por estranhos, não conseguia desviar o foco da rosada. Ele notou a maneira como ela escondia a testa, a forma como seus ombros ficavam tensos quando alguém fazia um movimento brusco, e o hematoma que, embora escondido pela roupa, exalava o cheiro de sangue pisado e a essência persistente de um predador de sangue frio.

Vampiro.

O maxilar de Sasuke travou. Alguém havia machucado aquela mulher. E esse alguém era um sanguessuga.


Mais tarde, quando a lua cheia começou a subir no céu, Sakura saiu para a varanda para tomar um pouco de ar fresco. O silêncio da noite foi interrompido apenas pelo som das folhas balançando.

— Você deveria estar lá dentro. O ar da noite pode ser traiçoeiro aqui — a voz de Sasuke veio das sombras do jardim.

Sakura deu um pulo, levando a mão ao peito.

— Você é muito silencioso para alguém do seu tamanho — ela tentou brincar, mas sua respiração estava acelerada.

Sasuke caminhou até a luz da varanda. Ele parecia ainda maior sob o luar.

— O que aconteceu com você, Sakura? — perguntou ele, direto e sem rodeios.

Ela hesitou, desviando o olhar.

— Eu não sei do que você está falando.

— Não minta para um lobo — disse ele, aproximando-se um passo. O calor que emanava dele era reconfortante, quase magnético. — Eu sinto o cheiro do medo em você. E sinto o cheiro dele. O cheiro de um vampiro.

Sakura empalideceu, dando um passo para trás até bater na parede da casa.

— Como você... o que você é?

Sasuke a encurralou suavemente, colocando uma mão na parede ao lado da cabeça dela. Ele não estava sendo agressivo, mas sua dominância era absoluta.

— Eu sou o Alfa desta terra. E ninguém que entra aqui sob minha proteção é tocado por seres como ele.

Sakura olhou nos olhos dele, e por um segundo, viu um brilho avermelhado atravessar as íris negras. Ela deveria estar aterrorizada, mas, em vez disso, sentiu uma onda de segurança que nunca experimentara com Sasori.

— O nome dele é Sasori — confessou ela em um sussurro, as lágrimas finalmente vencendo a barreira. — Ele... ele não aceita que eu vá embora. Ele diz que meu cheiro o pertence.

Sasuke sentiu uma fúria primitiva borbulhar em seu sangue. A ideia de qualquer homem, especialmente um vampiro, tratar aquela mulher como propriedade fazia seu lobo querer rasgar gargantas.

— Ele está errado — afirmou Sasuke, sua voz soando como uma promessa de morte. — Você não pertence a ninguém, Sakura Haruno. Mas enquanto estiver em Aelthoria, você é responsabilidade da minha alcateia.

Ele estendeu a mão e, com uma delicadeza surpreendente, afastou a franja da testa dela. Seus dedos roçaram a pequena marca de losango verde. No momento do toque, uma faísca de luz brilhou entre eles, e Sakura soltou um suspiro curto.

— Essa marca... — Sasuke murmurou, os olhos estreitados. — Não é apenas uma marca de nascença, não é?

— Minha mãe disse que era um presente da Deusa da Lua — Sakura respondeu, sentindo o coração martelar contra as costelas. — Mas eu nunca soube o que significava.

— Significa que você é muito mais do que imagina — disse Sasuke, recuando um pouco para lhe dar espaço, embora seus olhos ainda a devorassem. — Vá dormir. Amanhã, Naruto e eu vamos garantir que sua nova casa seja o lugar mais seguro do mundo.

— Por que está fazendo isso? — ela perguntou antes que ele pudesse se afastar. — Você nem me conhece.

Sasuke parou e olhou por cima do ombro. O luar iluminava seu perfil aristocrático e os ombros largos.

— Porque o destino tem uma maneira engraçada de colocar as pessoas onde elas precisam estar — respondeu ele. — E algo me diz que você deveria estar exatamente aqui.


Enquanto Sakura subia para o quarto, sentindo o calor do toque de Sasuke ainda vivo em sua testa, a quilômetros dali, em uma mansão escura na periferia de Konoha, Sasori observava uma pétala de cerejeira murchar entre seus dedos longos e pálidos.

Seus olhos verdes estavam fixos em um mapa da região norte. Ele podia sentir o rastro dela. Era fraco, distante, mas para ele, era como um farol na escuridão. O cheiro de Sakura era único, uma mistura de vida, magia e algo que ele desejava consumir até que não sobrasse nada.

— Você acha que pode fugir de mim, minha pequena flor? — Sasori sussurrou para o vazio, um sorriso cruel curvando seus lábios. — Não importa para onde você vá, não importa quem tente te proteger. O que é meu, sempre volta para as minhas mãos.

Ele se levantou, sua capa negra flutuando como as asas de um morcego.

— Aelthoria... — ele saboreou o nome da cidade. — Espero que os lobos de lá tenham dentes afiados. Eles vão precisar.


Na manhã seguinte, Aelthoria acordou sob uma névoa espessa. Sakura estava na cozinha com Hinata e Ino, ajudando a preparar o café da manhã. A energia vibrante de Ino era contagiante.

— Então, o Sasuke ficou de guarda na varanda ontem à noite? — Ino perguntou com um sorriso malicioso, enquanto cortava frutas. — Isso é novidade. O Alfa geralmente não é tão... solícito.

— Ele só estava garantindo que eu estivesse bem — Sakura respondeu, sentindo as bochechas corarem.

— Sei... — Ino piscou para Hinata. — Gaara me disse que o lobo do Sasuke está inquieto desde que você chegou. E olha que o Gaara é a pessoa mais reservada do mundo, se ele notou, é porque a coisa é séria.

— Meninas, não a deixem sem graça — defendeu Hinata, embora também estivesse sorrindo. — Sakura precisa de paz agora. Ela vai começar no hospital na segunda-feira, e a Dra. Tsunade é muito exigente.

— Tsunade? — Sakura perguntou. — A diretora do hospital?

— Sim, ela é uma lenda por aqui. Dizem que ela tem a força de dez homens e o temperamento de um vulcão — explicou Ino. — Mas ela é justa. E ela também faz parte da nossa "família" estendida.

Sakura sentiu uma pontada de esperança. Pela primeira vez em muito tempo, o futuro não parecia uma mancha cinzenta de medo. Ela tinha amigos, tinha um propósito e, por algum motivo que ainda não compreendia, tinha a proteção de um homem que parecia capaz de parar o tempo com um olhar.

No entanto, conforme ela olhava para a floresta densa através da janela da cozinha, a sensação de ser observada retornou. Não era a presença protetora de Sasuke. Era algo frio. Algo que cheirava a terra de cemitério e obsessão.

A guerra entre o uivo e o sangue estava apenas começando, e Sakura Haruno era o prêmio no centro da tempestade. Mas desta vez, ela não estaria sozinha. O Alfa tinha despertado, e ele não permitiria que sua flor fosse colhida por mãos indignas.

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