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Fandom: Alien stage

Criado: 05/11/2026

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DramaAngústiaPsicológicoSombrioDistopiaEstudo de PersonagemTragédia
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O Eco de uma Coleira Invisível

O camarim estava mergulhado em uma penumbra sufocante, iluminado apenas pelo brilho frio dos monitores que transmitiam os aplausos mecânicos da arena de Alien Stage. O cheiro de metal e antisséptico, tão comum naquele inferno disfarçado de espetáculo, parecia mais forte naquela noite. Till estava sentado no chão, encostado na parede fria, respirando de forma errática. Suas mãos tremiam, não pelo medo da próxima rodada, mas pela presença da mulher parada à sua frente.

Minji não olhava para ele. Ela ajustava as luvas pretas com uma calma metódica, a expressão gélida como se estivesse diante de um objeto descartável que já não servia mais ao seu propósito.

— Isso não está mais funcionando, Till — disse ela, a voz desprovida de qualquer calor.

O mundo de Till parou. O som do seu próprio coração batendo contra as costelas parecia um tambor ensurdecedor. Ele se arrastou pelo chão, ignorando a dor nos joelhos, até alcançar as botas dela. Suas mãos, marcadas pelas cordas da guitarra e pelas cicatrizes do cativeiro, agarraram-se desesperadamente ao tecido da calça de Minji.

— O que você quer dizer? — sussurrou ele, a voz falhando. — Eu fiz algo errado? Eu posso mudar. Eu vou ser melhor, Minji. Eu juro.

Minji finalmente baixou o olhar. Não havia piedade em seus olhos, apenas um tédio profundo. Ela se inclinou, segurando o queixo de Till com força suficiente para machucar, forçando-o a olhar diretamente para o vazio de sua alma.

— Você é patético — afirmou ela, soltando um riso seco que cortou o ar como uma lâmina. — Eu me cansei desse seu olhar de cachorro abandonado. Você é um peso, Till. Sua dependência é irritante. Eu quero alguém que me desafie, não alguém que se dissolve toda vez que eu saio da sala. Acabou.

— Não! — Till gritou, o desespero rompendo sua garganta. — Você não pode fazer isso! Você é tudo o que eu tenho! Sem você, eu não sou nada!

— Exatamente — rebateu ela, empurrando-o para longe com o pé. — Você não é nada.

Till caiu de costas, mas imediatamente se levantou, voltando para os pés dela como se fosse atraído por um imã invisível. Ele não se importava com a humilhação. A humilhação era um preço pequeno a pagar pela presença dela. Ele precisava do toque dela, mesmo que fosse um toque que deixasse hematomas. Ele precisava das palavras dela, mesmo que fossem insultos.

— Por favor, Minji... — Ele soluçava, as lágrimas manchando o rosto pálido. — Eu faço qualquer coisa. Você quer que eu ganhe a próxima rodada? Eu vou esmagar o pescoço de quem quer que esteja no meu caminho. Você quer que eu perca? Eu morro no palco agora mesmo, se isso te agradar. Só não me deixe.

Minji cruzou os braços, observando o colapso dele com uma curiosidade clínica. Ela sabia exatamente quais cordas puxar. Till era seu instrumento favorito, o mais fácil de afinar e o mais prazeroso de quebrar.

— Você faria qualquer coisa? — perguntou ela, arqueando uma sobrancelha.

— Qualquer coisa — ele repetiu, a voz trêmula, mas carregada de uma determinação doentia.

— Então rasteje — ordenou ela, apontando para o outro lado da sala. — Rasteje até a porta e implore para que eu não te expulse daqui. E faça isso sem usar as mãos.

Sem hesitar um segundo, Till se lançou ao chão. Ele se moveu de forma desajeitada, arrastando o corpo pelo piso frio, os olhos fixos nela com uma devoção que beirava a loucura. Cada movimento era uma prova de sua servidão, um sacrifício de sua dignidade no altar da mulher que o desprezava.

Minji caminhou até ele, parando quando Till alcançou seus pés novamente. Ela pisou levemente em suas costas, sentindo a respiração dele falhar sob seu peso.

— Você é tão fácil de quebrar, Till — comentou ela, passando a mão pelo cabelo bagunçado dele, um gesto que poderia ser confundido com carinho se não fosse pela força com que ela puxou os fios logo em seguida. — Você realmente acha que esse tipo de comportamento me faz querer ficar?

— Eu só... eu só existo por causa de você — Till gemeu, fechando os olhos para aproveitar o contato físico, por mais doloroso que fosse. — Se você for embora, o mundo apaga. As luzes do palco, a música... nada disso faz sentido sem você me olhando.

— Eu não estou te olhando, Till — disse ela, inclinando-se para sussurrar em seu ouvido. — Eu estou apenas vendo quanto tempo você leva para se destruir completamente por um pouco de atenção.

— Então me destrua — implorou ele, virando o rosto para beijar a mão dela, ignorando o gosto de couro e suor. — Acabe comigo, mas faça isso você mesma. Não me jogue fora. Use-me até não sobrar nada.

Minji soltou um suspiro de tédio, mas havia um brilho cruel de satisfação em seus olhos. Ela gostava do poder. Gostava de saber que, com uma única palavra, poderia fazer o coração de Till parar ou disparar. Ele era sua propriedade mais leal, um escravo emocional que ela mesma moldara através de anos de manipulação e frieza.

— Se eu ficar — começou ela, fazendo uma pausa dramática enquanto Till prendia a respiração —, as regras vão mudar. Eu não quero mais ouvir suas reclamações. Eu não quero ver você chorando pelos cantos. Você vai ser o que eu mandar, quando eu mandar. E se eu decidir que você deve morrer na arena amanhã, você vai sorrir enquanto o sangue escorre. Entendido?

— Sim, Minji. Sim — ele respondeu prontamente, uma onda de alívio doentio percorrendo seu corpo. — Eu farei tudo. Eu serei o que você quiser.

— Ótimo. — Ela o soltou, levantando-se e caminhando em direção à saída do camarim. — Agora levante-se e limpe esse rosto. Você parece um lixo.

Till se levantou rapidamente, as pernas ainda tremendo, mas o coração batendo com uma nova, porém distorcida, esperança. Ele limpou as lágrimas com as costas das mãos, os olhos brilhando com uma intensidade maníaca. Ele não se importava que ela fosse tóxica. Não se importava que ela o tratasse como um animal de estimação descartável. Para Till, o inferno não era Alien Stage, nem a morte iminente. O inferno era o silêncio de Minji.

— Minji? — chamou ele, antes que ela cruzasse a porta.

Ela parou, mas não se virou.

— O quê?

— Obrigado — sussurrou ele.

Minji não respondeu. Ela apenas saiu, deixando Till sozinho na penumbra. Ele abraçou o próprio corpo, sentindo o lugar onde ela o havia tocado queimar como brasa. Ele estava quebrado, humilhado e completamente dependente, mas, em sua mente distorcida, ele havia vencido. Ela ainda estava lá. E enquanto ela estivesse, ele continuaria a dançar na ponta da faca que ela segurava.

Ele caminhou até o espelho, observando as marcas vermelhas em seu pescoço e a desolação em seus olhos. Ele pegou sua guitarra, os dedos encontrando as cordas com uma agressividade renovada. Ele tocaria para ela. Cantaria para ela. Morreria por ela. Porque, no fim das contas, Till não pertencia a si mesmo; ele era apenas um eco da vontade de Minji, uma nota dissonante em uma sinfonia de dor que ele se recusava a interromper.

— Eu farei qualquer coisa — repetiu ele para o próprio reflexo, um sorriso quebrado surgindo em seus lábios. — Qualquer coisa.

Lá fora, a arena rugia. O próximo round estava prestes a começar, e Till estava pronto para ser o monstro, o mártir ou o brinquedo que Minji exigisse. Contanto que ela estivesse assistindo, o resto do universo poderia simplesmente queimar.

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