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O MENINO SONHADO

Fandom: ESCOLA

Criado: 06/11/2026

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Entre Tapas, Beijos e Provocações no Pátio Central

O sinal para o intervalo havia acabado de ecoar pelos corredores de ladrilhos gastos da escola, mas o verdadeiro espetáculo não estava na fila da cantina. No fundo do pátio, onde as árvores de oiti projetavam sombras generosas sobre os bancos de cimento, o clima estava mais denso do que o normal.

Renan estava encostado na mureta, tentando manter uma postura de indiferença que claramente não sentia. Ele era o tipo de cara que atraía olhares sem fazer esforço, mas sua expressão fechada e os braços cruzados sobre o peito deixavam claro que sua paciência estava no limite. Ao seu lado, Thauany mantinha uma das mãos possessivamente no braço dele. Com seus cabelos cacheados, porém sem volume, moldando um rosto que naquele momento carregava uma carranca nada amigável, ela vigiava cada centímetro quadrado ao redor do namorado.

— Eu já disse, Renan, eu não gosto do jeito que ele olha para você — resmungou Thauany, a voz carregada de uma irritação que já era sua marca registrada. — É falta de respeito.

Renan soltou um suspiro pesado, revirando os olhos.

— Thauany, é o Jailson. Você sabe como ele é. Ele brinca com todo mundo.

— Ele não brinca com todo mundo do jeito que brinca com você — rebateu ela, apertando o passo quando viu a figura de Jailson se aproximando.

Jailson não andava, ele desfilava. Seus cachos estavam impecavelmente definidos, balançando a cada passo, e a calça jeans, propositalmente justa, não deixava dúvidas sobre seus atributos físicos, algo que ele fazia questão de exibir com um rebolado sutil, mas mortal. Ele tinha aquele sorriso de quem sabia exatamente qual botão apertar para causar o caos.

Ao lado dele, Franciely vinha rindo de alguma piada interna. Com seus cachos volumosos e uma energia que preenchia qualquer ambiente, Fran era a definição de liberdade. Panssexual assumida e com uma língua afiada que não poupava ninguém de seus comentários safados, ela era a parceira perfeita para as presepadas de Jailson.

— Olha só se não é o casal mais "grudado" dessa instituição — exclamou Jailson, parando a poucos centímetros de Renan, invadindo seu espaço pessoal com uma naturalidade irritante. — Oi, Thauany. Credo, que cara é essa? Parece que chupou limão mofado.

Thauany fechou a cara ainda mais, se é que era possível.

— O que você quer, Jailson? Não tem outra pessoa para encher o saco, não?

Jailson nem olhou para ela. Seus olhos estavam fixos em Renan, que tentava desviar o olhar, mas acabava sempre cedendo à provocação visual.

— Eu? Eu só vim ver se meu moreno favorito está sendo bem tratado — disse Jailson, esticando a mão para ajeitar a gola da camisa de Renan. — Porque, olha... com esse estresse todo da patroa, ele deve estar precisando de uma massagem. Ou de algo mais... intenso.

Renan deu um passo para trás, sentindo o rosto esquentar.

— Para com isso, Jailson. A Thauany já está por aqui com você.

— Ah, deixa ela — interveio Franciely, encostando-se na mureta ao lado deles e lançando um olhar malicioso para o grupo. — A Thauany é muito tensa. O que o Renan precisa é de diversão, e a gente sabe que o Jailson é mestre em entretenimento adulto, não é, amigo?

— Com certeza, Fran — Jailson piscou para ela e depois voltou a atenção para Renan, baixando a voz para um tom aveludado. — E aí, Renan? Vai me dar um fora de novo ou hoje eu ganho pelo menos um tapa de verdade para animar o dia?

Thauany explodiu.

— Você é um ridículo, Jailson! Respeita o meu namorado!

— Mas eu respeito, querida — Jailson deu um giro lento, fazendo questão de que sua silhueta fosse bem notada. — Eu respeito tanto que adoraria que ele me desse uma lição. Sabe como é, eu ando muito malcriado ultimamente. Mereço ser castigado, não acha, Renan?

O silêncio que se seguiu foi cortante. Renan sentiu um misto de raiva e uma adrenalina estranha que ele se recusava a admitir. Ele deu um passo à frente, tentando intimidar Jailson, mas o outro nem piscou.

— Você não sabe a hora de parar, né? — Renan disse, a voz mais rouca. — Um dia eu ainda perco a paciência com você.

— É exatamente isso que eu estou esperando — Jailson provocou, aproximando o rosto do de Renan. — Perde a paciência, Renan. Me joga na parede. Me mostra quem manda. Eu juro que não conto para a Thauany o quanto você gostou.

— Chega! — gritou Thauany, puxando Renan pelo braço. — Vamos embora daqui, Renan. Agora!

— Vai lá, Renan — Franciely riu, cruzando os braços sobre o peito. — Vai lá com a sua dona. Mas ó, o convite do Jailson tem validade vitalícia, viu? Ele adora apanhar de quem tem pegada.

Jailson soltou uma risada alta enquanto observava Thauany arrastar um Renan visivelmente perturbado para longe. Antes de sumir no corredor, Renan olhou para trás por um breve segundo, e Jailson aproveitou para mandar um beijo no ar e dar um tapa na própria nádega, um gesto rápido e audacioso que fez Renan tropeçar nos próprios pés.

— Você não presta, sabia? — Franciely comentou, ainda rindo.

— Eu presto sim, Fran. Eu só gosto de ver o circo pegar fogo — Jailson suspirou, ajeitando o cabelo. — E vamos combinar, o Renan morre de vontade de me dar um corretivo. Ele só precisa de um empurrãozinho... ou de uma namorada menos chata.

— A Thauany vai ter um treco se você continuar — Fran alertou, embora seus olhos brilhassem com a diversão da situação. — Ela é possessiva demais.

— E é por isso que é tão divertido — Jailson começou a caminhar em direção à sala de aula, rebolando de forma provocativa. — O fruto proibido é sempre mais saboroso, e o Renan... ah, o Renan é um banquete que eu ainda vou saborear.

Enquanto isso, longe dali, Thauany despejava sua fúria sobre o namorado.

— Você viu? Você viu o que ele fez? E você não faz nada! Você fica lá parado, com cara de quem está gostando!

— Eu não estava gostando, Thauany! — Renan exclamou, embora a dúvida pairasse em sua mente. — O cara é louco, ele fala essas coisas só para me deixar sem graça.

— Ele fala porque você dá corda! — Thauany parou no meio do corredor, apontando o dedo para o peito dele. — Se eu vir ele encostando em você de novo, ou fazendo essas brincadeirinhas de "apanhar", eu juro que quem vai bater nele sou eu!

Renan suspirou, passando a mão pelo rosto. Ele amava Thauany, ou pelo menos achava que amava, mas a rotina de ciúmes e as investidas cada vez mais diretas de Jailson estavam criando um curto-circuito em sua cabeça.

— Tá bom, Thauany. Vamos só para a aula, por favor.

Mas o destino, ou talvez a falta de juízo de Jailson, tinha outros planos. Na aula de Educação Física, que aconteceu logo após o intervalo, a turma foi dividida para um jogo de queimada. E, claro, Jailson e Renan acabaram em times opostos.

O clima no ginásio estava quente. Jailson usava um short de ginástica que deixava muito pouco para a imaginação, e Franciely, no mesmo time que ele, incentivava cada movimento audacioso.

— Vai lá, Jailson! Acerta o seu "alvo" — gritou Fran, rindo.

Jailson pegou a bola, mas em vez de arremessar com força para eliminar Renan, ele caminhou até a linha divisória, balançando a bola de forma sugestiva.

— E aí, Renan? — gritou ele para que todos ouvissem. — Se eu te acertar, você me deve um favor? Ou se você me acertar, eu deixo você fazer o que quiser comigo no vestiário?

A quadra inteira parou. Thauany, que estava no banco por causa de uma suposta dor no tornozelo, levantou-se num salto, o rosto vermelho de fúria.

— Renan, acaba com ele! — berrou ela.

Renan sentiu o sangue ferver. Ele correu, pegou uma bola que estava no chão e avançou.

— Você quer levar uma bolada, Jailson? É isso? — Renan perguntou, a voz carregada de uma agressividade que beirava o desejo.

— Eu quero muito mais que uma bolada, Renan — Jailson respondeu, virando-se de costas e empinando o corpo de forma exagerada. — Pode mirar aqui. Eu aguento. Eu até gosto.

Franciely quase caiu de tanto rir no fundo da quadra.

— Ai, meu Deus, ele não tem limite! — exclamou ela, limpando uma lágrima do canto do olho. — Vai, Renan! Mostra para ele quem é que manda nessa quadra!

Renan não pensou. Ele arremessou a bola com toda a sua força. A bola atingiu Jailson exatamente onde ele havia sugerido. O impacto fez um som seco que ecoou pelo ginásio. Jailson soltou um gemido que soou muito mais como prazer do que como dor, caindo de joelhos e olhando para trás com um sorriso vitorioso.

— Ui... — Jailson suspirou, a voz trêmula. — Que mão pesada, Renan. Amei.

Renan ficou estático, a respiração ofegante. Ele deveria se sentir vitorioso, mas a forma como Jailson o olhava, como se tivesse acabado de receber o melhor presente do mundo, o deixava completamente desconcertado.

Thauany correu para dentro da quadra, ignorando as regras do jogo.

— Viu? Ele te eliminou, seu idiota! — ela gritou para Jailson. — Agora sai da quadra e deixa a gente em paz!

Jailson levantou-se devagar, limpando a poeira dos joelhos. Ele passou por Renan no caminho para fora, e por um breve segundo, sussurrou no ouvido do rapaz:

— No vestiário, depois da aula. Vou estar esperando o segundo round. E dessa vez, pode usar as mãos.

Renan sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele olhou para Thauany, que ainda gritava com Franciely, e depois para Jailson, que se afastava com aquele rebolado inconfundível. O jogo de queimada tinha acabado, mas o jogo de sedução e provocação de Jailson estava apenas começando, e Renan, por mais que tentasse negar, estava cada vez mais fundo naquele tabuleiro.

Franciely se aproximou de Renan, dando um tapinha em seu ombro.

— Cuidado, Renan. O Jailson é viciado em perigo. E você... você é o perigo favorito dele.

Renan não respondeu. Ele apenas observou Jailson desaparecer pela porta do vestiário, sentindo que sua vida escolar, e seu namoro com Thauany, nunca mais seriam os mesmos. A linha entre o ódio, o ciúme e o desejo era muito tênue, e Jailson acabava de atravessá-la com um sorriso nos lábios e muita vontade de apanhar.

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