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Hthej

Fandom: Assistente do vilão

Criado: 06/11/2026

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FantasiaRomanceDramaAngústiaDor/ConfortoAçãoSombrio
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O Eco de um Amor Antigo

A chuva fustigava as muralhas sombrias da Mansão do Vilão, escorrendo pelas gárgulas de pedra como lágrimas pesadas. No saguão de entrada, iluminado por tochas verdes crepitantes e candelabros de ferro forjado, Evie Sage organizava sua habitual pilha de papéis coloridos, perfeitamente alinhados na prancheta. Estava no meio de sua conferência matinal sobre as cabeças decapitadas penduradas no teto e o estoque de veneno quando a imensa porta dupla se abriu com um estrondo.

A mulher que atravessou a soleira não se parecia em nada com os capangas habituais ou com os aldeões aterrorizados que vinham implorar por misericórdia.

Ela usava uma capa escura encharcada, que escorregou pelos ombros ao entrar, revelando uma presença magnética e imponente. Clara tinha um metro e sessenta e oito de pura presença; cada curva de seus oitenta e cinco quilos era perfeitamente acentuada pelo espartilho de couro e pelo vestido carmesim ajustado. Era deslumbrante, de uma beleza viva, quente e arrebatadora, com cabelos úmidos caindo em ondas sobre o decote generoso e olhos castanhos faiscando com uma mistura frenética de orgulho e aflição.

Evie endireitou os ombros no mesmo instante, adotando sua melhor postura profissional de assistente dedicada. Bloqueou o corredor principal com a prancheta colada ao peito.

— Com licença, senhora! — disparou Evie, com um sorriso educado, porém firme. — O senhor Vilão não recebe visitas não agendadas às terças-feiras. Na verdade, ele não recebe visitas não agendadas em dia nenhum, a menos que tragam a cabeça de um traidor ou uma torta de maçã. E pelo que vejo, a senhora não carrega nenhuma das duas coisas.

Clara parou a poucos passos de distância, recuperando o fôlego. As mãos dela tremiam levemente, mas a postura continuava altiva.

— Saia do meu caminho, menina. Eu não estou aqui para brincadeiras de secretária. Preciso ver Trystan agora mesmo.

Evie franziu o cenho, ofendida em seu íntimo pelo tom, mas principalmente em alerta máximo. Ninguém chamava o Vilão pelo nome próprio com tanta facilidade. Quase ninguém sabia seu verdadeiro nome.

— Meu chefe está muito ocupado planejando o colapso de Rennedawn — respondeu Evie, cerrando os olhos. — E repito: você não vai passar por esta porta sem me dizer exatamente quem é e por que acha que tem o direito de exigir a presença dele.

Antes que Clara pudesse retrucar, passos pesados e apressados ecoaram no piso de pedra. Bakey, um dos guardas mais antigos e robustos da fortaleza, surgiu no arco da antecâmara segurando um machado de batalha. Ele parecia pronto para decapitar um intruso, até que seus olhos pousaram na mulher encharcada.

A expressão carrancuda de Bakey desmoronou em um instante de puro choque, seguido por um alívio genuíno.

— Deuses do abismo... Clara? — exclamou o guerreiro, quase derrubando a arma no chão.

— Olá, Bakey — disse ela, com um meio sorriso cansado, a voz suave de repente denunciando um afeto antigo.

— Evie, abaixe essa prancheta agora mesmo! — ordenou Bakey, aproximando-se com passos largos e fazendo uma reverência respeitosa e calorosa para a mulher. — Deixe ela entrar imediatamente!

Evie piscou, boquiaberta, olhando do guarda para a intrusa voluptuosa.

— Como é que é? Bakey, nós temos protocolos de segurança! Ela acabou de entrar exigindo ver o chefe pelo primeiro nome!

— E ela tem todo o direito do mundo de fazer isso — retrucou Bakey, com uma seriedade quase reverente. Ele se virou para Clara e colocou uma mão no peito. — É uma honra ver a senhora de volta, senhorita Clara. A senhora não faz ideia de como sentimos sua falta por aqui. As coisas... bom, as coisas ficaram muito mais escuras depois que a senhora partiu.

— Obrigada, Bakey — respondeu Clara, e por um breve instante, a vulnerabilidade transpareceu em seus olhos. — É bom ver que você ainda mantém o pescoço no lugar.

— Por pura sorte e pela graça da sua amiga curandeira — brincou ele, antes que sua expressão endurecesse em preocupação. — A senhora está pálida. O que aconteceu?

— Estão me ameaçando — sussurrou Clara, a voz carregada de uma urgência cortante. — Descobriram sobre o meu passado. Descobriram o que eu significava para ele. Eu tentei me defender sozinha, mas cercaram minha casa esta manhã. Preciso falar com Trystan.

O ar no saguão pareceu congelar. Bakey engoliu em seco, e Evie percebeu uma onda de pavor genuíno atravessar os olhos do guarda calejado.

Não era medo de Clara. Era medo do que viria a seguir.

Todos no castelo se lembravam da época em que Clara caminhava por aqueles corredores. Quando ela estava ao lado de Trystan, o Vilão ainda era temível, mas havia humanidade nele; ele ria nos jantares, perdoava erros bobos de servos novatos e parecia respirar como um homem de verdade. Porém, quando Trystan decidiu cortar os laços — convencido de que sua escuridão e seus inimigos acabariam destruindo a mulher que ele mais amava —, tudo desmoronou.

Os criados sabiam o que acontecia toda vez que o fantasma de Clara pairava sobre a fortaleza: Trystan entrava em acessos de fúria incontrolável, consumido pela culpa excruciante de ter sido o único arquiteto de sua própria solidão. Ver Clara de novo significava reviver a ferida aberta. Significava que o castelo tremeria.

— Ele está no escritório principal — disse Bakey, a voz tensa. — Vá. Eu assumo a responsabilidade.

Clara assentiu e disparou escada acima sem hesitar um segundo, conhecendo cada curva daquele castelo melhor do que a própria Evie.

— Espere aí! — protestou Evie, apressando o passo logo atrás dela, os saltos estalando na pedra. — Você não pode simplesmente invadir o santuário dele!

As duas mulheres subiram os degraus em disparada. Clara não perdeu tempo batendo à porta do escritório; ela empurrou os pesados painéis de carvalho negro com toda a força de seus braços, fazendo-os bater contra as paredes com um estrondo que ecoou pelo teto abobadado.

Atrás da vasta mesa de mogno, Trystan estava de pé, debruçado sobre mapas e pergaminhos. Seus olhos faiscavam com uma fúria assassina no milésimo de segundo em que ergueu o rosto para fulminar quem quer que tivesse ousado interrompê-lo. Uma névoa de magia sombria já se acumulava nas pontas de seus dedos, pronta para estraçalhar o invasor.

— Quem quer que seja, tem exatamente três segundos para implorar pela própria vida antes que eu...

As palavras morreram em sua garganta.

A névoa negra dissipou-se instantaneamente, como se nunca tivesse existido. A rigidez implacável de sua mandíbula afrouxou. Trystan paralisou, o ar escapando de seus pulmões em um suspiro trêmulo e quase inaudível. Seus olhos se cravaram em Clara, devorando cada detalhe de sua figura empapada, das curvas voluptuosas e firmes que ele conhecia de cor, do rosto corado pelo esforço e do medo contido que ela tentava disfarçar.

— Clara... — murmurou ele, a voz tão baixa, rouca e tingida de carinho que Evie, que acabara de entrar correndo, tropeçou nos próprios pés de puro espanto.

Aquele não era o Vilão. Não era o homem impiedoso que ameaçava arrancar fígados antes do almoço. Ele parecia um homem desarmado, atingido no peito por uma flecha invisível.

— Trystan — disse ela, dando dois passos hesitantes para dentro da sala.

Em um piscar de olhos, Trystan contornou a mesa com uma rapidez que beirava o desespero. Ele parou a poucos centímetros dela, as mãos erguidas no ar como se quisesse tocá-la, mas temesse que ela se desfizesse em fumaça se o fizesse. Seus olhos desciam frenéticos pelo corpo dela, inspecionando cada centímetro com uma preocupação sufocante.

— Você está encharcada — disse ele, a voz embargada de um cuidado quase maternal, desesperado. — Você está tremendo. Deuses, Clara, você está ferida? Alguém encostou um único dedo em você? Diga-me agora.

— Não estou ferida — respondeu Clara, respirando fundo para conter as lágrimas que ameaçavam transbordar. — Mas quase estive.

Trystan cerrou os punhos, a mandíbula tensionando em uma raiva fria e protetora, mas quando voltou a olhar para o rosto dela, sua expressão amoleceu de novo, transbordando de uma ternura dolorosa.

— O que aconteceu? Quem fez isso com você?

— Homens da guarda real de Rennedawn. Eles descobriram, Trystan. Descobriram onde eu morava, descobriram quem eu era... para você. Deixaram mensagens de sangue na minha porta. Disseram que vão me cortar em pedaços e enviar para cá como um aviso.

Ao ouvir aquilo, Trystan fechou os olhos por um breve instante, uma dor dilacerante cruzando suas feições nobres. Ele havia terminado tudo exatamente para mantê-la segura. Ele havia quebrado o próprio coração e esmagado o dela para tirá-la de sua órbita perigosa, e agora o passado rastejava de volta para assombrá-la justamente por causa dele.

Ele estendeu a mão lentamente e, com uma delicadeza quase reverente, afastou uma mecha de cabelo molhado do rosto dela. O toque de seus dedos quentes contra a pele fria de Clara fez ambos estremecerem.

— Ninguém vai encostar em você — jurou ele, a voz firme como aço, os olhos brilhando com uma promessa letal. — Eu vou queimar cada um deles até que não sobrem nem as cinzas. Você está segura aqui. Você sempre estará segura aqui.

Evie, parada perto da porta com a prancheta ainda erguida no peito, sentia a cabeça girar. Ela olhava para o chefe — o homem mais temido do reino — acariciando a bochecha de uma mulher desconhecida com uma devoção que beirava o sagrado. Aquilo parecia um delírio febril.

Incapaz de conter sua própria confusão profissional e o incômodo inexplicável que ardia em seu estômago, Evie pigarreou alto.

— Senhor? — chamou ela, dando um passo à frente. — Com todo o respeito, o que está acontecendo aqui? Quem é essa mulher?

Clara virou o rosto na direção de Evie, finalmente prestando atenção na jovem assistente. Um brilho de pura ironia dançou nos olhos amendoados de Clara, mas havia também uma mágoa antiga ali, a consciência de ter sido banida daquele mundo enquanto outra pessoa agora ocupava o espaço ao lado dele.

Clara ajeitou a postura, suas curvas poderosas e imponentes destacando-se na penumbra do escritório, e olhou para Evie de cima a baixo.

— Você trabalha para ele e não sabe quem é a dona do coração dele? — disparou Clara, com a voz aveludada, sem rancor gratuito, mas carregada de uma verdade avassaladora.

O queixo de Evie caiu. Os papéis em sua prancheta quase escaparam de suas mãos.

— A... dona de quê?

Trystan virou-se para Evie, e embora a fúria não estivesse direcionada à assistente, o peso de seu olhar deixou claro que não havia espaço para questionamentos.

— Clara é minha ex-companheira, Sage — declarou ele, a palavra "ex" saindo de seus lábios com o amargor de veneno puro. — E a pessoa mais importante que já pisou neste castelo.

O silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Evie piscou, sentindo as bochechas esquentarem. Então era ela. A mulher misteriosa que ninguém ousava mencionar diretamente, mas cuja ausência pairava como uma névoa densa sobre a fortaleza. A mulher que havia tornado o Vilão humano e cuja partida o transformara no monstro implacável que ele era hoje.

A porta do escritório se abriu mais uma vez e a curandeira-chefe do castelo entrou apressada, com o avental manchado de ervas e os olhos arregalados. Ao avistar Clara, a curandeira soltou um grito abafado e correu para envolvê-la em um abraço esmagador.

— Clara! Pelos deuses, quando Bakey me disse que você estava aqui, eu não acreditei! — exclamou a melhor amiga, segurando os ombros de Clara e examinando-a da cabeça aos pés. — Você está bem? O que aconteceu?

— Eu estou inteira, graças aos céus — respondeu Clara, abraçando a amiga de volta com força, finalmente permitindo-se soltar um suspiro trêmulo de alívio. — Mas preciso de abrigo.

— Você tem mais do que abrigo — interveio Trystan, a voz rouca recuperando a autoridade de comando. Ele olhou para a curandeira. — Leve-a para os aposentos da ala leste. Dê a ela roupas secas, uma lareira acesa e tudo o que ela pedir. Se faltar uma única coisa, eu pessoalmente jogarei quem for o responsável no fosso dos crocodilos.

A curandeira assentiu vigorosamente, puxando Clara pelo braço com cuidado.

Antes de cruzar a soleira, Clara parou. Ela olhou para trás, encontrando o olhar de Trystan. O amor que ela ainda sentia por ele estava estampado em cada linha de seu rosto cansado, tão vivo e doloroso quanto no dia em que ele a mandara embora sob o pretexto covarde de protegê-la.

— Obrigada, Trystan — sussurrou ela.

— Sempre, Clara. Sempre — respondeu ele, a voz falhando ligeiramente no final.

Com um último olhar carregado de lembranças não ditas, Clara deixou o escritório acompanhada pela curandeira, seus passos ecoando pelo corredor até desaparecerem no silêncio da ala residencial.

No instante em que o som da porta se fechando lá fora soou, a atmosfera dentro do escritório mudou de forma violenta.

A ternura nos olhos de Trystan se esvaiu como sangue drenado de uma ferida, sendo substituída por uma tempestade negra, furiosa e incontrolável. A magia sombria explodiu de suas mãos em ondas desordenadas de fumaça violácea, fazendo os livros nas prateleiras tremerem e os candelabros oscilarem perigosamente.

Ele agarrou a pesada cadeira de carvalho atrás de sua mesa e a arremessou contra a parede de pedra com um rugido gutural de puro ódio, reduzindo a mobília a estilhaços.

— Malditos! — berrou ele, socando a mesa de mogno com tanta força que a madeira sólida rachou no centro. — Malditos sejam os cães da coroa! Eles ousam ameaçá-la? Eles ousam tocar no que é meu?!

Evie deu dois passos para trás, colando as costas contra a porta, o coração disparado no peito. Ela já tinha visto o chefe irritado, sarcástico e implacável. Mas nunca o vira assim: desesperado, louco de fúria e dilacerado pelo arrependimento.

Ele estava com raiva dos homens que ameaçaram Clara, sim, mas acima de tudo, estava consumido pelo ódio de si mesmo. Porque no fundo de sua alma torturada, ele sabia que a culpa era dele. Fora ele quem a havia afastado. Fora ele quem havia decidido que não era digno de mantê-la ao seu lado, e agora sua decisão quase a levara à morte.

Trystan apoiou as mãos na mesa rachada, com a respiração ofegante e os ombros subindo e descendo em espasmos de pura agonia contida. Quando ergueu os olhos vermelhos para Evie, sua voz saiu como um trovão arrastado:

— Sage.

— S-sim, senhor? — gaguejou Evie, tentando firmar a postura.

— Cancele todos os planos da semana. Chame o esquadrão de elite da guarda e mande Bakey reunir os assassinos da guilda no pátio agora mesmo.

— O que nós vamos fazer, senhor?

Trystan endireitou o corpo, a escuridão envolvendo sua silhueta como um manto espectral, o olhar fixo no vazio onde antes estava a mulher que ele nunca deixara de amar.

— Nós vamos caçar cada um dos desgraçados que ousaram fazê-la chorar — respondeu o Vilão, com uma frieza de congelar a alma. — E quando eu terminar com eles, o rei de Rennedawn vai entender exatamente o que acontece quando alguém ameaça a mulher que ainda é dona de cada batimento podre do meu coração.

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