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Fandom: Assistente do vilão

Criado: 06/11/2026

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RomanceDramaAngústiaFantasiaDor/ConfortoEstudo de PersonagemNoir Gótico
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A Exceção do Vilão

O vento cortante da floresta parecia sussurrar avisos de mau agouro, mas Clara não deu a mínima para a tempestade iminente. Ela subiu os degraus de pedra escura da mansão com passos firmes, decididos e pesados o suficiente para que qualquer criatura nas sombras soubesse que ela não estava ali para brincadeiras. Clara tinha um metro e sessenta e oito de pura presença; suas curvas generosas e bem distribuídas em seus oitenta e cinco quilos balançavam com uma sensualidade natural, acentuada pelo espartilho de couro e a saia rodada que abraçava seus quadris com perfeição. Ela era linda, radiante e dona de um sorriso que desarmava exércitos, mas, naquele momento, seus olhos castanhos faiscavam com uma fúria incandescente.

Ela havia recebido uma carta com uma ameaça direta naquela manhã. Um aviso de morte assinado por nobres corruptos que pensavam que podiam encurralá-la. E, embora Clara soubesse ser doce e calorosa, ela também sabia ser absurdamente prática e feroz. Quando alguém ameaçava sua vida, você não ia até a guarda real incompetente. Você ia até a pior e mais perigosa pessoa do reino.

Você ia até o seu ex.

Clara empurrou as pesadas portas duplas de ferro forjado sem se importar em bater. O hall de entrada cavernoso estava iluminado por arandelas de chamas esverdeadas, com tapeçarias góticas e armaduras pontiagudas espalhadas pelos cantos.

— Parada aí! Identifique-se! — Uma voz estridente e ligeiramente atordoada ecoou pelo saguão.

Surgindo de trás de uma escadaria, uma garota de cabelos castanhos e expressão aflita apareceu correndo, quase tropeçando na própria barra do vestido. Ela segurava uma prancheta de couro sob o braço e uma adaga minúscula na mão, com os olhos arregalados para a intrusa. Sage, a nova assistente contratada pelo chefe do covil, estava em seu terceiro mês de trabalho e levava a segurança muito a sério.

— Visitantes não autorizados são estritamente proibidos — continuou Sage, ajeitando a postura e erguendo o queixo para parecer intimidante, embora sua mão tremesse um pouco. — Se você estiver aqui para entregar correspondência de ódio, coloque na cesta à esquerda. Se for uma heroína querendo redenção para o Mestre, sugiro que dê meia-volta antes que eu tenha que chamar os guardas orcs.

Clara arqueou uma sobrancelha perfeitamente delineada, cruzando os braços sob o busto farto. Seu olhar varreu a menina de cima a baixo, misturando incredulidade e uma ponta de diversão azeda.

— Eu não sou heroína, querida, e não costumo perder meu tempo com correspondência — respondeu Clara, com a voz aveludada, mas cortante como lâmina. — E se eu der mais um passo, não vão ser os orcs que você terá que temer. Onde ele está?

— Ele quem? O Vilão? Ele está em uma reunião extremamente confidencial e maligna! — Sage deu um passo à frente, bloqueando a passagem para o corredor principal. — Você não pode simplesmente entrar aqui exigindo vê-lo. Quem você pensa que é?

— Eu sou quem tem cinco minutos antes de perder a paciência e chutar essa porta da frente — retrucou Clara, estreitando os olhos. Seu lado ignorante começava a borbulhar sob a pele. — Saia da minha frente antes que eu faça você engolir essa prancheta.

— Ora, sua...

— Clara?!

O grito interrompeu a discussão. Becky, uma das funcionárias mais antigas da mansão, vinha descendo o corredor carregando uma bandeja de prata com frascos fumegantes. No instante em que pousou os olhos na mulher curvilínea parada na entrada, a bandeja quase foi ao chão. O rosto de Becky passou de pálido para um choque absoluto, antes de se transformar em um sorriso largo e desesperado.

— Pelos deuses, é você mesma! — Becky correu para a frente, ignorando completamente Sage. — Menina, entra, entra agora! O que você está fazendo aí no frio?

— Becky — disse Clara, e a dureza em seu rosto derreteu em um instante, revelando o calor acolhedor que todos ali conheciam. Ela abriu os braços e envolveu a funcionária em um abraço apertado, cheio de afeto. — Que saudade de você. O café daqui ainda tem gosto de fuligem?

— Melhorou um pouco desde que a nova assistente começou a fazer, mas ainda é intragável — Becky riu, mas seus olhos mostravam uma pontada de pânico genuíno ao olhar em volta. — Mas o que você está fazendo aqui? Aconteceu alguma coisa?

— Preciso falar com ele. Um problema sério lá fora — Clara suspirou, alisando o casaco. — Mas essa garotinha achou que podia me barrar.

Sage piscou, totalmente perdida, olhando de Clara para Becky.

— Becky, quem é essa? As regras do protocolo dizem claramente que ninguém pode subir sem aviso prévio de três dias úteis e...

— Cale a boca, Sage, pelo amor de tudo o que é sombrio! — Becky sibilou baixinho, empurrando Clara suavemente em direção às escadas. — Pode subir, Clara. Ele está no escritório principal. Você sabe o caminho. Sempre soube.

— Obrigada, Becky. Prometo que não quebro nada dele hoje. A não ser que ele mereça — Clara piscou, com um sorriso travesso, e subiu os degraus de mármore com a familiaridade de quem já havia corrido por aqueles corredores descalça no meio da noite.

Sage ficou parada no centro do saguão, com a boca aberta, observando a figura imponente de Clara desaparecer no andar superior. Assim que os passos dela silenciaram, Sage agarrou o braço de Becky.

— Você enlouqueceu? — sussurrou a assistente, alarmada. — O Mestre dá ordens expressas para decapitar qualquer um que invada o castelo sem identificação! Se ele descobrir que você deixou uma mulher desconhecida subir...

Becky virou-se lentamente para Sage, com os olhos arregalados e as mãos trêmulas enquanto colocava a bandeja sobre uma mesa lateral.

— Desconhecida? — Becky soltou uma risada nervosa, quase histérica. — Sage, aquela mulher é a Clara.

— E quem diabos é Clara?

— A ex dele.

O silêncio que se seguiu pareceu sugar todo o ar do saguão. Sage congelou.

— A... a ex? — gaguejou Sage. — Ele tem uma ex? O homem que coleciona adagas e dorme com um grimório embaixo do travesseiro já amou alguém?

— Amou? — Becky baixou a voz para um sussurro de puro terror reverente. — Ele quase casou com ela, sua idiota! Esta mansão não era dele, era deles. As cortinas de veludo carmesim da biblioteca? Foi ela quem escolheu. As flores do jardim dos fundos que ele insiste em manter vivas mesmo quando a geada ataca? Eram as favoritas dela. Eles iam se casar aqui mesmo, no altar que ele mandou construir no pátio!

Sage levou as mãos à boca, o queixo caindo.

— Mas... se eles quase casaram, por que terminaram?

— Porque ele é um idiota arrogante com complexo de mártir — respondeu Becky, balançando a cabeça em frustração. — Ele inventou na cabeça oca dele que o título de Vilão tornaria a vida dela perigosa demais, que ela merecia luz e flores e não sangue e caos. Ele terminou tudo em uma noite de chuva por pura teimosia estúpida. Ela mandou ele para o inferno, fez as malas e nunca mais olhou para trás. E desde então...

Becky engoliu em seco, olhando com medo para o teto, como se esperasse que as vigas de sustentação desabassem a qualquer instante.

— Desde então, o quê? — perguntou Sage, apreensiva.

— Toda vez que ela aparece aqui por qualquer motivo, nós comemoramos, porque ela é um doce e todo mundo ama a Clara — explicou Becky, angustiada. — Mas quando ela vai embora... o inferno se abre. Ele fica cego de ódio. Não dela, porque ele nunca, em hipótese alguma, levantaria a voz para ela. Ele fica com ódio de si mesmo. Ele desconta em todo mundo, quebra armaduras, dobra as horas de tortura e transforma as reuniões em pesadelos. Nós vamos pagar muito caro por essa visita nos próximos dez dias, Sage. Comece a rezar.

Lá em cima, alheia à conversa aterrorizada das duas, Clara parou diante da porta de carvalho maciço marcada pelo brasão de uma serpente entrelaçada em espinhos. O coração dela bateu um pouco mais rápido contra as costelas — não por medo, mas pela memória persistente do que aquele lugar costumava significar. Ela respirou fundo, endireitou a coluna e abriu a porta sem cerimônia.

O escritório era enorme, banhado pela luz fria que entrava através dos vitrais altos. Sentado atrás de uma imensa mesa de mogno coberta de mapas estratégicos, relatórios e adagas cerimoniais, estava ele.

Trystan. O homem temido por reis, o pesadelo dos heróis, envolto em sua costumeira túnica escura e capa de veludo negro, com os cabelos escuros caindo bagunçados sobre a testa pálida. Ele estava com a pena suspensa no ar, prestes a assinar uma sentença, com uma carranca terrível no rosto.

— Eu já disse que não quero ser interrompido até o meio-dia, Sage... — rosnou ele, sem sequer erguer os olhos.

— Não é a sua assistente, Trystan.

A voz de Clara fez o homem congelar como se tivesse sido atingido por uma maldição de gelo puro.

A pena escorregou de seus dedos compridos, manchando o pergaminho caro com um borrão disforme de tinta preta. Ele ergueu a cabeça devagar, e o ar pareceu se esvair de seus pulmões. Quando os olhos tempestuosos dele encontraram os dela, toda a aura de terror implacável desmoronou em um milésimo de segundo.

O Vilão engoliu em seco. Em seu olhar, havia uma tempestade violenta de choque, preocupação imediata e um amor tão cru e desesperado que quase doía testemunhar.

— Clara — sussurrou ele, o nome saindo como uma prece involuntária. Ele se levantou da cadeira tão rápido que o móvel rangeu contra o piso de madeira. Seus olhos percorreram o corpo dela em um instante febril, procurando machucados, sangue ou qualquer sinal de dano. — O que aconteceu? Você está ferida? Quem tocou em você?

— Eu estou bem, seu dramático — disse Clara, dando dois passos para dentro da sala e fechando a porta atrás de si com um baque seco. — Ainda inteira.

A preocupação dele não diminuiu. Trystan contornou a mesa a passos largos, diminuindo a distância entre eles. Ele parou a menos de um metro de distância, com as mãos crispadas ao lado do corpo, hesitando, como se estivesse lutando contra o impulso quase incontrolável de puxá-la para os seus braços e nunca mais soltar. Ele não se atrevia a tocá-la sem permissão; sabia exatamente o terreno em que pisava.

— Você nunca vem aqui a menos que o mundo esteja desmoronando — disse ele, a voz rouca, suave demais para um homem com tantas mortes nas costas. Ele a fitava como se ela fosse a única coisa real e brilhante em meio a todo o seu império de sombras. — Diga-me o que houve. Por favor.

Clara olhou para o rosto dele. As olheiras profundas, a mandíbula tensa, a boca que tantas vezes havia sussurrado promessas eternas contra a pele dela antes de ele decidir, em sua infinita soberba e tolice, que ela estaria "mais segura" longe de sua escuridão. O motivo mais idiota da história dos reinos, pensado por uma mente brilhante para a maldade, mas estúpida para o amor.

Ela retirou um envelope lacrado do decote do espartilho e jogou contra o peito dele. Trystan apanhou a carta no ar com reflexos impecáveis.

— O lorde Kaelen acha que eu sei demais sobre as rotas de comércio que você saqueou no mês passado — disse Clara, o tom endurecendo, revelando a ferocidade que guardava dentro de si. — Ele mandou capangas me cercarem na feira hoje de manhã. Deixaram isso na minha porta. Disseram que se eu não entregasse o que sei, minha cabeça seria exposta nos portões da cidade até o fim da semana.

Enquanto Clara falava, os olhos de Trystan corriam pelas linhas da carta. A cada palavra lida, a expressão dele se transformava. A vulnerabilidade e o carinho silencioso foram sepultados por uma frieza atroz, uma escuridão tão densa que a temperatura da sala pareceu cair vários graus.

— Kaelen — murmurou ele, e o nome soou como uma sentença de morte irrevogável. Ele amassou o papel nas mãos com tanta força que o lacre virou pó. — Ele ousou ameaçar você. Na sua casa.

— Eu não vim aqui pedir para você chorar as minhas pitangas, Trystan — Clara cruzou os braços, encarando-o de frente, sustentando o olhar assustador dele sem piscar. — Vim porque sei que aquele desgraçado é assunto seu. E porque, se aqueles homens voltarem a pisar no meu quintal, eu vou quebrar a perna de cada um deles, mas prefiro que você arranque a cabeça da cobra antes que eu tenha que limpar sangue da minha varanda.

Trystan deu mais um passo à frente. Agora, ele estava tão perto que ela podia sentir o calor emanando de seu corpo e o cheiro familiar de cravo, couro e fumaça que pertencia apenas a ele. Os olhos dele suavizaram-se novamente apenas para ela, cheios de uma culpa dolorosa.

— Você nunca mais terá que se preocupar com ele — prometeu ele, em voz baixa, solene. — Ao pôr do sol, o lorde Kaelen não terá mais uma casa, uma linhagem ou uma língua para proferir ameaças. Ninguém toca em você, Clara. Ninguém.

— Bom — disse ela, com a respiração um pouco acelerada pela proximidade, embora mantivesse a expressão impassível. — É o mínimo que você pode fazer depois de quase me fazer ser assassinada pelas suas intrigas idiotas.

O golpe verbal atingiu Trystan com força. Ele baixou os olhos por um segundo, a culpa pesando sobre seus ombros largos.

— Clara... eu sinto muito. Eu... você sabe que tudo o que eu fiz...

— Poupe-me do discurso de mártir, Trystan — interrompeu ela, com a voz embargada por uma dor antiga, mas firme. — Você escolheu me afastar por causa do seu ego e dessa sua ideia patética de que podia decidir o que era melhor para mim. Você quebrou a nossa casa. Quebrou o que nós éramos. Então não venha fingir que se importa com a minha segurança por nobreza agora.

Trystan apertou a mandíbula, os olhos brilhando com um desespero contido.

— Eu me importo porque você ainda é a dona de tudo isso aqui! — desabafou ele, a voz quebrando ligeiramente, traindo a compostura de vilão implacável. — Porque não há um único dia em que eu entre neste escritório e não veja você sentada perto da janela. Não há uma noite em que eu durma naquele quarto sem amaldiçoar o momento em que soltei a sua mão!

Clara sustentou o olhar dele. Seu coração doía, um aperto doloroso que ela tentou ignorar a todo custo. Ela sabia que ele a amava; via isso na forma como ele a olhava, como se ela fosse a criadora do sol e das estrelas. Mas ela tinha orgulho demais, mágoa demais para simplesmente cair nos braços dele.

— O problema é seu — disse ela, fria, embora os olhos estivessem úmidos. — Você cavou a própria cova. Agora viva nela.

Ela deu meia-volta, a saia farfalhando com violência ao redor das pernas, e marchou em direção à porta.

— Clara, espere — chamou ele, dando um passo involuntário para segui-la, mas parou no meio do caminho, temendo cruzar a linha que ela havia traçado. — Fique aqui. Pelo menos até eu lidar com Kaelen. O covil é seguro.

Clara parou com a mão na maçaneta. Olhou por cima do ombro, com um sorriso triste e afiado nos lábios lábios cheios.

— Minha casa é onde eu estou segura, Trystan. E este lugar não é mais a minha casa.

Ela abriu a porta e saiu, sem olhar para trás.

O baque da madeira se fechando ecoou pelo corredor vazio. No escritório, Trystan permaneceu imóvel por longos segundos, com o punho fechado tremendo de tensão. O perfume doce e marcante dela ainda pairava no ar, um fantasma do futuro que ele mesmo havia destruído.

A dor no peito dele se transformou rapidamente em algo muito mais fácil de suportar: uma fúria destrutiva e incontrolável contra si mesmo, contra o mundo e contra qualquer um que cruzasse seu caminho.

Com um rugido ensurdecedor, Trystan desferiu um golpe devastador na mesa de mogno, partindo a madeira pesada ao meio e enviando mapas, tinteiros e adagas voando pelas paredes.

No saguão lá embaixo, Sage ouviu o estrondo terrível ecoar pelos tetos de pedra, seguido pelo som de ferro sendo retorcido e a voz estrondosa do Vilão berrando ordens sanguinárias para os generais de guerra.

Sage olhou em pânico para Becky, que apenas respirou fundo, pegou uma garrafa de vinho da dispensa e entregou uma taça para a jovem assistente.

— Viu só? — disse Becky, com um suspiro conformado, servindo a bebida até a borda. — Ela foi embora. Prepare-se, Sage. Os próximos dez dias vão ser um pesadelo.

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