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Mais que amigos
Fandom: Naruto
Criado: 10/11/2025
Tags
RomanceDramaAngústiaRealismoEstudo de PersonagemCiúmesFatias de VidaDor/ConfortoUA (Universo Alternativo)Abuso de Álcool
A Linha Tênue Entre o Para Sempre e o Nunca Mais
**Duda POV**
O cheiro de maresia e protetor solar ainda me traz lembranças vívidas daquele verão. O verão que mudou tudo. Sasuke e eu éramos inseparáveis desde o oitavo ano, uma dupla dinâmica que todo mundo jurava ser um casal. E eu, por mais que negasse com todas as minhas forças, sempre tive uma pulguinha atrás da orelha. Não era amor, não daquele jeito romântico que as meninas da minha sala sonhavam em ter com os garotos mais populares. Era algo diferente, mais profundo, mais… tangível. Uma conexão que ia além das palavras, dos olhares e até mesmo dos toques inocentes.
Ele era o meu porto seguro, o confidente dos meus segredos mais bizarros, o parceiro nas minhas aventuras mais insanas. Eu o conhecia como a palma da minha mão, e ele me conhecia ainda melhor. Sabia quando eu estava irritada só pelo jeito que eu cruzava os braços, sabia quando eu estava triste só pelo tom da minha voz. E eu, claro, sabia de cor e salteado suas manias, seus medos, seus sonhos.
Nossa amizade era a prova viva de que homem e mulher podiam ser "apenas amigos", mas a linha que separava essa amizade de algo mais sempre foi… tênue. Quase invisível, mas presente. Uma tensão elétrica que flutuava no ar sempre que nossos olhares se encontravam um pouco mais do que o necessário, ou quando nossas mãos se roçavam por acidente.
Eu, com meus 1,60m de pura personalidade e meus cabelos pretos longos, sempre fui a "intocável". Não por falta de interesse, muito pelo contrário. Minha fama de seletiva e cobiçada era bem merecida. Tinha uma fila de pretendentes que se estendia até o horizonte, mas eu nunca me permiti cruzar a linha com ninguém. Não de verdade. Era como se eu estivesse esperando por algo, ou alguém, que eu nem sabia o que era.
Sasuke, por sua vez, era um conquistador nato. Com seu 1,80m de corpo atlético de surfista e seus piercings que só acentuavam seu charme, ele era o tipo de cara que virava cabeças por onde passava. As meninas suspiravam por ele, e ele, sem a menor cerimônia, aproveitava cada segundo da atenção. Ele me contava sobre suas paqueras, suas namoradas, suas ficantes, e eu, na minha inocência (ou talvez burrice), o ouvia com a maior naturalidade. E ele, da mesma forma, ouvia minhas desventuras amorosas com a mesma atenção.
Era engraçado, ou talvez um pouco masoquista, como a gente falava sobre nossos interesses amorosos um com o outro. Era como se estivéssemos testando os limites da nossa amizade, brincando com fogo, mas nunca nos queimando de verdade. Ou era o que eu pensava.
O primeiro ano do ensino médio foi o auge da nossa amizade. A gente passava mais tempo junto do que separado. As aulas, os intervalos, as tardes de estudo na biblioteca, os fins de semana no shopping, tudo era motivo para a gente se encontrar. E, claro, as noites de filmes na casa de um ou de outro, com pipoca e refrigerante, eram sagradas.
Foi em uma dessas noites, na minha casa, que a gente brigou. Não foi uma briga qualquer, daquelas que a gente se zanga por cinco minutos e depois já está rindo de novo. Foi uma briga feia, daquelas que deixam marcas. Eu nem me lembro direito do motivo, acho que foi uma bobagem sobre ciúmes. Ciúmes da parte dele, claro. Ele tinha esse temperamento possessivo que às vezes me tirava do sério.
Eu lembro que ele estava me contando sobre uma garota nova na sala dele, e eu, na minha tentativa de ser a amiga compreensiva, dei um conselho que ele não gostou. Ele achou que eu estava tentando afastá-lo dela, e eu, na minha teimosia, não quis dar o braço a torcer. As palavras saíram da minha boca como facas, e as dele, como balas. Foi um desastre.
Depois daquela noite, a gente parou de se falar. Do dia para a noite, a nossa amizade de anos desmoronou como um castelo de cartas. Eu senti um vazio imenso, como se uma parte de mim tivesse sido arrancada. Eu o via pelos corredores da escola, e a gente se evitava. Era doloroso, mas eu não conseguia dar o primeiro passo. Meu orgulho era maior, e eu sabia que o dele também era.
Ainda me lembro da última vez que nos falamos. Foi na saída da escola, alguns dias depois da briga. Eu estava com umas amigas, e ele estava com uns amigos. Nossos olhares se cruzaram, e eu senti um arrepio na espinha. Ele estava diferente, mais calado, mais distante. Eu queria tanto ir até ele, abraçá-lo, pedir desculpas por tudo, mas algo me impedia. O medo, talvez. O medo de que a gente nunca mais voltasse a ser o que era.
E foi assim que a gente se afastou. Sem um adeus, sem uma explicação. Apenas um silêncio ensurdecedor que durou dois anos. Duas eternidades.
**Sasuke POV**
A Duda. Só de pensar o nome dela, um sorriso involuntário surge nos meus lábios. Ela era um furacão, uma explosão de cores e energia que virava meu mundo de cabeça para baixo. Desde o oitavo ano, a gente era grudado. As pessoas até se confundiam, achavam que éramos namorados. E eu, bem, eu não reclamava. Deixar rolar essa ideia me dava um certo prazer.
Eu era o Sasuke. O cara atlético, que tocava guitarra, jogava basquete, tirava de letra em exatas e ainda por cima tinha um charme que desarmava qualquer um. Piercings na orelha, sobrancelha, alargadores. Rock no último volume. Eu era o pacote completo, o "bad boy" com coração de ouro, ou pelo menos era o que eu tentava transparecer. Mas com a Duda, eu era só o Sasuke. O Sasuke bobo, o Sasuke que ria das piadas mais sem graça dela, o Sasuke que se abria e contava tudo.
Ela era linda, com aqueles cabelos pretos longos que pareciam uma cascata e os olhos que brilhavam de inteligência e malícia. E os piercings dela? Ah, os piercings. Eles só realçavam a ousadia que ela tinha. Ela era carismática, alegre, divertida, falante. E, por baixo de toda aquela delicadeza, tinha uma pitada de safadeza e ousadia que me deixava louco.
A gente tinha uma conexão que ia além da amizade. Eu sentia, ela sentia. Todo mundo sentia. Mas a gente nunca cruzou a linha. Era como um jogo perigoso, onde a gente se provocava, se testava, mas nunca dava o xeque-mate. Eu falava das minhas paqueras, ela falava das dela. Era quase uma confissão velada de que éramos o tipo um do outro, mas a gente se recusava a admitir.
O primeiro ano do ensino médio foi o nosso auge. A gente era inseparável. Nossas tardes de estudo eram mais risadas do que livros, e nossas noites de filme eram mais flertes do que enredo. Eu adorava provocá-la, ver o rubor subir em suas bochechas quando eu a elogiava ou fazia uma piada mais picante. Ela era a única que conseguia me fazer rir de verdade, me tirar da minha pose de durão.
Até que a gente brigou. Lembro como se fosse hoje. Eu estava animado, contando sobre uma garota nova na sala, e a Duda, com aquela sua mania de dar conselhos que ninguém pedia, soltou uma pérola. Disse que eu estava me precipitando, que a garota não valia a pena. E eu, movido por um ciúme que eu nem sabia que tinha, explodi.
Eu queria que ela ficasse quieta, que apenas me ouvisse e me apoiasse. Mas ela não era de ficar quieta. Ela era de argumentar, de defender o ponto de vista dela. E foi aí que a coisa desandou. Palavras duras foram ditas, mágoas foram expostas, e de repente, a gente estava em lados opostos de um campo de batalha invisível.
A briga foi feia. Daquelas que deixam um gosto amargo na boca e um buraco no peito. Eu saí da casa dela batendo a porta, e ela, eu sei, ficou chorando. Eu queria voltar, pedir desculpas, mas meu orgulho era maior. E eu sabia que o dela também era.
A gente parou de se falar. Do dia para a noite, a nossa amizade que parecia inabalável se desfez em mil pedaços. Eu a via pelos corredores da escola, linda como sempre, com seus cabelos pretos longos e seus piercings que eu tanto gostava. Mas ela me evitava, e eu a evitava. Era um jogo de gato e rato, onde ninguém queria ser o primeiro a ceder.
Eu sentia falta dela. Da risada dela, das conversas malucas, dos conselhos (mesmo os que eu não pedia). Sentia falta da Duda. A que me fazia sentir que eu podia ser eu mesmo, sem máscaras, sem poses.
A última vez que a gente se falou de verdade foi na saída da escola. Nossos olhos se encontraram, e eu senti um choque elétrico percorrer meu corpo. Ela estava com umas amigas, e eu com os meus. Nenhum de nós teve coragem de dar o primeiro passo. O silêncio entre nós era ensurdecedor, pesado, carregado de arrependimento e de algo mais que eu não conseguia nomear.
E foi assim que a gente se afastou. Dois anos. Duas eternidades de silêncio e distância. Eu segui minha vida, ou tentei. Saí com outras garotas, me diverti, mas a Duda sempre estava lá, no fundo da minha mente, como uma melodia inacabada. Uma parte de mim sempre esperou que ela viesse atrás de mim, que ela me perdoasse. Mas ela não veio. E eu também não fui.
Até que o destino, ou talvez o universo, decidiu que era hora de a gente se reencontrar. E eu, sem saber, estava prestes a ter meu mundo virado de cabeça para baixo de novo.
