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Arquivo secreto
Fandom: Percy Jackson, It-Bem vindos a Derry
Criado: 22/12/2025
Tags
RomanceFatias de VidaRealismoFofuraHumorEstudo de PersonagemHistória DomésticaCrossover
A Noite dos Deuses e Palhaços
O caos era uma constante na vida de Manuella Poubel. Não o caos aterrorizante de Derry, mas o caos barulhento e vibrante de uma vida que de repente se viu sob os holofotes. Depois de “It: Bem-Vindos a Derry”, sua caixa de entrada explodiu, seu telefone não parava de tocar e o mundo parecia ter descoberto que existia uma garota brasileira com olhos de mel e um talento que estava apenas começando. Ela amava Nina, amava a intensidade da personagem, mas a fama era um bicho diferente.
Ainda assim, havia momentos de refúgio. E um deles era quando estava com suas amigas. Madeleine McGraw, a Gwen de “Telefone Preto”, era um furacão de energia e inteligência, com uma boca afiada que Manu adorava. Leah Jeffries, sua Annabeth Chase, trazia uma calma estratégica que equilibrava o trio. Elas eram seu porto seguro, seu lembrete constante de que, por trás de toda a loucura, havia amizade real.
A ligação de Leah veio em um dia especialmente estressante, com Manuela tentando conciliar aulas online, um roteiro novo e uma entrevista sobre “o impacto de Nina no subconsciente coletivo dos adolescentes”.
“Manu! Você não vai acreditar no que eu consegui!” a voz de Leah explodiu no fone, cheia de uma empolgação quase contagiosa.
“O quê? Você convenceu o Rick Riordan a escrever um spin-off da Annabeth onde ela vira a rainha do Olimpo e derruba o Zeus?” Manu brincou, fechando o livro de suspens e que estava lendo.
Leah riu. “Melhor! Quase. O pessoal de Percy Jackson vai vir aqui pra uma noite de jogos. E eu quero que você e a Maddy venham! Tipo, uma confraternização dos semideuses com as garotas que enfrentaram o Pennywise e os fantasmas do Telefone Preto.”
Manuella sentiu um frio na barriga. Jogos. Com o elenco de Percy Jackson. Isso significava… Walker Scobell. O garoto que, em sua cabeça, era uma espécie de mini Ryan Reynolds com cachos e um timing cômico invejável. O garoto que interpretava seu herói favorito, Percy Jackson, e que ela secretamente stalkeava nas redes sociais, admirando sua capacidade de ser real em um mundo de faz de conta. Ela o achava interessante, de um jeito que ia além da atuação. Ele era humano, e isso era raro.
“Leah, você sabe que eu sou péssima em jogos de tabuleiro. E em jogos sociais. Qualquer jogo que envolva mais de duas pessoas e uma bola,” Manuella tentou desconversar, mas seu coração já batia mais rápido.
“Ah, para de drama, Manu! Vai ser divertido! E a Maddy vai vir também. Vocês duas precisam descontrair. E, quem sabe, o Walker te ensina a jogar alguma coisa,” Leah provocou, e Manu soube que havia sido descoberta. Leah sempre percebia.
“Walker? Por que você está falando do Walker?”, Manuella tentou parecer casual, mas sua voz traiu um leve tremor.
“Ah, não sei. Talvez porque ele é o Percy e você tem uma queda meio óbvia por ele? E talvez porque eu vi você rindo um pouco demais no Zoom da entrevista de ‘It’ quando ele estava falando. Só um palpite,” Leah respondeu, com um tom de quem sabia de tudo.
Manuella suspirou. “Tá, tá. Eu vou. Mas se eu passar vergonha, a culpa é sua.”
“Combinado! Te vejo na sexta, às sete. Não se atrase!”
***
A sexta-feira chegou mais rápido do que Manuella esperava. Ela passou a tarde com Alice, Julia e Lila, suas amigas do Brasil, em uma chamada de vídeo cheia de risadas e conselhos.
“Amiga, se joga! Quem não arrisca, não petisca. E ele é uma gracinha,” Julia incentivou, dramatizando com as mãos.
“Julia, ele é um ator famoso. E eu sou eu. Não é tão simples,” Manuella respondeu, enquanto Lila, em segundo plano, fazia alongamentos e Alice observava o cabelo de Julia com um olhar crítico.
“Simples ou não, é uma oportunidade de socializar fora do seu bunker de livros e roteiros,” Alice pontuou, com sua observação afiada de sempre. “E, de qualquer forma, a gente já shippa vocês dois. Walker e Manu, tem um bom anel.”
Lila, com sua praticidade habitual, interveio: “Apenas seja você mesma, Manu. E não esqueça de respirar. E talvez leve um lanche saudável, caso a comida seja ruim.”
Manuella riu. Suas amigas eram seu equilíbrio perfeito. Ela desligou a chamada sentindo-se um pouco mais confiante, mas ainda com o nervosismo borbulhando no estômago.
Quando chegou à casa de Leah, Madeleine já estava lá, sentada no sofá, comendo pipoca e conversando animadamente com Aryan Simhadri (Grover). O restante do elenco de Percy Jackson já estava presente: Virginia Kull (Sally Jackson) e Glynn Turman (Quíron) estavam em um canto, rindo de algo que Jason Mantzoukas (Dionísio/Sr. D) acabara de dizer, com sua energia caótica. Charlie Bushnell (Luke) e Dior Goodjohn (Clarisse) estavam em outro, com Charlie exibindo aquele sorriso perigoso que era sua marca registrada.
E então, lá estava ele. Walker Scobell. Sentado no chão, perto da mesa de centro, com uma pilha de jogos de tabuleiro ao seu lado, discutindo as regras de algo que parecia envolver dados e estratégia com Leah. Ele tinha o mesmo ar descontraído e ligeiramente desleixado que ela via nas entrevistas, os cachos bagunçados e um sorriso meio torto no rosto. Ele não parecia um ator famoso, parecia apenas um garoto normal, e isso a fez relaxar um pouco.
Leah a viu e abriu um sorriso enorme. “Manu! Chegou! Vem cá, gente, essa é a Manuella!”
Todos a cumprimentaram calorosamente. Virginia Kull a abraçou como se fosse sua própria filha, e Glynn Turman acenou com um sorriso sábio. Jason Mantzoukas fez uma piada sarcástica sobre a idade dela, o que a fez rir.
Walker se levantou, limpando as mãos nas calças. “Oi, Manuella. É legal finalmente te conhecer pessoalmente. Adorei você em ‘It’.”
Manuella sentiu seu rosto corar. “Oi, Walker. Eu… eu também adorei você em ‘Percy Jackson’. E em ‘O Projeto Adam’.” Ela gaguejou um pouco, repreendendo-se mentalmente.
Ele riu, e o som era ainda mais charmoso ao vivo. “Valeu. Fico feliz que tenha gostado. Você é ótima. Sua personagem em ‘It’… Nina. Foi brutal.”
“Obrigada. Foi… intenso. Mas valeu a pena,” Manuella respondeu, sentindo-se um pouco mais à vontade.
A noite de jogos começou. Eles jogaram Catan, e Manuella, como previsto, foi péssima. Walker, por outro lado, era estrategista e competitivo, mas de um jeito divertido. Ele a provocava gentilmente quando ela fazia uma jogada ruim, e a ensinava as regras com paciência.
“Você precisa pensar três passos à frente, Manuella. É como xadrez, mas com ovelhas,” ele disse, com um brilho nos olhos.
“Eu não sou boa em pensar três passos à frente na vida, imagina em um jogo de tabuleiro,” ela retrucou, e ele riu.
Madeleine e Leah, sentadas perto, trocavam olhares cúmplices e sorrisinhos. Elas notavam a química, a forma como Manuella relaxava na presença de Walker, como os dois riam das mesmas coisas.
Mais tarde, eles jogaram charadas. Manuella, que era uma leitora voraz, se destacou em mímicas de títulos de livros, enquanto Walker era hilário imitando personagens de filmes de ação. A cada rodada, a tensão entre eles diminuía, substituída por uma energia leve e divertida.
Houve um momento em que eles estavam em equipes opostas. A charada de Walker era “Um Estranho no Ninho”. Ele se contorcia, fazia caretas e apontava para si mesmo, indicando “estranho”, depois para o ninho de Leah, e para o céu. Manuella, que tinha assistido ao filme recentemente, gritou a resposta, ganhando um ponto para sua equipe.
“Como você adivinhou isso tão rápido? Ninguém nunca adivinha essa!” Walker exclamou, surpreso.
“Eu leio muito,” ela respondeu, com um sorriso vitorioso. “E você é muito expressivo.”
Ele corou levemente. “Você também.”
A noite continuou com risadas, pipoca e refrigerante. Virginia Kull e Glynn Turman se juntaram a eles em alguns jogos, enquanto Jason Mantzoukas preferia comentar as jogadas com seu sarcasmo habitual. Aryan era a alma da festa, sempre com uma piada ou um comentário engraçado.
Quando a maioria do elenco de Percy Jackson começou a se despedir, restaram apenas Walker, Leah, Madeleine e Manuella. A conversa fluiu para os desafios de serem jovens atores em Hollywood, as pressões, as expectativas.
“É uma loucura, né?” Walker disse, recostado no sofá, com os cabelos ainda mais bagunçados. “Um dia você tá jogando videogame no seu quarto, no outro você tá interpretando um semideus e todo mundo tem uma opinião sobre como você devia ser.”
Manuella assentiu. “Sim. É como se de repente não houvesse mais espaço para ser só você. Nina foi incrível, mas agora, tudo que eu faço é analisado. É exaustivo tentar ser a ‘Manuella que todos esperam’ o tempo todo.”
“Exato!” ele concordou, virando-se para ela. “É por isso que eu gosto de ler. Me transporta para outro lugar. Você consegue ser anônima por umas horas.”
“Eu também!” Manuella exclamou, seus olhos brilhando. “Amo suspense. Aqueles que te deixam pensando por dias.”
“Eu sou mais de fantasia. Percy Jackson, obviamente. Mas também Tolkien, e um monte de coisas que talvez você ache nerd demais,” ele confessou, com um sorriso encabulado.
“Nerd demais? Por favor, eu sou fã de Nico di Angelo e Leo Valdez. Eu sou a definição de nerd,” ela brincou, e eles riram juntos.
Leah e Madeleine observavam a interação, silenciosas. Não era uma tensão romântica, mas sim uma conexão genuína, um conforto mútuo que surgia da compreensão de um mundo que poucos podiam entender. Era a tensão de duas almas que se reconheciam em meio ao caos.
“Vocês dois deveriam fazer um clube do livro,” Madeleine sugeriu, com um sorriso maroto.
Walker olhou para Manuella, um brilho nos olhos. “Eu topo. Que tal?”
Manuella sentiu seu coração dar um pulo. “Eu também.”
Depois de mais algumas conversas sobre filmes, livros e a loucura de ser um ator adolescente, Walker se despediu. Ele abraçou Leah e Madeleine, e quando chegou a vez de Manuella, ele hesitou por um segundo, e então a abraçou. Foi um abraço rápido, mas ela sentiu uma faísca, uma leveza.
“Foi legal te conhecer, Manuella. De verdade,” ele disse, com aquele sorriso meio torto.
“Você também, Walker. De verdade,” ela respondeu, sentindo suas bochechas esquentarem.
***
Quando Walker saiu, Leah e Madeleine se viraram para Manuella, com sorrisos largos nos rostos.
“Então, ‘De verdade’, huh?” Madeleine provocou, imitando a voz de Walker.
“Cala a boca, Maddy!” Manuella jogou uma almofada nela.
“Não, sério, Manu. Vocês têm uma química! Ele te olhava de um jeito… diferente,” Leah acrescentou, com a sabedoria de uma estrategista.
“Ele é só legal. E a gente tem coisas em comum. É normal,” Manuella tentou minimizar, mas seu coração ainda batia forte.
“Normal? Manu, eu nunca te vi tão relaxada perto de alguém que você mal conhece,” Madeleine observou. “E você não gaguejou tanto quanto normalmente gagueja perto de garotos.”
“É porque ele é… ele é como a gente. Ele entende,” Manuella admitiu, sentindo um calor no peito. “É bom ter alguém que entende o que é estar nessa loucura.”
Leah e Madeleine se entreolharam novamente, e então Leah sorriu. “Eu sabia. Eu sempre sei. E ele é um fofo. Não é o Percy que você imaginou, mas é o Percy que a gente precisava.”
“E talvez o Walker que você precisava,” Madeleine completou, piscando para Manuella.
Manuella riu, deitando-se no sofá entre as duas amigas. O caos do mundo lá fora parecia distante. Ali, no abraço da amizade e na promessa de uma nova conexão, ela encontrava seu próprio tipo de refúgio. E talvez, apenas talvez, o garoto cacheado que ela admirava de longe pudesse ser mais do que apenas um colega de profissão. Ele poderia ser um amigo, ou algo mais, em um mundo que, de repente, parecia um pouco menos caótico e um pouco mais divertido.
