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Sla
Fandom: Tokyo revengers
Criado: 28/12/2025
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DramaAngústiaPsicológicoSombrioDistopiaSuspenseSobrevivênciaEstudo de PersonagemHistória DomésticaTragédiaRealismoViolência GráficaEstupro
A Gaiola de Ouro
O quarto estava mergulhado em um silêncio opressor, pesado como a névoa que pairava do lado de fora da janela. Mikey estava deitado na cama, o corpo tenso, os olhos fixos no teto, mas a mente em um turbilhão de fúria. Aquele silêncio era apenas a calmaria antes da tempestade, e Hanna sabia disso. Sentada na beirada da cama, encolhida, ela sentia cada batida do seu coração ecoar em seus ouvidos, um ritmo frenético de medo e arrependimento.
Naquela noite, ela havia desobedecido. De novo. A tentativa de fuga, desesperada e mal planejada, havia sido frustrada antes mesmo de começar. Apenas a visão de Mikey parado na porta da frente, o olhar frio e a expressão inabalável, foi suficiente para paralisá-la. Agora, ele estava ali, e ela, presa em sua própria teia de desobediência e pavor.
Mikey levantou-se da cama com uma lentidão calculada, cada movimento exalando uma ameaça silenciosa. Seus olhos, antes fixos no teto, agora estavam presos em Hanna, um brilho perigoso dançando neles. Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha, um pressentimento sombrio que a fez encolher ainda mais. Ele caminhou em direção à porta, e Hanna prendeu a respiração, observando cada passo, cada movimento. O estalo seco da porta se fechando foi como um tiro no coração de Hanna. O som da chave girando na fechadura, seguido pelo clink metálico quando ele a guardou no bolso, selou o seu destino. Ele não a deixaria sair até que ele tivesse o que queria. E Hanna sabia exatamente o que ele queria.
"Você sabe o que acontece quando você me desobedece, não sabe, Hanna?" A voz de Mikey era calma, mas o tom era gelado, como o aço. Ele se aproximou dela, seus passos ecoando no quarto silencioso. Hanna sentiu o cheiro familiar de seu perfume, um aroma que antes a confortava, mas que agora a sufocava.
Ela não respondeu, apenas abaixou a cabeça, os olhos fixos nas próprias mãos trêmulas. As lágrimas já estavam se formando, ameaçando transbordar.
Ele se ajoelhou na frente dela, levantando seu queixo com um dedo. Seus olhos negros a perfuravam, buscando uma resposta, uma reação. "Eu te dei tudo, Hanna. Um lar, proteção, amor. E o que você me dá em troca? Desobediência. Ingratidão."
Hanna finalmente encontrou sua voz, um sussurro frágil. "Eu... eu só queria... respirar um pouco."
Um sorriso frio se formou nos lábios de Mikey. "Respirar? Você tem todo o ar que precisa aqui, Hanna. Conforto, segurança. O mundo lá fora é cruel, você não entende? Eu te protejo disso."
"Mas... eu me sinto presa, Mikey. Eu me sinto... sufocada." As palavras escaparam antes que ela pudesse contê-las, e o arrependimento a atingiu instantaneamente.
O sorriso de Mikey desapareceu, substituído por uma expressão de fúria contida. "Sufocada? Você está me dizendo que eu te sufoco, Hanna? Depois de tudo que eu fiz por você?" Ele se levantou abruptamente, a voz ganhando volume. "Eu te tirei daquele lixo, te dei uma vida decente! E você me paga com essa ingratidão?"
Hanna tentou recuar, mas não havia para onde ir. "Não é isso, Mikey! Eu só... eu sinto falta da minha família, dos meus amigos. Eu sinto falta de ser livre."
As palavras "livre" pareciam irritá-lo ainda mais. Ele deu um passo em sua direção, a mão se fechando em um punho. "Livre? Você acha que era livre antes de mim? Você era um alvo fácil, Hanna! Um brinquedo para qualquer um usar e descartar! Eu te salvei disso!"
Uma lágrima teimosa finalmente escorreu pelo rosto de Hanna. "Mas eu não pedi para ser salva assim, Mikey. Eu não pedi para ser sua prisioneira."
O som do tapa ecoou pelo quarto, um estalo seco e doloroso. A cabeça de Hanna virou para o lado, a bochecha ardendo. Ela levou a mão ao rosto, os olhos arregalados de dor e choque.
Mikey a observou, a respiração pesada, os olhos queimando. "Nunca mais diga isso, Hanna. Nunca mais diga que é minha prisioneira. Você é minha. E eu faço o que eu quiser com o que é meu."
Ele se abaixou, agarrando seu braço com força, os dedos cravando em sua pele. "Você vai aprender a me obedecer, Hanna. Você vai aprender a me amar do jeito que eu quero ser amado."
As lágrimas escorriam livremente agora, misturadas com o gosto amargo do medo. Hanna sabia que não havia escapatória. Não por enquanto.
Os dias que se seguiram foram um borrão de dor e submissão. Mikey a mantinha sob vigilância constante, seus olhos a seguindo a cada movimento. Ele a privava de qualquer contato com o mundo exterior, confiscando seu telefone, desligando a internet. As janelas do quarto permaneceram fechadas, as cortinas pesadas bloqueando a luz do sol. O quarto, antes um refúgio, tornou-se uma prisão.
Hanna tentou se manter forte, mas a cada dia, sua vontade era corroída um pouco mais. As palavras de Mikey, as manipulações emocionais, os toques que pareciam carinhosos mas que escondiam uma ameaça velada, a estavam quebrando. Ele a fazia se sentir culpada por sua própria infelicidade, por sua própria necessidade de liberdade. Ele a convencia de que a amava, mas que seu amor era diferente, mais profundo, mais possessivo.
Em uma tarde, Mikey entrou no quarto com uma bandeja de comida, o rosto mais suave do que o normal. Ele se sentou ao lado dela na cama, oferecendo um pedaço de fruta. Hanna hesitou, mas a fome e a esperança de um momento de paz a fizeram aceitar.
"Eu só quero o seu bem, Hanna," ele disse, sua voz quase um lamento. "Eu não quero que você sofra. O mundo é um lugar cruel, e eu sou o único que pode te proteger."
Hanna o olhou, os olhos marejados. "Mas e a minha felicidade, Mikey? E os meus sonhos?"
Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo dela. "Seus sonhos são os meus sonhos, Hanna. Sua felicidade é a minha felicidade. Nós somos um só."
As palavras eram um veneno doce, embrulhadas em uma promessa de amor. Hanna sabia que não era verdade, mas a exaustão e a solidão a faziam querer acreditar. Ela queria acreditar que havia uma saída, que ele poderia mudar.
Mas a mudança nunca vinha.
Naquela noite, sob a luz fraca do abajur, Mikey a observava dormir. Uma parte dele sentia um estranho tipo de ternura, uma possessividade que ele confundia com amor. A outra parte, a parte sombria e controladora, se deleitava em sua submissão.
Ele sonhava com um futuro onde Hanna estaria completamente moldada à sua vontade, um futuro onde ela o amaria incondicionalmente, sem perguntas, sem hesitação. Um futuro onde ela seria sua para sempre, presa em sua gaiola de ouro.
Hanna, em seu sono agitado, sonhava com campos abertos, com o vento em seu cabelo, com o riso de seus amigos. Ela sonhava com a liberdade, um sonho que parecia cada vez mais distante, cada vez mais inatingível.
No dia seguinte, a rotina foi a mesma. Mikey a observava, controlava cada passo, cada palavra. Ele a forçava a comer, a dormir, a vestir as roupas que ele escolhia. Ele a lembrava constantemente de sua "ingratidão" e de como ele a havia "salvado".
A cada vez que ela tentava argumentar, a cada vez que ela tentava expressar sua frustração, ele a punia. Não sempre com violência física, mas com a tortura silenciosa do isolamento, da privação, da manipulação emocional. Ele a fazia se sentir tão pequena, tão insignificante, que ela começava a duvidar de sua própria sanidade.
Um dia, enquanto Mikey estava fora resolvendo "negócios", Hanna encontrou um pequeno espelho que ele havia esquecido no quarto. Ela se olhou, e o que viu a chocou. Seus olhos, antes cheios de vida, agora estavam opacos e sem brilho. Seus lábios, antes sorridentes, agora estavam curvados em uma expressão permanente de tristeza. Ela mal se reconhecia.
Uma onda de pânico a atingiu. Ela não podia continuar assim. Ela não podia se perder completamente.
Quando Mikey voltou, ele a encontrou sentada na cama, os olhos vermelhos de tanto chorar. Ele se aproximou dela, o semblante preocupado.
"O que aconteceu, Hanna? Por que está chorando?"
Ela o olhou, e pela primeira vez em muito tempo, havia um brilho de desafio em seus olhos. "Eu não posso mais fazer isso, Mikey. Eu não posso viver assim."
A expressão de preocupação de Mikey rapidamente se transformou em irritação. "Viver assim? Você tem tudo que precisa aqui! Eu te dou tudo!"
"Você me tira tudo, Mikey!" Ela gritou, a voz embargada pelas lágrimas. "Você me tira a minha vida! A minha identidade! Eu sou sua prisioneira!"
O ar no quarto ficou gelado. Mikey a olhou com uma intensidade que a fez tremer. Ele deu um passo em sua direção, os olhos escuros e perigosos.
"Você não aprendeu a lição, não é, Hanna?" Sua voz era baixa, quase um sussurro, mas carregada de uma ameaça velada. "Você ainda não entendeu quem manda aqui."
Ele a agarrou pelo braço, arrastando-a para fora da cama. Hanna tentou resistir, mas ele era muito mais forte. Ele a levou para o banheiro, ligando a torneira da banheira.
"Você precisa ser purificada, Hanna," ele disse, o rosto inexpressivo. "Purificada de toda essa ingratidão, de toda essa rebeldia."
Hanna lutou, seus gritos ecoando pelo quarto. "Não, Mikey! Por favor, não!"
Mas ele não a ouviu. Ele a forçou a entrar na banheira, a água fria a envolvendo. Ele a segurou ali, a cabeça dela submersa, até que seus pulmões começassem a queimar. O pânico a dominou, o medo da morte real e tangível.
Quando ele finalmente a puxou para fora, ela estava ofegante, tossindo e tremendo. O cabelo molhado grudado em seu rosto, as lágrimas se misturando com a água.
Mikey a olhou, seus olhos ainda frios. "Você entendeu agora, Hanna? Você entendeu quem está no controle?"
Ela não conseguiu responder, apenas acenou com a cabeça, o corpo tremendo incontrolavelmente.
Ele a pegou no colo, levando-a de volta para a cama. Ele a secou com uma toalha, seus toques estranhamente gentis, mas ainda carregados de uma possessividade doentia.
"Eu te amo, Hanna," ele sussurrou, beijando sua testa. "Eu te amo mais do que tudo no mundo. E eu farei o que for preciso para te manter segura. Para te manter minha."
Hanna fechou os olhos, as lágrimas escorrendo silenciosamente. Ela sabia que aquelas palavras eram uma mentira. Um amor que a sufocava, que a machucava, que a aprisionava, não era amor. Era uma doença.
Mas ela estava presa. Presa em uma gaiola de ouro, construída por um homem que a amava de uma forma doentia, e que não a deixaria ir. E a cada dia que passava, a esperança de escapar se tornava mais frágil, mais distante, como um sonho que se desfazia na névoa.
Ela sentiu o peso do olhar de Mikey sobre ela, mesmo com os olhos fechados. Ele estava ali, observando-a, controlando-a, mesmo em sua fragilidade. E Hanna sabia que, a partir daquele momento, sua luta não seria para escapar, mas para sobreviver. Para manter viva a pequena chama de sua própria identidade, mesmo que fosse em segredo, escondida nas profundezas de sua alma. A gaiola de ouro havia se fechado, e ela estava presa, mas não quebrada. Ainda não.
